Programa Quem Tem Medo da Verdade?

1968

Programa Quem Tem Medo da Verdade?

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A TV Record produziu, entre os anos de 1968 a 1971, um programa do tipo conhecido como “mundo cão”, era o “Quem Tem Medo da Verdade?”. O programa foi uma tentativa desastrada de se criar uma coisa inovadora.

Inspirado no malicioso jogo da verdade, ele pode ser considerado o precursor dos programas sensacionalistas. Que entrevistava e julgava um convidado famoso sobre sua vida pessoal.

Baseado no livro “Leila Diniz”, de Joaquim Ferreira dos Santos (Ed. Companhia das Letras): “Era a invenção do programa de jurados. Fingia-se estar num tribunal, presidido por Carlos Manga, e com artistas do elenco da emissora Clécio Ribeiro, Alik Kostakis, Sílvio Luiz, Aracy de Almeida (o de Aracy é um dos raros que dá pra rachar o bico de tanto ri), Novos Baianos, Roberto Carlos, Silvio Santos, etc.. Tentando representar no estúdio “as pessoas de bem” da sociedade lá fora. Eles avaliavam a conduta das personalidades, que eram postas em cena sob a luz de interrogatório policial em filme B”.

No “Quem Tem Medo da Verdade?” exibido pela Record de São Paulo e retransmitido pela TV Rio carioca, o ator Grande Otelo foi condenado pelo abuso do álcool (um absurdo).
Enquanto Norma Bengell foi arrasada pelas cenas de nudez no cinema. O cantor Roberto Carlos, julgado por ser cabeludo e corromper os jovens, foi absolvido quando o apresentador Sílvio Santos, que fez papel de seu advogado, argumentou que a violência entre os menores de 18 anos diminuíra após o sucesso do iê-iê-iê.

A atriz Leila Diniz também foi covardemente humilhada no "Quem Tem Medo da Verdade?", também de acordo com o excelente livro de Joaquim Ferreira: “Leila, julgada pelos palavrões, por pregar moral anticristã, não ter concepção de família e praticar o sexo livre, foi condenada, arrasada e humilhada durante o programa.

- Qual é o seu maior sonho de vida? – perguntou Clécio Ribeiro.
- Eu quero ser mãe – respondeu Leila, ainda com um sorriso.

Aí, o júri foi imperdoável. O mesmo Clécio berrava: “A senhora é praticamente uma louca com seu linguajar obsceno, como pode sonhar com algo tão sublime como ser mãe?".

Resultado, Leila chorou em frente às câmeras, mas foi logo cortada por Carlos Manga: “não adianta que esses truques de atriz aqui não funcionam”.

A jovem Leila Diniz, de 27 anos, desabafou em seu diário: “Tô chegando à conclusão que a pior peste da humanidade é o medo. Puta que pariu como a gente tem medo. Do futuro, do presente, do passado. De gente, de sofrer, de amar, de perder, de viver”.

As pessoas deveriam ser aceitas como elas são não como os outros gostariam que elas fossem. Estamos conversados. (Grande Leila).

A defesa do empresário Sílvio Santos ao cantor Roberto Carlos e a discussão entre a jurada Aracy de Almeida e o cronista esportivo Sílvio Luiz são dois episódios que ainda repercutem na Internet.

Viva a Liberdade de Expressão!

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