Em uma pequena cidade espanhola, um grupo de senhoras idosas decide celebrar a véspera de Natal com jantar: cada família rica da cidade vai ter uma pessoa sem-teto com eles naquela noite. As comemorações incluem também um desfile, e nela encontramos Plácido, o humilde proprietário de um veículo de três rodas, cuja família é obrigada a viver em um banheiro público por causa da falta de dinheiro para pagar o aluguel, e quem tem que pagar o segundo projeto de lei de seu veículo antes da meia-noite, ou então ele vai perdê-lo.
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Entendo que é uma crítica social-cultural apresentada na forma de comédia, e talvez por isso não tenha me agradado tanto. Mais ainda assim um filme interessante para se assistir e refletir. Nota 6,5.
Não fazia ideia de como era o cinema do espanhol Luis García Berlanga, que dirigiu alguns filmes muito bem cotados no IMDb, a maioria com sinopses revelando críticas políticas e sociais. No caso de "Plácido", foi até indicado ao Oscar. A curiosidade foi tal que encarei direto em espanhol, tendo que me virar com legendas em inglês - por aí se vê como, infelizmente, é um cineasta pouco conhecido e apreciado no Brasil.
De todo modo, "Plácido" é muito bom em sua comédia sobre a mendicância, que lembra um humor um pouco (mas só um pouco!) menos cínico e ácido do que aquele visto no ótimo "Filantrópica" (2002), muito embora sua maior proximidade - por conta do roteiro - seja com "Viridiana", de Luis Buñuel, lançado mais ou menos na mesma época, também com aquela história sobre a hipocrisia da 'caridade cristã'.
Melhor ainda, o filme acertadamente decide concentrar sua comédia sobre a hipocrisia da campanha "jante com um pobre" naquele que é de longe o período mais falso do nosso calendário: O NATAL. E nessa 'noite feliz', quem vai ficar zanzando de um lado para o outro sem ser ouvido é o morador de rua tentando solucionar seu problema burocrático urgente, enquanto a playboyzada empolada disputa entre si pra ver quem vai ficar com mais fama de 'bom cristão'.
Comédia dramática espanhola, em preto e branco, indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro; no Festival de Cannes, foi nomeado a Palma de Ouro de melhor filme. O filme, propriamente dito, surge a partir de uma campanha concebida pelo regime franquista que, o lema "Sente-se um homem pobre em sua mesa", destina-se a crescer na aldeia um sentimento de caridade cristã para com os deserdados, mas que, na verdade, e como o diretor Berlanga consegue mostrar-nos, esconde uma maneira de limpar as consciências burguesas, algo que hoje é responsável pelo "Tele-maratonas solidárias de Natal", programas que Berlanga confessou a abominar. A primeira idéia foi um banquete de Natal em que os ricos convidavam os pobres; os primeiros comiam os peitos de frango e os segundos, as asas. Uma da melhores maneiras de enviar mensagens subversivas numa cultura reprimida que tem sido sempre disfarçada de humor. Tira o humor e se encontrará uma crítica à cultura espanhola e um devastador retrato social sob o mandato de Franco.