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Data de lançamento
16 Junho 2021Duração
Uma exposição dos programas de conversão para gays, revelando os danos causados pela vergonha e pela repressão por meio de testemunhos íntimos de membros atuais e ex-líderes do movimento.
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É difícil falar sobre esse documentário... muito mesmo. Mas talvez tenha de dizer algo agora antes que eu esqueça de alguns pontos. Bom, não vou ter nem tempo pra ficar marcando onde começa e onde terminam os spoilers...
O documentário me mostrou, de maneira muito interessante, algo que comecei a captar através da fala do Michael Busse: "Eu vivi em uma época em que ser gay era um crime, uma doença e um pecado." Frente a esses pormenores, deu pra perceber q, à parte do discurso policial e do discurso médico, a 'melhor' saída seria o do campo religioso.
Nesse sentido, dá pra entender como q a Exodus sobreviveu por 30 anos. Fora da época das redes sociais, a ironia que existia é que pessoas LGBTQUIA+ só poderiam se encontrar através de um grupo que negava justamente a sua sexualidade.
O relato da Julie foi o que mais me derrubou. O modo como usaram o abuso sexual que ela sofreu para levar adiante a sua imagem como líder foi de uma perversidade e crueldade inimagináveis: o relato dela, então, é tão forte...
"Na primeira vez que me queimei, estava sentada na calçada da igreja, após uma reunião da Living Hope. Enquanto meu cigarro diminuía, sem pensar muito, eu o enfiei no meu ombro e ouvi a pele do meu braço esquerdo chiar. Logo depois daquela noite, estava sozinha no meu quarto, perdida em um turbilhão de medo, agonia e auto-ódio, e me lembrei da queimadura e da onda de desapego que senti pelo corpo quando o fogo queimou minha pele. Depois de procurar coisas de metal que esquentariam sob fogo, achei uma moeda. Segurando a moeda com uma pinça, eu a mergulhei na chama de um isqueiro, o coração acelerando enquanto a moeda esquentava. Respirei, dobrei o braço esquerdo e apertei a moeda na carne até a pele romper e a dor entorpecer. Repeti o processo pelo menos 20 vezes naquela tarde, fazendo linhas no ombro, cada uma com uns centímetros de largura. Por semanas, comecei a aplicar Neosporin nas feridas de manhã e de noite. Meu corpo e eu estávamos seguros nessas horas. Eu podia arregaçar a manga, expor minhas feridas e ser recebida com ternura e compaixão. Nos anos seguintes, quando a angústia ficava insuportável, eu voltava a essa rotina de queimar linhas retas nos meus ombros e usar as feridas como alívio. Ouvi que depressão é raiva voltada para dentro. Talvez fosse o que eu estava fazendo no meu quarto naquele tempo. Peguei a raiva que sentia por viver em um corpo que não podia ser domado ao tipo de corpo que deveria ser: um corpo hétero, um corpo feminino, um bom corpo cristão, e ateei fogo nele."
A fala do Randy no final também é devastadora:
"Logo depois de me assumir, uma pessoa gay me disse de forma direta que eu tinha sangue nas mãos. Ele disse: 'O que acha do sangue nas suas mãos?' Eu disse: "Agora... só sei que tenho medo de olhar para as minhas mãos.' Como líder, fui treinado para reconhecer a perda, mas para racionalizá-la, para negá-la. E odeio ter feito isso. E muitos de nós não cometem suicídio, mas estamos nos matando internamente por não aceitarmos quem Deus nos criou para sermos."
Eu não acredito que o filme faltou ser mais incisivo, pois ele começa e termina avisando dos perigos dessas terapias, e também trazendo, tanto no início quanto no fim, a figura do McCall como amostra desse perigo sempre iminente...
Achei talvez que faltasse maior representação de alguns grupos (por exemplo, de pessoas negras, mas esse ponto até entendo... que ainda mais nos EUA, lideranças de 'ex-gays' só tivessem como ser de pessoas brancas mesmo (Michael, John, Yvette, Julie e Randy como centrais)... e, por outro lado, que algumas pessoas da sigla poderiam ter sido representadas como mais veemência (a bissexualidade da Yvette me pareceu bem apagadinha, mas até isso é simbólico). E além desses dois pontos (que convergem para um só), fica o sentimento de mea culpa bem forte no documentário todo. Seria uma "culpa cristã" também? rsrs
Porém, eu não consigo julgar de maneira incisiva todos os líderes ali citados e entrevistados, pq todos os principais abandonaram a Exodus e as outras correntes e lutaram para mostrar o quão errados eles levantam, e, acima de tudo, eu consegui sentir muito todo o sofrimento que passaram nesse processo de autonegação.
Haveria tanta coisa pra falar, mas... esse documentário me machucou demais e tbm me fez lembrar, como pessoa bissexual, das vezes pelas quais passei pelo mesmo processo de negação...
De fato, é um documentário que precisa ser mais divulgado e melhor conhecido, até mesmo pela importância do seu valor histórico.
Assistido em 13 de Julho de 2024, sábado.
Difícil, muito difícil de assistir certos trechos. E eu não tenho UM PINGO DE DÓ desses nojentos que, sim, têm sangue nas mãos.
Por que tão baixa essa nota? Vejam a denúncia que é isso!
Gostei do assunto do documentário mas, talvez por ser curto, senti falta de depoimentos mais pessoais e detalhados.
O caso dos adolescentes sendo enviados p essa "terapia de conversão" pelos pais que não os aceitavam foi a parte mais triste, eles foram jogados naquilo sem escolha
6,5/10
Desisti de tão terrible.