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O filme é protagonizado por uma católica fervorosa, Anna Maria, que se flagela, caminha pela casa de joelhos, impreca os pecadores e chega a se masturbar com um crucifixo.
Se para Teresa o paraíso seria ter um amor terreno, para a sua irmã, Anna Maria, a felicidade suprema tem de vir da fé. Radiologista durante o dia, no tempo que lhe sobra empenha-se na missão de evangelizar almas perdidas - um casal que vive em pecado, uma alcoólatra e outros seres humanos sem rumo. Através da abnegação total dos prazeres carnais, da penitência diária, da tentativa de conversão dos "hereges", da limpeza obsessiva e de orações e cânticos, Anna tenta manter-se afastada do sexo e outros pecados (Seidl, sempre provocador, coloca-lhe no caminho a mais sinistra das orgias). A sua fé é apenas posta à prova pelo marido que, apesar de impedido de andar, não desiste do seu ideal de amor, que inclui um casamento consumado. Mas Anna é implacável na sua decisão de direcionar a vida e o amor para Jesus. Um sentimento que parece infinito mas não é apenas etéreo.
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Um retrato pra lá de incômodo do fanatismo religioso.
Li nos comentários que é uma trilogia certo?? e que um não precisa do outro para entendimento, sera?? Não entendi bem o que o diretor e roteiro quis, fazer paralelo entre fé, sobre a vida mundana em contraste com a religiosidade, a fraqueza humana em sua doutrina fanática, uma metáfora entre os islã e os cristãos, liberdades e presilhas da fé.
Vi um pouco de tudo, mas não sei ao certo o que no final, mas é um cerne interessante, ate por que existe Annas Marias espalhadas por ai, as carolas fanáticas, mergulhadas em sua torta forma de ler os ensinamentos ao que entende que deve ser, os flagelos, medos,e um amor torto.
Tem mais nas entrelinhas da vida dessa mulher do que vemos, que vai da opressão da religião do marido, ate seu prazer reprimido, a liberdade sexual, que torna suja dentro da fé, e dentro dela justificar, cara são vários sentimentos dúbios.
Ate me senti aquele cabeção analista de obras arte nesse texto...
trilogia 2/3 Chato que só o cacete
Foi o que menos gostei da trilogia Paraíso.
“Paraíso: fé” mostra Anna Maria, uma fiel devota do proselitismo e do fundamentalismo religiosos, sempre em busca de apontar os pecados alheios e afirmar sua pureza e sua superioridade moral. Anna, convicta de ter uma missão, invade casas e impõe os padrões e rituais que julga corretos e suficientes para salvar aquelas pessoas. Diante da hostilidade, da contrariedade e de qualquer empecilho que se apresente nestas visitas, fica mais segura de estar cumprindo os propósitos divinos de orientar aquelas pobres almas.
A falsa humildade e a religiosidade vazia são também um fardo para a protagonista, na medida em que, por desconhecer uma abordagem sincera e, principalmente, de amor, da fé que julga propagar, associa o autoflagelo à purificação espiritual de seus desejos (e, na cena mais controversa do filme, pensa “espiritualizar” inclusive o ato meramente carnal).
A hipocrisia ganha uma nova camada na segunda parte do filme, quando se acentua o ar cômico que desde o começo orbita o filme. Há a chegada de Nabil, o marido de Anna muçulmano e paralítico - além de violento e intolerante - que demanda não apenas cuidado por sua condição como também espera ser atendido em suas prerrogativas maritais. Nabil é a extrapolação da narrativa que serve para ressaltar as contradições de Anna com sua fé.