Ao deparar-se com o misterioso desaparecimento de seu marido, mulher contrata um detetive para investigar o caso. O investigador descobre o envolvimento de uma trama que inclui outras mortes e suicídios, infiltrando-se em camadas da população que diluem a individualidade humana causando uma espécie de desaparecimento coletivo da identidade.
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"O Mapa Arruinado" (Moetsukita Chizu) é o último filme da incrível parceria entre o cineasta Hiroshi Teshigahara, o roteirista e escritor Kobo Abe e o compositor de vanguarda Toru Takemitsu. Tal como nos filmes anteriores, há uma narrativa principal, que conta a estória em sua superfície, ou aquilo que parece ser o assunto central. Mas é nas camadas subliminares que se encontra o núcleo verdadeiro das tramas, aquilo que é descoberto apenas com a atenção voltada para as entrelinhas.
O personagem principal deste filme não tem o seu nome revelado, sabemos que é um detetive (Shintaro Katsu) contratado pela esposa (Etsuko Ichihara) de um homem que desapareceu há 6 meses sem deixar pistas. A vítima chama-se Hiroshi Nimuro, tem 43 anos e era o chefe do departamento de vendas de uma fábrica de automóveis. Dele restaram um casaco, uma caixa de fósforos e uma fotografia.
No decorrer da trama percebe-se que, ao mesmo tempo em que essas pistas são insuficientes para desvendar o mistério, elas também são irrelevantes de todo. O próprio desaparecimento e o trabalho de investigação também pouco ou nada importam, servem apenas como véu para a real intenção, que é mostrar que a verdadeira incógnita não é o investigado, mas o investigador.
É sobre ele que nada se sabe - apenas se observa as infrutíferas buscas e segue-se seus passos a cada novo indício que, ao final, revela-se insignificante. A câmera que se move pela cidade passeia por rostos anônimos e os enquadra em close, para depois desfocá-los, o que só aumenta a estranheza e molda a atmosfera de confusão que o cineasta reserva como o prato principal.
Fica bem evidente que o filme quer destacar aspectos psicológicos dos personagens - por isso eles não têm um nome, um passado ou uma trajetória. E, após a intrigante cena final, o que restam são mais perguntas que respostas.
Acho que é o filme sobre um desaparecimento mais esquisito que eu já vi.
Um filme sobre um homem que perde o seu rumo! É um filme imersivo e bem reflexivo, nós como espectadores entramos na mente desse homem e passamos a obervar todos os seus demônios.
O foco de Teshigahara não está na investigação e no filme policial, está no desaparecimento do homem e de sua individualidade sendo destroçada no cenário urbano esmagador da cidade de Tóquio.
Não foi dos Teshigahara que mais gostei, mas é inegavel o potêncial de envolver e surpreender do diretor. Vale muito a conferida.