Nadia Murad, uma Yazidi de 23 anos, sobreviveu ao genocídio e à escravidão sexual cometidos pelo ISIS. Repetindo sua história para o mundo, essa garota comum se vê no palco internacional como a voz de seu povo.
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Nadia Murad é uma mulher de 23 anos, sobrevivente de violências inenarráveis praticadas pelo grupo terrorista ISIS, mas corajosa a ponto de reviver tal sofrimento indefinidamente, a fim de alertar o mundo sobre o genocídio sistemático praticado contra seu povo, Yazidi. Se desejasse, Nadia poderia permanecer calada, e nenhuma alma viva levantaria sequer uma vírgula para criticar sua decisão. Entretanto, ela escolheu o caminho humanitário da paz e resolveu permanecer diante da imprensa, dos políticos mais poderosos do mundo e, consequentemente, de todos nós, inclusive seus agressores, para usar a única arma que possui: sua história.
O documentário dirigido por Alexandria Bombach é extremamente respeitoso com Nadia, tratando-a com a dignidade dispensada a heroínas e enfatizando todo o sofrimento que é enfrentar os entrevistadores (que fazem perguntas dolorosas e sensacionalistas, mas não aquelas importantes) e a tristeza em constatar que a política de refugiados também ajuda no genocídio dos Yazidis, ao subdividi-los em campos espalhados por vários países. Além disso, o documentário não se acovarda e levanta questões para que reflitamos, como se a solução para essa crise humanitária não é o extermínio do ISIS deste planeta (oferecendo uma resposta contundente). É um dos semifinalistas do Oscar, mas merece ir mais longe: não me refiro a prêmios, estes são irrelevantes, e sim chegar ao conhecimento de todo o público.
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