Clemente é um penhorista pouco comunicativo e a nova esperança amorosa de Sofia, vizinha solteira, devota em Outubro ao culto do Senhor dos Milagres. A relação deles começa quando Clemente descobre uma menina recém-nascida, fruto da sua relação com uma prostituta que desapareceu. Enquanto Clemente procura a mãe da pequenina, Sofia ocupa-se dela e de fazer a limpeza na casa do penhorista. Com a chegada destes dois seres na sua vida, Clemente terá ocasião de repensar às suas relações com os outros.
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Como categorizar este filme? Acho que "cru" é a palavra certa. O filme é de uma crueza como nunca tinha visto no cinema antes, talvez isto já faça com que mereça o prêmio Um Certo Olhar que faturou em Cannes. O personagem de Clemente é mesquinho, tosco, antissocial, mas ao mesmo tempo parece transmitir aquele sentimento "Cara, eu te entendo!". A desglamourização da prostituição, o retrato cruel da solidão, o choro irritante do bebê: tudo contribuí para a caracterização do que os diretores querem passar. Os detalhes pequenos que significam muita coisa no filme são facilmente despercebidos por um telespectador desatento. Tudo no filme incomoda, talvez por isso ele pareça ser mais longo do que realmente é, mas ele trás a essência de todo o ser humano, que é a mesma de uma maçaneta quebrada retratada no filme: ninguém permanece o mesmo para sempre.
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Loga-metragem de estreia dos irmãos Daniel e Diego Vega Vidal, “Outubro” é uma das películas que marcam o renascimento do novo cinema peruano. Conta a história de um homem que vive voluntariamente na solidão por bloquear qualquer tipo de envolvimento emocional. A vida sem graça do protagonista e o estilo seco do longa, com pouquíssimos diálogos e parcos cenários, remete a outros filmes latino-americanos como o brasileiro “O Cheiro do Ralo” e o uruguaio “Uísque”. Infelizmente a obra dos irmãos Vidal não consegue alcançar o mesmo padrão de qualidade dos filmes citados, mas as performances contidas do elenco, repletas de sutilezas, indicam que eles estão no caminho certo.
Será q alguém poderia comentar sobre o final do filme???
Não sei se não prestei a devida atenção, mas me perdi..
atraído já por ser um filme peruano, lembra o cheiro do ralo por questões claras, o comércio oriundo das desgraças alheias, a frieza e a podridão que existe em nós, muitas vezes escondidas no silêncio ou na imobilidade da câmera. Se há algo de especial em outubro, e há, é a sensação de que ele acaba, outubro, filmes, nós e nós, o que fazemos? Esperar um bebê aparecer em casa, mudar nossa vida ou tentar trocar uma nota de duzentos soles falsa enganando os outros, permanecendo nossa vida, ir ou ficar diante da finitude de outubro
Miséria, esperança, e o medo de ser sozinho.