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ALLIED
Direção: Robert Zemeckis
Ano: 2016
Assistido em: 04/04/2026
Que Robert Zemeckis foi um dos mais importantes diretores dos anos 80 e 90 é inegável, mas, infelizmente, ele entrou numa maré de azar pesadíssima após o lançamento de Cast Away (2000), e de lá para cá vem sofrendo para emplacar grandes sucessos. Eu lembro que, quando Allied foi lançado, lá em 2016, foi mal recebido pela crítica, e fiquei me perguntando por quê. O diretor é bom, o roteirista é bom, os protagonistas são excelentes, então o que poderia ter dado de errado? Somente agora, dez anos depois, pude conferir a obra e, honestamente, creio que os ditos especialistas foram muito severos com ela.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o agente canadense Max Vatan conhece a resistente francesa Marianne Beauséjour em uma missão no norte da África. Após fingirem ser um casal para eliminar um oficial nazista, os dois se apaixonam e constroem uma vida juntos em Londres. Tempos depois, Max recebe a informação de que Marianne pode ser uma espiã infiltrada, colocando em risco tanto sua lealdade quanto seu casamento.
Uma das partes mais interessantes de se estudar sobre a Segunda Guerra Mundial é o trabalho dos espiões. Pessoas que, seja do lado Aliado ou do Eixo, colocavam suas vidas em risco para se infiltrar entre as forças inimigas e obter informações úteis para seu país. É um trabalho de tirar o chapéu, muitas vezes até mais complicado do que estar diretamente na linha de fogo. E a parte mais complexa de todas é conquistar a confiança de alguém em um momento histórico em que se deve desconfiar de tudo e de todos. É difícil se colocar na posição em que Max está. Será mesmo que a mulher que o ajudou em uma missão crucial, e que é mãe de sua filha, o enganou o tempo todo!?
O primeiro ato é o maior problema, ele é bem fraco. A missão inicial e todo o desenvolvimento do relacionamento entre Max e Marianne, confesso, não despertam muito interesse. Mas, quando o roteiro finalmente entra no que realmente importa, a dúvida sobre a verdadeira identidade de Marianne, a narrativa ganha corpo e consegue prender a atenção. A partir daí, você passa o restante da história torcendo para que o roteiro de Steve Knight não se renda aos clichês e apresente um desfecho que fuja do típico final feliz hollywoodiano.
Brad Pitt e Marion Cotillard são dois atores espetaculares que dispensam comentários. Não gostei muito da química entre os dois como casal, mas é inegável que, em cena, ambos se garantem. A produção também traz outros bons atores, ainda que em papéis menores e com pouco destaque. Vale ressaltar também a boa direção de Zemeckis, além da fotografia, da trilha sonora de Alan Silvestri, dos figurinos e dos cenários.
Allied pode não estar no mesmo patamar dos grandes clássicos de Robert Zemeckis, mas está longe de figurar entre as bombas que ele vem lançando nos últimos anos de carreira. É um filme bom, não é perfeito, já que, repetindo, o primeiro ato é lento e pouco interessante, mas, quando engrena, segue com firmeza, envolvendo e instigando o espectador quanto ao desfecho. Mantenho meu posicionamento de que os críticos foram muito severos com o longa, e acredito que, com o tempo e algumas revisitas, ele pode ganhar status de cult e mais reconhecimento no meio cinéfilo.
THE MASTER
Direção: Paul Thomas Anderson
Ano: 2012
Assistido em: 03/04/2026
Eu gosto muito do trabalho do PTA, mas devo admitir que, ele tem uma queda por uns filmes chatos que fica difícil defender. E aqui eu acho bom já deixar bem claro o meu posicionamento em relação a esse filme: ele não é ruim, porque possui inúmeras qualidades técnicas que eu coloco acima de muita produção por aí, mas qualidade técnica não faz filme legal. E aí que está o pulo do gato: The Master é muito bem executado, porém é chato para caramba também.
Freddie Quell é um veterano da Segunda Guerra Mundial que enfrenta dificuldades para se adaptar à vida civil, vivendo de forma instável e impulsiva até cruzar o caminho de Lancaster Dodd, líder de um movimento filosófico conhecido como “A Causa”. Intrigado pela personalidade de Freddie, Dodd o acolhe em seu círculo, submetendo-o a métodos de orientação e controle enquanto tenta moldar seu comportamento. À medida que Freddie se aproxima de Dodd e de Peggy Dodd, a relação entre eles se intensifica, revelando conflitos, dependência emocional e questionamentos sobre fé e identidade.
Tecnicamente falando, o filme é um arraso: figurinos, cenários, fotografia, maquiagem, cabelos, tudo excelente e muito imersivo, te coloca dentro dos anos 50 em que a história é ambientada. Só que apenas isso não basta quando o roteiro não consegue te prender e os personagens não são carismáticos o suficiente para você querer acompanhar a história deles.
Joaquin Phoenix é um ator extremamente talentoso, isso é inegável, só que ele é muito controverso, principalmente com seus comportamentos estranhos nos sets em que participa, e aqui ele faz um chato insuportável que só nos dá um pouco de alegria quando está apanhando. Já o saudoso Philip Seymour Hoffman também está ótimo no papel de picareta líder de seita. Aliás, é nítido que o filme é inspirado na Cientologia, só que, para mim, ele foi muito superficial; poderia ter ido mais adiante, poderia ter dado nomes, poderia ser mais incisivo na sua crítica.
Mesmo com o elenco estelar, é preciso muita paciência com esse filme. Ele não é pequeno, são quase duas horas e meia, e, quando os personagens não colaboram, a jornada se torna muito árdua. Para dizer a verdade, eu não consegui entender qual era a proposta, qual era a ideia do Paul Thomas Anderson com esse filme, porque ele critica os cultos, mas não escancara toda a podridão que existe nesse meio. O final também não transmite nenhuma grande lição de moral; enfim, é um filme que, honestamente, eu ainda estou tentando entender por que existe.
The Master tem seu valor em aspectos técnicos; novamente, ele é muito superior a muitos filmes, e isso merece ser reconhecido. Mas, narrativamente falando, ele fica na prateleira de baixo dos filmes do Paul Thomas Anderson. Não é um filme motivante, instigante ou divertido; não é daqueles que você vai assistir com os olhos presos na tela o tempo todo, e sim olhando para o relógio, desesperado para acabar o mais rápido possível. Dentro da filmografia do diretor, não é o que eu acho pior, porque logo na sequência ele entregaria o seu trabalho mais indigesto, curiosamente também protagonizado por Joaquin Phoenix, mas, sem sombra de dúvidas, é um que fica lá embaixo, brigando pela lanterna.
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Dica de serie de TV que é Fantástico: HOMELAND (2011-2020). Assista que você vai viciar.
pq vc usa foto d eperfil do meu amigo andrew bienart?
oi. quem eh esse homem jovem no gif da sua foto do perfil?
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A MONSTER CALLS
Direção: J. A. Bayona
Ano: 2016
Assistido em: 05/04/2026
O cinema é uma das formas de arte mais coletivas que existem, seja na execução, que exige um número absurdo de pessoas e é impossível ser feito sozinho, seja em relação à experiência que ele consegue despertar no público de diferentes formas no mundo inteiro. O cinema sempre se propôs a discutir os sentimentos e as emoções humanas e como muitas vezes é difícil processá-las, principalmente quando você ainda não tem idade, conhecimento e nem bagagem suficiente para passar por algo muito intenso. E o cinema sempre esteve aí para nos ajudar, e foi isso que eu vi neste filme: uma grande sessão de terapia sobre luto, sobre aceitação, sendo direcionada para pessoas que não estão prontas para passar por tudo isso.
Conor O’Malley é um garoto que enfrenta a doença terminal de sua mãe, Lizzie, ao mesmo tempo em que lida com bullying na escola e a ausência do pai. Em meio à solidão e ao medo, ele passa a ser visitado por uma criatura misteriosa que surge à noite para contar histórias que o levam a encarar verdades difíceis sobre sua própria realidade.
Antes de qualquer coisa, é necessário notar que essa história ainda é uma história infantil, mesmo que trate de assuntos tão fortes e tão delicados. Eu não conheço o livro no qual J. A. Bayona se baseou, mas acredito que ele tenha o intuito de ajudar crianças e adolescentes a passarem por esse momento tão delicado, que é reconhecer que a morte de um ente querido está chegando e que, infelizmente, você não pode fazer nada a não ser sofrer. Ele usa um personagem carismático, diferente e, ao mesmo tempo, amedrontador para nos entregar algumas metáforas que ajudem os mais jovens a processar todos esses momentos difíceis.
Como obra, eu tenho que admitir que não a assisti em um momento muito bom. Eu não estava nos meus melhores dias, e a minha tolerância a histórias mais voltadas para o público infantil não é das maiores. Portanto, admito que esperava algo bem diferente, mas isso não quer dizer que tenha achado o filme ruim, não é isso, apenas que ele não conversou comigo. Talvez, em outro momento, a conexão teria sido mais forte, mas não foi o caso. Eu não consegui, por mais que entendesse todo o drama da situação do Conor, uma identificação muito forte, e isso acabou interferindo na minha recepção da obra.
A parte técnica é o ponto alto. A direção de Bayona é muito boa, os efeitos especiais são deslumbrantes, o design do monstro é muito diferente e me lembrou um pouco os Ents de O Senhor dos Anéis. Enfim, visualmente falando, é um trabalho muito bonito, agradável, só que eu gostaria que tivessem utilizado melhor o elenco, principalmente Sigourney Weaver, uma atriz de quem gosto demais e de quem esperava mais. Também vale uma breve menção ao vozeirão de Liam Neeson, inconfundível em qualquer papel.
Eu entendo todos os elogios recebidos, reconheço que a maioria deles é pertinente, que é um trabalho acima da média, que traz uma temática interessante e importante, que não é algo comum. Só que, infelizmente, não era o que eu esperava, e está tudo bem. Nem toda obra boa é feita para o nosso paladar, assim como existem trabalhos ruins que a maioria detesta e pelos quais você pode ter um carinho especial. Isso é normal, isso é a mágica do cinema, e vai acontecer muitas e muitas vezes — só nos resta aceitar e partir para o próximo.