Na semana da mulher, de 7 a 14 de março de 2016, uma van-estúdio parou em nove locais em São Paulo e no Rio de Janeiro. O objetivo era coletar depoimentos de mulheres vítimas de qualquer tipo de assédio. Ao todo, 140 decidiram falar. Ouvimos relatos de mulheres de 14 a 85 anos, de zonas nobres ou periferias das duas cidades, com diferenças e semelhanças na violência que acontece todos os dias e pode se dar dentro de casa, em um beco escuro ou no meio da rua, à luz do dia. O documentário traz uma amostra significativa dos depoimentos, 26 deles, além de mostrar uma parte importante do processo de filmagens: como as mulheres se sentiam ao contar seus casos? Nos depoimentos puros, sem qualquer tipo de interlocução ou entrevista, acompanhamos um desabafo, um momento íntimo ou a oportunidade de falarem daquilo pela primeira vez. Nas trocas com as meninas da equipe antes e depois dos depoimentos, permitiremos que o espectador entre em contato com uma reflexão da depoente sobre sua própria história, e às vezes sobre o próprio projeto.
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Sobre a realidade nua e crua de ser mulher... Passou pela garganta rasgando.
Um experimento simples de uma potência gigantesca. Me vi em todas aquelas mulheres e como dói... É um soco no estômago necessário mas que tbm não deve ficar só nisso. Denunciem.
quantos assédios uma mulher sofre na vida? 10, 20? centenas, se contabilizássemos os diários.
mas não o fazemos. deixamos para lá, aprendemos a caracterizar como comum, a ver como um "mal-entendido".
assistindo aos depoimentos me lembrei de quatro dos meus e assisti às mulheres do documentário tentarem selecionar qual deles contariam. "o mais recente", "o pior deles".
a simplicidade na produção torna tudo mais real. do que precisamos para falar do assédio? de uma van e uma câmara; de um convite.
mulheres que querem falar, mulheres que precisam falar.
por que uma mulher não denuncia? assistindo aos depoimentos, sabemos o porquê.
não existe espaço, não existe vontade de ouvi-las.
se você perguntar a uma mulher, ela certamente falará. por isso a sociedade não pergunta. se abafa, se silencia.
a facilidade com que as imagens foram feitas é ofensiva. ofensiva porque escancara a negligência e zomba da incapacidade (da falta de vontade) em dar assistência à vítima. não é necessário muito, mas nem o pouco é feito.
NECESSÁRIO. Foi perturbador, mas acho que precisamos recomendar, pois histórias como essas não são exceções, são o resultado do machismo que sofremos TODO DIA.
Um documentário MUITO pesado, porém necessário