Luan
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Luan
15 horas atrás

THE OUTSIDERS
Direção: Francis Ford Coppola
Ano: 1983
Assistido em: 07/06/2026

Mesmo o Coppola sendo um dos diretores mais renomados da era moderna do cinema, ele também é muito inconstante em seus trabalhos. Nenhum filme dele é garantia de nada: nem de grande sucesso, nem de fracasso, nem de uma boa recepção crítica, nem de fiasco declarado. Você está sempre diante de uma grande caixinha de surpresas que só vai descobrir quando começa a assistir. The Outsiders é mais lembrado por ter sido um dos primeiros de uma série de atores que alcançaram o estrelato ao longo dos anos do que por sua história em si. Eu nunca entendi o porquê, até assistir ao filme e descobrir o motivo disso.

Ponyboy Curtis, um adolescente da gangue dos Greasers, vive em constante conflito com os Socs, jovens ricos da cidade de Tulsa. Quando uma briga entre os dois grupos termina em tragédia, Ponyboy e seu melhor amigo, Johnny Cade, são forçados a fugir e enfrentar as consequências de seus atos. Em meio à violência, à amizade e às diferenças sociais, os dois descobrem o verdadeiro significado de lealdade, amadurecimento e pertencimento.

Eu sei que o filme é baseado em um livro famoso que eu não tive a oportunidade de ler, então só posso julgar aquilo que assisti. E o que eu assisti foi uma história bem enrolada, que demora para começar e que, mesmo quando começa, ainda parece meio perdida. Estamos diante de um coming-of-age dos anos 1960. A sociedade era outra, a mentalidade das pessoas era muito diferente, e vemos jovens humildes em uma situação de gangue que precisam se provar, que precisam sobreviver aos rótulos que já são colocados neles antes mesmo de terem alguma oportunidade na vida. Até aí tudo normal dentro da proposta de um longa desse gênero, mas o problema é que as coisas demoram demais a acontecer.

Nós temos uma série de personagens na trama, mas o foco central está todo no Ponyboy e no Johnny, os mais jovens daquele grupo de amigos, que são forçados a um amadurecimento rápido devido às condições de vida que levam. Só que, até chegarmos ao ponto de virada da história, que os leva a um momento de decisão, a trama vai andando tranquilamente, como se estivéssemos assistindo ao cotidiano daqueles garotos em uma época distante. É um ritmo bem diferente do que entendemos hoje em dia e que, por isso, causa um estranhamento no espectador da década de 2020.

Coppola reuniu aqui um elenco primoroso. Basicamente, todos os sete principais atores masculinos conseguiram construir carreiras promissoras, com destaque principal para Tom Cruise, que aqui tem um papel menor, mas que no futuro se tornou provavelmente o ator mais importante de Hollywood nos dias de hoje. E todo mundo que aparece em cena, mesmo com personagens mais simples, acaba se destacando, principalmente C. Thomas Howell, que sem sombra de dúvidas tem o personagem mais profundo e complexo da história.

Infelizmente, a parte técnica do tem problemas muito sérios para serem ignorados, como por exemplo a montagem que deixa o ritmo devagar. Mas o maior deles, é a trilha sonora. Eu não sei o que diabos deu na cabeça do Coppola e de seu pai, Carmine, para colocarem músicas que não conversavam com o que estava sendo apresentado em cena. Em determinado momento, nós temos um protagonista quase sendo morto afogado e uma musiquinha divertida tocando ao fundo. Em outro, temos uma igreja pegando fogo, com crianças correndo o risco de morrer queimadas lá dentro, e uma música surf dos anos 1960 tocando junto. O que eles pretendiam com isso eu não sei. O que sei é que eu imediatamente saía do filme, porque não dava para me manter imerso na história com a música contradizendo a imagem.

The Outsiders não é nem de longe um dos trabalhos mais memoráveis do Coppola, mas também não está entre os seus piores. É um filme mediano, e ele faz muita justiça a essa palavra. A base é boa, mas o desenvolvimento é comprometido. Não é daqueles que vão te deixar animado, te empolgar ou te marcar. Não. Mas é uma diversão momentânea que vai te levar a refletir sobre como era a vida dos jovens de 60 anos atrás.

Luan
½
2 dias atrás

OVER DE GRENS
Direção: Elisabeth Puglia
Ano: 2025
Assistido em: 06/06/2026

O meu guilty pleasure cinematográfico são os thrillers eróticos. Eu amo histórias em que alguém, seja homem ou mulher, se apaixona perdidamente por uma figura maravilhosa que, de repente, se revela um psicopata maluco que vai transformar a vida do trouxa em um verdadeiro inferno. Eu adoro esse tipo de história. Basta ler uma sinopse minimamente nesse sentido e eu caio igual a um patinho, indo assistir sem pensar duas vezes. Claro que, para cada dez que assisto, onze são porcarias, e raramente aparece um bom, é uma questão de arriscar, procurar e assistir. Um dia você acerta, e infelizmente, com esse filme, esse não foi um desses dias.

Laura e Peter deixam para trás a rotina que levavam e se mudam para a região das Ardenas na esperança de reconstruir um casamento desgastado pelo tempo. No entanto, a distância emocional entre os dois continua evidente, e a adaptação à nova vida não acontece como planejado. Quando Laura conhece Mathieu, um jovem que trabalha na região, ela passa a desenvolver uma forte atração por ele.

Quando os créditos começaram a subir, eu comecei a pensar em Over de Grens como um não-filme. Sim, porque ele praticamente é o contrário das práticas mais comuns do que a gente pode considerar cinema. Ele não tem uma história, não tem uma direção narrativa óbvia, arma e desarma situações o tempo todo, frustra todas as expectativas do espectador. Enfim, foi modelado para ser decepcionante do começo ao fim. Essa não é a primeira nem será a última vez que vemos um casal com problemas no relacionamento e que, de repente, um dos dois começa a se interessar por uma terceira pessoa. Mas, honestamente, eu não me recordo de nenhum outro com essa premissa cuja história simplesmente não tenha levado a lugar algum.

Você fica esperando a história começar, e ela nunca começa. Laura tem seus sonhos eróticos com o marido e com o vizinho empreiteiro, mas só fica nisso mesmo: sonhos. Porque ela não resolve sua frustração conjugal e também não tem coragem de trair. E é isso. É esse chove-não-molha o tempo todo. Ela não se resolve com o marido, não se resolve com o amante, a história não se resolve, e, quando os créditos sobem, você fica com cara de besta se perguntando que diabos acabou de assistir.

Ponto forte do filme? O elenco é bonito, convenhamos. Laura tinha duas opções maravilhosas para escolher entre Manuel Broekman e Vincent Banic. Só que é só isso mesmo. Durante uma hora e vinte minutos, você é feito de bobo, e a única coisa que nos resta é prestar atenção na beleza dos rapazes, porque não existe absolutamente nada de relevante acontecendo em cena. Nem mesmo para explorar as belas paisagens do interior belga a diretora prestou.

Eu já disse várias vezes, e vou correr o risco de parecer repetitivo, mas prefiro mil vezes odiar um filme com todas as minhas forças do que sentir desprezo por ele. E foi exatamente isso que aconteceu aqui. Over de Grens não despertou absolutamente nada em mim, e isso é horrível. É triste se deparar com uma obra que termina exatamente da mesma forma que começou: com zero desenvolvimento de personagens, zero evolução e fazendo o espectador se perguntar o que foi que ele estava assistindo, porque o próprio filme nunca conseguiu responder a essa questão.

Luan
2 dias atrás

OPERATION FINALE
Direção: Chris Weitz
Ano: 2018
Assistido em: 06/06/2026

No final do ano passado, eu li um livro sobre Joseph Mengele, o Anjo da Morte, que para nós aqui no Brasil é uma figura mais conhecida do que Adolf Eichmann. O que ambos tinham em comum era o fato de serem dois dos piores nazistas de todos os tempos. O que mais me interessou durante a leitura desse livro, foi que uma parte muito considerável dele é dedicada à captura de Eichmann e, principalmente, à forma como ele foi auxiliado pelo governo peronista. Eu até já sabia da existência desse filme, mas só agora consegui assisti-lo. Cheguei esperando encontrar a dramatização de muitas das informações que obtive no livro sobre Mengele, só que não foi bem isso que encontrei.

Quinze anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, Peter Malkin integra uma equipe secreta enviada à Argentina para localizar Adolf Eichmann, um dos principais arquitetos da máquina de extermínio nazista. Após descobrir seu paradeiro, os agentes precisam monitorá-lo, capturá-lo discretamente e transportá-lo para Israel sem despertar suspeitas. Durante a missão, Malkin estabelece uma relação complexa com o prisioneiro, enquanto o grupo enfrenta riscos constantes que podem comprometer toda a operação.

Dizem que filho feio não tem pai. No caso da Solução Final, quando ela foi criada e implementada pelo governo nazista, creio que muitos homens do Reich gostariam de ostentar o título de seus idealizadores. Entretanto, após o fim da Segunda Guerra Mundial, todo mundo queria tirar o seu da reta. Como, infelizmente, figurões como, Himmler, Heydrich e outros já tinham morrido, sobraram Eichmann, Mengele e alguns peixes um pouco menores. Eles se tornaram a única esperança de que algum tipo de justiça fosse realizada. Eichmann logo se tornou o criminoso nazista mais procurado do mundo, especialmente após as mortes de Göring e Ribbentrop nos desdobramentos dos Julgamentos de Nuremberg.

Como disse, o livro sobre Mengele tem um capítulo muito importante dedicado a Eichmann e ao apoio que ele recebia do governo vigente na Argentina. E não só ele, mas inúmeros outros nazistas. Só que nada disso é mostrado no filme. Temos uma captura muito rápida e, depois disso, cenas intermináveis de Peter conversando com seu algoz e uma fuga muito enfeitada para que a história real se encaixasse no padrão de um longa hollywoodiano. Isso faz com que o roteiro nem arranhe a superfície do quão nefasta essa história realmente foi, resultando em uma obra fraca e sem grande apelo.

E aquela velha história se repete: quando o roteiro não consegue prender a atenção, ele acaba abrindo as portas para que outros detalhes, que normalmente passariam despercebidos, comecem a incomodar. Por exemplo, eu acho Ben Kingsley um ator sem igual, dono de performances maravilhosas, mas sua escalação aqui me parece completamente equivocada. Chris Weitz o escolhe por ser um ator extremamente respeitado e reconhecido, mas colocar um ator de origem indiana para interpretar um alemão, além de alguém cerca de vinte anos mais velho do que o personagem deveria aparentar, não passa despercebido. Kingsley não se parece em nada com o Adolf Eichmann do início dos anos 1960. Basta uma rápida pesquisa na internet para que toda a caracterização apresentada pelo filme desmorone. E, quando isso acontece, fica muito mais difícil embarcar na história.

Eu sou adepto da ideia de que, quando você vai contar uma história sobre algo muito pesado, algo que não pode ser esquecido, é preciso ser didático. É preciso enfiar o dedo na ferida. Quando falamos do Holocausto, para que algo tão terrível nunca mais aconteça, é necessário mostrar, é necessário escancarar o que foi a maldade do governo nazista. Ficar apenas em conversinhas e discussões do tipo "a minha família morreu por sua causa" não gera o impacto necessário. Quando você faz um filme sobre uma história dessas, sobre o que foi a Operação Finale, deveria mostrar ao público por que ela foi tão importante, por que levar Adolf Eichmann ao banco dos réus foi algo tão significativo.

Afinal, aquela foi a primeira vez que o mundo teve a oportunidade de ouvir sobreviventes do Holocausto contando suas próprias histórias. E nós sabemos que a memória é algo delicado, algo frágil, e que revisionismos acontecem. Portanto, toda oportunidade de expor esses acontecimentos deveria ser aproveitada. Apesar de Operation Finale não ser nenhum desastre, nem ruim, muito longe disso, sinto que seu maior problema foi justamente deixar inúmeras oportunidades passarem. E isso, para mim, é particularmente pior do que simplesmente fazer uma bomba cinematográfica.

  • Jordison 1 ano atrás

    Dica de serie de TV que é Fantástico: HOMELAND (2011-2020). Assista que você vai viciar.

  • Marcos Davi Oliveira 1 ano atrás

    pq vc usa foto d eperfil do meu amigo andrew bienart?

  • Marcos Davi Oliveira 2 anos atrás

    oi. quem eh esse homem jovem no gif da sua foto do perfil?