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Duração
Um jovem doutor empreende uma viagem de trabalho a uma insólita e despovoada cidade da Ásia Central. Forças misteriosas interferem em suas pesquisas: um calor infernal, pessoas bizarras, previsões assustadoras, uma conversa com um amigo morto, intervenções de alienígenas. O filme é estruturado com base em contradições: a trilha sonora que não se ajusta às imagens (como na associação de uma mulher muçulmana rezando a uma música de desenho animado), cores e texturas que mudam drasticamente e de maneira aleatória. Em mais uma narrativa poética de Sokurov, o tempo é suspenso e distorcido, desintegrando as relações entre os planos cinematográficos, entre o protagonista e o cenário do filme, entre o homem contemporâneo e o mundo.
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Famoso tipo de filme que vai do nada para lugar nenhum. Horrível!
não sei se é uma pira minha, mas identifico uma queerness latente em filmes do Sokurov (especialmente nesse e em Pai e filho). há uma tensão homoerótica entre o protagonista e seu amigo aqui que arrepia a alma... e a contemplação persistente do corpo masculino seminu, liquefazendo-se no calor de uma longa jornada entre arquétipos
Confesso que não sou um grande admirador da obra do Sokurov, mas esse filme e "A Voz Solitária do Homem" são duas obras esplendidas do diretor para mim. Se "A voz..." foi o filme do cineasta russo que mais me emocionou e me perturbou (com os diversos contatos do protagonista com a morte), "Dias de Eclipse" foi o filme que me despertou para a maestria de seu realizador. Uma capacidade de produzir imagens-sonoras e personagens que não deve nem mesmo a Tarkovsky. Apesar de ter me sentido um pouco cansado durante a projeção, ainda assim não me fez desgostar em nada dessa obra de grande beleza e ousadia. Na tela grande esse filme deve ser uma experiência única com seu mix de referencias auditivas associadas a cenas ficcionais e documentais num Turcomenistão sórdido. Grande filme.
obs: vi num documentário que Tarkovsky queria filmar "Stalker" nesse mesmo país, mas por conta de um terremoto as locações mudaram totalmente.
Falar bem da fotografia nos filmes de Aleksandr Sokurov é quase dispensável. Mas não há como deixar de citar a experiência de ver belas imagens ora em preto e branco, ora em sépia, ora em cores. Diferentes olhares? Diferentes visões do mundo? O mesmo também parece acontecer com a trilha sonora, diversa e às vezes aparentemente nada a ver com a cena à mostra. E falando em falta de sentido, as situações e personagens inusitados que vão aparecendo são praticamente difícieis de dizer se são imaginação ou realidade, diante do mundo em que vive o médico-escritor. Enfim, um filme para ser visto de diferentes ângulos e ser sentido da maneira mais pura.