Dirigido por Petra Costa e Lea Glob, "Olmo e a Gaivota" é uma ficção contada em forma de documentário, relatando a primeira gravidez de Olívia Corsini, uma atriz e dançarina de teatro. A direção de Petra Costa é firme e delicada, resultando em um filme que não apenas explora aspectos pouco românticos da maternidade, mas a condição emocional feminina diante das mudanças impostas pelo corpo e pela sociedade. Com um olhar atento, Petra molda a narrativa sob uma perspectiva profundamente sensível, capturando nuances que falam diretamente ao universo feminino — muito mais do que ao masculino.
O filme pode causar alguns estranhamentos, principalmente por ser falado em francês, italiano e espanhol; e além disso, há cenas em que se ouve a voz das diretoras em off, interagindo com os personagens, questionando ou guiando suas falas. A narrativa é linear, mas um pouco complexa, com inserções de cenas da peça teatral “A Gaivota”, de Tchekov, na qual Olívia e seu marido desempenham os papeis principais.
Com a evolução da trama, a fotografia faz-se essencial na construção do sentimento de clausura e introspecção que Olívia experimentará. Pequenos detalhes ganham destaque em cena: a iluminação, o foco nas formas do corpo feminino, os móveis que cercam a protagonista. E quando o mundo externo se insinua, é sempre através de grades, janelas cerradas ou perspectivas limitadas. O movimento da câmera é lento, enfatizando a monotonia e a sensação de aprisionamento que dominam a personagem, assim como o arrastar do tempo que mina sua confiança, ampliando sentimentos de solidão e impotência diante da nova realidade.
A trama expõe, de maneira quase visceral, como a gravidez esgarça não só o corpo feminino, mas também a mente e o senso de identidade. A protagonista percebe que já não é a dona do próprio destino — a espera por um filho redefine sua trajetória e, inevitavelmente, sua percepção sobre si mesma. O mundo ao redor também se modifica: a parceria e a intimidade do casal, as perspectivas profissionais de Olívia, a conversa com os amigos.
"Olmo e a Gaivota" também evidencia um contraste latente: para um homem, a espera pelo filho é uma jornada repleta de expectativa e esperança, mas para a mulher, é um percurso de transformações físicas e emocionais que, antes do esplendor do nascimento, desencadeiam medo e ansiedade diante do futuro.
Delicado e contemplativo, o filme é um voo interrompido, um olhar sobre o isolamento involuntário e a necessidade de reencontrar-se dentro de uma nova realidade. Uma jornada onde Olívia não luta contra a gravidez em si, mas contra a perda de quem era antes desse processo.
Um documentário com uma linguagem bastante peculiar, na maior parte da execução, dá pra esquecer que se trata de um, até o momento em que uma interlocução interrompe a narrativa; é a segunda vez que assisto, gostei mais desta vez, deu para mergulhar mais profundamente no drama da atriz que vê sua vida e seus planos se alterarem drasticamente após a descoberta da gravidez...
Dirigido por Petra Costa e Lea Glob, "Olmo e a Gaivota" é uma ficção contada em forma de documentário, relatando a primeira gravidez de Olívia Corsini, uma atriz e dançarina de teatro. A direção de Petra Costa é firme e delicada, resultando em um filme que não apenas explora aspectos pouco românticos da maternidade, mas a condição emocional feminina diante das mudanças impostas pelo corpo e pela sociedade. Com um olhar atento, Petra molda a narrativa sob uma perspectiva profundamente sensível, capturando nuances que falam diretamente ao universo feminino — muito mais do que ao masculino.
O filme pode causar alguns estranhamentos, principalmente por ser falado em francês, italiano e espanhol; e além disso, há cenas em que se ouve a voz das diretoras em off, interagindo com os personagens, questionando ou guiando suas falas. A narrativa é linear, mas um pouco complexa, com inserções de cenas da peça teatral “A Gaivota”, de Tchekov, na qual Olívia e seu marido desempenham os papeis principais.
Com a evolução da trama, a fotografia faz-se essencial na construção do sentimento de clausura e introspecção que Olívia experimentará. Pequenos detalhes ganham destaque em cena: a iluminação, o foco nas formas do corpo feminino, os móveis que cercam a protagonista. E quando o mundo externo se insinua, é sempre através de grades, janelas cerradas ou perspectivas limitadas. O movimento da câmera é lento, enfatizando a monotonia e a sensação de aprisionamento que dominam a personagem, assim como o arrastar do tempo que mina sua confiança, ampliando sentimentos de solidão e impotência diante da nova realidade.
A trama expõe, de maneira quase visceral, como a gravidez esgarça não só o corpo feminino, mas também a mente e o senso de identidade. A protagonista percebe que já não é a dona do próprio destino — a espera por um filho redefine sua trajetória e, inevitavelmente, sua percepção sobre si mesma. O mundo ao redor também se modifica: a parceria e a intimidade do casal, as perspectivas profissionais de Olívia, a conversa com os amigos.
"Olmo e a Gaivota" também evidencia um contraste latente: para um homem, a espera pelo filho é uma jornada repleta de expectativa e esperança, mas para a mulher, é um percurso de transformações físicas e emocionais que, antes do esplendor do nascimento, desencadeiam medo e ansiedade diante do futuro.
Delicado e contemplativo, o filme é um voo interrompido, um olhar sobre o isolamento involuntário e a necessidade de reencontrar-se dentro de uma nova realidade. Uma jornada onde Olívia não luta contra a gravidez em si, mas contra a perda de quem era antes desse processo.
Um trabalho e tanto de criação.Brilhante como conseguiram bem utilizar a transição a favor.
>Assistido em de Março de 2024
Um documentário com uma linguagem bastante peculiar, na maior parte da execução, dá pra esquecer que se trata de um, até o momento em que uma interlocução interrompe a narrativa; é a segunda vez que assisto, gostei mais desta vez, deu para mergulhar mais profundamente no drama da atriz que vê sua vida e seus planos se alterarem drasticamente após a descoberta da gravidez...
reassistido em 11/01/2020.
"Uma vida por um dente.
Mas a simplicidade com que ela falou me perturbou muito... como se fosse fácil dar pedaços de si."