THE LOST CITY Direção: Aaron Nee e Adam Nee Ano: 2022 Assistido em: 21/09/2026
Eu sou cria dos anos 90, logo, o que eu consumi ao longo da minha infância e juventude foram as produções dos anos 80. Então, eu fui formado com essas aventuras misturadas com comédia, que nos encantam com personagens carismáticos em jornadas na floresta ou em lugares distantes. Isso está na minha veia. Portanto, eu tinha altas expectativas para este filme, mas nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar que ele fosse tão genérico a ponto de ser completamente esquecível.
Loretta Sage é uma escritora reclusa que faz sucesso com romances de aventura ambientados em lugares exóticos, estrelados pelo personagem Dash, interpretado nas capas por Alan, seu modelo de capa. Durante a divulgação de seu novo livro, Loretta é sequestrada por um excêntrico bilionário que acredita que a cidade perdida descrita na obra existe de verdade e quer que ela o conduza até seu tesouro. Ao descobrir o sequestro, Alan decide partir em seu resgate, mas os dois acabam envolvidos em uma perigosa aventura pela selva.
Olha, eu vou ser obrigado a fazer mea-culpa: eu não sou nem um pouco fã do Channing Tatum. Até tem um filme ou outro interessante e divertido, mas, no geral, é um ator muito fraco. Então, não tinha muita expectativa com ele. Em contrapartida, eu já esperava mais da Sandra Bullock, do Brad Pitt, do Daniel Radcliffe e da Da'Vine Joy Randolph, atores invegávelmente muito bons. Infelizmente, nenhum deles rende, e a culpa não é deles, porque o roteiro é muito fraco. Os personagens são muito insossos, sem vida, não têm uma personalidade. É tudo uma mistureba clichê de tudo que a gente já viu no cinema, só que sem profundidade. O Daniel até está em uma situação melhorzinha, por estar vivendo um vilão, e o Brad Pitt está em um personagem doido, completamente desregulado, mas os demais, poxa, são desperdiçados.
Visualmente, também não tem nada muito impactante. Os cenários são legais, mas a composição das cenas de ação é tediosa. Tem coisas dos anos 80, filmes do Spielberg e do Zemeckis que são muito superiores. Então, como o filme bebe muito dessa fonte, quando você compara, imediatamente The Lost City perde. E aí vem a frustração. Aí vem a indignação. O cansaço.
The Lost City é daquele tipo de filme que tenta lembrar sucessos do passado, tenta beber da mesma fonte, só que a execução não chega lá, não acompanha. Seria injusto comparar? Talvez eu esteja sendo um pouco radical demais, mas o filme falha em tudo o que se propõe. Ele é uma comédia romântica de aventura, mas não é engraçado. O casal principal não tem absolutamente nenhuma química, ao ponto de chegar a ser constrangedor nas cenas de romance. E a aventura é batida, repetitiva. Aí, quando o filme falha basicamente em tudo, é muito difícil você encontrar qualidade para se agarrar.
FULL METAL JACKET Direção: Stanley Kubrick Ano: 1987 Assistido em: 20/09/2026
Nas últimas semanas, ando pesquisando muito a respeito da Guerra do Vietnã. Estou buscando livros, assistindo a documentários, ouvindo podcasts e me bateu uma vontade de assistir a um filme sobre o assunto. Então eu pensei: qual dos grandes clássicos eu ainda não havia tido a oportunidade de assistir? Já que Apocalypse Now (1979) e Platoon (1986) eu já havia assistido, eu me recordei, obviamente, de um dos maiores diretores de todos os tempos, que tinha um longa sobre o assunto que eu ainda não havia assistido. Então chegou a hora de correr atrás de mais um clássico do Kubrick e tirá-lo da minha lista de pendências. Foi assim que eu decidi assistir a Full Metal Jacket, e eu já esperava que fosse, no mínimo, diferente. Afinal de contas, Kubrick não era diretor para fazer filme comum.
Durante a Guerra do Vietnã, jovens recrutas dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos passam por um brutal treinamento em Parris Island, comandado pelo implacável sargento Hartman. Entre eles estão Joker, um recruta irreverente que encontra no humor uma forma de lidar com a pressão, e Pyle, que enfrenta enormes dificuldades para se adaptar à rotina militar. Depois do treinamento, os soldados são enviados ao Vietnã, onde Joker passa a trabalhar como correspondente de guerra e acaba testemunhando diretamente a violência e o caos dos combates.
É notório que o ponto mais chamativo desse filme é a sua divisão. Inclusive, eu já li em alguns lugares que muitos gostam até de tratá-lo como dois trabalhos distintos colados um ao outro. E o que mais chama a atenção é o fato de o roteiro dedicar um tempo enorme a um ponto que muita gente ignora, que é o treinamento, a preparação de um soldado, ainda mais um de alto padrão, como os Marines nos EUA. Como ex-militar, que optou por não seguir adiante na carreira, eu posso afirmar que 100% do que vemos naquela base de treinamento é real, e a parte da pressão psicológica ficaria próxima de uns 200% de realidade.
No militarismo, existe uma teoria de que você é como uma engrenagem de um relógio, e se uma engrenagem para de funcionar, ela automaticamente compromete todas as outras, e logo a estrutura irá ruir. Tudo que o Pyle sofre na primeira parte é algo de que eu já fui testemunha. Todos os gritos do sargento Hartman, eu já testemunhei. Foram poucos os quais eu fui vítima, mas foi algo muito corriqueiro de presenciar na minha vida por cerca de dois anos. E é justamente por isso que eu vou fazer parte do grupo que elege a primeira parte como sendo a melhor. Não que a segunda seja ruim, não é isso, mas é tudo feito com um realismo tão grande que chega a ser assustador.
Kubrick consegue extrair de seus atores atuações inacreditáveis. Eu não conhecia o trabalho do Lee Ermey, e ele estava simplesmente assustador. A mesma coisa com o Vincent D'Onofrio. Tudo bem, hoje ele já é aclamado e tal, mas nessa época ele tinha apenas 25 anos e conseguiu entregar uma performance incrível. Os dois estão monstruosos em cena. E Kubrick trabalha a tensão de uma forma que você sabe que as coisas vão descarrilhar e, quando vem, mesmo você já prevendo, ainda assim te pega de surpresa. E é esse choque, esse surto, que torna essa primeira parte tão impactante.
Quando nós chegamos à segunda metade, nós estamos em um território já conhecido. Nós nos deparamos com os americanos fazendo suas habituais "americanices", vamos dizer assim. O roteiro ainda ganha pontos porque não retrata os estadunidenses como os heróis que foram libertar os pobres vietnamitas da opressão do comunismo. Muito pelo contrário, Kubrick expõe muito dos horrores que eram praticados naquela guerra e o quão estúpida, ridícula e inútil era tudo aquilo. Mas ele ainda não deixa de nos chocar com a forma como a brutalidade psicológica se transforma em brutalidade física. Principalmente ali nas cenas finais, é algo impactante demais.
Não tem nenhum tipo de violência que Kubrick não esteja disposto a mostrar. Se por um momento você pensou que não veria banho de sangue nesse filme, ele chega e te derruba novamente, te provando que sim, você ainda vai ter que se deparar com muita carnificina.
Se tem uma coisa em todo filme do Kubrick, sem nenhuma exceção, é deslumbre, é a fotografia. E aqui ele nos reserva, para as cenas finais, algumas das mais belas e incríveis de sua carreira. A iluminação que ele utiliza no momento em que os soldados americanos invadem aquele prédio em busca do sniper que tinha matado seus companheiros é absurda. O jogo de sombras, a forma como o rosto do Joker é coberto pela escuridão quando ele precisa tirar uma vida, depois a silhueta desses soldados contra uma frágil luz de fogo ao fundo... Tudo isso é uma beleza artística inquestionável. E eu não vou nem dizer que não era esperado, porque, quando se trata do Kubrick, qualquer cena vira uma pintura de tão bem filmada, de tão bem enquadrada. Não é à toa que isso é só uma das muitas provas do porquê de ele ser um dos grandes diretores de todos os tempos.
Full Metal Jacket não é um filme para fazer você se sentir bem, para fazer você se sentir confortável. Não. Ele foi planejado desde o princípio para te levar a um questionamento: qual a real necessidade de um conflito tão brutal, tão violento? Qual é o propósito de destruir a mente de um homem, transformá-lo em uma máquina de matar que vai desprezar a vida de outras pessoas? Com qual intuito? E tudo isso é retratado com um brilhantismo poucas vezes visto na sétima arte.
Novamente, o primeiro ato, por ser incomum de vermos no cinema, é muito mais impactante, ainda é muito mais chocante, inclusive para quem tem algum tipo de vínculo emocional com o militarismo. Eu acho que, infelizmente, o segundo não conseguiu igualar. Eu não vou dizer que ele ficou muito abaixo, ele não ficou. Ele simplesmente não conseguiu igualar. Mas, artisticamente falando, também é incrível, sem nada para questionar.
Ah, eu não posso deixar passar em brancas nuvens: encerrar esse filme com "Paint It, Black", dos Rolling Stones, foi outra sacada genial. Nada como uma música criada e lançada naquela época, que fala sobre luto, para deixar claro qual era o único sentimento possível no meio de toda aquela tragédia exposta em tela.
UNDRAFTED Direção: Joseph Mazzello Ano: 2016 Assistido em: 19/09/2026
Apesar de não ser um praticante de esportes, eu gosto muito de assistir a filmes sobre esportes. Entretanto, tem dois em específico que, toda vez que eu vejo que o filme trata sobre eles, eu tento fugir: futebol americano e o bendito do beisebol. Mas, como eu sou da teoria de que não devemos ter nenhum tipo de preconceito cinematográfico, eu ainda tento. Só que, a cada frustração, o ranço por esse esporte sem graça só aumenta.
John Mazzello é um talentoso jogador universitário de beisebol que sonha em seguir carreira profissional, mas vê seu objetivo desmoronar ao não ser selecionado no draft da Major League Baseball. Pouco depois de receber a notícia, ele precisa entrar em campo com os D-Backs para disputar a semifinal de uma liga de verão contra os Bulldogs, uma equipe reforçada por jogadores experientes.
Filmes de um cenário não são fáceis. É preciso uma história muito boa, que prenda a atenção e que saiba utilizar o pouco espaço disponível. É preciso uma gestão, uma logística muito boa. Infelizmente, nós não temos isso aqui. Nós temos essas duas equipes que vão disputar uma partida de beisebol e, com exceção do campo, a única coisa que nós vemos é o banco de uma delas. Isso causa uma sensação de prisão, de que a história está amarrada, sufocada, o que deixa tudo muito mais cansativo. Não é como se o roteiro colaborasse e fosse muito bom, com personagens muito bem trabalhados para compensar de alguma forma, o que não é o caso. É tudo muito arrastado, tudo muito cansativo, a personalidade dos personagens é irritante demais. Enfim, é uma tortura.
Levando em consideração que este é o primeiro trabalho do Joseph Mazzeo, que começou em Hollywood ainda criança e tentou fazer essa transição, eu acharia muito mais interessante que ele permanecesse atuando porque, por Deus, a condução da história, a forma como os personagens são direcionados, as escolhas dos enquadramentos, tudo é muito deficiente. Até quem não entende bosta nenhuma disso, sabe que tudo isso ajuda a deixar o filme dinâmico, o que não aconteceu aqui. E observem o sobrenome do protagonista, o mesmo do diretor/roteirista, arrogância mandou lembranças.
Eu costumo brincar que, quando o filme é ruim, a única coisa que sobra é prestar atenção na beleza do elenco, e talvez seja essa a única coisa minimamente boa aqui. Está cheio de homem bonito, você fica encantado, mas é tão triste saber que você passa por uma história e ela não tem motivo, não tem nada que permaneça, e a única coisa que você consegue lembrar é a cara dos atores. Isso é horrível para qualquer cinéfilo. É uma experiência que eu não aconselho ninguém a ter.
ONE NIGHT ONLY Direção: Will Gluck Ano: 2026 Assistido em: 19/09/2026
Já faz alguns anos que existe uma discussão de que as comédias românticas perderam espaço nas telas de cinema e que, atualmente, elas devem se contentar com os serviços de streaming. Entretanto, em 2023, o diretor Will Gluck provou que essa afirmação não é de toda verdadeira com o grande sucesso de Anyone But You. Agora, passados três anos, ele tenta mais uma vez emplacar um sucesso com um casal que se estranha em um primeiro momento, mas que precisa se acertar. Só que, infelizmente, não é sempre que um raio cai duas vezes no mesmo lugar.
Em uma Nova York onde solteiros podem fazer sexo legalmente apenas uma noite por ano, Owen, recém-abandonado pela namorada, e Allie, uma romântica em busca de algo mais significativo, se encontram justamente quando a cidade está tomada por encontros casuais. Apesar da conexão imediata entre os dois, uma sucessão de desencontros, confusões e situações inesperadas faz com que eles passem a noite correndo pela cidade, ora se aproximando, ora se afastando, enquanto tentam descobrir se aquela noite pode lhes trazer algo além do que inicialmente procuravam.
Longe de querer comparar esse filme com a obra anterior do diretor, apesar de eu já ter feito isso na introdução, mas comédias românticas seguem uma cartilha tão cegamente que é impossível não traçar paralelos entre elas. E, se analisarmos mais friamente a estrutura de One Night Only, a gente pode perceber que, apesar de partir de uma ideia muito boa de uma distopia onde os Estados Unidos controlam a vida sexual da sua população, a execução não parece saber muito bem o que fazer com essa premissa. Nós temos os protagonistas, Owen e Allie, doidos para transar, mas se envolvendo em diversas situações que, na teoria, deveriam ser divertidas, mas não são. E aí existe um outro problema: não existe química no casal.
Em uma comédia romântica, subentende-se que precisa haver humor e romance, mas não é bem isso que nós encontramos aqui. O filme em momento algum é constrangedor, ele não vai te fazer morrer de vergonha, também não apela para o humor besteirol, mas ele não tem graça. O máximo que vai te dar é um sorrisinho de canto de boca. Isso é ruim? Não, mas também não cumpre os pré-requisitos do que é uma comédia. O romance também é outro problema. Por mais que Callum Turner e Monica Barbaro sejam dois lindos gostosos, eles não funcionam em cena. Eu não senti aquele desejo explosivo que vai fazer com que a gente torça desesperadamente para que eles fiquem juntos. Você quer que eles fiquem juntos porque as outras opções são todas horríveis, mas não é aquela paixão arrebatadora que muitas vezes nós já vimos nesse tipo de história.
É perceptível que Gluck estava tentando repetir o seu sucesso anterior. Por isso, ele vai incisivamente em cima dos mesmos pontos: casal se conhece, não dá muito certo no primeiro momento e depois, meio que pelas circunstâncias do destino, são obrigados a ficar juntos. Mas eu acho que faltou ele estruturar melhor essa história, ver os pontos fortes dela e tentar utilizá-los da melhor forma possível, porque seguir uma cartilha infelizmente não funcionou tão bem quanto deveria ter funcionado.
Falando assim, parece que eu odiei o filme. Não é isso. Eu diria que ele está até um pouquinho acima da média, se tratando do gênero. Tem um bom elenco e uma trilha sonora maravilhosa, mas deixa aquela impressão de que poderia ter escolhido um caminho diferente, buscando algo próprio, ter explorado mais as implicações da lei naquela sociedade. Enfim, ter se aproveitado mais do que poderia ter tornado o resultado diferente, e não apenas mais um.
PS: A Monica Barbaro teve uma sorte bárbara nesse filme, hein? Pegar Callum Turner, Charlie Gillespie e Andrew Burnap na mesma noite! Sorte para poucos.
WRONGFULLY ACCUSED Direção: Pat Proft Ano: 1998 Assistido em: 13/09/2026
O Fugitivo (1993) foi um dos filmes de maior sucesso daquele ano e entrou para a história do cinema. Teve uma excelente bilheteria, foi muito bem recebido pelas críticas e chegou a ser indicado ao Oscar. Eu cheguei para assisti-lo com altíssimas expectativas. Entretanto, quando os créditos começaram a subir, percebi que não tinha gostado nem um pouco, porque ele simplesmente não fazia a minha praia. Agora, uns dez anos mais ou menos depois de tê-lo assistido pela última vez, sem nada em especial para assistir, me deparo com essa paródia na Netflix e, ao saber que ela é protagonizada pelo lendário Leslie Nielsen, decidi dar uma chance para ver se a versão cômica me agradaria mais. E, honestamente, ainda não foi dessa vez.
O famoso violinista Ryan Harrison é condenado à morte pelo assassinato do milionário Hibbing Goodhue, apesar de ser inocente. Durante o transporte para a prisão, um acidente provoca a fuga de Ryan, que passa a ser perseguido pelas autoridades enquanto tenta descobrir quem realmente está por trás do crime. Em meio à fuga, ele se envolve em uma série de situações absurdas e perigosas, enquanto busca provar sua inocência.
O mais interessante de uma comédia que faz paródia de um filme específico é que você consegue observar os momentos exatos que estão sendo parodiados e, obviamente, isso faz com que o humor se destaque mais. Então, ao ver algumas cenas desta versão, imediatamente me lembrava das cenas de 1993, e aí o humor vinha naturalmente. Entretanto, o meu problema com aquele filme é que eu não achava a história interessante o suficiente. Sim, eu sei que ele foi amplamente elogiado, mas comigo não deu certo. Aconteceu basicamente a mesma coisa aqui. Apesar de ter o Nielsen, a história ainda é a mesma, do fugitivo que sai correndo destrambelhado, com a polícia nos seus calcanhares, logo por tabela, eu também não gostei.
Nem todo bom roteirista é um bom diretor, e vice-versa. Aqui, nós temos a condução de Pat Proft, que foi roteirista de uma série de filmes protagonizados pelo Nielsen, em particular da franquia Corra Que a Polícia Vem Aí, mas faltou o timing cômico necessário. Faltou o momento de fazer a piada funcionar na hora certa, de cortar na hora certa. Em muitos momentos, o filme parece bobo e inchado, com piadas que não faziam muito sentido dentro do que estava sendo apresentado. E olha que isso é algo corriqueiro em uma comédia-paródia de humor nonsense igual a esta.
Wrongfully Accused não é reconhecido como pertencente aos grandes clássicos do lendário Leslie Nielsen e, quando você assiste, percebe que é uma produção menor. Entretanto, talvez funcione para quem gosta de humor nonsense, eu até gosto bastante desse tipo, mas admito que, desta vez, não funcionou muito bem comigo. Quem sabe é porque eu estava em um dia não muito propício para esse tipo de humor e ele funcionasse melhor em outra ocasião, em uma revisita. Mas isso aí vai ficar para outro momento.
Confesso que não sou amante desses filmes dos anos 90 de um policial que precisa combater um vilão e provar sua inocência, blá-blá-blá. Nunca fui muito adepto desse tipo de produção, mas, devido a um problema na minha televisão, fui forçado a assistir a alguma coisa aleatória na Netflix e dei de cara com esse filme do Bruce Willis. Decidi dar uma oportunidade e fui esperando absolutamente nada, mas até que não foi tão ruim quanto eu esperava. Apesar de já adiantar: ele é bem fraco.
O detetive Tom Hardy, da polícia de Pittsburgh, é transferido para uma unidade fluvial após denunciar a corrupção de seu primo e parceiro de departamento. Quando uma série de mulheres associadas a Hardy aparece morta no rio, ele suspeita que os crimes estejam ligados a um antigo caso investigado por sua família. Determinado a descobrir a identidade do assassino, ele se envolve novamente na investigação e passa a desconfiar até mesmo de seus próprios colegas.
Meu grande problema com esse filme é que, para mim, parece que ele foi feito de qualquer jeito em todos os sentidos. O roteiro foi escrito e não teve nenhuma revisão, a direção foi entregue nas mãos de um iniciante e os atores não estavam minimamente interessados em fazer alguma coisa minimamente decente. Falando de uma maneira mais vulgar, foi feito à "moda caralha", como se ninguém estivesse se importando com o resultado. Da forma que ficasse, ia ficar, e acabou.
O roteiro não é dos mais bem elaborados, não. Ele é um clichê do policial que se afasta do trabalho e tem que voltar porque um criminoso do passado retorna e está matando pessoas próximas a ele. Tem um envolvimento com a parceira, enfim, é muito básico. O "grande momento", é a revelação da identidade do vilão que, convenhamos, você só pode ter errado o membro, mas era óbvio que pertencia à mesma família. Na sequência, temos a conclusão óbvia no qual o protagonista precisa brilhar, mesmo que em cenas constrangedoras e completamente sem nexo, vide todo o malabarisco que o Bruce Willis faz ALGEMADO.
No campo das atuações, tudo é simplesmente apavorante. O vilão é totalmente exagerado, caricato, histriônico. Até poderia funcionar se isso aqui fosse uma paródia, mas não é. É um filme que você leva a sério, que está querendo fazer um grande drama policial, um grande longa de ação. Aí, quando você tem o Robert Pastorelli gritando, dando chilique e fazendo tudo de uma maneira cartunesca, é impossível permanecer imerso na história. Sua cabeça vai para da trama, e tudo se perde.
Para não dizer que nada aqui é aproveitável, confesso que, mesmo no clichê, o mistério é interessante. Você quer saber por que estão matando aquelas mulheres, quem é o assassino e admito que o roteiro até me surpreendeu ao revelar as circunstâncias da morte do pai do protagonista. Mas são qualidades pontuais, algumas eu diria até mais superficiais, não conseguem anular os problemas existentes no restante da produção.
Para quem quer um filme de ação policial do Bruce Willis dos anos 90, no seu auge, em que ele banca o policial bem durão no combate aos inimigos, talvez seja um prato cheio. Mas, se você procura algo com um pouquinho mais de qualidade cinematográfica, esse aqui não é nem de longe a melhor pedida.
Em Hollywood, é muito comum atores pularem para trás das câmeras e se tornarem diretores. Todo mundo sabe que a indústria cinematográfica é uma máquina de moer carne, que, quando chega a uma certa idade e a pessoa já não é mais tão jovem, a beleza começa a desaparecer e a tendência é que os papéis importantes vão rareando. Então, nada mais justo que aconteça essa transição, e é graças a isso que nós temos excelentes profissionais que nos presenteiam todos os anos com obras icônicas. Mas também tem casos em que você olha e pensa que seria melhor se essa transição nunca tivesse acontecido. Com CHiPs, foi exatamente isso que eu imaginei.
Jon Baker, um motociclista profissional que decide ingressar na Patrulha Rodoviária da Califórnia, recebe como parceiro Frank “Ponch” Poncherello, um agente federal infiltrado. Enquanto Jon tenta se adaptar ao trabalho e provar seu valor, Ponch investiga uma série de roubos cometidos por um grupo de criminosos que pode ter ligações com policiais corruptos. Os dois, apesar das personalidades e objetivos diferentes, precisam trabalhar juntos para descobrir a identidade dos responsáveis e impedir que o esquema continue.
Tem certos humores que são peculiares, funcionam para determinadas pessoas e para outras não. Eu, particularmente, adoro um humor mais satírico, mais debochado, humor negro, vamos dizer assim. Há quem goste de comédia escrachada, pastelão, que é o que encontramos aqui. Que, comigo, não funcionou de maneira alguma. O timing cômico do Dax Shepard é pavoroso. As cenas são construídas com base em humor de quinta série, infantil e bobo, criando constrangimento. Mas não é daqueles estilos como The Office (2005-2013), em que você ri de nervoso. Não, é daqueles em que você procura um buraco para enfiar a cara.
O elenco reunido aqui é bom, mas, com um roteiro tão fraco, morto não tem condição de se sustentar nenhum personagem. Eu não conheço a série-mãe que deu origem ao filme, mas, se era intenção despertar interesse para buscar o material original, fracassou vergonhosamente, porque tudo o que eu fiquei foi com vontade de nunca mais ver nada relacionado a essa franquia na face da Terra.
Com a direção fraca, que picotou o filme inteiro na montagem, e um roteiro sem graça, CHiPs deixa a pior impressão possível. É daqueles que você não quer nem lembrar que um dia assistiu. O gênero do humor é um dos mais difíceis do cinema. Não é fácil fazer rir: para cada um bom e engraçado, tem 200 horripilantes, e este aqui, com toda a certeza, caiu no grupo dos 200. Quando eu vir o Dax Shepard, acho que vai ser impossível não lembrar do mal-estar que esse personagem dele me causou assistindo a esse filme.
SELMA Direção: Ava DuVernay Ano: 2014 Assistido em: 12/09/2026
A luta pelos direitos civis na década de 1960 é um dos pontos mais instigantes de todo o século XX. Era extremamente absurda a contradição de os Estados Unidos alegarem estar protegendo o planeta do comunismo, mandando jovens para serem mortos no Vietnã e financiando golpes de Estado na América Latina, enquanto negros eram brutalmente violentados, abusados e agredidos em seu próprio território. Estou concluindo a trilogia O Século, do Ken Follett, e ele dedica muito tempo do terceiro livro tratando desse assunto. Por isso decidi ir atrás de Selma, que foi indicado ao Oscar em 2014, mas que eu não havia tido a oportunidade de conferir, e me arrependi muito de ter demorado tanto tempo para assisti-lo, porque é um filme de fato muito bom.
Em 1965, Martin Luther King Jr. e outros líderes dos direitos civis concentram seus esforços em Selma, no Alabama, para garantir o direito de voto à população negra. Diante da violência e da repressão das autoridades locais, o movimento organiza uma série de protestos e marchas, incluindo a tentativa de atravessar a ponte Edmund Pettus rumo a Montgomery. A mobilização coloca a questão do direito ao voto no centro do debate nacional e aumenta a pressão sobre o presidente Lyndon B. Johnson para aprovar uma nova legislação de direitos civis.
Eu tenho problemas muito sérios com figuras históricas muito pacifistas. Eu admiro muito Martin Luther King, a postura dele, a vontade, a forma como ele nunca se deixou abater, mas eu confesso que, caso eu fosse um homem negro com idade para ter engajamento na causa lá nos anos 60, eu provavelmente ficaria do lado de Malcolm X. Eu não consigo conceber essa ideia de dar a outra face. Eu sou muito reativo, eu sei que muitas vezes essa não é a maneira mais adequada, mas não consigo compreender como aquelas pessoas podiam sofrer as maiores barbaridades sem poder fazer nada para revidar. Entendo toda a política do King, entendo que, com toda certeza, haveria uma retaliação muito grande, mas não existe mudança sem sofrimento, e sou daqueles que acredita que, caso os negros tivessem se imposto de uma forma mais radical há mais tempo, as mudanças teriam vindo mais rapidamente.
Cada conquista desse período era obtida com muito sofrimento, com muito derramamento de sangue e com vítimas. A marcha de Selma foi uma forma de pressionar Lyndon Johnson para ele fazer o mínimo. Algo muito interessante, que é bem retratado no filme, é que a Lei dos Direitos Civis idealizada pelo Kennedy foi promulgada no ano anterior pelo Johnson e, como bem diz o desgraçado do George Wallace, os negros tinham que se dar por satisfeitos. No sul dos Estados Unidos, essas leis eram amplamente desrespeitadas, logo a marcha foi importante porque mostrou ao mundo o que de fato estava acontecendo nos Estados Unidos.
Selma tem um registro histórico muito bom, mas ele falha em alguns pontos. Eu, por exemplo, nunca gostei de idealizar figura nenhuma, e muito menos dessa idolatria que existe pelo King, não só por ele, como por qualquer outro nome importante. Sim, ele fez muitas coisas boas, mas também era uma pessoa muito falha, então essa grande dependência que as pessoas tinham dele e a forma como é retratado no filme, quase que como uma idolatria, me incomoda bastante. Bom, outro detalhe é que o roteiro dá a entender que Lyndon Johnson resolveu finalmente assinar a lei por conta de uma conversa que ele teve com King, e quem busca saber um pouquinho de história sabe que Johnson tinha um sentimento de inferioridade muito grande porque ele era uma pessoa de origem humilde, vinda do Texas. Ele não era da elite norte-americana, como, por exemplo, seu antecessor Kennedy. Então, tudo que ele fez foi movido pelo ego. Ele queria entrar para a história como o presidente que finalmente resolveu a questão da segregação racial nos Estados Unidos, e não por conta de discursozinho bonitinho do King.
Do ponto de vista artístico e técnico, Ava DuVernay faz um trabalho muito competente. Os atores estão muito bem em cena, a direção é segura, os figurinos e os cenários são tudo muito bem recriados. Não tem nada que soe falso, tudo parece, de fato, uma produção da década de 1960. O elenco não tem ninguém que se destaque mais do que os demais. Todos estão bem, mas não há nenhuma atuação fora da curva. Outro destaque muito importante é a excelente “Glory”. Quando essa música venceu o Oscar de Melhor Canção Original, eu não gostei muito, não achava ela muito boa, mas, com o passar dos anos, fui mudando de opinião e hoje em dia consigo reconhecê-la como uma excelente canção.
Selma é muito bom nas suas duas funções. Ele funciona muito bem como um grande filme e serve para nos ensinar um pouquinho mais da situação política dos Estados Unidos e do cenário global da década de 1960. Entretanto, eu acho que é sempre preciso um complemento, é sempre interessante buscar um pouquinho mais de informações. Não que o que o filme nos forneça não seja de qualidade, não é isso. Só que toda arte é enviesada pelos olhos do seu artista, e eu creio que, se seus personagens tivessem um pouco menos desse verniz que suaviza as personagens, ele funcionaria ainda melhor do que já funciona.
ROSE OF NEVADA Direção: Mark Jenkin Ano: 2025 Assistido em: 07/09/2026
Eu cheguei num ponto em que não procuro muita coisa para me convencer a assistir a um filme. Eu não leio sinopse, não assisto trailer. A única coisa que acompanho religiosamente são notícias. Então, quando vi uma notícia sobre essa produção com viagem temporal, com dois atores de que eu gosto como protagonistas, eu já estava convencido. Não precisava de mais nada para assistir. Entretanto, admito que esse método pode fazer com que eu assista a grandes projetos e a grandes fracassos também. Com Rose of Nevada, eu senti que ele ficou no meio do caminho, sem conseguir ir nem para um lado nem para o outro.
Em uma esquecida vila de pescadores na Cornualha, um barco desaparecido há trinta anos, o Rose of Nevada, surge misteriosamente no antigo porto. Para os moradores, seu retorno pode ser um sinal de que a sorte da comunidade, devastada pelo declínio econômico, finalmente está prestes a mudar. Nick, um jovem pai que precisa sustentar sua família, e Liam, um recém-chegado tentando escapar do próprio passado, embarcam na embarcação. Depois de uma viagem bem-sucedida, porém, eles retornam ao porto e descobrem que algo inexplicável aconteceu: foram transportados trinta anos para o passado e são recebidos pelos moradores como se fossem os membros originais da tripulação desaparecida.
O grande problema deste filme, está no roteiro, que, convenhamos, é confuso, arrastado e tem pouquíssimas curvas dramáticas. A história é boa e poderia render grandes momentos de tensão e conflito, mas não é isso o que o roteiro entrega. Nós temos dois protagonistas: enquanto um tenta desesperadamente voltar para o tempo presente, o outro se acostuma muito depressa e vai se adaptando. Mas a forma como eles mostram isso é muito fraca, dando a impressão de que nada está acontecendo de fato, de que a história não está andando, ela está parada no tempo. O que é até curioso, já que, por mais que o Nick tente, ele não consegue sair do lugar, não consegue voltar ao tempo presente.
Como o roteiro não colabora, eu tive que me apegar a outros critérios. Por exemplo, a fotografia é fantástica. A forma como eles emulam uma filmagem antiga, dando uma estética similar à de uma filmagem caseira de 1993, deixa o filme muito gostoso de se assistir. O formato da tela, que não é widescreen, é 4:3. A atuação é muito boa. Eu gosto demais do George MacKay, ele segura grandes momentos dramáticos, e eu também gosto bastante do Callum Turner. O problema é que, como eu já falei antes, o roteiro não dá nenhum grande material para eles trabalharem. Todas as cenas-chave deveriam ser intensas, interessantes, mas são sem vida. Nós temos o protagonista gritando na cara de duas pessoas que ele não é o filho que elas estão acreditando que seja, e você não sente nada. Nós temos o outro brincando de casinha, fingindo ser o pai de uma criança, e também não diz nada.
Rose of Nevada está mais para uma boa ideia do que para um bom filme. Aliás, a quantidade de bomba que nasce de uma boa ideia não está no gibi. É preciso ter uma boa execução e, por mais que o longa não esteja em um nível mais elevado, ele ainda é interessante. Você ainda consegue ficar curioso para saber quais serão os desdobramentos da história e se mantém preso para descobrir o que vai acontecer, mesmo que o resultado final não seja exatamente aquilo que você esperava ou aquilo que você gostaria de fato de assistir.
SNAKE EYES: G.I. JOE ORIGINS Direção: Robert Schwentke Ano: 2021 Assistido em: 07/09/2026
Honestamente, eu fico me perguntando qual é a tara que os americanos têm com G.I. Joe. Eu sei que até trouxeram a animação aqui para o Brasil e que os bonequinhos eram bem vendidos lá nos anos 80, mas eu sou dos anos 90 e, para minha geração essa marca nunca quis dizer nada. Só conheci mesmo pelos filmes e, como todos são bem fracos, fico me perguntando para quem eles fazem esse tipo de produção, porque até agora não consegui entender.
Após anos procurando pelo homem responsável pela morte de seu pai, Snake Eyes finalmente o encontra e recebe a chance de se vingar. Porém, ao salvar a vida de Tommy Arashikage, herdeiro de um poderoso clã ninja japonês, ele é levado ao Japão e acolhido pelo grupo, onde começa a ser treinado para se tornar um guerreiro. Enquanto tenta conquistar a confiança de seus novos aliados, Snake Eyes se vê dividido entre a promessa de vingança que o guiou por toda a vida e os valores de honra e lealdade ensinados pelo clã.
Nós vivemos numa era tão desgraçada do cinema que tudo hoje em dia é spin-off, sequência, remake... E, quando decidiram fazer essa prequel contando a história do Snake Eyes, eu só fiquei me perguntando: para quê? Ele é um personagem visualmente legal. Aquela roupa toda preta, ele não fala, a gente não sabe nada dele. Quando chega, chega descendo a porrada em todo mundo. Ele é aquele tipo de personagem que, quanto menos você souber, melhor.
Mas, já que fizeram um filme, que ao menos fizessem uma história interessante, o que não é o caso aqui. O roteiro é rocambolesco, clichê, é traição em cima de traição, é uma pataquada de uns testes sem graça. A cena das anacondas até poderia ser boa, mas é tudo tão escuro e tão mal executado que uma sequência conceitualmente interessante acaba ficando boba durante a execução.
Eu cheguei aqui ao menos esperando encontrar boas sequências de luta, uma boa coordenação de dublês, mas não tem nada disso. Outro problema é o Harry Goodwin, que tem o carisma de uma parede. Nós temos no elenco Andrew Koji que, além de um bom ator, é um artista marcial sensacional. Ele funcionaria muito melhor como protagonista, mas, pelo menos aqui, colocaram-no como vilão. O Storm Shadow, que, honestamente, eu sempre achei muito mais interessante que o próprio Snake Eyes.
Esse filme foi uma tentativa de Hollywood de retomar uma franquia que, lá no finalzinho dos anos 2000, deu umas batidas de asa, mas que nunca decolou. E o mais interessante é que, atualmente, a Hasbro está tentando colar G.I. Joe nos Transformers, que, por si só, já foram gigantescos, mas que nos cinemas atualmente respiram por aparelhos. Seria um aleijado se escorando em outro. Mas eu tenho para mim que isso nunca vai sair do papel e creio que essa saga deveria ficar presa lá nos anos 80, quando ela era relevante. Hoje em dia, honestamente, isso aí já não diz mais nada, só os executivos insistem em não ver.
Eu tenho para mim que o maior crime que um filme pode cometer não é ele ser ruim, é ele ser qualquer coisa. É ser esquecível, ser qualquer nota. Porque o filme ruim, um verdadeiro desastre, mas te marca de alguma forma: te faz perder a paciência, te faz querer bufar de raiva, enfim, te provoca algum sentimento. E, quando você se depara com um que nem isso consegue fazer, a frustração é pior. É aquele sentimento de que você se envolveu, se entregou, e não recebeu nada em troca. E foi exatamente isso que eu senti assistindo a isso aqui.
Após perder a esposa e a filha em um acidente aéreo causado por um erro de controle de tráfego, Roman Melnyk fica devastado. Quando percebe que o responsável pela tragédia continua vivendo sua própria vida, Roman passa a ser consumido pelo luto e pela necessidade de encontrar algum tipo de justiça, colocando-o em uma trajetória marcada por dor, ressentimento e vingança.
Quando eu li a sinopse, achei a história extremamente interessante, uma proposta diferente. O Arnold Schwarzenegger já estava bem mais velho, então não seria um daqueles longas que ele estava acostumado a fazer na juventude, do exército do homem solitário em busca de vingança e tal. Mas eu não imaginava que fosse encontrar uma coisa tão insípida, tão sem graça.
A parte mais interessante da obra justamente está no personagem do Scott McNairy e na repercussão que o erro dele causou, desde as pressões psicológicas até as pressões sociais. Mas isso não é bem explorado. É tudo feito de uma maneira insípida.
A fotografia é cinzenta e combina com o roteiro, que não é preto nem branco, não é 8 ou 80, ele é cinza. Ele é uma coisa, uma massa sem forma. E foi isso que me impediu de gostar, porque ele não é intenso. Uma história como esta poderia ser um drama fenomenal, que nos levasse a discutir, que nos levasse a entender melhor quais seriam as repercussões que um acidente como este teria caso acontecesse na vida real, já que o filme é levemente inspirado em uma história real. Mas roteiro e direção não querem se comprometer com nada, e aí acaba resultando em uma coisa sem vida.
Aftermath é daqueles filmes que eu coloco na prateleira de que você não vai se esquecer da história dele, você vai se esquecer de sequer tê-lo assistido. É o tipo de produção que implode imediatamente na parte do cérebro que guarda as nossas memórias, porque não tem uma cena minimamente memorável. Eu mesmo cochilei e lutei contra o sono durante uma hora e meia e, o filme não me ajudava a resistir. E isso é o que torna tudo mais desmotivante no final.
DOCTOR ZHIVAGO Direção: David Lean Ano: 1965 Assistido em: 05/09/2026
Desde março, estou vivendo quase que um caso de hiperfoco na história russa, muito devido ao fato de estar lendo algumas obras icônicas do Ken Follett. E, quando li uma biografia do meu diretor favorito da vida, Christopher Nolasn, descobri que este é um dos longas mais influentes no trabalho dele. Então, decidi que era hora de juntar o útil ao agradável e conhecer esse grande clássico dos anos 60. Mas é aquela história: não é porque é clássico que obrigatoriamente você vai morrer de amores.
Durante a Revolução Russa e a Guerra Civil, o médico e poeta Yuri Zhivago tenta sobreviver às profundas transformações políticas e sociais que devastam a Rússia. Casado com Tonya, ele acaba se envolvendo com Lara, uma enfermeira por quem desenvolve uma paixão intensa, enquanto os conflitos ao seu redor tornam cada vez mais difícil preservar sua família, seus ideais e sua própria vida.
Eu vou começar falando daquilo que não me agradou na obra porque vai ser mais fácil, já que o problema se concentra em apenas dois pontos: primeiro, nos personagens; segundo, no ritmo. Sobre os personagens, a melhor definição que eu consigo achar é que eles são tão carismáticos quanto um muro chapiscado. Honestamente, eu não gostei de ninguém. Nenhum me convenceu, eu não fui encantado por eles. O protagonista é apático, não tem atitude, é simplesmente carregado pelas situações da vida. Honestamente, eu não morro de amores por pessoas que são adúlteras, independentemente do contexto ou da situação, então o Yuri foi alguém que praticamente foi muito maçante de acompanhar. Os demais personagens, esses aí então, pioraram. A mais simpática de todos é a Lara, mas, ainda assim, a questão do adultério me pega demais e não dá para torcer para os dois.
O ponto do ritmo e edição também fica complicado. São 3h20 de duração nada dinâmicos: tudo é arrastado. E olha que ele tem assuntos extremamente relevantes e que, como eu disse, têm minha total atenção, como as revoluções de 1917, a Guerra Civil Russa, todo o contexto geopolítico entre o fim do Império Russo e a ascensão da União Soviética e o estado de caos que se instaurou nos cinco anos entre uma coisa e outra. Ainda assim, é tudo muito devagar. A história se arrasta e, como eu disse lá em cima, os protagonistas não são muito agradáveis. Tudo isso torna a experiência de assistir a Doctor Zhivago bastante enfadonha.
Mas, deixando de lado essa parte, o restante do trabalho é um espetáculo com letras garrafais. A direção é muito boa, os atores em cena são lendários. Por mais que eu ache o Yuri uma água de salchica, é inegável o talento de Omar Sharif, assim como o de Geraldine Chaplin, o da Julie Christie e, é claro, o do lendário Alec Guinness, mesmo ele apareca pouco.
Outro detalhe que faz o queixo cair é a fotografia linda. Ela usa muito bem os cenários, dando uma impressão de grandiosidade à história. A produção, os cenários e os figurinos nos fazem acreditar que estamos mesmo na Rússia do princípio do século XX. A trilha sonora é forte, é marcante, não passa despercebida. Você entende perfeitamente de onde vem o fascínio do Nolan por essa produção, porque, artisticamente falando, é delicioso de observar. É uma pena, infelizmente, que a história não acompanhe.
Para mim, Doctor Zhivago vai ser daqueles filmes de que eu sempre vou me lembrar quando precisar de um exemplo de produção que você consegue reconhecer que é muito caprichada, que foi muito bem feita, mas que, ainda assim, não conseguiu te cativar. Um filme que é justamente reconhecido como um dos maiores de todos os tempos e que tem todos os elementos para isso. Então, não é daqueles que vai me fazer perguntar: “O que diabos os críticos viram nisso?”. Não, muito pelo contrário. É daqueles que eu tenho a mais absoluta certeza de que, ao longo dos anos, vou querer rever. Quem sabe, em outro dia, em outro momento, com outra cabeça, ele consiga se comunicar comigo de uma forma diferente da que foi no dia de hoje.
THE VEIL Direção: Brent Ryan Green Ano: 2017 Assistido em: 30/08/2026
Quando eu era criança, lá nos anos 90, a única maneira de assistir a certos filmes era pela televisão, e eu sempre reparava que os grandes blockbusters, os grandes sucessos, estavam na Globo. Os menores iam parar no SBT. A Record pegava aquele resto de filmes muito antigos cujas emissoras principais já haviam perdido os direitos, e para a Band sobravam aqueles produzidos diretamente para VHS/DVD que não podiam nem ser chamados de classe B, pois eram fracos demais para essa classificação. Quando terminei de assistir The Veil, tive a sensação de ter acabado de presenciar uma daquelas sessões de cinema daquela época.
Em um mundo devastado por guerras, um guerreiro é traído e abandonado à própria sorte. Depois de ser salvo por uma misteriosa princesa, ele é acolhido por uma tribo que acredita que sua chegada está ligada a uma antiga profecia. Enquanto recupera suas forças, ele precisa decidir se está disposto a liderar aquele povo contra seus inimigos.
Existe uma teoria cinematográfica que diz que, para fazer um bom filme, não é necessário ter dinheiro: só é preciso ter uma câmera e talento. Ao longo dos anos, tivemos diversas confirmações dessa regra. Foi assim com Mad Max (1979), foi assim com A Bruxa de Blair (1999) e, mais recentemente, com Obsessão (2025). Portanto, orçamento não é desculpa, mas você precisa saber o que quer fazer e, principalmente, como fazer. A partir do momento em que você se propõe a fazer uma fantasia medieval, precisa entender suas limitações. O problema é que este filme não entendeu isso. Em alguns momentos, ele me lembrou episódios de Power Rangers ou de séries da CW. Mas aí eu dou até um desconto para essas séries, porque elas não têm orçamento de cinema e nem a pretensão de serem exibidas em tela grande.
As atuações são simplesmente sofríveis, mas eu não vou julgar os atores, até porque há gente de quem eu gosto bastante aí no meio, como William Levy, William Moseley e Serinda Swan. Nenhum deles, porém, vai conseguir entregar uma boa performance quando a base é simplesmente tenebrosa. Nenhum personagem tem um bom desenvolvimento, nenhum é bem escrito e todos só servem momentaneamente às necessidades do roteiro (aliás, que roteiro?). São tão profundos quanto uma poça d'água depois de uma chuva.
Tudo aqui é precário. Os figurinos são feitos à base de couro, como se o figurinista tivesse algum tipo de fetiche com esse material. A fotografia é péssima, os ângulos não criam nada de bonito, tudo é feio. Os cenários parecem feitos de papelão, daqueles de produção escolar. Resumindo: é tudo pavoroso, asqueroso, para não dizer uma palavra mais forte.
Este é um dos piores filmes que já vi na minha vida, e olha que já vi muita coisa ruim. Nada aqui funciona. Vou dar meia estrela pelo elenco masculino ser cheio de homens bonitos, mas, quando esse é o único ponto positivo que consigo encontrar em uma produção, é porque a coisa está muito feia.
Eu lembro que, lá em 2018, quando fiquei sabendo do lançamento desse filme, fiquei bastante animado, porque ele seria o primeiro longa-metragem produzido pela Eon que não pertencia ao universo de James Bond em décadas de atuação na área cinematográfica. Ele entrou na minha lista de produções para assistir no cinema em 2019, mas acabou sendo adiado, adiado novamente e finalmente desovado no começo de 2020. Não veio para a minha cidade e eu perdi completamente o interesse, até que, ao revisar uma lista de pendências no IMDb, me deparei com ele e decidi que era hora de corrigir essa pendência. Agora, a sensação que fica é que talvez tivesse sido melhor não ter ido atrás.
Após perder a família em um acidente aéreo, Stephanie Patrick descobre que a tragédia foi, na verdade, um atentado. Consumida pelo desejo de vingança, ela é treinada por um ex-agente do MI6 para assumir diferentes identidades e perseguir os responsáveis, transformando-se em uma assassina determinada a descobrir toda a verdade.
Lendo um pouco sobre os bastidores, descobrimos que houve uma verdadeira batalha pelo controle da narrativa, com estúdio, protagonista e diretora querendo um filme de ação mais tradicional, enquanto os produtores defendiam algo mais slow burn. Não sou contrário a uma narrativa mais cadenciada e até prefiro histórias que apresentem melhor seus personagens antes de partir para a ação. O problema é que, para isso funcionar, é necessário existir alguma profundidade nesses personagens, algo que os torne interessantes. E aqui não há nada disso. Se tirarmos o fato de a família da protagonista ter morrido em um acidente de avião, Stephanie praticamente se desfaz: não sobra muita coisa.
Eu entendo que, para Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, fazer um novo filme simplesmente igual aos de James Bond não seria algo interessante. Seria, em essência, fazer a mesma coisa. Mas, convenhamos: para um filme de espionagem, faltaram cenas realmente interessantes, combates bem coreografados, perseguições mais elaboradas e, enfim, boa parte dos componentes que esperamos desse gênero e que ajudam a manter o público envolvido. A tentativa de fugir do modelo tradicional acabou sacrificando justamente aquilo que poderia tornar a experiência mais divertida.
Não sou o maior fã da Blake Lively, mas reconheço que ela consegue ser uma boa atriz quando recebe material suficiente para trabalhar. O problema é que aqui ela recebe uma personagem completamente insossa e sem graça. Ela ainda conta com o suporte de um Jude Law completamente apático e de um Sterling K. Brown absurdamente subutilizado, sendo que ambos poderiam render muito mais.
No fim, saí desse filme com a impressão de estar diante de um primo pobre de James Bond: aquele que tentou fazer as coisas do seu jeito, tentou seguir por um caminho diferente, mas não apenas não conseguiu fugir das comparações como também não conseguiu provar que esse novo caminho poderia dar certo. Há anos existe na internet uma discussão sobre a possibilidade de reformular 007, seja transformando-o em uma mulher, seja em um homem negro, enfim, fugindo da forma como o personagem foi originalmente concebido. The Rhythm Section poderia ter sido uma resposta interessante para essa discussão, uma espécie de versão feminina do clássico herói de espionagem. No final, porém, parece apenas uma oportunidade desperdiçada.
THE LAST SUNRISE Direção: Carlson Young Ano: 2026 Assistido em: 29/08/2026
Comédias românticas protagonizadas por jovens são a mesma coisa desde que o mundo é mundo. Elas não têm novidade, não têm muita profundidade e, honestamente, só servem para aqueles dias em que você não tem uma opção melhor para assistir. Eu vi o card deste filme no Prime Video, achei os atores bonitos e decidi dar play, só que tudo o que encontrei foi a mesmice ordinária de sempre.
Ry, uma jovem de 22 anos que enfrenta problemas crônicos de saúde e vive sob a proteção excessiva da mãe, sente que sua vida está sendo constantemente adiada. Quando as duas viajam para Maiorca por causa do trabalho da mãe, Ry decide aproveitar a oportunidade para experimentar uma independência que nunca teve. Em uma de suas primeiras aventuras sozinha, ela conhece Julián, um jovem espanhol que vive na ilha e a conduz para experiências completamente novas. À medida que o verão avança, a atração entre os dois cresce e Ry começa a descobrir uma versão de si mesma que desconhecia.
Eu não vou ser hipócrita e dizer que o filme não tem pontos positivos, porque ele tem. O elenco é muito bonito, nós temos cenas de Fernando Lindez sem camisa para ninguém reclamar, e os cenários da Espanha são deslumbrantes. Mas não vai além disso. É basicamente um filme visualmente agradável, porque, quando entra no campo da história, aí não há muito o que ser dito. É o mais do mesmo de sempre, com um dos protagonistas doente, que meio que já desistiu da vida, encontrando um grande amor e ficando naquele esquema meloso de “ah, meu Deus, estou morrendo, mas descobri o grande amor da minha vida, e por isso vou deixar de tomar os meus remédios”, algo que a gente já viu um milhão de vezes.
Tecnicamente falando, não há muito que ser dito. É aquela atuação básica de atores, não temos nenhum grande personagem, então nem é preciso esperar algo digno de Oscar ou nada disso. A trilha sonora é apagada e não há nenhum grande destaque em edição, e direção. O ritmo funciona para o que é uma comédia romântica, ou seja, tudo segue no compasso correto, da antipatia inicial entre os personagens até o momento em que eles vão se apaixonando. Enfim, é uma repetição do que já vimos ao longo de muitos e muitos anos.
Nos últimos tempos, estamos presenciando um boom de adaptações de literatura jovem e romântica. Algumas são boas, outras nem tanto. The Last Sunrise cai no grupo das nem tanto. Não é algo que vai ofender a inteligência de ninguém, mas também não vai ser escolhido como o filme favorito de ninguém. Ele é daqueles que você assiste hoje e amanhã já esqueceu, não da história, mas de ter assistido.
CHAPLIN Direção: Richard Attenborough Ano: 1992 Assistido em: 29/08/2026
Se fizessem uma votação hoje, e tivéssemos que escolher o maior gênio da história do cinema, meu voto, com absoluta certeza, iria para Charles Chaplin. Ele jogava em outro nível. Não foi apenas um ator de extrema importância e de talento inquestionável. Não, o homem foi um pioneiro em todos os sentidos. Ele era um diretor excepcional, um roteirista brilhante, um empresário talentosíssimo que brigou contra o sistema e a indústria de Hollywood quando Hollywood ainda estava se formando. Era também um músico talentosíssimo, um bailarino e acrobata além do normal. Enfim, ele era o que podemos chamar de fora da curva. Um filme que conseguisse retratar todas as facetas dessa figura, ao mesmo tempo em que não deixasse de lado suas polêmicas, era um desafio muito grande de ser realizado, mas eu confesso que gostei muito daquilo que vi.
A vida de Charles Chaplin começa em meio à extrema pobreza da Londres do início do século XX, mas seu talento para a comédia o leva dos palcos ingleses aos Estados Unidos, onde rapidamente se transforma em uma das figuras mais populares do mundo. Por trás do personagem irreverente que conquista milhões de pessoas, porém, existe um homem ambicioso, perfeccionista e marcado por relações amorosas conturbadas, conflitos profissionais e controvérsias políticas. Enquanto sua carreira alcança proporções extraordinárias, Chaplin precisa lidar com o preço da fama e com as consequências de suas escolhas pessoais.
A vida de Chaplin não foi nada fácil, principalmente para o filho de uma mãe solo no final do século XIX. Ele foi obrigado, desde muito cedo, a enfrentar uma vida muito difícil, mas, por outro lado, aprendeu e descobriu muito rapidamente o seu grande talento e o quão especial ele era. Infelizmente, o filme tem muita coisa para contar, então nós não temos tempo a perder. A infância de Chaplin é tratada de uma forma muito breve, sendo que existiam muitas coisas a serem abordadas ali. Eu sei que Richard Attenborough seguiu a autobiografia de Charles, e isso acabou prejudicando um pouco a narrativa, já que o próprio ator não era muito afeito a falar sobre algumas passagens. Aliás, este é um problema do filme como um todo, e o maior deles, muitos pontos são trabalhados de uma forma muito rápida, sem que tenham o devido detalhamento necessário, principalmente as polêmicas.
Apesar de Chaplin ser, para mim, a maior figura da história do cinema, eu não nego que o fato de ele se envolver com jovens muito novas é altamente problemático e deplorável, para não dizer outra palavra. Só que eu também não sou adepto do revisionismo histórico ou de ressignificações. Nós não podemos julgar com os olhos do século XXI comportamentos do princípio do século XX, porque, se fizermos isso, não teremos ídolo nenhum. Enfim, eu fico aliviado que pelo menos isso tenha sido retratado em tela. Partindo do pressuposto de que estamos nos baseando em uma autobiografia que contou com o envolvimento direto da família do ator, ver o comportamento dele sendo criticado (não tanto quanto deveria, mas ainda assim criticado), foi impressionante.
Tecnicamente falando, o filme é muito bem trabalhado. Robert Downey Jr. conseguiu entregar uma fisicalidade muito grande, que era obrigatória para interpretar esse personagem. O ator conseguiu se disfarçar muito bem, só que eu não gostei de vê-lo como Chaplin nos anos 60 e 70. Downey era muito jovem em 1992, não tinha nem 30 anos, e interpretar um homem de mais de 80, mesmo com aquela maquiagem bem feita, não me soou tão natural. Os demais atores estão bem em seus papéis, mas, como há muita coisa a cobrir, todos passam muito rapidamente, não dando muito espaço para que ninguém brilhasse com maior intensidade.
Chaplin é daquelas cinebiografias que tentam cobrir toda a vida do personagem e, graças a isso, é um filme apressado. Eu senti que havia espaço para muito mais. Ele tem apenas duas horas e vinte minutos, mas é daqueles que poderiam ter bem mais duração e você não sentiria, porque é uma história tão rica e tão deliciosa de acompanhar que, ao final, a sensação que tive foi de que eu passaria tranquilamente das três horas sem cansar.
É impossível não se emocionar com as cenas finais, quando imagens do verdadeiro Chaplin aparecem naquela homenagem no Oscar de 1972. Aliás, achei o ponto de corte excelente: o momento em que Hollywood meio que pediu perdão a Chaplin pelos anos de perseguição. Foi verdadeiramente encantador.
THE SHADOW EFFECT Direção: Obin Olson e Amariah Olson Ano: 2017 Assistido em: 23/08/2026
Tem filme que, antes mesmo de assistir, você já sabe que vai ser ruim. Você vê atores da série B, vê um diretor desconhecido, um pôster meio duvidoso e é batata. E como o mundo do cinema não se faz apenas de classe A, é preciso dar uma oportunidade para esses títulos inferiores, para ter repertório, para poder reconhecer ainda mais aqueles que são bons. Mas tem uns que só pela misericórdia.
Gabriel Howarth começa a ter sonhos violentos nos quais presencia assassinatos e outros acontecimentos perturbadores. Quando percebe que aquilo que vê durante o sono está de alguma forma relacionado à realidade, ele passa a questionar a própria mente e a descobrir que existe uma força misteriosa por trás de suas experiências.
Esse é daquele tipo de filme que, de tão previsível, se torna irritante. Logo nas primeiras cenas, você já percebe qual vai ser o plot twist. E eu não estou falando isso porque sou muito inteligente, não, longe disso. É porque é tão, mas tão previsível, e o roteiro é tão capenga, tão anêmico, que qualquer um percebe.
Outro ponto que merece ser comentado é a completa falta de sutileza do roteiro. Quando você percebe o que está acontecendo, fica nítido que você está assistindo a uma Laranja Mecânica (1971) às avessas, mas os diretores, não satisfeito, ainda mete uma cena chupada do clássico de Stanley Kubrick, com direito à reprodução idêntica do Tratamento Ludovico. Só que aqui feita sem impacto e sem delicadeza foi como colocar um elefante andando dentro de uma sala de estar.
E sobre o plot twist depois do plot twist, eu só gostaria de parabenizar quem teve uma ideia tão imbecil como essa. É como se o filme já não fosse uma ficção científica suficiente apenas com a questão das memórias; ainda inventaram de enfiar clonagem no meio. De fato, não é qualquer um que consegue ter tantas ideias cretinas juntas ao mesmo tempo.
Sobre o elenco, o pobre Cam Gigandet só faz o filme ruim, então até aí, sem novidades. Jonathan Rhys Meyers é muito bom, mas fez péssimas escolhas ao longo dos anos, e o Michael Biehn, infelizmente, perdeu tudo na virada dos anos 80 e, desde então, também só aparece nesse tipo de bomba genérica.
Completamente cansativo, frustrante e desgastante. A direção é tão abaixo incapaz de criar algo interessante, que 1h40min parecem 5h. The Shadow Effect não valoriza a experiência cinematográfica em nada, porque, até para ser ruim, é preciso ter um pouquinho de qualidade, e até nisso ele ficou devendo.
FALLEN Direção: Scott Hicks Ano: 2016 Assistido em: 23/08/2026
O final dos anos 2000 e o comecinho dos anos 2010 foram um terreno fértil para adaptações literárias com foco no público juvenil. E tudo isso graças ao enorme sucesso, principalmente, de Harry Potter e, posteriormente, de Crepúsculo e Jogos Vorazes. Entretanto, pouquíssimos, para não dizer mais nenhum, conseguiram um sucesso parecido com o destes exemplos. Quando Fallen chegou à festa, ela já tinha acabado. Ele passou completamente despercebido, mas, com um resultado como o apresentado, eu acredito que isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com todos os envolvidos, já que o que temos aqui é claramente um caso capaz de destruir carreiras.
Após ser enviada para um reformatório por causa de um incidente misterioso, Luce Price se vê envolvida em uma atmosfera estranha e começa a se sentir inexplicavelmente atraída por Daniel, um jovem reservado que parece esconder um segredo. Enquanto tenta entender as estranhas visões que a perseguem, Luce descobre que sua vida está ligada a uma antiga e sobrenatural disputa.
Quando tudo terminou, a única coisa que vinha à minha cabeça era que talvez ele tivesse feito muito sucesso caso fosse lançado dez anos antes, lá pelos idos de 2006 ou 2007, porque claramente é um filme perdido no tempo e no espaço. Tudo nele está ultrapassado: os visuais, a fotografia, o perfil dos personagens. É tudo fora do seu habitat natural. Em 2016, histórias assim já não faziam sentido, já não faziam sucesso, então qual o sentido de lançar isso?
A mitologia apresentada é uma bomba quase atômica. Até onde vai o meu parco conhecimento, anjos caídos são aqueles que apoiaram Lúcifer, mas aqui eles são os que ficaram em cima do muro. Ok, não faz muito sentido, mas, se fosse explorado de uma maneira interessante... Mas não, não é. É tudo muito superficial. Você não sabe nada sobre eles, apenas que caíram na Terra, são imortais e têm umas asas horrorosas que me lembraram bastante uma versão inferior das usadas no Clube das Winx.
Direção tenebrosa, fotografia escura pra caramba, que não deixa você enxergar nada direito em muitos momentos, e atuações horripilantes. Eu me pergunto o que a Joely Richardson estava fazendo nisso. E o Jeremy Irvine coitado, estreou no cinema em grande estilo, sendo protagonista do Steven Spielberg, e pouco tempo depois estava estrelando essa bomba. Enfim, é difícil encontrar pontos positivos nisso aqui, mas eu vou destacar que eu ri em algumas situações com o quão boba e frágil é essa história, como todo o ato final, só para citar um exemplo, eles dizendo que Lucifer viria buscar a protagonista foi para gargalhar alto.
Sem absolutamente nenhuma curva narrativa interessante, sem nenhum drama forte, Fallen é fraco, fraco, fraco. Ele é esquecível e ruim mesmo dentre os esquecíveis e ruins. O que é uma grande tristeza, porque o dinheiro investido nisso aí poderia facilmente bancar algum outro projeto independente muito mais interessante. Mas eu pelo menos fico feliz, por um lado, que fracassos como esse foram decisivos para enterrar de vez essas tentativas que Hollywood tanto insistiu em fazer para tentar encontrar seu novo grande sucesso da fantasia infantojuvenil.
LUCKY STRIKE Direção: Rod Lurie Ano: 2026 Assistido em: 22/08/2026
Como um apaixonado por história e um viciado na Segunda Guerra Mundial, eu ouço há anos falar sobre a grande Batalha das Ardenas (1944-1945), esse conflito em que o exército nazista deu seus últimos suspiros de resistência e que, a partir dali, seria massacrado sem poder fazer muita coisa. Um momento de extrema importância, de extrema relevância dentro do conflito, e tudo que envolve ele eu sempre gosto de ler, de conhecer. O auge foi na minissérie Band of Brothers (2001), e, quando fiquei sabendo deste filme, fiquei animado para assistir. Só que eu não imaginava que seria apenas os mesmos vícios das produções de guerra repetidos, sem nenhum brilho de inovação.
Durante a Batalha das Ardenas, em dezembro de 1944, o capitão americano John Castle sobrevive à destruição de sua unidade e fica isolado atrás das linhas alemãs. Ferido e equipado apenas com seu treinamento e um rádio, ele recebe instruções para percorrer cerca de 30 quilômetros até reencontrar as forças americanas. Enquanto atravessa as Ardenas em pleno inverno, Castle precisa evitar patrulhas alemãs, lidar com seus ferimentos e usar o rádio para transmitir informações importantes sobre os movimentos inimigos. A cada quilômetro, sua sobrevivência depende de encontrar maneiras de permanecer escondido enquanto tenta alcançar as linhas aliadas.
Meu problema com o filme é que eu cheguei esperando por algo minimamente próximo do que eu tinha visto na minissérie clássica da HBO, com os conflitos grandes, as lutas, mostrando o quão importante era aquela batalha, o quão decisiva ela era tanto para os Aliados quanto para o Eixo. E não é isso que a gente tem. O que nós temos é o velho arquétipo do soldado com trauma que precisa sobreviver sozinho após ter seu batalhão dizimado, e ele vai passando por dificuldades enquanto tenta voltar a um posto do seu agrupamento. É o que nós já vimos em um milhão de filmes produzidos por Hollywood. Ou seja, não tem nada, não tem um pingo de identidade e inventividade.
O Scott Eastwood herdou a beleza do pai, mas não o talento. Ele é muito fraco, mas eu acho que ele é esforçado. Eu creio que, com a influência certa, dá para sair alguma coisa. Infelizmente, ele não teve essa influência. Seu personagem é terrível de ruim, e todos em volta dele vão pelo mesmo caminho. A direção é insípida, sem vida; a fotografia é cinzenta, sem nada que se destaque; e o roteiro é tão monótono, tão previsível, que só desperta sono.
Muitos vão dizer que o filme é inspirado em uma história real e que pode ter respeitado o que de fato aconteceu. Para mim, isso tudo é balela. Hollywood só respeita histórias reais quando elas já são naturalmente cinematográficas. Quando eles querem, conseguem fazer com que elas soem mais interessantes, e aqui eles não fizeram. Aliás, por mim, eu até preferia que eles não fossem nada leais aos eventos históricos e, no lugar disso, pegassem pelo menos a história e fizessem um roteiro interessante. Não aconteceu.
Muitas pessoas amam filmes de guerra, amam conflitos, amam as cenas de troca de tiros. Eu, por outro lado, gosto mais dos bastidores, gosto mais dos detalhes. Eu esperava encontra isso, mas Lucky Strike é tão sem graça, tão fraquinho e tedioso. A única coisa que ele me deu foi sono. Eu pesquei algumas vezes enquanto assistia e nem tive interesse de voltar para ver o que perdi, porque a sensação que tive era de que não estava perdendo nada de relevante. Enfim, só espero que, da próxima vez que forem levar a Batalha das Ardenas para as telas, ela seja mais como fizeram no episódio 6 de Band of Brothers do que isso aqui.
YOUNG WASHINGTON Direção: Jon Erwin Ano: 2026 Assistido em: 22/08/2026
Eu gosto muito de conhecer a vida de grandes personalidades históricas e, gostando deles ou não, os presidentes dos Estados Unidos da América são figuras de poder que exercem uma influência absurda no mundo. Sempre achei interessante saber um pouquinho mais sobre eles. Quando tomei conhecimento sobre este filme, eu nem sabia direito do que se tratava. Basicamente, a única informação que eu tinha é que ele iria retratar a juventude de Washington, como o próprio título já entregava, mas eu já estava decidido a assistir. Após conferir o resultado final, a impressão que eu tive é que a ideia foi muito boa, mas o resultado ficou devendo muito.
Aos 21 anos, George Washington começa sua carreira militar durante as tensões entre britânicos e franceses pelo controle do território americano. Enviado à fronteira da Virgínia, ele se envolve no conflito que desencadeará a Guerra Franco-Indígena. Após um confronto desastroso com os franceses, Washington passa a servir sob o comando do general Edward Braddock, participando de uma campanha que termina em uma devastadora derrota britânica. Entre fracassos militares, disputas com seus superiores e experiências no campo de batalha, o jovem oficial começa a desenvolver a liderança e a experiência que futuramente o transformarão em um símbolo do país.
Os americanos têm a mania, o costume, a prática, seja lá o nome que podemos dar a isso, de idolatrar seus políticos, principalmente aqueles que eles chamam de “pais fundadores”. É algo que não existe aqui do nosso lado do continente. Os brasileiros têm verdadeiro horror de muitas de suas figuras de autoridade, então é difícil assistir a um filme onde o protagonista é um pilar de perfeição. Eu até fiquei surpreso que Washington tenha sido retratado como sendo uma pessoa ambiciosa e teimosa ao extremo, e essa teimosia levou a um grande desastre. O pilar moral que eles estavam criando nem combina muito com essas características.
Mas a forma como o roteiro retrata o personagem não me surpreende, já era algo que eu esperava. O que chamou minha atenção aqui mesmo é a direção, que é pavorosamente ruim. A forma como tentam criar tensão, mostrando os rostos desesperados dos homens do futuro presidente esperando por orientação enquanto uma música em tom de desespero sobe, é uma das maneiras mais patéticas e ordinárias de tentar despertar uma emoção no público. O que não acontece. Muito pelo contrário: esse povo todo é tão superficial, tão raso, que não dá para você ter empatia por eles. No final, você pouco se importa com o que está acontecendo ou não.
Eu fiquei bastante surpreso com o elenco, porque todas as atuações são bem ruinzinhas, mas encontrar nomes como Mary-Louise Parker, Ben Kingsley e Andy Serkis em um filme desses só me fez perguntar se eles estavam com algum agiota nas suas colas, se estavam precisando de um troco para poder se livrar do problema, porque é inacreditável como o nível de atuação aqui está baixo. O protagonista, William Franklyn-Miller, é uma gracinha, mas, misericórdia, é uma cara de perdido. De quem não sabe o que está acontecendo.
Para não dizer que é um filme completamente inútil, eu acredito que quem o assistiu em uma sala de cinema pode ter se divertido com as cenas de luta e de batalha, mas, fora isso, ele dá aquela impressão de filme de televisão... Eu até ia dizer um documentário feito pelo History Channel, mas parece mais aquelas subproduções feitas por um Hallmark da vida. Nada se destaca. A trilha sonora é ruim, apagada, sem vida; a fotografia é fria demais, não cria momentos impactantes; a edição é monótona. Enfim, é um filminho bem qualquer nota.
Pelo menos para mim, ele serviu para aprender um pouquinho de história e, como eu sou completamente encantado por conhecer o passado, ainda consegui tirar algum proveito disso tudo. Mas, honestamente, é um filme do qual eu me arrependi muito de ter criado qualquer espécie de expectativa.
A DOG'S PURPOSE Direção: Lasse Hallström Ano: 2017 Assistido em: 16/08/2026
Eu vou confessar uma coisa: quando criança, eu amava filmes de cachorro. Depois de adulto, passei a evitá-los, e não é porque eu não aguento ver cenas dos bichinhos sofrendo, nem nada disso. Apesar de ser apaixonado por eles desde que me entendo por gente e, se pudesse, teria um verdadeiro canil na minha casa, não é por isso que me afastei desse tipo de produção, mas porque os roteiros são tão ruins, tão fracos e tão previsíveis que eu optei por esse afastamento. Porém, quando li a premissa deste aqui, fiquei interessado, principalmente porque ele me lembrou um dos filmes que eu mais amava quando criança e que era repetido à exaustão na Sessão da Tarde: o clássico (pelo menos no meu coração), Fluke (1995).
Bailey é um cachorro que, após morrer, renasce repetidamente em diferentes corpos caninos ao longo de várias décadas. A cada nova vida, ele conhece pessoas diferentes, experimenta novas relações e desempenha papéis distintos na vida de seus donos. Apesar das mudanças, Bailey mantém uma espécie de consciência de suas existências anteriores e começa a perceber que cada uma delas possui um propósito, especialmente sua ligação com Ethan, o garoto que se torna seu primeiro e mais importante companheiro.
Como disse, este filme me lembrou muito Fluke, só que, diferentemente do longa dos anos 90, aqui não é um ser humano que reencarna em um cachorro, mas sim um cãozinho que vai reencarnando, e nós vamos acompanhando cada uma das interações que ele tem com os seres humanos. Aí vai da crença de cada um: se você for adepto do kardecismo ou do hinduísmo e acredita em reencarnação, talvez essa premissa faça ainda mais sentido para você. Mas não estamos aqui para falar sobre isso, mas sobre o filme. E aí está o problema dessa história: apesar de ter uma ideia interessante, a execução dela é uma tristeza.
O maior problema está na montagem. Ele não tem nenhum primor de roteiro; é o básico, aquela água com açúcar que sempre me manteve afastado dos filmes de cachorro. Mas o problema é que o ritmo é terrível. É muito truncado e, em alguns momentos, extremamente cansativo. Há uma hora em que a história fica particularmente arrastada, principalmente nas cenas da fazenda. Cheguei a me perguntar quando esse cachorro finalmente iria morrer, desencarnar e partir para a próxima vida, porque aquela estava muito chata. Muito chata mesmo.
E assim nós vamos seguindo, presos a uma previsibilidade que não dá ao roteiro qualquer espaço para escapar do óbvio. O longa tenta o tempo todo nos fazer chorar, mas trabalha com uma emoção falha, que não parece verdadeira. Eu admito que fiquei muito sensibilizado com todas as cenas de morte, porque qualquer pessoa que já perdeu um animalzinho sabe que essa é uma das piores experiências da vida. Mas, fora isso, não houve nada aqui que me fizesse de fato ficar impressionado.
O fato de enxergarmos tudo pelo olhar do cãozinho Bailey torna muitas coisas no roteiro problemáticas. Por exemplo, a transformação dos personagens é extremamente abrupta. Em determinado momento, o pai do protagonista é um homem tranquilo; logo depois, descobrimos que o cara já é um alcoólatra, colocando a família em risco. E o que aconteceu com o garoto responsável pelo incêndio? Nada disso é devidamente esclarecido porque estamos presos à visão do cãozinho. Mas um bom roteiro poderia resolver essa situação. O problema é que nós não temos um bom roteiro.
Tirando o fato de que o título brasileiro não faz o menor sentido, afinal de contas nós vemos cinco encarnações da vida de Bailey, e não apenas quatro, Quatro Vidas de um Cachorro é uma adaptação que pode funcionar de maneira diferente para pessoas mais sensíveis. Eu entendo que ele possa tocar alguém de uma forma muito particular, mas, honestamente, não me causou nenhum impacto. Assisti, achei interessantes algumas partes, mas, assim que os créditos começaram a subir, eu já tinha deletado muita coisa da minha mente. O resultado final é, acima de tudo, um filme esquecível.
Não sou o cara dos musicais. Não fui acostumado a eles, haja vista que, desde pequeno, sempre fui mais exposto ao cinema realista, de suspense e tensão. A exceção, obviamente, é a era renascentista da Disney, mas essa é uma proposta completamente diferente dos musicais clássicos por se tratar de animações. Como eu não tenho preconceito cinematográfico, mesmo não sendo a minha praia, ainda assisto. E, nesta semana, eu me peguei lendo sobre a vida de Marilyn Monroe e percebi que nunca tinha assistido ao seu primeiro grande sucesso, o filme que a projetou. Decidi, então, que era hora de corrigir essa falha.
Lorelei Lee e Dorothy Shaw são duas cantoras e melhores amigas que trabalham juntas em um clube noturno. Enquanto Dorothy é romântica e procura um homem que realmente a ame, Lorelei está noiva do milionário Gus Esmond, cuja família desaprova o relacionamento por acreditar que ela está interessada apenas no dinheiro. Quando Lorelei embarca com Dorothy em uma viagem de navio rumo à Europa, as duas acabam envolvidas em uma série de situações amorosas, confusões e encontros com homens ricos, enquanto um detetive particular contratado pelo pai de Gus passa a vigiá-las de perto.
Confesso que o musical aqui não me incomodou. Afinal de contas, temos como protagonistas duas performers, duas jovens extremamente bonitas que já cantavam e dançavam no palco. Então, quando elas começam seus números musicais, eu os enxerguei como uma extensão natural de suas personagens. O roteiro não é dos mais complexos: é algo bem simples. Um ponto alto para mim foi o humor e suas sutilezas, principalmente as de Lorelei, personagem da Marilyn Monroe, que, do alto de sua inocência — para não dizer falta de inteligência —, foi capaz de soltar algumas pérolas simples, mas verdadeiramente engraçadas.
Mas, mesmo eu não sendo chegado do gênero é impossível fechar os olhos para Diamonds Are a Girl's Best Friend. Mesmo não sendo o maior fã da música, o número como um todo é um espetáculo, literalmente falando. Marilyn, no auge da beleza e do carisma, com o figurino lendário e uma coreografia muito bem planejada e executada. É impossível chegar 100% limpo para assistir a essa cena porque, mesmo que você nunca tenha visto o filme, provavelmente já assistiu ao clipe Material Girl, da Madonna; à apresentação de Ryan Gosling cantando I'm Just Ken na cerimônia do Oscar; ou a qualquer um dos muitos momentos da cultura pop que foram impactados por essa cena.
Tecnicamente falando, o filme tem todos aqueles trunfos do cinema clássico, que vão desde figurinos e cenários muito bem produzidos até atores com uma dicção excelente e performances que trazem um pouco da energia da época. Mas, até aí, nada fora do normal. A direção também é muito competente, sempre buscando os melhores enquadramentos e ângulos para que o público veja esse espetáculo da forma mais precisa possível.
Os Homens Preferem as Loiras pode não ser comumente citado entre os grandes musicais, pelo menos não entre os maiores, mas, sem sombra de dúvidas, foi um dos que eu mais achei divertido. E, novamente, eu não sou um adepto desse tipo de filme. Mas o mais importante é que consegui me divertir bastante e, ao final, é isso que qualquer pessoa quer de um filme: se divertir, desligar um pouquinho da realidade e simplesmente aproveitar aquele momento. Nesse sentido, o objetivo foi atingido com excelência. Então, não tenho nada mais a pontuar.
POWER BALLAD Direção: John Carney Ano: 2026 Assistido em: 15/08/2026
Quem já procurou conhecer minimamente os bastidores do mundo da música sabe que é um universo muito complicado. Acusações de plágio existem aos milhares mundo afora, e conseguir provar esse tipo de coisa é muito difícil. É praticamente impossível lutar contra os colossos do mundo musical. Quando vi que essa era a proposta de Power Ballad, fiquei muito interessado para saber como seria o desdobramento de toda essa história.
Rick é um cantor de casamentos que já viveu dias melhores quando conhece Danny, um antigo astro de boy band cuja carreira também está em decadência. Os dois se aproximam durante uma apresentação e acabam compondo juntos em uma madrugada de música e bebida. Quando Danny transforma uma das canções de Rick em um grande sucesso e consegue recuperar sua própria carreira, Rick se vê deixado de lado e decide lutar pelo reconhecimento que acredita merecer. A busca pela autoria e pelo sucesso, porém, ameaça colocar em risco sua amizade com Danny e tudo aquilo que realmente importa para ele.
O que encontramos aqui é uma história muito simples, muito leve e descompromissada. Eu diria que é um filme que trata tudo de uma maneira muito en passant. Nós temos o Rick sendo roubado pelo Danny, entretanto, a vida dele começa a desandar e, ainda assim, o roteiro em momento algum dá muita profundidade para nada do que está acontecendo. Rick vê sua vida afundar, enquanto o Danny retorna com força total aos holofotes, isso poderia render boas discussões. Mas não era o plano do diretor levar a história para esse lado, então ele trata tudo de uma maneira muito leve, e aí está o problema.
Durante todo o filme fiquei esperando a catarse, um momento de recompensa em que finalmente aquele pobre diabo do Rick provaria que estava correto. Só que esse momento não veio. Ele não teve o apoio da esposa, não teve o apoio da filha — que, aliás, é uma tremenda filha da puta e não merecia a música que foi composta para ela — e, quando finalmente chega o momento de contar a verdade, o filme acaba. Temos apenas uma cenazinha, nos confirmando que as coisas deram certo. Mas eu gostaria de ter visto isso acontecendo. Gostaria de ter visto o Rick provando que estava correto. Gostaria de ter visto o que aconteceu com o Danny. Apesar de sabermos que, no mundo da música, o máximo que poderia ter acontecido seria um acordo e vida que segue, tudo isso não foi mostrado. E aí fica uma sensação de filme incompleto.
Eu não conhecia o trabalho do diretor John Carney, apesar de ele ser muito renomado, mas gostei bastante da direção. Gostei também do roteiro, apesar das falhas, facilidades e muitas conveniências como soluções deus ex-machina. Sou fã do Paul Rudd, sou fã do Nick Jonas e os dois têm uma química muito boa em tela. A música em questão How to Write a Song (Without You) é muito boa, as músicas escolhidas para tocar nos casamentos são clássicos, então é tudo muito gostoso de assistir. É um filme rápido, de uma hora e meia, que não incomoda ninguém. Como foram muito sincero aqui nos comentários: é uma sessão da tarde.
No final, Power Ballad poderia ter sido um grande drama, até mesmo um grande filme de tribunal, mas, por escolhas criativas, tornou-se um filme muito mais leve. Não quiseram pesar o clima. Era o que eu gostaria? Sim. Mas a escolha do seu diretor é soberana. E vendo o resultado, o que importa é que, no fim, foi um bom filme.
FUZE Direção: David Mackenzie Ano: 2025 Assistido em: 15/08/2026
Eu cheguei a uma fase da experiência cinéfila em que atualmente me mantenho completamente afastado de sinopses e trailers. A única coisa de que preciso para assistir a um filme é gostar do diretor, do elenco e de uma ou duas linhas que leio ali no IMDb apresentando muito brevemente a história. É claro que estou cronicamente acompanhando as notícias dos bastidores de Hollywood, então sei mais ou menos do que cada filme se trata, mas essa estratégia às vezes pode nos garantir bons filmes, medianos e filmes muito ruins. Ainda assim, a experiência de chegar para assistir a um filme sem saber o que você vai encontrar é, para mim, a melhor alternativa.
Em Londres, a descoberta de uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial em um canteiro de obras provoca uma enorme operação de evacuação. Enquanto militares e policiais correm contra o tempo para controlar a ameaça e retirar milhares de pessoas da região, um grupo de criminosos aproveita o caos e a cidade praticamente esvaziada para colocar em prática um elaborado assalto.
Eu gosto dos trabalhos do David Mackenzie, gosto das críticas sociais que ele costuma apresentar e, sendo honesto, esperava algo nesse sentido com Fuze. Entretanto, o maior problema deste filme, sem sombra de dúvidas, é o roteiro: muito simples, muito banal e, principalmente, incapaz de desenvolver os personagens. Alguns são completamente superficiais, enquanto outros são até mesmo vazios.
O roteiro apresenta um plot twist lá no final e tem um flashback que vai nos explicar o comportamento das personagens. Convenhamos: se você pegar aquela cena final e encaixá-la no começo do filme, vai perceber que ele ficará ainda mais simplório. E aí está o problema: o plot twist não vem como uma decisão narrativa interessante que vai justificar algumas coisas do roteiro. Não. Ele só vai te deixar com a sensação de: “Ah, então era isso”.
O elenco aqui é a peça-chave. Eu gosto demais do Aaron Taylor-Johnson, o Theo James vem melhorando como ator, mas confesso que esperava mais de ambos e, novamente, o roteiro não colabora, então não há muito o que ser feito. E ainda temos o sempre péssimo Sam Worthington, canastrando em um personagem secundário, tem quase 20 anos que me pergunto como esse homem ainda trabalha na indústria. A direção é boa, mas confesso que esperava mais. A edição é ágil, a duração de 1h38min não deixa o filme se estender demais, a trilha sonora poderia ser mais marcante.
Fuze é um filme que estava com bastante expectativa para assistir e, apesar de ele não ter atendido a todas elas, não saí insatisfeito. Eu gostei. Foi um entretenimento válido, daqueles que você assiste ali rapidinho, sem se preocupar muito com uma história mirabolante. A história simples traz uma outra surpresa que vai te pegar de calça curta, mas não é nada que vá ficar marcado nos anais do cinema, nem que vá fazer você se encantar pela sétima arte. É o básico feito de uma maneira básica.
Cidade Perdida
3.0 304 Assista AgoraTHE LOST CITY
Direção: Aaron Nee e Adam Nee
Ano: 2022
Assistido em: 21/09/2026
Eu sou cria dos anos 90, logo, o que eu consumi ao longo da minha infância e juventude foram as produções dos anos 80. Então, eu fui formado com essas aventuras misturadas com comédia, que nos encantam com personagens carismáticos em jornadas na floresta ou em lugares distantes. Isso está na minha veia. Portanto, eu tinha altas expectativas para este filme, mas nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar que ele fosse tão genérico a ponto de ser completamente esquecível.
Loretta Sage é uma escritora reclusa que faz sucesso com romances de aventura ambientados em lugares exóticos, estrelados pelo personagem Dash, interpretado nas capas por Alan, seu modelo de capa. Durante a divulgação de seu novo livro, Loretta é sequestrada por um excêntrico bilionário que acredita que a cidade perdida descrita na obra existe de verdade e quer que ela o conduza até seu tesouro. Ao descobrir o sequestro, Alan decide partir em seu resgate, mas os dois acabam envolvidos em uma perigosa aventura pela selva.
Olha, eu vou ser obrigado a fazer mea-culpa: eu não sou nem um pouco fã do Channing Tatum. Até tem um filme ou outro interessante e divertido, mas, no geral, é um ator muito fraco. Então, não tinha muita expectativa com ele. Em contrapartida, eu já esperava mais da Sandra Bullock, do Brad Pitt, do Daniel Radcliffe e da Da'Vine Joy Randolph, atores invegávelmente muito bons. Infelizmente, nenhum deles rende, e a culpa não é deles, porque o roteiro é muito fraco. Os personagens são muito insossos, sem vida, não têm uma personalidade. É tudo uma mistureba clichê de tudo que a gente já viu no cinema, só que sem profundidade. O Daniel até está em uma situação melhorzinha, por estar vivendo um vilão, e o Brad Pitt está em um personagem doido, completamente desregulado, mas os demais, poxa, são desperdiçados.
Visualmente, também não tem nada muito impactante. Os cenários são legais, mas a composição das cenas de ação é tediosa. Tem coisas dos anos 80, filmes do Spielberg e do Zemeckis que são muito superiores. Então, como o filme bebe muito dessa fonte, quando você compara, imediatamente The Lost City perde. E aí vem a frustração. Aí vem a indignação. O cansaço.
The Lost City é daquele tipo de filme que tenta lembrar sucessos do passado, tenta beber da mesma fonte, só que a execução não chega lá, não acompanha. Seria injusto comparar? Talvez eu esteja sendo um pouco radical demais, mas o filme falha em tudo o que se propõe. Ele é uma comédia romântica de aventura, mas não é engraçado. O casal principal não tem absolutamente nenhuma química, ao ponto de chegar a ser constrangedor nas cenas de romance. E a aventura é batida, repetitiva. Aí, quando o filme falha basicamente em tudo, é muito difícil você encontrar qualidade para se agarrar.
Nascido Para Matar
4.3 1,2K Assista AgoraFULL METAL JACKET
Direção: Stanley Kubrick
Ano: 1987
Assistido em: 20/09/2026
Nas últimas semanas, ando pesquisando muito a respeito da Guerra do Vietnã. Estou buscando livros, assistindo a documentários, ouvindo podcasts e me bateu uma vontade de assistir a um filme sobre o assunto. Então eu pensei: qual dos grandes clássicos eu ainda não havia tido a oportunidade de assistir? Já que Apocalypse Now (1979) e Platoon (1986) eu já havia assistido, eu me recordei, obviamente, de um dos maiores diretores de todos os tempos, que tinha um longa sobre o assunto que eu ainda não havia assistido. Então chegou a hora de correr atrás de mais um clássico do Kubrick e tirá-lo da minha lista de pendências. Foi assim que eu decidi assistir a Full Metal Jacket, e eu já esperava que fosse, no mínimo, diferente. Afinal de contas, Kubrick não era diretor para fazer filme comum.
Durante a Guerra do Vietnã, jovens recrutas dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos passam por um brutal treinamento em Parris Island, comandado pelo implacável sargento Hartman. Entre eles estão Joker, um recruta irreverente que encontra no humor uma forma de lidar com a pressão, e Pyle, que enfrenta enormes dificuldades para se adaptar à rotina militar. Depois do treinamento, os soldados são enviados ao Vietnã, onde Joker passa a trabalhar como correspondente de guerra e acaba testemunhando diretamente a violência e o caos dos combates.
É notório que o ponto mais chamativo desse filme é a sua divisão. Inclusive, eu já li em alguns lugares que muitos gostam até de tratá-lo como dois trabalhos distintos colados um ao outro. E o que mais chama a atenção é o fato de o roteiro dedicar um tempo enorme a um ponto que muita gente ignora, que é o treinamento, a preparação de um soldado, ainda mais um de alto padrão, como os Marines nos EUA. Como ex-militar, que optou por não seguir adiante na carreira, eu posso afirmar que 100% do que vemos naquela base de treinamento é real, e a parte da pressão psicológica ficaria próxima de uns 200% de realidade.
No militarismo, existe uma teoria de que você é como uma engrenagem de um relógio, e se uma engrenagem para de funcionar, ela automaticamente compromete todas as outras, e logo a estrutura irá ruir. Tudo que o Pyle sofre na primeira parte é algo de que eu já fui testemunha. Todos os gritos do sargento Hartman, eu já testemunhei. Foram poucos os quais eu fui vítima, mas foi algo muito corriqueiro de presenciar na minha vida por cerca de dois anos. E é justamente por isso que eu vou fazer parte do grupo que elege a primeira parte como sendo a melhor. Não que a segunda seja ruim, não é isso, mas é tudo feito com um realismo tão grande que chega a ser assustador.
Kubrick consegue extrair de seus atores atuações inacreditáveis. Eu não conhecia o trabalho do Lee Ermey, e ele estava simplesmente assustador. A mesma coisa com o Vincent D'Onofrio. Tudo bem, hoje ele já é aclamado e tal, mas nessa época ele tinha apenas 25 anos e conseguiu entregar uma performance incrível. Os dois estão monstruosos em cena. E Kubrick trabalha a tensão de uma forma que você sabe que as coisas vão descarrilhar e, quando vem, mesmo você já prevendo, ainda assim te pega de surpresa. E é esse choque, esse surto, que torna essa primeira parte tão impactante.
Quando nós chegamos à segunda metade, nós estamos em um território já conhecido. Nós nos deparamos com os americanos fazendo suas habituais "americanices", vamos dizer assim. O roteiro ainda ganha pontos porque não retrata os estadunidenses como os heróis que foram libertar os pobres vietnamitas da opressão do comunismo. Muito pelo contrário, Kubrick expõe muito dos horrores que eram praticados naquela guerra e o quão estúpida, ridícula e inútil era tudo aquilo. Mas ele ainda não deixa de nos chocar com a forma como a brutalidade psicológica se transforma em brutalidade física. Principalmente ali nas cenas finais, é algo impactante demais.
Não tem nenhum tipo de violência que Kubrick não esteja disposto a mostrar. Se por um momento você pensou que não veria banho de sangue nesse filme, ele chega e te derruba novamente, te provando que sim, você ainda vai ter que se deparar com muita carnificina.
Se tem uma coisa em todo filme do Kubrick, sem nenhuma exceção, é deslumbre, é a fotografia. E aqui ele nos reserva, para as cenas finais, algumas das mais belas e incríveis de sua carreira. A iluminação que ele utiliza no momento em que os soldados americanos invadem aquele prédio em busca do sniper que tinha matado seus companheiros é absurda. O jogo de sombras, a forma como o rosto do Joker é coberto pela escuridão quando ele precisa tirar uma vida, depois a silhueta desses soldados contra uma frágil luz de fogo ao fundo... Tudo isso é uma beleza artística inquestionável. E eu não vou nem dizer que não era esperado, porque, quando se trata do Kubrick, qualquer cena vira uma pintura de tão bem filmada, de tão bem enquadrada. Não é à toa que isso é só uma das muitas provas do porquê de ele ser um dos grandes diretores de todos os tempos.
Full Metal Jacket não é um filme para fazer você se sentir bem, para fazer você se sentir confortável. Não. Ele foi planejado desde o princípio para te levar a um questionamento: qual a real necessidade de um conflito tão brutal, tão violento? Qual é o propósito de destruir a mente de um homem, transformá-lo em uma máquina de matar que vai desprezar a vida de outras pessoas? Com qual intuito? E tudo isso é retratado com um brilhantismo poucas vezes visto na sétima arte.
Novamente, o primeiro ato, por ser incomum de vermos no cinema, é muito mais impactante, ainda é muito mais chocante, inclusive para quem tem algum tipo de vínculo emocional com o militarismo. Eu acho que, infelizmente, o segundo não conseguiu igualar. Eu não vou dizer que ele ficou muito abaixo, ele não ficou. Ele simplesmente não conseguiu igualar. Mas, artisticamente falando, também é incrível, sem nada para questionar.
Ah, eu não posso deixar passar em brancas nuvens: encerrar esse filme com "Paint It, Black", dos Rolling Stones, foi outra sacada genial. Nada como uma música criada e lançada naquela época, que fala sobre luto, para deixar claro qual era o único sentimento possível no meio de toda aquela tragédia exposta em tela.
Undrafted
3.5 1UNDRAFTED
Direção: Joseph Mazzello
Ano: 2016
Assistido em: 19/09/2026
Apesar de não ser um praticante de esportes, eu gosto muito de assistir a filmes sobre esportes. Entretanto, tem dois em específico que, toda vez que eu vejo que o filme trata sobre eles, eu tento fugir: futebol americano e o bendito do beisebol. Mas, como eu sou da teoria de que não devemos ter nenhum tipo de preconceito cinematográfico, eu ainda tento. Só que, a cada frustração, o ranço por esse esporte sem graça só aumenta.
John Mazzello é um talentoso jogador universitário de beisebol que sonha em seguir carreira profissional, mas vê seu objetivo desmoronar ao não ser selecionado no draft da Major League Baseball. Pouco depois de receber a notícia, ele precisa entrar em campo com os D-Backs para disputar a semifinal de uma liga de verão contra os Bulldogs, uma equipe reforçada por jogadores experientes.
Filmes de um cenário não são fáceis. É preciso uma história muito boa, que prenda a atenção e que saiba utilizar o pouco espaço disponível. É preciso uma gestão, uma logística muito boa. Infelizmente, nós não temos isso aqui. Nós temos essas duas equipes que vão disputar uma partida de beisebol e, com exceção do campo, a única coisa que nós vemos é o banco de uma delas. Isso causa uma sensação de prisão, de que a história está amarrada, sufocada, o que deixa tudo muito mais cansativo. Não é como se o roteiro colaborasse e fosse muito bom, com personagens muito bem trabalhados para compensar de alguma forma, o que não é o caso. É tudo muito arrastado, tudo muito cansativo, a personalidade dos personagens é irritante demais. Enfim, é uma tortura.
Levando em consideração que este é o primeiro trabalho do Joseph Mazzeo, que começou em Hollywood ainda criança e tentou fazer essa transição, eu acharia muito mais interessante que ele permanecesse atuando porque, por Deus, a condução da história, a forma como os personagens são direcionados, as escolhas dos enquadramentos, tudo é muito deficiente. Até quem não entende bosta nenhuma disso, sabe que tudo isso ajuda a deixar o filme dinâmico, o que não aconteceu aqui. E observem o sobrenome do protagonista, o mesmo do diretor/roteirista, arrogância mandou lembranças.
Eu costumo brincar que, quando o filme é ruim, a única coisa que sobra é prestar atenção na beleza do elenco, e talvez seja essa a única coisa minimamente boa aqui. Está cheio de homem bonito, você fica encantado, mas é tão triste saber que você passa por uma história e ela não tem motivo, não tem nada que permaneça, e a única coisa que você consegue lembrar é a cara dos atores. Isso é horrível para qualquer cinéfilo. É uma experiência que eu não aconselho ninguém a ter.
Só Por Uma Noite
3.1 22ONE NIGHT ONLY
Direção: Will Gluck
Ano: 2026
Assistido em: 19/09/2026
Já faz alguns anos que existe uma discussão de que as comédias românticas perderam espaço nas telas de cinema e que, atualmente, elas devem se contentar com os serviços de streaming. Entretanto, em 2023, o diretor Will Gluck provou que essa afirmação não é de toda verdadeira com o grande sucesso de Anyone But You. Agora, passados três anos, ele tenta mais uma vez emplacar um sucesso com um casal que se estranha em um primeiro momento, mas que precisa se acertar. Só que, infelizmente, não é sempre que um raio cai duas vezes no mesmo lugar.
Em uma Nova York onde solteiros podem fazer sexo legalmente apenas uma noite por ano, Owen, recém-abandonado pela namorada, e Allie, uma romântica em busca de algo mais significativo, se encontram justamente quando a cidade está tomada por encontros casuais. Apesar da conexão imediata entre os dois, uma sucessão de desencontros, confusões e situações inesperadas faz com que eles passem a noite correndo pela cidade, ora se aproximando, ora se afastando, enquanto tentam descobrir se aquela noite pode lhes trazer algo além do que inicialmente procuravam.
Longe de querer comparar esse filme com a obra anterior do diretor, apesar de eu já ter feito isso na introdução, mas comédias românticas seguem uma cartilha tão cegamente que é impossível não traçar paralelos entre elas. E, se analisarmos mais friamente a estrutura de One Night Only, a gente pode perceber que, apesar de partir de uma ideia muito boa de uma distopia onde os Estados Unidos controlam a vida sexual da sua população, a execução não parece saber muito bem o que fazer com essa premissa. Nós temos os protagonistas, Owen e Allie, doidos para transar, mas se envolvendo em diversas situações que, na teoria, deveriam ser divertidas, mas não são. E aí existe um outro problema: não existe química no casal.
Em uma comédia romântica, subentende-se que precisa haver humor e romance, mas não é bem isso que nós encontramos aqui. O filme em momento algum é constrangedor, ele não vai te fazer morrer de vergonha, também não apela para o humor besteirol, mas ele não tem graça. O máximo que vai te dar é um sorrisinho de canto de boca. Isso é ruim? Não, mas também não cumpre os pré-requisitos do que é uma comédia. O romance também é outro problema. Por mais que Callum Turner e Monica Barbaro sejam dois lindos gostosos, eles não funcionam em cena. Eu não senti aquele desejo explosivo que vai fazer com que a gente torça desesperadamente para que eles fiquem juntos. Você quer que eles fiquem juntos porque as outras opções são todas horríveis, mas não é aquela paixão arrebatadora que muitas vezes nós já vimos nesse tipo de história.
É perceptível que Gluck estava tentando repetir o seu sucesso anterior. Por isso, ele vai incisivamente em cima dos mesmos pontos: casal se conhece, não dá muito certo no primeiro momento e depois, meio que pelas circunstâncias do destino, são obrigados a ficar juntos. Mas eu acho que faltou ele estruturar melhor essa história, ver os pontos fortes dela e tentar utilizá-los da melhor forma possível, porque seguir uma cartilha infelizmente não funcionou tão bem quanto deveria ter funcionado.
Falando assim, parece que eu odiei o filme. Não é isso. Eu diria que ele está até um pouquinho acima da média, se tratando do gênero. Tem um bom elenco e uma trilha sonora maravilhosa, mas deixa aquela impressão de que poderia ter escolhido um caminho diferente, buscando algo próprio, ter explorado mais as implicações da lei naquela sociedade. Enfim, ter se aproveitado mais do que poderia ter tornado o resultado diferente, e não apenas mais um.
PS: A Monica Barbaro teve uma sorte bárbara nesse filme, hein? Pegar Callum Turner, Charlie Gillespie e Andrew Burnap na mesma noite! Sorte para poucos.
O Foragido
3.0 43 Assista AgoraWRONGFULLY ACCUSED
Direção: Pat Proft
Ano: 1998
Assistido em: 13/09/2026
O Fugitivo (1993) foi um dos filmes de maior sucesso daquele ano e entrou para a história do cinema. Teve uma excelente bilheteria, foi muito bem recebido pelas críticas e chegou a ser indicado ao Oscar. Eu cheguei para assisti-lo com altíssimas expectativas. Entretanto, quando os créditos começaram a subir, percebi que não tinha gostado nem um pouco, porque ele simplesmente não fazia a minha praia. Agora, uns dez anos mais ou menos depois de tê-lo assistido pela última vez, sem nada em especial para assistir, me deparo com essa paródia na Netflix e, ao saber que ela é protagonizada pelo lendário Leslie Nielsen, decidi dar uma chance para ver se a versão cômica me agradaria mais. E, honestamente, ainda não foi dessa vez.
O famoso violinista Ryan Harrison é condenado à morte pelo assassinato do milionário Hibbing Goodhue, apesar de ser inocente. Durante o transporte para a prisão, um acidente provoca a fuga de Ryan, que passa a ser perseguido pelas autoridades enquanto tenta descobrir quem realmente está por trás do crime. Em meio à fuga, ele se envolve em uma série de situações absurdas e perigosas, enquanto busca provar sua inocência.
O mais interessante de uma comédia que faz paródia de um filme específico é que você consegue observar os momentos exatos que estão sendo parodiados e, obviamente, isso faz com que o humor se destaque mais. Então, ao ver algumas cenas desta versão, imediatamente me lembrava das cenas de 1993, e aí o humor vinha naturalmente. Entretanto, o meu problema com aquele filme é que eu não achava a história interessante o suficiente. Sim, eu sei que ele foi amplamente elogiado, mas comigo não deu certo. Aconteceu basicamente a mesma coisa aqui. Apesar de ter o Nielsen, a história ainda é a mesma, do fugitivo que sai correndo destrambelhado, com a polícia nos seus calcanhares, logo por tabela, eu também não gostei.
Nem todo bom roteirista é um bom diretor, e vice-versa. Aqui, nós temos a condução de Pat Proft, que foi roteirista de uma série de filmes protagonizados pelo Nielsen, em particular da franquia Corra Que a Polícia Vem Aí, mas faltou o timing cômico necessário. Faltou o momento de fazer a piada funcionar na hora certa, de cortar na hora certa. Em muitos momentos, o filme parece bobo e inchado, com piadas que não faziam muito sentido dentro do que estava sendo apresentado. E olha que isso é algo corriqueiro em uma comédia-paródia de humor nonsense igual a esta.
Wrongfully Accused não é reconhecido como pertencente aos grandes clássicos do lendário Leslie Nielsen e, quando você assiste, percebe que é uma produção menor. Entretanto, talvez funcione para quem gosta de humor nonsense, eu até gosto bastante desse tipo, mas admito que, desta vez, não funcionou muito bem comigo. Quem sabe é porque eu estava em um dia não muito propício para esse tipo de humor e ele funcionasse melhor em outra ocasião, em uma revisita. Mas isso aí vai ficar para outro momento.
Zona de Perigo
3.0 83 Assista AgoraSTRIKING DISTANCE
Direção: Rowdy Herrington
Ano: 1993
Assistido em: 13/09/2026
Confesso que não sou amante desses filmes dos anos 90 de um policial que precisa combater um vilão e provar sua inocência, blá-blá-blá. Nunca fui muito adepto desse tipo de produção, mas, devido a um problema na minha televisão, fui forçado a assistir a alguma coisa aleatória na Netflix e dei de cara com esse filme do Bruce Willis. Decidi dar uma oportunidade e fui esperando absolutamente nada, mas até que não foi tão ruim quanto eu esperava. Apesar de já adiantar: ele é bem fraco.
O detetive Tom Hardy, da polícia de Pittsburgh, é transferido para uma unidade fluvial após denunciar a corrupção de seu primo e parceiro de departamento. Quando uma série de mulheres associadas a Hardy aparece morta no rio, ele suspeita que os crimes estejam ligados a um antigo caso investigado por sua família. Determinado a descobrir a identidade do assassino, ele se envolve novamente na investigação e passa a desconfiar até mesmo de seus próprios colegas.
Meu grande problema com esse filme é que, para mim, parece que ele foi feito de qualquer jeito em todos os sentidos. O roteiro foi escrito e não teve nenhuma revisão, a direção foi entregue nas mãos de um iniciante e os atores não estavam minimamente interessados em fazer alguma coisa minimamente decente. Falando de uma maneira mais vulgar, foi feito à "moda caralha", como se ninguém estivesse se importando com o resultado. Da forma que ficasse, ia ficar, e acabou.
O roteiro não é dos mais bem elaborados, não. Ele é um clichê do policial que se afasta do trabalho e tem que voltar porque um criminoso do passado retorna e está matando pessoas próximas a ele. Tem um envolvimento com a parceira, enfim, é muito básico. O "grande momento", é a revelação da identidade do vilão que, convenhamos, você só pode ter errado o membro, mas era óbvio que pertencia à mesma família. Na sequência, temos a conclusão óbvia no qual o protagonista precisa brilhar, mesmo que em cenas constrangedoras e completamente sem nexo, vide todo o malabarisco que o Bruce Willis faz ALGEMADO.
No campo das atuações, tudo é simplesmente apavorante. O vilão é totalmente exagerado, caricato, histriônico. Até poderia funcionar se isso aqui fosse uma paródia, mas não é. É um filme que você leva a sério, que está querendo fazer um grande drama policial, um grande longa de ação. Aí, quando você tem o Robert Pastorelli gritando, dando chilique e fazendo tudo de uma maneira cartunesca, é impossível permanecer imerso na história. Sua cabeça vai para da trama, e tudo se perde.
Para não dizer que nada aqui é aproveitável, confesso que, mesmo no clichê, o mistério é interessante. Você quer saber por que estão matando aquelas mulheres, quem é o assassino e admito que o roteiro até me surpreendeu ao revelar as circunstâncias da morte do pai do protagonista. Mas são qualidades pontuais, algumas eu diria até mais superficiais, não conseguem anular os problemas existentes no restante da produção.
Para quem quer um filme de ação policial do Bruce Willis dos anos 90, no seu auge, em que ele banca o policial bem durão no combate aos inimigos, talvez seja um prato cheio. Mas, se você procura algo com um pouquinho mais de qualidade cinematográfica, esse aqui não é nem de longe a melhor pedida.
CHiPs: O Filme
3.0 137 Assista AgoraCHiPs
Direção: Dax Shepard
Ano: 2017
Assistido em: 12/09/2026
Em Hollywood, é muito comum atores pularem para trás das câmeras e se tornarem diretores. Todo mundo sabe que a indústria cinematográfica é uma máquina de moer carne, que, quando chega a uma certa idade e a pessoa já não é mais tão jovem, a beleza começa a desaparecer e a tendência é que os papéis importantes vão rareando. Então, nada mais justo que aconteça essa transição, e é graças a isso que nós temos excelentes profissionais que nos presenteiam todos os anos com obras icônicas. Mas também tem casos em que você olha e pensa que seria melhor se essa transição nunca tivesse acontecido. Com CHiPs, foi exatamente isso que eu imaginei.
Jon Baker, um motociclista profissional que decide ingressar na Patrulha Rodoviária da Califórnia, recebe como parceiro Frank “Ponch” Poncherello, um agente federal infiltrado. Enquanto Jon tenta se adaptar ao trabalho e provar seu valor, Ponch investiga uma série de roubos cometidos por um grupo de criminosos que pode ter ligações com policiais corruptos. Os dois, apesar das personalidades e objetivos diferentes, precisam trabalhar juntos para descobrir a identidade dos responsáveis e impedir que o esquema continue.
Tem certos humores que são peculiares, funcionam para determinadas pessoas e para outras não. Eu, particularmente, adoro um humor mais satírico, mais debochado, humor negro, vamos dizer assim. Há quem goste de comédia escrachada, pastelão, que é o que encontramos aqui. Que, comigo, não funcionou de maneira alguma. O timing cômico do Dax Shepard é pavoroso. As cenas são construídas com base em humor de quinta série, infantil e bobo, criando constrangimento. Mas não é daqueles estilos como The Office (2005-2013), em que você ri de nervoso. Não, é daqueles em que você procura um buraco para enfiar a cara.
O elenco reunido aqui é bom, mas, com um roteiro tão fraco, morto não tem condição de se sustentar nenhum personagem. Eu não conheço a série-mãe que deu origem ao filme, mas, se era intenção despertar interesse para buscar o material original, fracassou vergonhosamente, porque tudo o que eu fiquei foi com vontade de nunca mais ver nada relacionado a essa franquia na face da Terra.
Com a direção fraca, que picotou o filme inteiro na montagem, e um roteiro sem graça, CHiPs deixa a pior impressão possível. É daqueles que você não quer nem lembrar que um dia assistiu. O gênero do humor é um dos mais difíceis do cinema. Não é fácil fazer rir: para cada um bom e engraçado, tem 200 horripilantes, e este aqui, com toda a certeza, caiu no grupo dos 200. Quando eu vir o Dax Shepard, acho que vai ser impossível não lembrar do mal-estar que esse personagem dele me causou assistindo a esse filme.
Selma: Uma Luta Pela Igualdade
4.2 796 Assista AgoraSELMA
Direção: Ava DuVernay
Ano: 2014
Assistido em: 12/09/2026
A luta pelos direitos civis na década de 1960 é um dos pontos mais instigantes de todo o século XX. Era extremamente absurda a contradição de os Estados Unidos alegarem estar protegendo o planeta do comunismo, mandando jovens para serem mortos no Vietnã e financiando golpes de Estado na América Latina, enquanto negros eram brutalmente violentados, abusados e agredidos em seu próprio território. Estou concluindo a trilogia O Século, do Ken Follett, e ele dedica muito tempo do terceiro livro tratando desse assunto. Por isso decidi ir atrás de Selma, que foi indicado ao Oscar em 2014, mas que eu não havia tido a oportunidade de conferir, e me arrependi muito de ter demorado tanto tempo para assisti-lo, porque é um filme de fato muito bom.
Em 1965, Martin Luther King Jr. e outros líderes dos direitos civis concentram seus esforços em Selma, no Alabama, para garantir o direito de voto à população negra. Diante da violência e da repressão das autoridades locais, o movimento organiza uma série de protestos e marchas, incluindo a tentativa de atravessar a ponte Edmund Pettus rumo a Montgomery. A mobilização coloca a questão do direito ao voto no centro do debate nacional e aumenta a pressão sobre o presidente Lyndon B. Johnson para aprovar uma nova legislação de direitos civis.
Eu tenho problemas muito sérios com figuras históricas muito pacifistas. Eu admiro muito Martin Luther King, a postura dele, a vontade, a forma como ele nunca se deixou abater, mas eu confesso que, caso eu fosse um homem negro com idade para ter engajamento na causa lá nos anos 60, eu provavelmente ficaria do lado de Malcolm X. Eu não consigo conceber essa ideia de dar a outra face. Eu sou muito reativo, eu sei que muitas vezes essa não é a maneira mais adequada, mas não consigo compreender como aquelas pessoas podiam sofrer as maiores barbaridades sem poder fazer nada para revidar. Entendo toda a política do King, entendo que, com toda certeza, haveria uma retaliação muito grande, mas não existe mudança sem sofrimento, e sou daqueles que acredita que, caso os negros tivessem se imposto de uma forma mais radical há mais tempo, as mudanças teriam vindo mais rapidamente.
Cada conquista desse período era obtida com muito sofrimento, com muito derramamento de sangue e com vítimas. A marcha de Selma foi uma forma de pressionar Lyndon Johnson para ele fazer o mínimo. Algo muito interessante, que é bem retratado no filme, é que a Lei dos Direitos Civis idealizada pelo Kennedy foi promulgada no ano anterior pelo Johnson e, como bem diz o desgraçado do George Wallace, os negros tinham que se dar por satisfeitos. No sul dos Estados Unidos, essas leis eram amplamente desrespeitadas, logo a marcha foi importante porque mostrou ao mundo o que de fato estava acontecendo nos Estados Unidos.
Selma tem um registro histórico muito bom, mas ele falha em alguns pontos. Eu, por exemplo, nunca gostei de idealizar figura nenhuma, e muito menos dessa idolatria que existe pelo King, não só por ele, como por qualquer outro nome importante. Sim, ele fez muitas coisas boas, mas também era uma pessoa muito falha, então essa grande dependência que as pessoas tinham dele e a forma como é retratado no filme, quase que como uma idolatria, me incomoda bastante. Bom, outro detalhe é que o roteiro dá a entender que Lyndon Johnson resolveu finalmente assinar a lei por conta de uma conversa que ele teve com King, e quem busca saber um pouquinho de história sabe que Johnson tinha um sentimento de inferioridade muito grande porque ele era uma pessoa de origem humilde, vinda do Texas. Ele não era da elite norte-americana, como, por exemplo, seu antecessor Kennedy. Então, tudo que ele fez foi movido pelo ego. Ele queria entrar para a história como o presidente que finalmente resolveu a questão da segregação racial nos Estados Unidos, e não por conta de discursozinho bonitinho do King.
Do ponto de vista artístico e técnico, Ava DuVernay faz um trabalho muito competente. Os atores estão muito bem em cena, a direção é segura, os figurinos e os cenários são tudo muito bem recriados. Não tem nada que soe falso, tudo parece, de fato, uma produção da década de 1960. O elenco não tem ninguém que se destaque mais do que os demais. Todos estão bem, mas não há nenhuma atuação fora da curva. Outro destaque muito importante é a excelente “Glory”. Quando essa música venceu o Oscar de Melhor Canção Original, eu não gostei muito, não achava ela muito boa, mas, com o passar dos anos, fui mudando de opinião e hoje em dia consigo reconhecê-la como uma excelente canção.
Selma é muito bom nas suas duas funções. Ele funciona muito bem como um grande filme e serve para nos ensinar um pouquinho mais da situação política dos Estados Unidos e do cenário global da década de 1960. Entretanto, eu acho que é sempre preciso um complemento, é sempre interessante buscar um pouquinho mais de informações. Não que o que o filme nos forneça não seja de qualidade, não é isso. Só que toda arte é enviesada pelos olhos do seu artista, e eu creio que, se seus personagens tivessem um pouco menos desse verniz que suaviza as personagens, ele funcionaria ainda melhor do que já funciona.
Rose of Nevada
2.7 4ROSE OF NEVADA
Direção: Mark Jenkin
Ano: 2025
Assistido em: 07/09/2026
Eu cheguei num ponto em que não procuro muita coisa para me convencer a assistir a um filme. Eu não leio sinopse, não assisto trailer. A única coisa que acompanho religiosamente são notícias. Então, quando vi uma notícia sobre essa produção com viagem temporal, com dois atores de que eu gosto como protagonistas, eu já estava convencido. Não precisava de mais nada para assistir. Entretanto, admito que esse método pode fazer com que eu assista a grandes projetos e a grandes fracassos também. Com Rose of Nevada, eu senti que ele ficou no meio do caminho, sem conseguir ir nem para um lado nem para o outro.
Em uma esquecida vila de pescadores na Cornualha, um barco desaparecido há trinta anos, o Rose of Nevada, surge misteriosamente no antigo porto. Para os moradores, seu retorno pode ser um sinal de que a sorte da comunidade, devastada pelo declínio econômico, finalmente está prestes a mudar. Nick, um jovem pai que precisa sustentar sua família, e Liam, um recém-chegado tentando escapar do próprio passado, embarcam na embarcação. Depois de uma viagem bem-sucedida, porém, eles retornam ao porto e descobrem que algo inexplicável aconteceu: foram transportados trinta anos para o passado e são recebidos pelos moradores como se fossem os membros originais da tripulação desaparecida.
O grande problema deste filme, está no roteiro, que, convenhamos, é confuso, arrastado e tem pouquíssimas curvas dramáticas. A história é boa e poderia render grandes momentos de tensão e conflito, mas não é isso o que o roteiro entrega. Nós temos dois protagonistas: enquanto um tenta desesperadamente voltar para o tempo presente, o outro se acostuma muito depressa e vai se adaptando. Mas a forma como eles mostram isso é muito fraca, dando a impressão de que nada está acontecendo de fato, de que a história não está andando, ela está parada no tempo. O que é até curioso, já que, por mais que o Nick tente, ele não consegue sair do lugar, não consegue voltar ao tempo presente.
Como o roteiro não colabora, eu tive que me apegar a outros critérios. Por exemplo, a fotografia é fantástica. A forma como eles emulam uma filmagem antiga, dando uma estética similar à de uma filmagem caseira de 1993, deixa o filme muito gostoso de se assistir. O formato da tela, que não é widescreen, é 4:3. A atuação é muito boa. Eu gosto demais do George MacKay, ele segura grandes momentos dramáticos, e eu também gosto bastante do Callum Turner. O problema é que, como eu já falei antes, o roteiro não dá nenhum grande material para eles trabalharem. Todas as cenas-chave deveriam ser intensas, interessantes, mas são sem vida. Nós temos o protagonista gritando na cara de duas pessoas que ele não é o filho que elas estão acreditando que seja, e você não sente nada. Nós temos o outro brincando de casinha, fingindo ser o pai de uma criança, e também não diz nada.
Rose of Nevada está mais para uma boa ideia do que para um bom filme. Aliás, a quantidade de bomba que nasce de uma boa ideia não está no gibi. É preciso ter uma boa execução e, por mais que o longa não esteja em um nível mais elevado, ele ainda é interessante. Você ainda consegue ficar curioso para saber quais serão os desdobramentos da história e se mantém preso para descobrir o que vai acontecer, mesmo que o resultado final não seja exatamente aquilo que você esperava ou aquilo que você gostaria de fato de assistir.
G.I. Joe Origens: Snake Eyes
2.6 108SNAKE EYES: G.I. JOE ORIGINS
Direção: Robert Schwentke
Ano: 2021
Assistido em: 07/09/2026
Honestamente, eu fico me perguntando qual é a tara que os americanos têm com G.I. Joe. Eu sei que até trouxeram a animação aqui para o Brasil e que os bonequinhos eram bem vendidos lá nos anos 80, mas eu sou dos anos 90 e, para minha geração essa marca nunca quis dizer nada. Só conheci mesmo pelos filmes e, como todos são bem fracos, fico me perguntando para quem eles fazem esse tipo de produção, porque até agora não consegui entender.
Após anos procurando pelo homem responsável pela morte de seu pai, Snake Eyes finalmente o encontra e recebe a chance de se vingar. Porém, ao salvar a vida de Tommy Arashikage, herdeiro de um poderoso clã ninja japonês, ele é levado ao Japão e acolhido pelo grupo, onde começa a ser treinado para se tornar um guerreiro. Enquanto tenta conquistar a confiança de seus novos aliados, Snake Eyes se vê dividido entre a promessa de vingança que o guiou por toda a vida e os valores de honra e lealdade ensinados pelo clã.
Nós vivemos numa era tão desgraçada do cinema que tudo hoje em dia é spin-off, sequência, remake... E, quando decidiram fazer essa prequel contando a história do Snake Eyes, eu só fiquei me perguntando: para quê? Ele é um personagem visualmente legal. Aquela roupa toda preta, ele não fala, a gente não sabe nada dele. Quando chega, chega descendo a porrada em todo mundo. Ele é aquele tipo de personagem que, quanto menos você souber, melhor.
Mas, já que fizeram um filme, que ao menos fizessem uma história interessante, o que não é o caso aqui. O roteiro é rocambolesco, clichê, é traição em cima de traição, é uma pataquada de uns testes sem graça. A cena das anacondas até poderia ser boa, mas é tudo tão escuro e tão mal executado que uma sequência conceitualmente interessante acaba ficando boba durante a execução.
Eu cheguei aqui ao menos esperando encontrar boas sequências de luta, uma boa coordenação de dublês, mas não tem nada disso. Outro problema é o Harry Goodwin, que tem o carisma de uma parede. Nós temos no elenco Andrew Koji que, além de um bom ator, é um artista marcial sensacional. Ele funcionaria muito melhor como protagonista, mas, pelo menos aqui, colocaram-no como vilão. O Storm Shadow, que, honestamente, eu sempre achei muito mais interessante que o próprio Snake Eyes.
Esse filme foi uma tentativa de Hollywood de retomar uma franquia que, lá no finalzinho dos anos 2000, deu umas batidas de asa, mas que nunca decolou. E o mais interessante é que, atualmente, a Hasbro está tentando colar G.I. Joe nos Transformers, que, por si só, já foram gigantescos, mas que nos cinemas atualmente respiram por aparelhos. Seria um aleijado se escorando em outro. Mas eu tenho para mim que isso nunca vai sair do papel e creio que essa saga deveria ficar presa lá nos anos 80, quando ela era relevante. Hoje em dia, honestamente, isso aí já não diz mais nada, só os executivos insistem em não ver.
Em Busca de Vingança
2.6 105 Assista grátisAFTERMATH
Direção: Elliott Lester
Ano: 2017
Assistido em: 05/09/2026
Eu tenho para mim que o maior crime que um filme pode cometer não é ele ser ruim, é ele ser qualquer coisa. É ser esquecível, ser qualquer nota. Porque o filme ruim, um verdadeiro desastre, mas te marca de alguma forma: te faz perder a paciência, te faz querer bufar de raiva, enfim, te provoca algum sentimento. E, quando você se depara com um que nem isso consegue fazer, a frustração é pior. É aquele sentimento de que você se envolveu, se entregou, e não recebeu nada em troca. E foi exatamente isso que eu senti assistindo a isso aqui.
Após perder a esposa e a filha em um acidente aéreo causado por um erro de controle de tráfego, Roman Melnyk fica devastado. Quando percebe que o responsável pela tragédia continua vivendo sua própria vida, Roman passa a ser consumido pelo luto e pela necessidade de encontrar algum tipo de justiça, colocando-o em uma trajetória marcada por dor, ressentimento e vingança.
Quando eu li a sinopse, achei a história extremamente interessante, uma proposta diferente. O Arnold Schwarzenegger já estava bem mais velho, então não seria um daqueles longas que ele estava acostumado a fazer na juventude, do exército do homem solitário em busca de vingança e tal. Mas eu não imaginava que fosse encontrar uma coisa tão insípida, tão sem graça.
A parte mais interessante da obra justamente está no personagem do Scott McNairy e na repercussão que o erro dele causou, desde as pressões psicológicas até as pressões sociais. Mas isso não é bem explorado. É tudo feito de uma maneira insípida.
A fotografia é cinzenta e combina com o roteiro, que não é preto nem branco, não é 8 ou 80, ele é cinza. Ele é uma coisa, uma massa sem forma. E foi isso que me impediu de gostar, porque ele não é intenso. Uma história como esta poderia ser um drama fenomenal, que nos levasse a discutir, que nos levasse a entender melhor quais seriam as repercussões que um acidente como este teria caso acontecesse na vida real, já que o filme é levemente inspirado em uma história real. Mas roteiro e direção não querem se comprometer com nada, e aí acaba resultando em uma coisa sem vida.
Aftermath é daqueles filmes que eu coloco na prateleira de que você não vai se esquecer da história dele, você vai se esquecer de sequer tê-lo assistido. É o tipo de produção que implode imediatamente na parte do cérebro que guarda as nossas memórias, porque não tem uma cena minimamente memorável. Eu mesmo cochilei e lutei contra o sono durante uma hora e meia e, o filme não me ajudava a resistir. E isso é o que torna tudo mais desmotivante no final.
Doutor Jivago
4.2 331 Assista AgoraDOCTOR ZHIVAGO
Direção: David Lean
Ano: 1965
Assistido em: 05/09/2026
Desde março, estou vivendo quase que um caso de hiperfoco na história russa, muito devido ao fato de estar lendo algumas obras icônicas do Ken Follett. E, quando li uma biografia do meu diretor favorito da vida, Christopher Nolasn, descobri que este é um dos longas mais influentes no trabalho dele. Então, decidi que era hora de juntar o útil ao agradável e conhecer esse grande clássico dos anos 60. Mas é aquela história: não é porque é clássico que obrigatoriamente você vai morrer de amores.
Durante a Revolução Russa e a Guerra Civil, o médico e poeta Yuri Zhivago tenta sobreviver às profundas transformações políticas e sociais que devastam a Rússia. Casado com Tonya, ele acaba se envolvendo com Lara, uma enfermeira por quem desenvolve uma paixão intensa, enquanto os conflitos ao seu redor tornam cada vez mais difícil preservar sua família, seus ideais e sua própria vida.
Eu vou começar falando daquilo que não me agradou na obra porque vai ser mais fácil, já que o problema se concentra em apenas dois pontos: primeiro, nos personagens; segundo, no ritmo. Sobre os personagens, a melhor definição que eu consigo achar é que eles são tão carismáticos quanto um muro chapiscado. Honestamente, eu não gostei de ninguém. Nenhum me convenceu, eu não fui encantado por eles. O protagonista é apático, não tem atitude, é simplesmente carregado pelas situações da vida. Honestamente, eu não morro de amores por pessoas que são adúlteras, independentemente do contexto ou da situação, então o Yuri foi alguém que praticamente foi muito maçante de acompanhar. Os demais personagens, esses aí então, pioraram. A mais simpática de todos é a Lara, mas, ainda assim, a questão do adultério me pega demais e não dá para torcer para os dois.
O ponto do ritmo e edição também fica complicado. São 3h20 de duração nada dinâmicos: tudo é arrastado. E olha que ele tem assuntos extremamente relevantes e que, como eu disse, têm minha total atenção, como as revoluções de 1917, a Guerra Civil Russa, todo o contexto geopolítico entre o fim do Império Russo e a ascensão da União Soviética e o estado de caos que se instaurou nos cinco anos entre uma coisa e outra. Ainda assim, é tudo muito devagar. A história se arrasta e, como eu disse lá em cima, os protagonistas não são muito agradáveis. Tudo isso torna a experiência de assistir a Doctor Zhivago bastante enfadonha.
Mas, deixando de lado essa parte, o restante do trabalho é um espetáculo com letras garrafais. A direção é muito boa, os atores em cena são lendários. Por mais que eu ache o Yuri uma água de salchica, é inegável o talento de Omar Sharif, assim como o de Geraldine Chaplin, o da Julie Christie e, é claro, o do lendário Alec Guinness, mesmo ele apareca pouco.
Outro detalhe que faz o queixo cair é a fotografia linda. Ela usa muito bem os cenários, dando uma impressão de grandiosidade à história. A produção, os cenários e os figurinos nos fazem acreditar que estamos mesmo na Rússia do princípio do século XX. A trilha sonora é forte, é marcante, não passa despercebida. Você entende perfeitamente de onde vem o fascínio do Nolan por essa produção, porque, artisticamente falando, é delicioso de observar. É uma pena, infelizmente, que a história não acompanhe.
Para mim, Doctor Zhivago vai ser daqueles filmes de que eu sempre vou me lembrar quando precisar de um exemplo de produção que você consegue reconhecer que é muito caprichada, que foi muito bem feita, mas que, ainda assim, não conseguiu te cativar. Um filme que é justamente reconhecido como um dos maiores de todos os tempos e que tem todos os elementos para isso. Então, não é daqueles que vai me fazer perguntar: “O que diabos os críticos viram nisso?”. Não, muito pelo contrário. É daqueles que eu tenho a mais absoluta certeza de que, ao longo dos anos, vou querer rever. Quem sabe, em outro dia, em outro momento, com outra cabeça, ele consiga se comunicar comigo de uma forma diferente da que foi no dia de hoje.
O Guerreiro
1.4 49 Assista grátisTHE VEIL
Direção: Brent Ryan Green
Ano: 2017
Assistido em: 30/08/2026
Quando eu era criança, lá nos anos 90, a única maneira de assistir a certos filmes era pela televisão, e eu sempre reparava que os grandes blockbusters, os grandes sucessos, estavam na Globo. Os menores iam parar no SBT. A Record pegava aquele resto de filmes muito antigos cujas emissoras principais já haviam perdido os direitos, e para a Band sobravam aqueles produzidos diretamente para VHS/DVD que não podiam nem ser chamados de classe B, pois eram fracos demais para essa classificação. Quando terminei de assistir The Veil, tive a sensação de ter acabado de presenciar uma daquelas sessões de cinema daquela época.
Em um mundo devastado por guerras, um guerreiro é traído e abandonado à própria sorte. Depois de ser salvo por uma misteriosa princesa, ele é acolhido por uma tribo que acredita que sua chegada está ligada a uma antiga profecia. Enquanto recupera suas forças, ele precisa decidir se está disposto a liderar aquele povo contra seus inimigos.
Existe uma teoria cinematográfica que diz que, para fazer um bom filme, não é necessário ter dinheiro: só é preciso ter uma câmera e talento. Ao longo dos anos, tivemos diversas confirmações dessa regra. Foi assim com Mad Max (1979), foi assim com A Bruxa de Blair (1999) e, mais recentemente, com Obsessão (2025). Portanto, orçamento não é desculpa, mas você precisa saber o que quer fazer e, principalmente, como fazer. A partir do momento em que você se propõe a fazer uma fantasia medieval, precisa entender suas limitações. O problema é que este filme não entendeu isso. Em alguns momentos, ele me lembrou episódios de Power Rangers ou de séries da CW. Mas aí eu dou até um desconto para essas séries, porque elas não têm orçamento de cinema e nem a pretensão de serem exibidas em tela grande.
As atuações são simplesmente sofríveis, mas eu não vou julgar os atores, até porque há gente de quem eu gosto bastante aí no meio, como William Levy, William Moseley e Serinda Swan. Nenhum deles, porém, vai conseguir entregar uma boa performance quando a base é simplesmente tenebrosa. Nenhum personagem tem um bom desenvolvimento, nenhum é bem escrito e todos só servem momentaneamente às necessidades do roteiro (aliás, que roteiro?). São tão profundos quanto uma poça d'água depois de uma chuva.
Tudo aqui é precário. Os figurinos são feitos à base de couro, como se o figurinista tivesse algum tipo de fetiche com esse material. A fotografia é péssima, os ângulos não criam nada de bonito, tudo é feio. Os cenários parecem feitos de papelão, daqueles de produção escolar. Resumindo: é tudo pavoroso, asqueroso, para não dizer uma palavra mais forte.
Este é um dos piores filmes que já vi na minha vida, e olha que já vi muita coisa ruim. Nada aqui funciona. Vou dar meia estrela pelo elenco masculino ser cheio de homens bonitos, mas, quando esse é o único ponto positivo que consigo encontrar em uma produção, é porque a coisa está muito feia.
O Ritmo da Vingança
2.5 80THE RHYTHM SECTION
Direção: Reed Morano
Ano: 2020
Assistido em: 30/08/2026
Eu lembro que, lá em 2018, quando fiquei sabendo do lançamento desse filme, fiquei bastante animado, porque ele seria o primeiro longa-metragem produzido pela Eon que não pertencia ao universo de James Bond em décadas de atuação na área cinematográfica. Ele entrou na minha lista de produções para assistir no cinema em 2019, mas acabou sendo adiado, adiado novamente e finalmente desovado no começo de 2020. Não veio para a minha cidade e eu perdi completamente o interesse, até que, ao revisar uma lista de pendências no IMDb, me deparei com ele e decidi que era hora de corrigir essa pendência. Agora, a sensação que fica é que talvez tivesse sido melhor não ter ido atrás.
Após perder a família em um acidente aéreo, Stephanie Patrick descobre que a tragédia foi, na verdade, um atentado. Consumida pelo desejo de vingança, ela é treinada por um ex-agente do MI6 para assumir diferentes identidades e perseguir os responsáveis, transformando-se em uma assassina determinada a descobrir toda a verdade.
Lendo um pouco sobre os bastidores, descobrimos que houve uma verdadeira batalha pelo controle da narrativa, com estúdio, protagonista e diretora querendo um filme de ação mais tradicional, enquanto os produtores defendiam algo mais slow burn. Não sou contrário a uma narrativa mais cadenciada e até prefiro histórias que apresentem melhor seus personagens antes de partir para a ação. O problema é que, para isso funcionar, é necessário existir alguma profundidade nesses personagens, algo que os torne interessantes. E aqui não há nada disso. Se tirarmos o fato de a família da protagonista ter morrido em um acidente de avião, Stephanie praticamente se desfaz: não sobra muita coisa.
Eu entendo que, para Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, fazer um novo filme simplesmente igual aos de James Bond não seria algo interessante. Seria, em essência, fazer a mesma coisa. Mas, convenhamos: para um filme de espionagem, faltaram cenas realmente interessantes, combates bem coreografados, perseguições mais elaboradas e, enfim, boa parte dos componentes que esperamos desse gênero e que ajudam a manter o público envolvido. A tentativa de fugir do modelo tradicional acabou sacrificando justamente aquilo que poderia tornar a experiência mais divertida.
Não sou o maior fã da Blake Lively, mas reconheço que ela consegue ser uma boa atriz quando recebe material suficiente para trabalhar. O problema é que aqui ela recebe uma personagem completamente insossa e sem graça. Ela ainda conta com o suporte de um Jude Law completamente apático e de um Sterling K. Brown absurdamente subutilizado, sendo que ambos poderiam render muito mais.
No fim, saí desse filme com a impressão de estar diante de um primo pobre de James Bond: aquele que tentou fazer as coisas do seu jeito, tentou seguir por um caminho diferente, mas não apenas não conseguiu fugir das comparações como também não conseguiu provar que esse novo caminho poderia dar certo. Há anos existe na internet uma discussão sobre a possibilidade de reformular 007, seja transformando-o em uma mulher, seja em um homem negro, enfim, fugindo da forma como o personagem foi originalmente concebido. The Rhythm Section poderia ter sido uma resposta interessante para essa discussão, uma espécie de versão feminina do clássico herói de espionagem. No final, porém, parece apenas uma oportunidade desperdiçada.
O Último Nascer do Sol
2.5 18 Assista AgoraTHE LAST SUNRISE
Direção: Carlson Young
Ano: 2026
Assistido em: 29/08/2026
Comédias românticas protagonizadas por jovens são a mesma coisa desde que o mundo é mundo. Elas não têm novidade, não têm muita profundidade e, honestamente, só servem para aqueles dias em que você não tem uma opção melhor para assistir. Eu vi o card deste filme no Prime Video, achei os atores bonitos e decidi dar play, só que tudo o que encontrei foi a mesmice ordinária de sempre.
Ry, uma jovem de 22 anos que enfrenta problemas crônicos de saúde e vive sob a proteção excessiva da mãe, sente que sua vida está sendo constantemente adiada. Quando as duas viajam para Maiorca por causa do trabalho da mãe, Ry decide aproveitar a oportunidade para experimentar uma independência que nunca teve. Em uma de suas primeiras aventuras sozinha, ela conhece Julián, um jovem espanhol que vive na ilha e a conduz para experiências completamente novas. À medida que o verão avança, a atração entre os dois cresce e Ry começa a descobrir uma versão de si mesma que desconhecia.
Eu não vou ser hipócrita e dizer que o filme não tem pontos positivos, porque ele tem. O elenco é muito bonito, nós temos cenas de Fernando Lindez sem camisa para ninguém reclamar, e os cenários da Espanha são deslumbrantes. Mas não vai além disso. É basicamente um filme visualmente agradável, porque, quando entra no campo da história, aí não há muito o que ser dito. É o mais do mesmo de sempre, com um dos protagonistas doente, que meio que já desistiu da vida, encontrando um grande amor e ficando naquele esquema meloso de “ah, meu Deus, estou morrendo, mas descobri o grande amor da minha vida, e por isso vou deixar de tomar os meus remédios”, algo que a gente já viu um milhão de vezes.
Tecnicamente falando, não há muito que ser dito. É aquela atuação básica de atores, não temos nenhum grande personagem, então nem é preciso esperar algo digno de Oscar ou nada disso. A trilha sonora é apagada e não há nenhum grande destaque em edição, e direção. O ritmo funciona para o que é uma comédia romântica, ou seja, tudo segue no compasso correto, da antipatia inicial entre os personagens até o momento em que eles vão se apaixonando. Enfim, é uma repetição do que já vimos ao longo de muitos e muitos anos.
Nos últimos tempos, estamos presenciando um boom de adaptações de literatura jovem e romântica. Algumas são boas, outras nem tanto. The Last Sunrise cai no grupo das nem tanto. Não é algo que vai ofender a inteligência de ninguém, mas também não vai ser escolhido como o filme favorito de ninguém. Ele é daqueles que você assiste hoje e amanhã já esqueceu, não da história, mas de ter assistido.
Chaplin
4.2 368CHAPLIN
Direção: Richard Attenborough
Ano: 1992
Assistido em: 29/08/2026
Se fizessem uma votação hoje, e tivéssemos que escolher o maior gênio da história do cinema, meu voto, com absoluta certeza, iria para Charles Chaplin. Ele jogava em outro nível. Não foi apenas um ator de extrema importância e de talento inquestionável. Não, o homem foi um pioneiro em todos os sentidos. Ele era um diretor excepcional, um roteirista brilhante, um empresário talentosíssimo que brigou contra o sistema e a indústria de Hollywood quando Hollywood ainda estava se formando. Era também um músico talentosíssimo, um bailarino e acrobata além do normal. Enfim, ele era o que podemos chamar de fora da curva. Um filme que conseguisse retratar todas as facetas dessa figura, ao mesmo tempo em que não deixasse de lado suas polêmicas, era um desafio muito grande de ser realizado, mas eu confesso que gostei muito daquilo que vi.
A vida de Charles Chaplin começa em meio à extrema pobreza da Londres do início do século XX, mas seu talento para a comédia o leva dos palcos ingleses aos Estados Unidos, onde rapidamente se transforma em uma das figuras mais populares do mundo. Por trás do personagem irreverente que conquista milhões de pessoas, porém, existe um homem ambicioso, perfeccionista e marcado por relações amorosas conturbadas, conflitos profissionais e controvérsias políticas. Enquanto sua carreira alcança proporções extraordinárias, Chaplin precisa lidar com o preço da fama e com as consequências de suas escolhas pessoais.
A vida de Chaplin não foi nada fácil, principalmente para o filho de uma mãe solo no final do século XIX. Ele foi obrigado, desde muito cedo, a enfrentar uma vida muito difícil, mas, por outro lado, aprendeu e descobriu muito rapidamente o seu grande talento e o quão especial ele era. Infelizmente, o filme tem muita coisa para contar, então nós não temos tempo a perder. A infância de Chaplin é tratada de uma forma muito breve, sendo que existiam muitas coisas a serem abordadas ali. Eu sei que Richard Attenborough seguiu a autobiografia de Charles, e isso acabou prejudicando um pouco a narrativa, já que o próprio ator não era muito afeito a falar sobre algumas passagens. Aliás, este é um problema do filme como um todo, e o maior deles, muitos pontos são trabalhados de uma forma muito rápida, sem que tenham o devido detalhamento necessário, principalmente as polêmicas.
Apesar de Chaplin ser, para mim, a maior figura da história do cinema, eu não nego que o fato de ele se envolver com jovens muito novas é altamente problemático e deplorável, para não dizer outra palavra. Só que eu também não sou adepto do revisionismo histórico ou de ressignificações. Nós não podemos julgar com os olhos do século XXI comportamentos do princípio do século XX, porque, se fizermos isso, não teremos ídolo nenhum. Enfim, eu fico aliviado que pelo menos isso tenha sido retratado em tela. Partindo do pressuposto de que estamos nos baseando em uma autobiografia que contou com o envolvimento direto da família do ator, ver o comportamento dele sendo criticado (não tanto quanto deveria, mas ainda assim criticado), foi impressionante.
Tecnicamente falando, o filme é muito bem trabalhado. Robert Downey Jr. conseguiu entregar uma fisicalidade muito grande, que era obrigatória para interpretar esse personagem. O ator conseguiu se disfarçar muito bem, só que eu não gostei de vê-lo como Chaplin nos anos 60 e 70. Downey era muito jovem em 1992, não tinha nem 30 anos, e interpretar um homem de mais de 80, mesmo com aquela maquiagem bem feita, não me soou tão natural. Os demais atores estão bem em seus papéis, mas, como há muita coisa a cobrir, todos passam muito rapidamente, não dando muito espaço para que ninguém brilhasse com maior intensidade.
Chaplin é daquelas cinebiografias que tentam cobrir toda a vida do personagem e, graças a isso, é um filme apressado. Eu senti que havia espaço para muito mais. Ele tem apenas duas horas e vinte minutos, mas é daqueles que poderiam ter bem mais duração e você não sentiria, porque é uma história tão rica e tão deliciosa de acompanhar que, ao final, a sensação que tive foi de que eu passaria tranquilamente das três horas sem cansar.
É impossível não se emocionar com as cenas finais, quando imagens do verdadeiro Chaplin aparecem naquela homenagem no Oscar de 1972. Aliás, achei o ponto de corte excelente: o momento em que Hollywood meio que pediu perdão a Chaplin pelos anos de perseguição. Foi verdadeiramente encantador.
Sem Controle
2.0 31 Assista AgoraTHE SHADOW EFFECT
Direção: Obin Olson e Amariah Olson
Ano: 2017
Assistido em: 23/08/2026
Tem filme que, antes mesmo de assistir, você já sabe que vai ser ruim. Você vê atores da série B, vê um diretor desconhecido, um pôster meio duvidoso e é batata. E como o mundo do cinema não se faz apenas de classe A, é preciso dar uma oportunidade para esses títulos inferiores, para ter repertório, para poder reconhecer ainda mais aqueles que são bons. Mas tem uns que só pela misericórdia.
Gabriel Howarth começa a ter sonhos violentos nos quais presencia assassinatos e outros acontecimentos perturbadores. Quando percebe que aquilo que vê durante o sono está de alguma forma relacionado à realidade, ele passa a questionar a própria mente e a descobrir que existe uma força misteriosa por trás de suas experiências.
Esse é daquele tipo de filme que, de tão previsível, se torna irritante. Logo nas primeiras cenas, você já percebe qual vai ser o plot twist. E eu não estou falando isso porque sou muito inteligente, não, longe disso. É porque é tão, mas tão previsível, e o roteiro é tão capenga, tão anêmico, que qualquer um percebe.
Outro ponto que merece ser comentado é a completa falta de sutileza do roteiro. Quando você percebe o que está acontecendo, fica nítido que você está assistindo a uma Laranja Mecânica (1971) às avessas, mas os diretores, não satisfeito, ainda mete uma cena chupada do clássico de Stanley Kubrick, com direito à reprodução idêntica do Tratamento Ludovico. Só que aqui feita sem impacto e sem delicadeza foi como colocar um elefante andando dentro de uma sala de estar.
E sobre o plot twist depois do plot twist, eu só gostaria de parabenizar quem teve uma ideia tão imbecil como essa. É como se o filme já não fosse uma ficção científica suficiente apenas com a questão das memórias; ainda inventaram de enfiar clonagem no meio. De fato, não é qualquer um que consegue ter tantas ideias cretinas juntas ao mesmo tempo.
Sobre o elenco, o pobre Cam Gigandet só faz o filme ruim, então até aí, sem novidades. Jonathan Rhys Meyers é muito bom, mas fez péssimas escolhas ao longo dos anos, e o Michael Biehn, infelizmente, perdeu tudo na virada dos anos 80 e, desde então, também só aparece nesse tipo de bomba genérica.
Completamente cansativo, frustrante e desgastante. A direção é tão abaixo incapaz de criar algo interessante, que 1h40min parecem 5h. The Shadow Effect não valoriza a experiência cinematográfica em nada, porque, até para ser ruim, é preciso ter um pouquinho de qualidade, e até nisso ele ficou devendo.
Fallen: O Filme
2.1 534 Assista AgoraFALLEN
Direção: Scott Hicks
Ano: 2016
Assistido em: 23/08/2026
O final dos anos 2000 e o comecinho dos anos 2010 foram um terreno fértil para adaptações literárias com foco no público juvenil. E tudo isso graças ao enorme sucesso, principalmente, de Harry Potter e, posteriormente, de Crepúsculo e Jogos Vorazes. Entretanto, pouquíssimos, para não dizer mais nenhum, conseguiram um sucesso parecido com o destes exemplos. Quando Fallen chegou à festa, ela já tinha acabado. Ele passou completamente despercebido, mas, com um resultado como o apresentado, eu acredito que isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com todos os envolvidos, já que o que temos aqui é claramente um caso capaz de destruir carreiras.
Após ser enviada para um reformatório por causa de um incidente misterioso, Luce Price se vê envolvida em uma atmosfera estranha e começa a se sentir inexplicavelmente atraída por Daniel, um jovem reservado que parece esconder um segredo. Enquanto tenta entender as estranhas visões que a perseguem, Luce descobre que sua vida está ligada a uma antiga e sobrenatural disputa.
Quando tudo terminou, a única coisa que vinha à minha cabeça era que talvez ele tivesse feito muito sucesso caso fosse lançado dez anos antes, lá pelos idos de 2006 ou 2007, porque claramente é um filme perdido no tempo e no espaço. Tudo nele está ultrapassado: os visuais, a fotografia, o perfil dos personagens. É tudo fora do seu habitat natural. Em 2016, histórias assim já não faziam sentido, já não faziam sucesso, então qual o sentido de lançar isso?
A mitologia apresentada é uma bomba quase atômica. Até onde vai o meu parco conhecimento, anjos caídos são aqueles que apoiaram Lúcifer, mas aqui eles são os que ficaram em cima do muro. Ok, não faz muito sentido, mas, se fosse explorado de uma maneira interessante... Mas não, não é. É tudo muito superficial. Você não sabe nada sobre eles, apenas que caíram na Terra, são imortais e têm umas asas horrorosas que me lembraram bastante uma versão inferior das usadas no Clube das Winx.
Direção tenebrosa, fotografia escura pra caramba, que não deixa você enxergar nada direito em muitos momentos, e atuações horripilantes. Eu me pergunto o que a Joely Richardson estava fazendo nisso. E o Jeremy Irvine coitado, estreou no cinema em grande estilo, sendo protagonista do Steven Spielberg, e pouco tempo depois estava estrelando essa bomba. Enfim, é difícil encontrar pontos positivos nisso aqui, mas eu vou destacar que eu ri em algumas situações com o quão boba e frágil é essa história, como todo o ato final, só para citar um exemplo, eles dizendo que Lucifer viria buscar a protagonista foi para gargalhar alto.
Sem absolutamente nenhuma curva narrativa interessante, sem nenhum drama forte, Fallen é fraco, fraco, fraco. Ele é esquecível e ruim mesmo dentre os esquecíveis e ruins. O que é uma grande tristeza, porque o dinheiro investido nisso aí poderia facilmente bancar algum outro projeto independente muito mais interessante. Mas eu pelo menos fico feliz, por um lado, que fracassos como esse foram decisivos para enterrar de vez essas tentativas que Hollywood tanto insistiu em fazer para tentar encontrar seu novo grande sucesso da fantasia infantojuvenil.
Lucky Strike
2.4 5LUCKY STRIKE
Direção: Rod Lurie
Ano: 2026
Assistido em: 22/08/2026
Como um apaixonado por história e um viciado na Segunda Guerra Mundial, eu ouço há anos falar sobre a grande Batalha das Ardenas (1944-1945), esse conflito em que o exército nazista deu seus últimos suspiros de resistência e que, a partir dali, seria massacrado sem poder fazer muita coisa. Um momento de extrema importância, de extrema relevância dentro do conflito, e tudo que envolve ele eu sempre gosto de ler, de conhecer. O auge foi na minissérie Band of Brothers (2001), e, quando fiquei sabendo deste filme, fiquei animado para assistir. Só que eu não imaginava que seria apenas os mesmos vícios das produções de guerra repetidos, sem nenhum brilho de inovação.
Durante a Batalha das Ardenas, em dezembro de 1944, o capitão americano John Castle sobrevive à destruição de sua unidade e fica isolado atrás das linhas alemãs. Ferido e equipado apenas com seu treinamento e um rádio, ele recebe instruções para percorrer cerca de 30 quilômetros até reencontrar as forças americanas. Enquanto atravessa as Ardenas em pleno inverno, Castle precisa evitar patrulhas alemãs, lidar com seus ferimentos e usar o rádio para transmitir informações importantes sobre os movimentos inimigos. A cada quilômetro, sua sobrevivência depende de encontrar maneiras de permanecer escondido enquanto tenta alcançar as linhas aliadas.
Meu problema com o filme é que eu cheguei esperando por algo minimamente próximo do que eu tinha visto na minissérie clássica da HBO, com os conflitos grandes, as lutas, mostrando o quão importante era aquela batalha, o quão decisiva ela era tanto para os Aliados quanto para o Eixo. E não é isso que a gente tem. O que nós temos é o velho arquétipo do soldado com trauma que precisa sobreviver sozinho após ter seu batalhão dizimado, e ele vai passando por dificuldades enquanto tenta voltar a um posto do seu agrupamento. É o que nós já vimos em um milhão de filmes produzidos por Hollywood. Ou seja, não tem nada, não tem um pingo de identidade e inventividade.
O Scott Eastwood herdou a beleza do pai, mas não o talento. Ele é muito fraco, mas eu acho que ele é esforçado. Eu creio que, com a influência certa, dá para sair alguma coisa. Infelizmente, ele não teve essa influência. Seu personagem é terrível de ruim, e todos em volta dele vão pelo mesmo caminho. A direção é insípida, sem vida; a fotografia é cinzenta, sem nada que se destaque; e o roteiro é tão monótono, tão previsível, que só desperta sono.
Muitos vão dizer que o filme é inspirado em uma história real e que pode ter respeitado o que de fato aconteceu. Para mim, isso tudo é balela. Hollywood só respeita histórias reais quando elas já são naturalmente cinematográficas. Quando eles querem, conseguem fazer com que elas soem mais interessantes, e aqui eles não fizeram. Aliás, por mim, eu até preferia que eles não fossem nada leais aos eventos históricos e, no lugar disso, pegassem pelo menos a história e fizessem um roteiro interessante. Não aconteceu.
Muitas pessoas amam filmes de guerra, amam conflitos, amam as cenas de troca de tiros. Eu, por outro lado, gosto mais dos bastidores, gosto mais dos detalhes. Eu esperava encontra isso, mas Lucky Strike é tão sem graça, tão fraquinho e tedioso. A única coisa que ele me deu foi sono. Eu pesquei algumas vezes enquanto assistia e nem tive interesse de voltar para ver o que perdi, porque a sensação que tive era de que não estava perdendo nada de relevante. Enfim, só espero que, da próxima vez que forem levar a Batalha das Ardenas para as telas, ela seja mais como fizeram no episódio 6 de Band of Brothers do que isso aqui.
George Washington
3.2 9YOUNG WASHINGTON
Direção: Jon Erwin
Ano: 2026
Assistido em: 22/08/2026
Eu gosto muito de conhecer a vida de grandes personalidades históricas e, gostando deles ou não, os presidentes dos Estados Unidos da América são figuras de poder que exercem uma influência absurda no mundo. Sempre achei interessante saber um pouquinho mais sobre eles. Quando tomei conhecimento sobre este filme, eu nem sabia direito do que se tratava. Basicamente, a única informação que eu tinha é que ele iria retratar a juventude de Washington, como o próprio título já entregava, mas eu já estava decidido a assistir. Após conferir o resultado final, a impressão que eu tive é que a ideia foi muito boa, mas o resultado ficou devendo muito.
Aos 21 anos, George Washington começa sua carreira militar durante as tensões entre britânicos e franceses pelo controle do território americano. Enviado à fronteira da Virgínia, ele se envolve no conflito que desencadeará a Guerra Franco-Indígena. Após um confronto desastroso com os franceses, Washington passa a servir sob o comando do general Edward Braddock, participando de uma campanha que termina em uma devastadora derrota britânica. Entre fracassos militares, disputas com seus superiores e experiências no campo de batalha, o jovem oficial começa a desenvolver a liderança e a experiência que futuramente o transformarão em um símbolo do país.
Os americanos têm a mania, o costume, a prática, seja lá o nome que podemos dar a isso, de idolatrar seus políticos, principalmente aqueles que eles chamam de “pais fundadores”. É algo que não existe aqui do nosso lado do continente. Os brasileiros têm verdadeiro horror de muitas de suas figuras de autoridade, então é difícil assistir a um filme onde o protagonista é um pilar de perfeição. Eu até fiquei surpreso que Washington tenha sido retratado como sendo uma pessoa ambiciosa e teimosa ao extremo, e essa teimosia levou a um grande desastre. O pilar moral que eles estavam criando nem combina muito com essas características.
Mas a forma como o roteiro retrata o personagem não me surpreende, já era algo que eu esperava. O que chamou minha atenção aqui mesmo é a direção, que é pavorosamente ruim. A forma como tentam criar tensão, mostrando os rostos desesperados dos homens do futuro presidente esperando por orientação enquanto uma música em tom de desespero sobe, é uma das maneiras mais patéticas e ordinárias de tentar despertar uma emoção no público. O que não acontece. Muito pelo contrário: esse povo todo é tão superficial, tão raso, que não dá para você ter empatia por eles. No final, você pouco se importa com o que está acontecendo ou não.
Eu fiquei bastante surpreso com o elenco, porque todas as atuações são bem ruinzinhas, mas encontrar nomes como Mary-Louise Parker, Ben Kingsley e Andy Serkis em um filme desses só me fez perguntar se eles estavam com algum agiota nas suas colas, se estavam precisando de um troco para poder se livrar do problema, porque é inacreditável como o nível de atuação aqui está baixo. O protagonista, William Franklyn-Miller, é uma gracinha, mas, misericórdia, é uma cara de perdido. De quem não sabe o que está acontecendo.
Para não dizer que é um filme completamente inútil, eu acredito que quem o assistiu em uma sala de cinema pode ter se divertido com as cenas de luta e de batalha, mas, fora isso, ele dá aquela impressão de filme de televisão... Eu até ia dizer um documentário feito pelo History Channel, mas parece mais aquelas subproduções feitas por um Hallmark da vida. Nada se destaca. A trilha sonora é ruim, apagada, sem vida; a fotografia é fria demais, não cria momentos impactantes; a edição é monótona. Enfim, é um filminho bem qualquer nota.
Pelo menos para mim, ele serviu para aprender um pouquinho de história e, como eu sou completamente encantado por conhecer o passado, ainda consegui tirar algum proveito disso tudo. Mas, honestamente, é um filme do qual eu me arrependi muito de ter criado qualquer espécie de expectativa.
Quatro Vidas de Um Cachorro
3.8 728 Assista AgoraA DOG'S PURPOSE
Direção: Lasse Hallström
Ano: 2017
Assistido em: 16/08/2026
Eu vou confessar uma coisa: quando criança, eu amava filmes de cachorro. Depois de adulto, passei a evitá-los, e não é porque eu não aguento ver cenas dos bichinhos sofrendo, nem nada disso. Apesar de ser apaixonado por eles desde que me entendo por gente e, se pudesse, teria um verdadeiro canil na minha casa, não é por isso que me afastei desse tipo de produção, mas porque os roteiros são tão ruins, tão fracos e tão previsíveis que eu optei por esse afastamento. Porém, quando li a premissa deste aqui, fiquei interessado, principalmente porque ele me lembrou um dos filmes que eu mais amava quando criança e que era repetido à exaustão na Sessão da Tarde: o clássico (pelo menos no meu coração), Fluke (1995).
Bailey é um cachorro que, após morrer, renasce repetidamente em diferentes corpos caninos ao longo de várias décadas. A cada nova vida, ele conhece pessoas diferentes, experimenta novas relações e desempenha papéis distintos na vida de seus donos. Apesar das mudanças, Bailey mantém uma espécie de consciência de suas existências anteriores e começa a perceber que cada uma delas possui um propósito, especialmente sua ligação com Ethan, o garoto que se torna seu primeiro e mais importante companheiro.
Como disse, este filme me lembrou muito Fluke, só que, diferentemente do longa dos anos 90, aqui não é um ser humano que reencarna em um cachorro, mas sim um cãozinho que vai reencarnando, e nós vamos acompanhando cada uma das interações que ele tem com os seres humanos. Aí vai da crença de cada um: se você for adepto do kardecismo ou do hinduísmo e acredita em reencarnação, talvez essa premissa faça ainda mais sentido para você. Mas não estamos aqui para falar sobre isso, mas sobre o filme. E aí está o problema dessa história: apesar de ter uma ideia interessante, a execução dela é uma tristeza.
O maior problema está na montagem. Ele não tem nenhum primor de roteiro; é o básico, aquela água com açúcar que sempre me manteve afastado dos filmes de cachorro. Mas o problema é que o ritmo é terrível. É muito truncado e, em alguns momentos, extremamente cansativo. Há uma hora em que a história fica particularmente arrastada, principalmente nas cenas da fazenda. Cheguei a me perguntar quando esse cachorro finalmente iria morrer, desencarnar e partir para a próxima vida, porque aquela estava muito chata. Muito chata mesmo.
E assim nós vamos seguindo, presos a uma previsibilidade que não dá ao roteiro qualquer espaço para escapar do óbvio. O longa tenta o tempo todo nos fazer chorar, mas trabalha com uma emoção falha, que não parece verdadeira. Eu admito que fiquei muito sensibilizado com todas as cenas de morte, porque qualquer pessoa que já perdeu um animalzinho sabe que essa é uma das piores experiências da vida. Mas, fora isso, não houve nada aqui que me fizesse de fato ficar impressionado.
O fato de enxergarmos tudo pelo olhar do cãozinho Bailey torna muitas coisas no roteiro problemáticas. Por exemplo, a transformação dos personagens é extremamente abrupta. Em determinado momento, o pai do protagonista é um homem tranquilo; logo depois, descobrimos que o cara já é um alcoólatra, colocando a família em risco. E o que aconteceu com o garoto responsável pelo incêndio? Nada disso é devidamente esclarecido porque estamos presos à visão do cãozinho. Mas um bom roteiro poderia resolver essa situação. O problema é que nós não temos um bom roteiro.
Tirando o fato de que o título brasileiro não faz o menor sentido, afinal de contas nós vemos cinco encarnações da vida de Bailey, e não apenas quatro, Quatro Vidas de um Cachorro é uma adaptação que pode funcionar de maneira diferente para pessoas mais sensíveis. Eu entendo que ele possa tocar alguém de uma forma muito particular, mas, honestamente, não me causou nenhum impacto. Assisti, achei interessantes algumas partes, mas, assim que os créditos começaram a subir, eu já tinha deletado muita coisa da minha mente. O resultado final é, acima de tudo, um filme esquecível.
Os Homens Preferem as Loiras
3.9 371 Assista AgoraGENTLEMEN PREFER BLONDES
Direção: Howard Hawks
Ano: 1953
Assistido em: 16/08/2026
Não sou o cara dos musicais. Não fui acostumado a eles, haja vista que, desde pequeno, sempre fui mais exposto ao cinema realista, de suspense e tensão. A exceção, obviamente, é a era renascentista da Disney, mas essa é uma proposta completamente diferente dos musicais clássicos por se tratar de animações. Como eu não tenho preconceito cinematográfico, mesmo não sendo a minha praia, ainda assisto. E, nesta semana, eu me peguei lendo sobre a vida de Marilyn Monroe e percebi que nunca tinha assistido ao seu primeiro grande sucesso, o filme que a projetou. Decidi, então, que era hora de corrigir essa falha.
Lorelei Lee e Dorothy Shaw são duas cantoras e melhores amigas que trabalham juntas em um clube noturno. Enquanto Dorothy é romântica e procura um homem que realmente a ame, Lorelei está noiva do milionário Gus Esmond, cuja família desaprova o relacionamento por acreditar que ela está interessada apenas no dinheiro. Quando Lorelei embarca com Dorothy em uma viagem de navio rumo à Europa, as duas acabam envolvidas em uma série de situações amorosas, confusões e encontros com homens ricos, enquanto um detetive particular contratado pelo pai de Gus passa a vigiá-las de perto.
Confesso que o musical aqui não me incomodou. Afinal de contas, temos como protagonistas duas performers, duas jovens extremamente bonitas que já cantavam e dançavam no palco. Então, quando elas começam seus números musicais, eu os enxerguei como uma extensão natural de suas personagens. O roteiro não é dos mais complexos: é algo bem simples. Um ponto alto para mim foi o humor e suas sutilezas, principalmente as de Lorelei, personagem da Marilyn Monroe, que, do alto de sua inocência — para não dizer falta de inteligência —, foi capaz de soltar algumas pérolas simples, mas verdadeiramente engraçadas.
Mas, mesmo eu não sendo chegado do gênero é impossível fechar os olhos para Diamonds Are a Girl's Best Friend. Mesmo não sendo o maior fã da música, o número como um todo é um espetáculo, literalmente falando. Marilyn, no auge da beleza e do carisma, com o figurino lendário e uma coreografia muito bem planejada e executada. É impossível chegar 100% limpo para assistir a essa cena porque, mesmo que você nunca tenha visto o filme, provavelmente já assistiu ao clipe Material Girl, da Madonna; à apresentação de Ryan Gosling cantando I'm Just Ken na cerimônia do Oscar; ou a qualquer um dos muitos momentos da cultura pop que foram impactados por essa cena.
Tecnicamente falando, o filme tem todos aqueles trunfos do cinema clássico, que vão desde figurinos e cenários muito bem produzidos até atores com uma dicção excelente e performances que trazem um pouco da energia da época. Mas, até aí, nada fora do normal. A direção também é muito competente, sempre buscando os melhores enquadramentos e ângulos para que o público veja esse espetáculo da forma mais precisa possível.
Os Homens Preferem as Loiras pode não ser comumente citado entre os grandes musicais, pelo menos não entre os maiores, mas, sem sombra de dúvidas, foi um dos que eu mais achei divertido. E, novamente, eu não sou um adepto desse tipo de filme. Mas o mais importante é que consegui me divertir bastante e, ao final, é isso que qualquer pessoa quer de um filme: se divertir, desligar um pouquinho da realidade e simplesmente aproveitar aquele momento. Nesse sentido, o objetivo foi atingido com excelência. Então, não tenho nada mais a pontuar.
Hit Para Dois
3.2 16POWER BALLAD
Direção: John Carney
Ano: 2026
Assistido em: 15/08/2026
Quem já procurou conhecer minimamente os bastidores do mundo da música sabe que é um universo muito complicado. Acusações de plágio existem aos milhares mundo afora, e conseguir provar esse tipo de coisa é muito difícil. É praticamente impossível lutar contra os colossos do mundo musical. Quando vi que essa era a proposta de Power Ballad, fiquei muito interessado para saber como seria o desdobramento de toda essa história.
Rick é um cantor de casamentos que já viveu dias melhores quando conhece Danny, um antigo astro de boy band cuja carreira também está em decadência. Os dois se aproximam durante uma apresentação e acabam compondo juntos em uma madrugada de música e bebida. Quando Danny transforma uma das canções de Rick em um grande sucesso e consegue recuperar sua própria carreira, Rick se vê deixado de lado e decide lutar pelo reconhecimento que acredita merecer. A busca pela autoria e pelo sucesso, porém, ameaça colocar em risco sua amizade com Danny e tudo aquilo que realmente importa para ele.
O que encontramos aqui é uma história muito simples, muito leve e descompromissada. Eu diria que é um filme que trata tudo de uma maneira muito en passant. Nós temos o Rick sendo roubado pelo Danny, entretanto, a vida dele começa a desandar e, ainda assim, o roteiro em momento algum dá muita profundidade para nada do que está acontecendo. Rick vê sua vida afundar, enquanto o Danny retorna com força total aos holofotes, isso poderia render boas discussões. Mas não era o plano do diretor levar a história para esse lado, então ele trata tudo de uma maneira muito leve, e aí está o problema.
Durante todo o filme fiquei esperando a catarse, um momento de recompensa em que finalmente aquele pobre diabo do Rick provaria que estava correto. Só que esse momento não veio. Ele não teve o apoio da esposa, não teve o apoio da filha — que, aliás, é uma tremenda filha da puta e não merecia a música que foi composta para ela — e, quando finalmente chega o momento de contar a verdade, o filme acaba. Temos apenas uma cenazinha, nos confirmando que as coisas deram certo. Mas eu gostaria de ter visto isso acontecendo. Gostaria de ter visto o Rick provando que estava correto. Gostaria de ter visto o que aconteceu com o Danny. Apesar de sabermos que, no mundo da música, o máximo que poderia ter acontecido seria um acordo e vida que segue, tudo isso não foi mostrado. E aí fica uma sensação de filme incompleto.
Eu não conhecia o trabalho do diretor John Carney, apesar de ele ser muito renomado, mas gostei bastante da direção. Gostei também do roteiro, apesar das falhas, facilidades e muitas conveniências como soluções deus ex-machina. Sou fã do Paul Rudd, sou fã do Nick Jonas e os dois têm uma química muito boa em tela. A música em questão How to Write a Song (Without You) é muito boa, as músicas escolhidas para tocar nos casamentos são clássicos, então é tudo muito gostoso de assistir. É um filme rápido, de uma hora e meia, que não incomoda ninguém. Como foram muito sincero aqui nos comentários: é uma sessão da tarde.
No final, Power Ballad poderia ter sido um grande drama, até mesmo um grande filme de tribunal, mas, por escolhas criativas, tornou-se um filme muito mais leve. Não quiseram pesar o clima. Era o que eu gostaria? Sim. Mas a escolha do seu diretor é soberana. E vendo o resultado, o que importa é que, no fim, foi um bom filme.
Golpe Explosivo
2.9 34 Assista AgoraFUZE
Direção: David Mackenzie
Ano: 2025
Assistido em: 15/08/2026
Eu cheguei a uma fase da experiência cinéfila em que atualmente me mantenho completamente afastado de sinopses e trailers. A única coisa de que preciso para assistir a um filme é gostar do diretor, do elenco e de uma ou duas linhas que leio ali no IMDb apresentando muito brevemente a história. É claro que estou cronicamente acompanhando as notícias dos bastidores de Hollywood, então sei mais ou menos do que cada filme se trata, mas essa estratégia às vezes pode nos garantir bons filmes, medianos e filmes muito ruins. Ainda assim, a experiência de chegar para assistir a um filme sem saber o que você vai encontrar é, para mim, a melhor alternativa.
Em Londres, a descoberta de uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial em um canteiro de obras provoca uma enorme operação de evacuação. Enquanto militares e policiais correm contra o tempo para controlar a ameaça e retirar milhares de pessoas da região, um grupo de criminosos aproveita o caos e a cidade praticamente esvaziada para colocar em prática um elaborado assalto.
Eu gosto dos trabalhos do David Mackenzie, gosto das críticas sociais que ele costuma apresentar e, sendo honesto, esperava algo nesse sentido com Fuze. Entretanto, o maior problema deste filme, sem sombra de dúvidas, é o roteiro: muito simples, muito banal e, principalmente, incapaz de desenvolver os personagens. Alguns são completamente superficiais, enquanto outros são até mesmo vazios.
O roteiro apresenta um plot twist lá no final e tem um flashback que vai nos explicar o comportamento das personagens. Convenhamos: se você pegar aquela cena final e encaixá-la no começo do filme, vai perceber que ele ficará ainda mais simplório. E aí está o problema: o plot twist não vem como uma decisão narrativa interessante que vai justificar algumas coisas do roteiro. Não. Ele só vai te deixar com a sensação de: “Ah, então era isso”.
O elenco aqui é a peça-chave. Eu gosto demais do Aaron Taylor-Johnson, o Theo James vem melhorando como ator, mas confesso que esperava mais de ambos e, novamente, o roteiro não colabora, então não há muito o que ser feito. E ainda temos o sempre péssimo Sam Worthington, canastrando em um personagem secundário, tem quase 20 anos que me pergunto como esse homem ainda trabalha na indústria. A direção é boa, mas confesso que esperava mais. A edição é ágil, a duração de 1h38min não deixa o filme se estender demais, a trilha sonora poderia ser mais marcante.
Fuze é um filme que estava com bastante expectativa para assistir e, apesar de ele não ter atendido a todas elas, não saí insatisfeito. Eu gostei. Foi um entretenimento válido, daqueles que você assiste ali rapidinho, sem se preocupar muito com uma história mirabolante. A história simples traz uma outra surpresa que vai te pegar de calça curta, mas não é nada que vá ficar marcado nos anais do cinema, nem que vá fazer você se encantar pela sétima arte. É o básico feito de uma maneira básica.