Chile, Sábado, 5 de Outubro de 1974 - Nos subúrbios de Santiago, a grávida Carmen Castillo é ferida e seu companheiro Miguel Enriquez, secretário Geral do MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária), é morto em combate. Assim começa a jornada pelas memórias dos vencidos na batalha contra a ditadura de Pinochet. Carmen e Miguel viveram 10 meses de felicidade com as filhas Camila e Javiera , na Rua Santa Fé, 725.
Depois da morte de Miguel, Carmen perdeu o bebê, foi exilada e encontrou refúgio com amigos, em Paris. Neste seu documentário, feito após a volta da democracia (1990), os companheiros que desapareceram, e os que sobreviveram, são retratados, numa costura perfeita entre a vida de ontem e de hoje no Chile. Destaca-se o ambiente de fraternidade entre todos, o sentimento de pertencer e querer realizar algo pelo país.
Entre os testemunhos dos militantes , há os que não se arrependem de nada, os que lamentam a militarização do MIR, achando que não valeu a vida dos que se foram, e a constatação de que foi duro para os filhos dos combatentes, que se sentiram abandonados, relegados ao 2º plano, embora admirassem os pais revolucionáros.
Um filme muito humano e lindo, que convida à reflexão. Abusos de poder e injustiça devem ser combatidos, mas sempre dentro do respeito à vida dos homens e mulheres. Gandhi e Martin Luther King deixaram bons exemplos de resistência e liderança. O sentimento de melhorar o mundo permanece vivo entre os jovens e encontra formas pacíficas de expressão, através da arte, do voluntariado, da pressão de manifestantes através da mídia, por exemplo. Parece haver mais liberdade neste século do que em anteriores. Mas a miséria absurda, sobretudo na África, e os surtos de paternalismo, em países não-desenvolvidos, permanecem, ofuscando a obrigação dos governos de garantir condições dignas de saúde e educação, para todos.
"Rua Santa Fé" pode ser um tanto longo para os que não se interessam por história ou política. Belas músicas e fotografia.
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grande documentário, importantíssimo e que jornada; da mesma for que o depoimento da mãe dos Irmãos Vergara me destruiu, meu coração se encheu com as conversas de Carmen com os vizinhos, a senhorinha que admite ter feito uma pichação pro MIR, o senhorzinho que chamou a ambulância... nossa...
Comprender la derrota
Voltear la bandera
Volverse hacia dentro a donde nace la montana
Ahí guardar las manos, las que acarician y defienden
A nuestros hijos paridos con dolor
Desde la histórica altura
Contemplamos el camino que trazan tus ojos tiernos
Tal como si fuese un mantra al viento
Repitiendo, repitiendo
Soy la primera línea de defensa de tu risa, mi niña
Tú sanaste las heridas de todas las batalla perdidas
Como si fuese león herido sigiloso, tranquilo
Salí a encontrarte desde las profundidades
Del repliegue obligado por el tiempo
Me levanté para abrazarte con olor a manzanilla
Queriendo reír pero llorando
Gritándole al viento tu nombre bajo una luna menguante
Y agradezco al monte, y agradezco a la lluvia
Agradezco al río que riega la semilla que dio el pan que comemos
Y a todos nuestros muertos que abrieron el camino
Como antorcha inmensa de gloria que ilumina
La gloria nos alumbra
Valientes como leones
Somos la sangre que camina
Tocando el tambor de guerra
Porque acá estamos de nuevo
Con tus ojos como bandera
Alguém sabe me dizer onde encontro pra assistir?
Típico filme que deixa com um nó na garganta!!! E tudo porque uma geração lutou por ideais e hoje temos pessoas cada vez mais individualistas. Os depoimentos desde documentário são dilacerantes, pois quando Castillo retorna ao Chile para "rever sua história", reencontra pessoas de bairros simples e essas, mesmo diante da perda de filhos, entendem que a luta contra a ditadura não permitia outra opção. O início do documentário não sugere tudo que vem na sequência. Até os trinta minutos, mais ou menos, parece ser algo muito pessoal, mas quando os militantes do MIR passam a integrar a narrativa com mais efetividade o documentário ganha peso. E como os chilenos são politizados!!! Prova disso tivemos, no ano passado, o movimento dos estudantes pelas ruas de Santiago. O mais interessante neste filme que é a diretora tem condições de refletir sobre o que fez e, ao mesmo tempo, militantes do MIR fazem a autocrítica das ações da organização. Temos relatos terríveis sobre a repressão no chile e muitas imagens de arquivo que conseguem fazer com que a história permaneça viva. São tantos os questionamentos feitos no transcorrer do filme (quase três horas) que é necessário rever várias vezes e pensar em tudo que aconteceu no país e o resultado de hoje. Não é um documentário que inove na linguagem, mas consegue prender a atenção porque tem muito boas entrevistas... talvez, se quisesse reduzir uma pouco o tempo do filme, algumas entrevistas poderiam ser suprimidas ou terem seu tempo reduzido, mas mesmo assim, temos um filme sem igual em sua importância histórica não somente para o Chile, mas para toda a América Latina.
"Rua Santa Fé" é bem mais longo que os documentários habituais e se torna mais longo ainda pois há momentos em que ele praticamente exige uma pausa para que se pense e se debata sobre o que estamos vendo. Eu disse longo, não cansativo! O filme traz verdades duras de serem encaradas sobre a ditadura do Chile, o que acaba nos remetendo para uma análise da nossa própria ditadura e de outros países da América Latina. O filme é um prato cheio para quem se interessa pelo assunto.
"Rua Santa Fé" tem passagens bastante emocionantes, principalmente aquelas que mostram que a solidariedade existe, sim, e que são nos momentos de maior dificuldade que ela surge. Os anônimos são os maiores personagens desse ótimo documentário.
Que ótimo encontrar cadastrado este documentário de Carmen Castillo, militante do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) do Chile. Fiquei encantada com a narrativa biográfica e histórica. Por meio das memórias escritas durante o exílio na Europa Carmen faz um balanço de geração e mostra como ecoa no presente as emoções de um passado recente.