Premiado no Festival de San Sebastian/79, esse drama acompanha a trajetória de um garoto de 10 anos que, depois de viver isolado com seu pai em uma mansão, é obrigado a enfrentar o mundo exterior. Ao se transferir para cidade para seguir os estudos, o menino se vê diante de situações com as quais não está acostumado a lidar. É considerado um "outsider", um desajustado. Quando o pai morre, ele se sente abandonado, tendo que descobrir sozinho os mistérios da vida e do próprio corpo humano. Alguns anos depois, acaba isolado na velha casa do pai, onde relembra sua infância.
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A decadência do império Austro-Húngaro e a infância de Nikki - uma infância despida de qualquer fetiche romântico, vista em sua crueldade e humanidade - são os dois relatos do filme que se conjugam num único quadro doloroso: a dissolução de um império e o fim da inocência nunca conquistada. À pergunta do diretor (você está feliz?) segue a resposta dada com sonoplastia de fanfarra: NÃO! São muitas descobertas que competem por espaço, muitas angústias num único saco: Nikki enfrenta o mistério da vida (afinal, não há alma?) com a espada da poesia. É um relato minucioso, a infância nua e a adolescência rasgada pela certeza de que há algo mudando para sempre na vida de Nikki: seu próprio corpo e o corpo de sua pátria. Provavelmente a sua vida será cortada pelo redemoinho histórico: a primeira e a segunda guerras. Mas fica a infância sob o império dos Habsburgos, a intransigência de professores que ensinam a submissão, a descoberta do próprio corpo e da mortalidade. "Só há cérebro" - diz o professor de Nikki.
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