Dirigido por
Duração
Um conto caleidoscópico", como define o próprio diretor Juan Cavestany, este experimento parece fazer aleatoriamente o seu caminho através da comédia, do drama, da crônica social, do horror e do surrealismo, com um único denominador comum: a poesia intransigente da condição humana contra a investida do inusitado e do caótico. Um filme ambicioso, composto por 20 cenas curtas, com diferentes tons e temas. Não há nenhuma ligação entre elas, muito pelo contrário. A arbitrariedade por si só dá um sentimento de unidade ao discurso.
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É um filme bastante experimental, como já anunciava a sinopse e como se mostrou ao final da sessão, onde metade da sala estava dormindo e a outra metade já havia ido embora inconformada. Experimental, sim, entretanto não de todo abstrato. Formado por cenas aparentemente avulsas que desnudam, pouco a pouco e de modo inusitado - até mesmo tragicômico - o anticlímax cotidiano, foi preciso certa paciência para compreender para onde o diretor nos queria levar diante de tantos desfechos sem fecho algum e situações tão diferentes entre si. Qual a ligação entre elas? O que poderia uni-las e talvez construir um significado sequer? É por fazermos essas indagações durante o filme que o diretor deve tê-lo construído de tal modo, e certamente tido seu gozo como autor após sua confirmação.
Pois o tão esperado espetáculo não existe, o clímax é debochadamente fugidio e o viver dos humanos na tela são literalmente o que anuncia o título: gente, em lugares, vivendo, confrontando-se, entendiando-se e por fim anestesiando-se em uma espécie de desaprendizado comum, algo sintomático na modernidade que faz com que assistir a uma obra que ousa imergir-nos na frustração cotidiana real seja um convite ao sono, pois, e aqui eu e meus olhos bastante acordados ousam discordar, através do espelho talvez as coisas nem sejam tão cabulosas assim...