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O ano é 1989. Após perder seu lar, Allan Borromeo volta a morar na casa de sua mãe em Eden Homes, em um bairro de classe média alta, junto com sua esposa Donna e seu filho adolescente Jasper. Aqui suas vidas irão mudar – Allan se envolve com cultivo de maconha, Donna tem um caso com o jardineiro e Jasper vivencia seu primeiro amor e coração partido. No entanto, sem que os moradores percebam, uma criatura meio-homem, meio-cobra se esconde e espreita em suas vidas através de vídeos caseiros secretamente gravados pelo seu criador, Waldo, um cientista louco.
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Poucas vezes na vida me senti tão irritado assistindo um filme. Aliás, chamar de filme é elogio. O que foi Reptilia in Suburbia (Réptil no Subúrbio)? Talvez uma das minhas piores.experiências.cinematográficas.da.vida.
Ele foi selecionado para a mostra Outros Olhares, que o cronograma do Olhar de Cinema define como “um espaço privilegiado para filmes de risco”. Privilegiado? Sei...
O filme tenta ser uma releitura pós-moderna de Frankenstein, onde um cientista maluco cria um homem-cobra. A história, entretanto, gira em torno de uma família do subúrbio de Manilla, às voltas com o retorno de um filho à casa da mãe e do sumiço de cachorros da vizinhança.
O tom experimental deixa o filme com cara de amador (principalmente nas cenas com o homem-cobra). O visual VHS, misturado com outros tipos de gravação e edições bregas ajudam a piorar ainda mais a degustação desse filme.
Sabe quando você assiste aqueles vídeos japoneses e pensa: “Que droga que eles fumaram antes de fazer isso?”. Então, nas Filipinas a droga parece ser de pior (ou melhor) qualidade. Os jovens de Reptilia in Suburbia aparecem fumando maconha, usando camiseta do Cannibal Corpse e entoando uma música a Satanás. Mas nada disso te prepara para o que é mostrado.
O tom religioso e anti-crístico permeia algumas cenas, como a de um funeral e a de uma transa. Porém, nenhum elemento bíblico justifica a tortura que é chegar ao final desse filme. Difícil escolher o que é pior. Seria a montagem confusa? Seria a falta de sincronia entre imagem e som, dando a impressão do filme ter sido dublado? Seria a veneração aos EUA, com cenas inteiras sendo faladas em um inglês macarrônico? Seria a maquiagem da dermatite (nunca justificada) de um dos personagens? Ou talvez a atuação (?) daquele povo? Não tem UM que consiga ser levado a sério, justamente pelo fato de se levarem a sério demais. O filme é ruim, gente. Se vestissem essa camisa de “Tamos nem aí pra vocês, queremos fazer um filme e nos divertir”, talvez algo tivesse se salvado.
É louvável que nas Filipinas, um país pobre (115º no ranking mundial de IDH), castigado por tufões e terremotos, ainda se encontre espaço para a produção cinematográfica. Particularmente, foi o primeiro filme de lá que eu me lembro de assistir, dificultando uma comparação. Prefiro acreditar que seja uma exceção, escolhida a dedo para a mostra Outros Olhares justamente por romper com o óbvio cinematográfico. E que, mesmo com poucos recursos, nas Filipinas seja capaz de se produzir histórias boas de assistir.