Talvez o nada tenha sido o que Camele sentiu, como na conversa que foi franca com sua tia. A sua ambição de um curta sobre a vida de Luma me trouxe expectativas que foram todas frustradas. Gostaria de ter visto mais sobre a vida de sua tia, sobre o afastamento com a família, apesar de entender que ao mesmo tempo, poderia ser muito visceral para Luma. Não concordo quando ela diz que sua tia está atuando. É perspectivo o quão ela está entregando a verdade. Confesso que me admirei pela Coragem de Camele em confessar que em determinado momento nada sentira pela tia. Espero que elas realmente tenham se reconectado e que as coisas estejam bem.
O longa-metragem tenta - sim, esta é a palavra adequada - demonstrar a intersubjetividade de uma relação familiar entre uma sobrinha e sua tia tia transsexual, após anos afastadas. Ocorre que, é apenas uma tentativa, pois o resultado é extremamente frustrante. A “interpretação de uma espontaneidade” é o que nos sobra, de forma rala e forçada. Falta intimidade, falta reencontro, falta naturalidade. Torna-se, portanto, desinteressante aos olhos do espectador. Cinema nacional independente, principalmente, o de baixo orçamento, merece visibilidade. Entretanto, cabe a mim (espectadora) tecer as críticas necessárias.
Camele que sempre esteve atrás das cameras propõem se abrir diante delas, para retratar o reencontro com uma tia transsexual da qual possui apenas memórias longínquas mas fortes da infância e um compilado de relatos posteriores de conflitos familiares. Há um incomodo que me acompanhou durante todo o filme, Camele apresenta uma proposta de abordar subjetividades e sentidos, memórias, transgressões, mas seu filme é repleto de um imenso vazio emocional. Tudo parece um pouco mecânico, não natural. Até mesmo seu sentimento pela tia, ao ser colocado na tela aparece como falso ao telespectador. Um filme difícil, porém cheio de perspectivas.
Este documentário é, antes de mais nada, um filme sobre fazer cinema. Um estudo de caso sobre o processo construtivo, desconstrutivo e desbravador da narrativa que será compartilhada com o público. Um exemplar sobre a incerteza criativa da cineasta Camele Queiroz e, mais tarde, sobre a maneira como ela, no correr da produção, completou as peças do quebra-cabeças narrativo e também familiar e encontrou a própria voz.
E, ainda, redescobriu a tia depois de mais de duas décadas sem manter contato. Um reencontro narrado com recursos técnicos de qualidade inversamente proporcional à emoção que desperta no espectador, a quem a diretora confidencia a própria história. Luma, nesse sentido, surge como uma protagonista admirável, espontânea, ciente de que está sendo filmada (e roteirizada) a ponto de preservar, em seus olhares e gestos discretos, aquele traços importantes sobre quem de fato é, permitindo que a narrativa discuta a identidade de gênero de modo sutil, sem didatismo ou mesmo proselitismo.
Só a oportunidade de participar dessa história íntima como passageiro já deveria ser motivo mais do que bastante para esse documentário que também é uma aula sobre fazer cinema.
Siga o @cinemacomcritica para críticas e sugestões sobre filmes e séries! Acesse: www.goo.gl/YpQdyV :)
Talvez o nada tenha sido o que Camele sentiu, como na conversa que foi franca com sua tia. A sua ambição de um curta sobre a vida de Luma me trouxe expectativas que foram todas frustradas. Gostaria de ter visto mais sobre a vida de sua tia, sobre o afastamento com a família, apesar de entender que ao mesmo tempo, poderia ser muito visceral para Luma.
Não concordo quando ela diz que sua tia está atuando. É perspectivo o quão ela está entregando a verdade. Confesso que me admirei pela Coragem de Camele em confessar que em determinado momento nada sentira pela tia. Espero que elas realmente tenham se reconectado e que as coisas estejam bem.
O longa-metragem tenta - sim, esta é a palavra adequada - demonstrar a intersubjetividade de uma relação familiar entre uma sobrinha e sua tia tia transsexual, após anos afastadas. Ocorre que, é apenas uma tentativa, pois o resultado é extremamente frustrante. A “interpretação de uma espontaneidade” é o que nos sobra, de forma rala e forçada. Falta intimidade, falta reencontro, falta naturalidade. Torna-se, portanto, desinteressante aos olhos do espectador. Cinema nacional independente, principalmente, o de baixo orçamento, merece visibilidade. Entretanto, cabe a mim (espectadora) tecer as críticas necessárias.
Camele que sempre esteve atrás das cameras propõem se abrir diante delas, para retratar o reencontro com uma tia transsexual da qual possui apenas memórias longínquas mas fortes da infância e um compilado de relatos posteriores de conflitos familiares. Há um incomodo que me acompanhou durante todo o filme, Camele apresenta uma proposta de abordar subjetividades e sentidos, memórias, transgressões, mas seu filme é repleto de um imenso vazio emocional. Tudo parece um pouco mecânico, não natural. Até mesmo seu sentimento pela tia, ao ser colocado na tela aparece como falso ao telespectador. Um filme difícil, porém cheio de perspectivas.
Este documentário é, antes de mais nada, um filme sobre fazer cinema. Um estudo de caso sobre o processo construtivo, desconstrutivo e desbravador da narrativa que será compartilhada com o público. Um exemplar sobre a incerteza criativa da cineasta Camele Queiroz e, mais tarde, sobre a maneira como ela, no correr da produção, completou as peças do quebra-cabeças narrativo e também familiar e encontrou a própria voz.
E, ainda, redescobriu a tia depois de mais de duas décadas sem manter contato. Um reencontro narrado com recursos técnicos de qualidade inversamente proporcional à emoção que desperta no espectador, a quem a diretora confidencia a própria história. Luma, nesse sentido, surge como uma protagonista admirável, espontânea, ciente de que está sendo filmada (e roteirizada) a ponto de preservar, em seus olhares e gestos discretos, aquele traços importantes sobre quem de fato é, permitindo que a narrativa discuta a identidade de gênero de modo sutil, sem didatismo ou mesmo proselitismo.
Só a oportunidade de participar dessa história íntima como passageiro já deveria ser motivo mais do que bastante para esse documentário que também é uma aula sobre fazer cinema.
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