Dentro de uma sala na prisão de Folsom, três homens do mundo exterior participam de um retiro de terapia de grupo durante quatro dias com homens encarcerados para uma visão real dos desafios da reabilitação. Ao longo dos quatro dias, cada homem na sala toma sua vez de mergulhar profundamente em seu passado. O processo bruto e revelador que os homens encarcerados realizam excede as expectativas dos homens livres, arrancando-os de suas zonas de conforto e forçando-os a se verem a si mesmos e aos prisioneiros de maneiras inesperadas.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Filme bem bonito e provocador. A empatia e a solidariedade não são aspectos fortes da sociedade contemporânea. O programa que o filme aborda é, por isso, uma ousadia nos EUA de hoje.
Como operador do Direito, a miopia com que a prisão é tida como um instrumento de punição ou retribuição, em vez de oportunidade de ressocialização é um dos maiores pecados das políticas públicas no setor e estímulo para o crescimento exponencial da criminalidade e, por conseguinte, da população carcerária, que, nos Estados Unidos, apenas atende aos interesses das instituições privadas que administram os presídios. Deve haver soluções mais eficientes e argumentos além do superficial de "adotar um bandido", e este documentário, de maneira contundente, intensa e quiçá heterodoxa, explora o sentimento aprisionado não somente em condenados por crimes hediondos, mas também aos visitantes do programa de terapia em grupo, estes próprios movidos por preconceitos iguais aos meus e aos seus em relação a tal segmento afastado, não injustamente ao menos na maioria, do convívio da sociedade. A abordagem objetiva e observatória mantém aquele momento sagrado incólume da interferência da câmera - ainda que isto seja impossível totalmente, pois, na prática, as lentes superlativam ou inibem -, convidando o público a se desnudar de sua armadura e desafiar pré-juízos e criando cenas memoráveis dado o tsunami de emoções que carregam, ora bradados furiosamente, ora silenciosamente introjectados. Merece destaque a mixagem de som ao captar os sons fora do grupo que acompanhamos, bem como as batidas do coração de um preso enquanto vence o típico preconceito masculino ao chorar e abraçar outro preso, espremendo contra o próprio peito, com força, o ponto de microfone. Esta cena em todo seu significado é a alma desta produção maiúscula e imperdível.
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