No aeroporto de Paris, uma mulher se apaixona por um estranho, uma família está a caminho de um funeral, um casal perde o contato e uma esposa lê a carta de separação do marido. Todos esperam seus aviões absorvidos em seus destinos imediatos, inconscientes de uma ameaça iminente lá fora.
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"também para lugar algum, meu filho"
Entendi a proposta e tal, mas não chama a atenção em nenhuma das partes - é vagaroso e sem ritmo bom pra manter um interesse.
A abertura de Orly causa um estranhamento: os créditos iniciais são ousados se comprados aos dos filmes anteriores de Schanelec, e lembram a abertura de filmes de Godard. Mas vemos, então, o rosto conhecido de Maren Eggert e reconhecemos as ruas tipicamente francesas (a ligação de Schanelec com a França, especialmente com Paris, é inquestionável e presente em todos os seus filmes). Corte. A câmera percorre demoradamente fotos de família. Parte da capa de um disco está visível; Love will tear us apart”, no clássico A Factory Record – FAC 23. Um homem, um telefonema, uma ruptura. Corte. Int., dia, Aeroporto de Orly.
Orly apresenta oito personagens e quatro histórias - inicialmente, a moça que trabalha no aeroporto parece ser uma das personagens principais, mas ela é apenas como aquele intervalo no tempo; no momento em que poderíamos conhecê-la, ela deixa a sala para falar ao telefone – as quais possuem em comum o ambiente em que se desenrolam. O filme é bastante honesto em sua abordagem deste tempo em suspenso, deste local provisório que marca a não presença, o transitório. Os diálogos, breves, longos, inacabados, banais, retratam bem a fugacidade de tais situações e a relação de espaço público versus intimidade. Remember me, de Cat Power, marca um breve encontro e desencontro, ou a impossibilidade de um amor. Na imobilidade da espera, apenas um fator exterior é capaz de quebrar tal passividade. Apesar de talvez, apenas dar-lhe uma trégua.
“Sim, é verdade. Tudo se move em direção ao vazio”, diz Schanelec sobre o final de Orly.
Curiosidade: a história que Theo conta sobre o velho acompanhado de uma jovem, os quais observou em um café, é bastante semelhante a do homem que Thomas, em A Minha Vida Lenta, foi entrevistar (possivelmente) em Paris . Tomamos conhecimento destes personagens através da narração de Theo e de Thomas; não apenas não os vemos como jamais saberemos quem eles eram. Conta-nos Thomas que tal homem o recebeu - juntamente com sua esposa, com quem parece ter tido mais contato - mas se recusou a falar porque, já tendo completado sua obra, não havia nada a dizer. “Não há nada a dizer. Eu não quero lhe dizer nada. Não há nada a dizer. Nada.”, diz uma voz que entrega sua idade avançada. Theo, em Orly, segue o velho e a jovem à saída do café. Eles entram em um edifício e ele espera em frente, do outro lado da rua. Muito tempo depois, a jovem desce e vai até sua direção. “’Ele me pediu para lhe dizer que não recebe mais visitas. Ele não dá entrevistas há muito tempo e autógrafos, ele nunca os deu. Isso não vai mudar’, ela disse, sem irritação na voz, mas sem sorrir tão pouco, seriamente finalizando a missão que ela parecia ter a cumprir. Este velho, Deus ou o quem quer que ele seja, jamais dá entrevistas. Isso não me surpreendeu.”
http://www.lumi7.com.br/nouvelle-vague-alema/
filmes de pessoas paradas sem fazer nada não ficam melhores do que isso.
O filme é cansativo e lento. Acho que a ideia seria melhor aproveitada se fosse um curta :)