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Documentário revela bastidores das cotas raciais na UnB
O país do orgulho da miscigenação, apregoado por Gilberto Freire e Darcy Ribeiro, se deparou há alguns anos com uma questão espinhosa: a adoção de cotas raciais nas universidades. Se falar de racismo no Brasil já era tabu, falar de cotas, então, se transformou num daqueles temas sobre os quais é melhor nem iniciar conversa. A menos que estejamos em um grupo onde todos são favoráveis ou todos contrários. Aí, sim, dá para desabafar os inconformismos, de um lado e de outro.
É neste clima de “assunto proibido”, discutido só entre os pares, que os entrevistados do documentário Raça Humana, produzido pela TV Câmara, começam a desfiar o intrincado novelo das cotas. Durante três meses, a equipe que trabalhou no documentário acompanhou a rotina de uma das maiores universidades do país: a Universidade de Brasília-UnB, que de forma tão ousada quanto isolada adotou o sistema de reserva de vagas com recorte puramente racial. No documentário, alunos cotistas e não-cotistas, professores, movimentos organizados, partidos políticos e representantes da instituição falam abertamente sobre o “tabu” das cotas raciais, seja defendendo ou condenando o sistema. Ao mesmo tempo, o documentário mostra ações externas à universidade que permeiam ou influenciam a discussão, como a votação do Estatuto da Igualdade Racial, em tramitação no Congresso – também cercada de muita polêmica, protestos e impasses.
No documentário, questões seculares e mal-resolvidas da história do Brasil vão ressurgindo, tendo como pano de fundo a discussão das cotas raciais. Ao refletir sobre a reserva de vagas para negros no ensino superior, os entrevistados revelam que a discussão vai muito além: envolve o papel das universidades brasileiras; as falhas do sistema educacional; a questão da meritocracia nos vestibulares; o racismo e, principalmente, o papel do negro na estrutura sócio-educativa do país.
É nesse caldeirão de questões que o documentário Raça Humana mergulha e mostra que, para além das reações muitas vezes apaixonadas, raivosas ou até intolerantes, está em pauta no Brasil uma discussão histórica, que não pode ser desprezada. A situação vivida hoje pela UnB é, ao mesmo tempo, peculiar e universal – uma amostra do Brasil contemporâneo, ainda cheio de preconceitos, mas também capaz de refletir sobre a sua história e reconstruí-la a partir de novos parâmetros.
Atualmente, o sistema de cotas da UnB está sendo contestado no Supremo Tribunal Federal pelo partido Democratas e deve ter seu futuro definido ainda em 2010. Embora a ação de Descumprimento de Preceito Fundamental seja direcionada apenas à UnB, a decisão a ser tomada pela Corte vai valer para todas as universidades que adotem algum tipo de cota racial em seus vestibulares.
“Raça Humana” foi vencedor da categoria Documentário, na 32ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anisitia e Direitos Humanos, em 2010.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Uma das cenas mais constrangedoras do documentário nem é o "debate" promovido pela Livraria Cultura, onde apenas brancos tem um microfone, no palco, para discutirem as cotas; mas, sim, aquela roda de conversa com os universitários contrários as cotas.
Em primeiro lugar porque ali tem 5 estudantes brancos que, em nenhum momento, se mostram constrangidos por não terem um único estudante negro corroborando as declarações deles, o que já faria qualquer pessoa minimamente inteligente a refletir sobre o próprio posicionamento. E, em segundo lugar, e mais grave!, um dos estudantes declara que o Brasil não é racista(!) porque, segundo a sumidade, os negros comandariam o Carnaval, a maior festa do país.
É um assunto um tanto sensivel este. O criterio cor, economica e cor+econômica é justificado no documentario. Mas creio q 40 min seja pouquissimo pra um assunto tão complexo.
Na ''bancada'' contra, não havia ninguem ''de cor''. Os argumentos implictos, baseados em meritocracia me fizeram ''gorfar''.
Beleza, é possivel sim uma pessoa 'de cor', pobre e sem recursos, entrar numa UNB da vida. Mas a % dos que tem exito é minima.
Afinal, a situação é esta em sua maioria:
''Menino pobre, de cor, tem educação basica/ensino médio publico mediocre. Chega no 3° ano sem base pro vestibular (Muitas vezes nem sabe, sem incentivo). Fazer um preparatorio antes? Com que dinheiro? ('Ah mas tem os solidarios'. Dá pra todo mundo? Não). Então faz um preparatorio depois do 3° ano, se não passar. (Ele é pobre, esqueceu? Com que dinheiro ?). 'Dá não', ele precisa ajudar na renda da familia. Ou até mesmo pra não se sentir ocioso e ganhar confiança (Conquistar as proprias coisas), precisa trabalhar.''
Vejo que a politica de:
COTA ECONOMICA é pra anular uma falha do estado quanto a não diponibilidade de preparação basica/intelectual de qualidade para os exames.
e que somado a isto:
COTA RACIAL é pra anular uma falha HISTÓRICA E CULTURAL do estado e da sociedade quanto a exclusão secular de 'certos' individuos das instituições e esferas do poder.
O ideal mesmo é que não fosse necessário as cotas!! Uma sociedade igualitaria. Mas tbm estamos longe desta!
https://www.youtube.com/watch?v=y_dbLLBPXLo
Bom documentário. Apesar de tê-lo assistido sem tentar me posicionar, fui percebendo que os argumentos a favor das cotas me pareceram sempre os mais plausíveis, os mais calmos. Do contrário, os argumentos contra as cotas foram quase sempre enérgicos, e nem sempre claros.
Formidável.