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Em 1954, o cineasta etnográfico Jean Rouch foi convidado por um pequeno grupo de haukas da cidade de Acra, na África Ocidental, para documentar seu ritual religioso anual.
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É bem pesado. Rouch é um nome fundamental para o cinema, principalmente documental. Para fazer algo assim só mesmo com anos de proximidade e estudo.
Para pesquisa é válido, mostra um tipo de religião que é muito parecida com algumas ainda hoje no Brasil
realmente controverso. não sei decidir ainda se Jean Rouch foi genial ou questionável. talvez isso nem importe. mas são interessantes as maneiras de compreender esse filme e o significado do que Jean propôs.
Acredito que minha analise ficou prejudicada, pois encontrei somente a versão de 28 minutos e não a de 36 minutos; talvez por isso não achei o filme tão agressivo como muitos comentaram abaixo. Lógico que os atos chocam por termos uma cultura diferente, porém prefiro não os julgar. Sigo em busca da versão de 36 para uma melhor avaliação. Nota 7,0.
Sob domínio britânico (branco, cristão, capitalista, tecnológico, preconceituoso, classista e que controla através do poder político e da violência militar), Jean Rouch nos apresenta Accra, Costa do Ouro africana, através de um violento ritual dos haouka.
Esse ritual religioso funciona numa dinâmica de apropriação dos signos que os colonizados têm em relação aos seus colonizadores (não são, portanto, práticas originárias das tradições africanas, mas nascentes do contato da África subdesenvolvida e miserável, com as potências que a explora). Os praticantes reencenam comportamentos e formas de interação social praticados pelos colonizadores e a maestria do Jean Rouch está em inverter a lógica do dominado como um "alienado", mostrando através das práticas ritualísticas, a estupidez do colonizador. Nunca deixará de ser uma relação controversa, já que sempre será o olhar de um europeu branco para uma África negra, mas Rouch superou o olhar do cinema colonial daquele tempo. Afinal de contas, era a África pós-colonial que lhe interessava. Ironias do destino à parte, o mesmo assunto da 1ª geração de cineastas africanos que o acusava de "africanista".