Luan
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Últimas opiniões enviadas

Luan
½
1 dia atrás

VERITY
Direção: Michael Showalter
Ano: 2026
Assistido em: 06/10/2026

Diferente de muitas pessoas, não fui criado com a Sessão da Tarde. Estudei no período vespertino por quase toda a minha vida, então não consumi aqueles filmes clássicos que eram repetidos à exaustão na tela da Globo. A maioria deles fui assistir já no final da adolescência, começo da vida adulta ou quando estava de férias, enfim. Entretanto, fui uma criança pouco tradicional. A sessão de filmes de que eu mais gostava era o Supercine. Meus pais foram um pouco irresponsáveis nesse sentido: eles sempre me deixaram ter contato com histórias mais fortes, histórias mais intensas, desde muito cedo. Então, meu gênero favorito é o suspense, com espaço especial para aqueles que podem ser eróticos ou não, nos quais temos algum personagem se envolvendo em um relacionamento que claramente é uma furada, com uma grande reviravolta ao final. Quando minimamente soube sobre esse filme, senti que podia dar muito bom e, na cara e na coragem, fui para o cinema.

Lowen Ashleigh é uma escritora em dificuldades financeiras que recebe uma proposta inesperada: terminar os livros restantes da famosa autora Verity Crawford, que ficou incapacitada após um acidente. Para pesquisar o material da escritora, Lowen se muda temporariamente para a casa da família e passa a conviver com seu marido, Jeremy Crawford, e o filho do casal. Durante sua investigação, ela encontra um manuscrito autobiográfico de Verity que revela acontecimentos perturbadores sobre a família e começa a descobrir segredos cada vez mais sombrios. Conforme Lowen se aproxima de Jeremy, ela percebe que talvez tenha entrado em uma situação muito mais perigosa do que imaginava.

A ideia de partida é até interessante, porque a história consegue nos manter na dúvida o tempo todo. Nós não sabemos o que é verdade ou não. Tudo que temos é a perspectiva de Lowen, lendo a “confissão” de Verity. Só que anos e anos de estrada nesse tipo de filme me ensinaram a nunca, jamais, em tempo algum, acreditar facilmente nas primeiras respostas. Provavelmente, elas estão erradas. E é aí que o filme me perde.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Eu venho reparando que, nos últimos anos, Hollywood tem uma restrição quanto a retratar mulheres como vilãs. Podem reparar: nos últimos tempos, quando uma mulher tem uma atitude um pouco mais questionável, é porque um homem está levando-a a essa situação. No último ano, nós pudemos constatar isso em alguns filmes, alguns títulos bem famosos. Por exemplo, The Housemaid (2025) foi um tremendo sucesso, mas me decepcionou demais, porque eu queria, eu precisava de uma vilã descompensada, paranoica, louca, surtada. E o que eles me entregaram foi outra coisa completamente diferente: uma vítima do abuso psicológico, uma mulher que precisa se fazer de "doida" para poder sobreviver ao marido tóxico.

Eu sinto muita falta, no cinema contemporâneo, de personagens como Norma Desmond, Alex Forrest ou Catherine Tramell. Quero uma vilã mesmo. Mas, repetindo, atualmente parece ser proibido ter mulheres desvairadas em papéis vilanescos, e aí todos os filmes parecem iguais.

Na metade desse aqui, você não precisa ser nenhum gênio para perceber o que está acontecendo. Basta se atentar ao andamento da história, à forma como Jeremy é retratado como uma vítima o tempo todo e à maneira como o roteiro o absolve de tudo. Pronto, você saca na hora que ele é o vilão da história. E, por mais que as atitudes da personagem de Dakota Johnson sejam totalmente erradas, é fácil justificá-las: ela foi manipulada, ela foi enganada. Ou seja, isso tira da personagem o poder de escolha, e é isso que a deixa vazia, fazendo com que ela fique totalmente superficial.

Do ponto de vista técnico, esse filme é extremamente morno, e ele prometia ser intenso, certo? Fervente. Mas não é isso. O thriller não deixa ninguém com a mão suando na ponta da poltrona. Não, é tudo perceptível: você consegue sentir que está vindo há quilômetros de distância. O erotismo é insosso. Não senti química alguma entre nenhum dos dois casais centrais, e isso você percebe até nos cenários, nas paisagens gélidas de Vermont. Só que era preciso intensidade para fazer as coisas funcionarem por aqui, e nós não temos isso em momento algum.

Sobre o elenco, preciso dizer que Anne Hathaway, parada, sem esboçar a mínima reação, consegue atuar melhor do que Dakota Johnson fazendo o esforço da vida dela para entregar o mínimo. É impressionante como essa mulher não herdou nem uma gota do talento da família. Sobre a personagem Verity, ela deixa a desejar, principalmente em um ano em que Anne Hathaway fez Penélope em A Odisseia e retornou como Andrea em O Diabo Veste Prada 2. Eu esperava uma vilã imponente, mas o desfecho joga tudo por água abaixo. Já o Josh Hartnett consegue entregar, mas precisa de roteiro e direção, e aqui não encontrou nenhum dos dois.

Verity é bem específico para o público feminino que gosta da literatura da Colleen Hoover, porém bem que poderia atrair um outro público, aquele que gosta do suspense, que, assim como eu, é declaradamente fã dessas galhofadas. Só que ele ficou o tempo todo no ponto morto. Ele até apela para jump scares e nem assim consegue dar uma sobrevida, uma pulsação de ânimo a essa história. Não é um filme que vai te fazer dormir, não é isso, mas também não vai dar a carga de adrenalina, a carga de emoção que você busca.

Luan
3 dias atrás

UNABOMBER
Direção: Janus Metz
Ano: 2026
Assistido em: 04/10/2026

Quem gosta de pesquisar sobre serial killers com toda certeza já se deparou com a história do Unabomber. Ele é, sem sombra de dúvidas, um dos maníacos mais interessantes (se é que podemos usar essa palavra aplicada a essa situação), que já se abateu sobre os Estados Unidos. E olha que a terra do Tio Sam é um campo muito prolífero quando o assunto é assassino em série. Seja por sua motivação nada convencional ou pela forma que matava, ainda mais inusitada, Kaczynski foi uma figura muito sombria da história americana e que até hoje desperta muitas dúvidas. Por isso, estava ansioso para assistir a este filme, mas o problema é que o personagem, a figura real, era complexa demais para talentos tão pouco aptos a trabalhá-la.

Ted Kaczynski, um jovem prodígio da matemática em Harvard, é submetido a controversos experimentos psicológicos conduzidos pelo professor Henry Murray. Anos depois, enquanto Kaczynski se transforma no terrorista conhecido como Unabomber e inicia uma campanha de atentados com bombas enviadas pelo correio, a agente do FBI Joanne Miller participa da longa investigação para descobrir sua identidade. Entre passado e presente, a caçada revela como o isolamento, as experiências vividas em Harvard e as convicções extremistas de Kaczynski contribuíram para sua transformação.

O Kaczynski real foi uma figura avessa ao desenvolvimento tecnológico, mas não era só isso. Ele era uma pessoa com distúrbios mentais muito sérios e muito complexos, como esquizofrenia e paranoia. Ele não é aquele serial killer "tradicional" que teve problemas de rejeição paterna ou sexual, que serviu de gatilho para despertar seu interesse pela matança. Não, nada disso. Ele foi uma figura extremamente inteligente, que tinha uma visão muito peculiar do mundo, que não conseguia enxergar um papel natural no processo evolutivo da humanidade e que acabou desenvolvendo uma misantropia fundamentalista, ocasionando diversas vítimas. E, conhecendo Hollywood, a gente sabe que jamais conseguiriam retratar com a profundidade adequada e esperada uma história como essa.

Eu não acho que serial killer tenha que ser enaltecido, nã é isso. Mas, a partir do momoento que você se propõe a retratar uma história como essa, é preciso ser fiel aos acontecimentos. Não por conta do matador, mas por conta das vítimas. Elas, infelizmente, fazem parte dessa história e precisam ter suas jornadas respeitadas. Então, quando você começa a bagunçar todo o meio de campo, está mais uma vez prejudicando a memória daqueles que se foram.

O roteiro é dividido em duas linhas temporais: a primeira com Ted adolescente, na fase em que ele participou dos experimentos com a CIA, e a segunda durante a busca e a investigação nos anos 90. E o filme consegue ir mal nas duas. Na primeira, nós temos Russell Crowe e Jacob Tremblay, que são excelentes atores e entregam muito, mas aqui o texto deles é tão panfletário, tão simplório, que não funciona. Enquanto isso, no futuro, Shailene Woodley é uma amálgama de diversas pessoas que tentaram esclarecer este caso. E eu tive uma sensação tremenda de anacronismo, porque isso deveria se situar em mais ou menos por volta de 1996, só que, às vezes, os diálogos, os cenários, tudo me soa como algo do Século XXI em diante, 2010, 2020. E isso só ajuda na fuga mental que esse filme me causou.

Unabomber é um serial killer complexo e não é simples analisar as ideias dele. E fazer um trabalho qualquer, de qualquer jeito, não é a escolha adequada para tentar explicar um pouquinho dessa mente perturbada, se é que alguém chegou perto de conseguir esse feito. Este filme não é nem de perto indicado para quem quiser conhecer mais sobre este fato tão sombrio do final do século XX, porque ele só pincela tantos detalhes sobre a vida de Kaczynski e não explora nada das vítimas ou da investigação de décadas. É como se a produção fizesse parecer que tudo foi uma coisa simples, rápida. No fim, é só mais um dentre tantos títulos de true crime feitos apenas para movimentar a máquina que esse gênero acabou se tornando. Porque, se você quer conhecer precisamente o que aconteceu, ele não serve para isso.

Luan
½
5 dias atrás

THE LOVE HYPOTHESIS
Direção: Claire Scanlon
Ano: 2026
Assistido em: 03/10/2026

Nós estamos vivendo uma era muito prolífica para adaptações literárias de romances. Não que no passado eles já não existissem em abundância, mas, de um tempo para cá, principalmente diante do advento do streaming, a quantidade disparou muito. E, vendo este filme no top 10 do Prime Video, sendo protagonizado por uma dupla que eu gosto bastante, eu decidi dar uma oportunidade. Principalmente diante da crítica positiva. Só que um filme que fala sobre cientistas... acho que faltou o principal: química.

Olive Smith é uma estudante de doutorado em Biologia que prefere se dedicar à carreira acadêmica a se envolver em relacionamentos. Para convencer sua melhor amiga de que já superou uma antiga paixão, ela beija impulsivamente o intimidador professor Adam Carlsen e acaba propondo um relacionamento falso entre os dois. O acordo deveria ser apenas uma encenação com regras bem definidas, mas a convivência começa a tornar cada vez mais difícil separar o que é fingimento do que realmente sentem um pelo outro.

Para uma comédia romântica funcionar, é preciso que a dupla principal funcione. Isso é mais importante do que até mesmo o roteiro, até mesmo a direção, porque, se tiver uma química explosiva entre os protagonistas, isso ajuda a mascarar qualquer situação. O problema é que The Love Hypothesis, apesar de seus protagonistas serem lindos e bons atores, tem uma química inexistente. É impossível acreditar que poderia existir algum romance entre Olive e Adam. E não estamos falando apenas de quando eles estavam fingindo. Eu não conseguia sentir química nem de fato quando eles perceberam que estavam apaixonados.

Cinema, infelizmente, não tem receita pronta, que você segue a risca e vai sair um resultado perfeito. Infelizmente, você pode partir de um bom princípio, de todos os elementos positivos, e o resultado final não agradar ninguém. Eu não acho que tivemos um filme ruim, não chega a esse extremo, é perceptível que existem bons ingredientes, entretanto a execução não colabora. O elenco é bom, a direção é bacana, mas o roteiro é muito simples, é muito bobinho. Vale observar a cena do corredor, onde um se declara para o outro. Ali, eu senti uma vergonha alheia incontrolável quando eles começaram a usar frases relacionadas a termos científicos na declaração, uma coisa que, se a ideia era ser romântica, ficou patética.

No final, The Love Hypothesis não vai te ofender de forma alguma, mas também não vai te entreter muito. Foram vários os momentos em que eu me peguei olhando para o lado, pegando o controle da televisão e vendo o marcador para saber quanto tempo ainda faltava, pegando o celular para ver se tinha alguma nova mensagem no WhatsApp. Enfim, não foi algo que me imergiu completamente e nem que conseguiu prender totalmente minha atenção. Valeu como passatempo? Até que valeu. Para quem não tinha nenhuma outra opção do que assistir, funciona, mas confesso que talvez ele não seja a melhor escolha para uma pessoa que não seja fã do gênero. Nesse caso, a melhor opção é não insistir.

  • Filmow 3 semanas atrás

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Jordison 2 anos atrás

    Dica de serie de TV que é Fantástico: HOMELAND (2011-2020). Assista que você vai viciar.

  • Marcos Davi Oliveira 2 anos atrás

    pq vc usa foto d eperfil do meu amigo andrew bienart?