Apesar de católico e contrário à pena de morte, promotor se vê obrigado a pedi-la para um assassino irrecuperável chamado Charles Reece, que foi pego pela polícia após deixar uma trilha de cadáveres mutilados.
Drama de suspense policial da De Laurentiis Entertainment Group e Miramax Films que foi baseado no romance de mesmo nome de 1985 de William P. Wood, que foi inspirado na vida do assassino em série Richard Trenton Chase (1950-1980), "O assassino de vampiros", que matou 6 pessoas num período de 4 dias, entre dezembro de 1977 e janeiro de 1978, em Sacramento, na Califórnia, ao invés de Stockton, Califórnia, no final de 1986, como anunciado no filme. A trilha sonora é de Ennio Morricone (1928-2020).
O filme estava previsto para ser lançado no final de 1987, mas ficou inédito nos Estados Unidos por 5 anos, quando sua distribuidora, a De Laurentiis Entertainment Group, faliu. William Friedkin (1935-2023) reeditou o filme e mudou o final antes que a Miramax Films finalmente o adquirisse e lhe desse uma exibição limitada em 1992. Friedkin foi descrito por Michael Biehn como sendo completamente tirânico no set de filmagem, frequentemente tendo explosões de raiva contra o elenco e a equipe. Em certo momento, Biehn quase chegou às vias de fato com Friedkin durante uma discussão acalorada. Michael Biehn voltou a trabalhar com William Friedkin 8 anos depois em Jade (95). Este filme não possui créditos iniciais nem título. Apenas o logotipo da Miramax aparece no começo.
Charles E. Reece, um assassino maníaco, invade dois apartamentos na Califórnia com uma pistola automática e comete 6 assassinatos usando um ritual macabro: ele esquarteja os corpos de suas vítimas com uma faca de cozinha, coloca os órgãos em sacos plásticos e depois bebe o sangue.
Considerando que o filme foi baseado em fatos reais, se torna ainda mais impressionante e perturbador com uma ótima atmosfera e insanidade brutal do protagonista. Uma imagem instigante que aborda, com perspicácia, um tema potencialmente sensacionalista e levanta algumas questões incômodas sem respostas fáceis.
Inspirado no SK, Richard Chase, O Vampiro de Sacramento, devido a falência da produtora De Laurentiis, a distribuição do filme foi prejudicada e paralisada por anos até a Miramax adquirir os direitos e Friedkin reeditar e mudar o final, na versão original o desfecho se aproxima ao do SK da vida real, o filme teve um relativo sucesso na época do vhs e há rumores que em 2024 finalmente seja lançado em Blu-Ray, destaque para discreta e pouco inspirada trilha do mestre Morricone.
RAMPAGE Direção: William Friedkim Ano: 1987 Assistido em: 07/04/2024
Sou um profundo consumidor de cinebiografias, portanto sei muito bem que 99% delas não retratam a história original da forma como ocorreu, e que praticamente todas têm adaptações para enquadrar o que está sendo contado no formato do cinema. Porém alguns filmes apenas pegam uma base real e desenvolvem uma história própria, honestamente esses são os que menos me agradam, porque eles parecem ter vergonha de contar as coisas como de fato aconteceram, e é nesse ponto que se encaixa Rampage.
Anthony Fraser um dedicado promotor, precisa montar um caso para fazer com que Charlie Reece, um perigoso serial killer, seja devidamente condenado. Entretanto a defesa faz de tudo para que ele seja condenado como inimputável, fazendo assim com que a pena de Reece seja mais branda. Assim Anthony começa uma grande corrida para tentar manter esse perigoso criminoso atrás das grades.
Depois da morte do Friedkin no ano passado, fui atrás dos filmes menos conhecidos dele, aqueles de menor impacto, e me deparei com Rampage, uma produção extremamente problemática, e com bastidores tão caóticos que justificam o quão complicado se tornou encontrar essa produção, eu mesmo só consegui assistir porque tive acesso a uma gravação de VHS da década de 1990 com uma qualidade monstruosamente ruim e com uma legenda toda falhada, mas ainda assim deu para conferir, e assistindo consegui entender porque que William Friedkin tratava essa produção como uma enorme decepção, mesmo tendo uma história tão poderosa nas mãos, aqui não encontrei as qualidades habituais dos títulos do famoso diretor.
A história é inspirada no serial killer Richard Chase, O Vampiro de Sacramento. Praticamente todos os detalhes que vemos aqui são retirados da história do Chase, inclusive toda a batalha no tribunal para julgá-lo como uma pessoa com sérios problemas mentais ou um criminoso frio. Só que diferente do personagem que é apresentado em tela, o Richard Chase era uma pessoa claramente perturbada, que nem queria sair da instituição de doente mentais, pois sabia que voltaria a fazer coisas ruins, e o grande problema de Rampage é justamente não levantar essa discussão, em momento algum a atuação de Alex McArthur nós demonstra que estamos diante de um personagem dúbio, não sei se foi orientação do próprio Friedkin, ou falha do ator, mas o personagem que nos entregam é claramente retratado como um assassino frio, fazendo com que todas as suas paranoias passassem a ideia de serem meras desculpas inventadas pelo criminoso para fugir da pena de morte, enquanto que Chase era uma pessoa que procurou por ajuda, e não teve acesso ao tratamento adequado, toda a ambiguidade entre o assassino cruel que sabia que o que fazia era errado, mas não conseguia parar, foram simplesmente eliminados, deixando a história extremamente unilateral e sem graça.
O filme ainda tem a sempre boa direção do Friedkin, e uma boa atuação do Michael Biehn, mas a história é bem apagada, as cenas de tribunal são fracas, não tem nenhum grande momento dramático ou um bom ápice ou clímax, nada disso, é bem perceptível o desgosto do diretor com o resultado final, o que o levou inclusive a fazer uma nova montagem alterando o desfecho. A versão que assisti foi a original de 1987, mas não creio que o corte com o final do Friedkin melhoraria o resultado não, com certeza teria a vantagem de ser a visão escolhida pelo seu realizador, mas em linhas gerais todo o trajeto de Rampage é caótico e muito sem graça, não são duas cenas finais que vão mudar isso.
Li um pessoal falando que esse é um Friedkin menor, e infelizmente sou obrigado a concordar, para um diretor de títulos tão importantes e famosos, que revolucionou dois gênero para sempre, definitivamente essa aqui é uma nota de rodapé, e a prova maior é que é impossível encontrá-lo em qualquer lugar de modo legalizado, como se fosse completamente ignorado pela indústria cinematográfica, tal qual era pelo seu realizador enquanto este era vivo.
Drama de suspense policial da De Laurentiis Entertainment Group e Miramax Films que foi baseado no romance de mesmo nome de 1985 de William P. Wood, que foi inspirado na vida do assassino em série Richard Trenton Chase (1950-1980), "O assassino de vampiros", que matou 6 pessoas num período de 4 dias, entre dezembro de 1977 e janeiro de 1978, em Sacramento, na Califórnia, ao invés de Stockton, Califórnia, no final de 1986, como anunciado no filme. A trilha sonora é de Ennio Morricone (1928-2020).
O filme estava previsto para ser lançado no final de 1987, mas ficou inédito nos Estados Unidos por 5 anos, quando sua distribuidora, a De Laurentiis Entertainment Group, faliu. William Friedkin (1935-2023) reeditou o filme e mudou o final antes que a Miramax Films finalmente o adquirisse e lhe desse uma exibição limitada em 1992. Friedkin foi descrito por Michael Biehn como sendo completamente tirânico no set de filmagem, frequentemente tendo explosões de raiva contra o elenco e a equipe. Em certo momento, Biehn quase chegou às vias de fato com Friedkin durante uma discussão acalorada. Michael Biehn voltou a trabalhar com William Friedkin 8 anos depois em Jade (95). Este filme não possui créditos iniciais nem título. Apenas o logotipo da Miramax aparece no começo.
Charles E. Reece, um assassino maníaco, invade dois apartamentos na Califórnia com uma pistola automática e comete 6 assassinatos usando um ritual macabro: ele esquarteja os corpos de suas vítimas com uma faca de cozinha, coloca os órgãos em sacos plásticos e depois bebe o sangue.
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02.05.1993
Inspirado no SK, Richard Chase, O Vampiro de Sacramento, devido a falência da produtora De Laurentiis, a distribuição do filme foi prejudicada e paralisada por anos até a Miramax adquirir os direitos e Friedkin reeditar e mudar o final, na versão original o desfecho se aproxima ao do SK da vida real, o filme teve um relativo sucesso na época do vhs e há rumores que em 2024 finalmente seja lançado em Blu-Ray, destaque para discreta e pouco inspirada trilha do mestre Morricone.
RAMPAGE
Direção: William Friedkim
Ano: 1987
Assistido em: 07/04/2024
Sou um profundo consumidor de cinebiografias, portanto sei muito bem que 99% delas não retratam a história original da forma como ocorreu, e que praticamente todas têm adaptações para enquadrar o que está sendo contado no formato do cinema. Porém alguns filmes apenas pegam uma base real e desenvolvem uma história própria, honestamente esses são os que menos me agradam, porque eles parecem ter vergonha de contar as coisas como de fato aconteceram, e é nesse ponto que se encaixa Rampage.
Anthony Fraser um dedicado promotor, precisa montar um caso para fazer com que Charlie Reece, um perigoso serial killer, seja devidamente condenado. Entretanto a defesa faz de tudo para que ele seja condenado como inimputável, fazendo assim com que a pena de Reece seja mais branda. Assim Anthony começa uma grande corrida para tentar manter esse perigoso criminoso atrás das grades.
Depois da morte do Friedkin no ano passado, fui atrás dos filmes menos conhecidos dele, aqueles de menor impacto, e me deparei com Rampage, uma produção extremamente problemática, e com bastidores tão caóticos que justificam o quão complicado se tornou encontrar essa produção, eu mesmo só consegui assistir porque tive acesso a uma gravação de VHS da década de 1990 com uma qualidade monstruosamente ruim e com uma legenda toda falhada, mas ainda assim deu para conferir, e assistindo consegui entender porque que William Friedkin tratava essa produção como uma enorme decepção, mesmo tendo uma história tão poderosa nas mãos, aqui não encontrei as qualidades habituais dos títulos do famoso diretor.
A história é inspirada no serial killer Richard Chase, O Vampiro de Sacramento. Praticamente todos os detalhes que vemos aqui são retirados da história do Chase, inclusive toda a batalha no tribunal para julgá-lo como uma pessoa com sérios problemas mentais ou um criminoso frio. Só que diferente do personagem que é apresentado em tela, o Richard Chase era uma pessoa claramente perturbada, que nem queria sair da instituição de doente mentais, pois sabia que voltaria a fazer coisas ruins, e o grande problema de Rampage é justamente não levantar essa discussão, em momento algum a atuação de Alex McArthur nós demonstra que estamos diante de um personagem dúbio, não sei se foi orientação do próprio Friedkin, ou falha do ator, mas o personagem que nos entregam é claramente retratado como um assassino frio, fazendo com que todas as suas paranoias passassem a ideia de serem meras desculpas inventadas pelo criminoso para fugir da pena de morte, enquanto que Chase era uma pessoa que procurou por ajuda, e não teve acesso ao tratamento adequado, toda a ambiguidade entre o assassino cruel que sabia que o que fazia era errado, mas não conseguia parar, foram simplesmente eliminados, deixando a história extremamente unilateral e sem graça.
O filme ainda tem a sempre boa direção do Friedkin, e uma boa atuação do Michael Biehn, mas a história é bem apagada, as cenas de tribunal são fracas, não tem nenhum grande momento dramático ou um bom ápice ou clímax, nada disso, é bem perceptível o desgosto do diretor com o resultado final, o que o levou inclusive a fazer uma nova montagem alterando o desfecho. A versão que assisti foi a original de 1987, mas não creio que o corte com o final do Friedkin melhoraria o resultado não, com certeza teria a vantagem de ser a visão escolhida pelo seu realizador, mas em linhas gerais todo o trajeto de Rampage é caótico e muito sem graça, não são duas cenas finais que vão mudar isso.
Li um pessoal falando que esse é um Friedkin menor, e infelizmente sou obrigado a concordar, para um diretor de títulos tão importantes e famosos, que revolucionou dois gênero para sempre, definitivamente essa aqui é uma nota de rodapé, e a prova maior é que é impossível encontrá-lo em qualquer lugar de modo legalizado, como se fosse completamente ignorado pela indústria cinematográfica, tal qual era pelo seu realizador enquanto este era vivo.