Luan
34 years
Teófilo Otoni - (🇧🇷 BRA)
Usuário desde Janeiro de 2014


Últimas opiniões enviadas

Luan
½
4 dias atrás

CLAYFACE
Direção: James Watkins
Ano: 2026
Assistido em: 24/10/2026

A primeira vez que tomei conhecimento do personagem Cara de Barro foi na excelente série animada do Batman da década de 1990. De lá para cá, em nenhum momento ele foi um personagem que me chamou a atenção. Corta para a década de 2020, e vemos Hollywood praticamente definhar sem grandes projetos, sem grandes ideias e apelando para as possibilidades mais inacreditáveis. Após o imenso sucesso de Joker (2019), a Warner decidiu aprovar inúmeros projetos de vilões (leiam, vilões do Batman). E não vou mentir: no primeiro momento, achei a ideia deste filme totalmente desnecessária. Depois que ele terminou, apesar de ter considerado um bom trabalho, ainda não consegui enxergar um propósito para sua existência.

Matt Hagen é um ator em ascensão que vê sua carreira desmoronar quando um chefe do crime local o deixa com o rosto brutalmente desfigurado. Abandonado por aqueles que antes o apoiavam, ele recorre a um tratamento experimental que promete restaurar sua aparência. Embora o procedimento inicialmente pareça milagroso, seus efeitos colaterais começam a comprometer sua percepção da realidade e a transformar seu corpo em uma substância semelhante à argila viva.

O resultado entregue aqui é bom. Temos um filme bem executado, mas com uma história bem simples. O elenco é bom e a direção faz tudo direitinho. Entretanto, em momento algum deixei de sentir o gosto de estar comendo aquele mesmo prato de todo dia do qual já enjoei. Não há nada de diferente. É aquela velha história da pessoa que é enganada, destruída e, ao ganhar a possibilidade de fazer justiça, acaba se corrompendo e se tornando algo tão ruim quanto aqueles que lhe fizeram mal. Não é algo inédito. Quando James Gunn defendeu esse projeto, ele queria nos fazer acreditar que estaríamos diante de um filme inovador, de uma produção que diria algo que nenhuma outra jamais disse. Mas não há nada disso na história.

Se Matt tivesse exatamente essa mesma história apresentada em um filme do Batman, no qual pudesse atuar como um vilão secundário, o resultado teria sido muito mais interessante do que uma produção isolada. O personagem é complexo e, se bem trabalhado, rende bastante. Este filme é uma prova disso: sua trama é interessante e traz uma dualidade instigante de acompanhar, porque a vingança de Matt é justa, mas, aos poucos, ele vai se perdendo. Seria muito interessante vê-lo dentro do contexto do Morcegão, acompanhando a maneira como o Batman lida com ele, como vimos na série animada já citada ou no desenho da Liga da Justiça, sempre que o personagem aparecia. Entretanto, a Warner preferiu desperdiçá-lo nesses filmes de vilões que, honestamente, não vão a lugar nenhum.

Clayface é um filme correto. É interessante, entretém e não é enfadonho. Tem a duração certa, uma boa trilha sonora, uma boa montagem e o Tom Rhys Harries é bom. Só que a produção não sai da linha nem um centímetro, nem para o bem, nem para o mal. É um filme reto, sem nada que o torne memorável. Daqui a alguns anos, você vai se lembrar de que assistiu, mas dificilmente vai se lembrar de alguma cena específica, porque ele não tem nada de muito marcante. Até mesmo a forma final do vilão só recebe um rápido vislumbre nos últimos minutos, em razão do orçamento contido. Repito, apesar de decente, não existe justificativa para a existência dessa produção.

Luan
½
1 semana atrás

LA FIERA
Direção: Salvador Calvo
Ano: 2026
Assistido em: 18/10/2026

Eu estou numa fase em que não busco informação nenhuma sobre os filmes que quero assistir. Mal leio duas linhas de uma sinopse no IMDb, olho o elenco e, se algo chama minha atenção, o título já entra para minha lista de filmes a serem assistidos. Neste caso específico, o que chamou minha atenção foi o elenco, com três atores que conheci através de séries de TV, em um longa sobre esportes e uma modalidade pouco convencional. Só que você chega por uma razão e, quando menos espera, se surpreende ao perceber que o ponto que mais chamou atenção foi outro. Nesse caso, a completa falta de amor à vida desses personagens.

Carlos, Darío e Armando são três amigos apaixonados por esportes radicais que descobrem no salto BASE com wingsuit, um traje com asas que permite planar pelo ar, uma experiência próxima à sensação de voar. Fascinados pela liberdade e pela adrenalina, eles mergulham em uma atividade que desafia os limites humanos e os coloca diante de riscos extremos.

Questão de trauma é algo muito delicado. Na minha humilde e modesta opinião, se eu perdesse um amigo em circunstâncias horrorosas como aquelas em que esse grupo vai perdendo cada um de seus membros, ficaria com aquilo na cabeça para todo o sempre. Entretanto, aqui não. O primeiro morre, e os demais querem continuar colocando suas vidas em risco até que o próximo também morra. Existe toda a questão da adrenalina, do vício, e tudo isso é citado, mas existem tantas outras formas, tantas outras maneiras de conseguir essas sensações que não entra na minha cabeça que eles tenham repetido os saltos inúmeras vezes, até que quase todos se tornassem camisa da saudade.

Agora, deixando de lado minhas ponderações acerca de um esporte que não pratico, o filme em si aborda a busca constante pela adrenalina, mas é conduzido da forma mais entediante e desmotivante possível. Tudo acontece em um ritmo lento, de maneira que, em vez de você ficar eletrizado, a história só desperta sono. A cada momento em que a trama avançava, eu me perguntava como era possível que esse povo ainda conseguisse pular de não sei quantos mil metros de altura depois de todas as desgraças que foram se sucedendo, uma após a outra.

O elenco é composto por três dos atores mais bonitos da Espanha e do México, Carlos Cuevas, Miguel Bernardeau e Miguel Ángel Silvestre, três gatos, que fazem a gente assistir a qualquer coisa suspirando. Porém, seus personagens são picolés de chuchu, o que combina com o restante da produção. Ah, tudo bem, são acontecimentos reais, e não dá para desviar muito dos fatos nos quais o filme se baseia. Mas cinema precisa de figuras interessantes, de personagens complexos, e aqui não é o caso.

Bem diferente do que o título sugere, La Fiera é bem pressão baixa. Acredito que funcionaria muito melhor como documentário, e ainda mais se cobrisse o trecho final da história, que aqui ficou de fora. A morte do protagonista enquanto ele preparava os saltos para este filme torna o projeto ainda mais difícil de justificar. A obra poderia ser bem melhor se tivesse outra linguagem, outro formato, mas, infelizmente, no mundo do cinema não existe o “e se”. Existe o que foi entregue, e o que foi apresentado aqui, no geral, é bem fraquinho. É uma ode à irresponsabilidade. Indicado para quem quiser ficar entediado e pegar no sono bem rápido após um dia estressante.

Luan
1 semana atrás

BLUE FILM
Direção: Elliot Tuttle
Ano: 2025
Assistido em: 18/10/2026

Eu admito que não sou o que podemos chamar de fã de filmes que colocam personagens em um único espaço, onde toda a ação se desenvolve por meio de diálogos que tentam funcionar como uma espécie de terapia. Esse tipo de abordagem não é muito a minha praia. No entanto, quando tomei conhecimento deste filme, achei a ideia interessante e resolvi apostar. Só não imaginava que, por trás de uma premissa aparentemente superficial, envolvendo um homem mais velho que contrata os serviços sexuais de um rapaz mais jovem, existiria toda uma problemática, com uma discussão muito mais profunda sobre crimes que, muitas vezes, sequer chegam a ser debatidos em nossa sociedade.

Aaron Eagle é um artista de webcam especializado em fetiches que aceita passar uma noite com um cliente anônimo em troca de US$ 50 mil. Ao chegar ao encontro, ele se depara com um homem mascarado que o submete a uma série de perguntas cada vez mais pessoais. À medida que a noite avança, Aaron percebe que o desconhecido possui uma ligação perturbadora com seu passado, transformando o encontro em um confronto íntimo com memórias, desejos e segredos que ambos tentaram deixar para trás.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Esse é um tipo de filme naturalmente incômodo e propositalmente reflexivo. Ele quer que você compreenda os sentimentos das personagens em cena e faz algo impensável para muitas pessoas: dá voz e espaço a um abusador. Geralmente, quando tratamos de crimes hediondos, como os relacionados à pedofilia, dificilmente vemos o criminoso se expor, se abrir e apresentar sua própria perspectiva. Honestamente, ter esse ponto de vista não foi necessariamente um problema para mim. Acho até interessante observar como alguém que comete um crime enxerga a própria situação. No entanto, do ponto de vista narrativo, o roteiro toma decisões que são, no mínimo, questionáveis.

Meu maior problema com o filme é que, apesar de todos os aspectos apresentados, o roteiro acaba recompensando o pedófilo. O senhor Grand admite sentir atração por Alex desde quando ele ainda era criança ou adolescente e, na vida adulta, consegue, ainda que de maneira incompleta, passar uma noite com o alvo de seu desejo. Por mais que o filme coloque constantemente na boca de seus personagens a afirmação de que aquilo não é algo normal, a narrativa acaba entregando um prêmio de bandeja ao abusador. Ele sempre quis aquele homem mais jovem e, no fim, consegue aquilo que deseja.

Foi justamente isso que me fez questionar o verdadeiro propósito do filme. Trazer à luz uma problemática e abrir espaço para um diálogo entre uma vítima e seu predador é uma coisa. Fazer com que o criminoso saia dessa situação recompensado é outra completamente diferente. A grande questão que fica é: por quê? Ao final do filme, não consegui encontrar uma resposta satisfatória sobre a real intenção do roteiro.

Este é um filme de pequeno porte, algo que podemos perceber pelos espaços mínimos, pela ausência de grandes cenários, pelos figurinos simples e pela trilha sonora bastante discreta. Não estamos diante de uma produção de grande escala, mas de um filme intimista cujo foco principal está nas atuações. Nesse aspecto, os protagonistas entregam muito. Kieron Moore e Reed Birney sustentam muito bem seus personagens, conseguindo transmitir a complexidade emocional de figuras que, convenhamos, estão longe de ser simples.

Blue Film não é para todos os públicos. Seu tema principal é perturbador e certamente provocará muito desconforto em determinadas pessoas. Ainda assim, é inegável que a obra apresenta bem a dualidade de duas perspectivas conflitantes. O problema é que uma única decisão narrativa, extremamente questionável, que não se justifica ao longo do filme, compromete seu resultado final. Passei boa parte da sessão esperando uma explicação plausível para o caminho escolhido pelo roteiro, mas, para mim, ela não veio em momento algum.

Vale a pena assistir? Sim, mas é preciso ter cautela e algumas ressalvas, pois o filme pode provocar um desconforto considerável em muita gente, e isso é totalmente compreensível. No meu caso, o que permaneceu foi a sensação de que a obra levanta uma problemática importante, mas não sabe exatamente como encerrá-la. Ela provoca uma discussão, apresenta um conflito complexo, mas não consegue desenvolver uma conclusão que dê sentido às escolhas que fez.

  • Filmow 1 mês atrás

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Jordison 2 anos atrás

    Dica de serie de TV que é Fantástico: HOMELAND (2011-2020). Assista que você vai viciar.

  • Marcos Davi Oliveira 2 anos atrás

    pq vc usa foto d eperfil do meu amigo andrew bienart?