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As colônias de isolamento mantiveram reclusos milhares de doentes de lepra. No Brasil, centenas deles ainda permanecem nessas instituições para onde foram levados compulsoriamente a partir de uma política pautada no preconceito secular e em métodos higienistas.
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Lepra é uma doença que assusta tanto a população que sua mudança de nome para hanseníase foi, também, uma tentativa de humanizar seus portadores, vítimas de tantos preconceitos.
O documentário conta a história do Hospital Santa Teresa (antiga Colônia Santa Teresa), nos arreadores de Florianópolis. Fundada na década de 40, a colônia recebia os pacientes de lepra de todo o estado de Santa Catarina. Um lugar lindo, agradável, amplo e com abundância de áreas verdes. Lá tinha de tudo: prefeitura, cinema, bar, cartório, etc. As fotos de época retratam pessoas felizes e em comunidade, praticamente sem traços daquilo que os unia: a doença.
A história, como vemos, não é tão bonita quanto parece. Nos primeiros anos, os pacientes eram levados compulsoriamente para essas colônias. Muitas vezes eram arrancados de casa apenas com a roupa do corpo e despejados nesses “lugares maravilhosos” para viverem longe da sociedade. E de lá eram proibidos de sair.
Um lugar que para muitos dos moradores representa lembranças de dor e perda, mas que também foi o lar de todos eles. E é incrível a capacidade de superação do ser humano. Hoje o hospital está mais humanizado, porém, a maioria dos pacientes que lá estão é porque não tem nenhum outro lugar para ir. Foram abandonados pela família à sua própria sorte.
Montado a partir de histórias de vida, o documentário tem o dom de sensibilizar sem apelar. De chocar sem ser gratuito. A edição sonora está sensacional (o som dos pássaros em praticamente todo o filme quase nos transporta para a colônia). As fotos de época, sempre tão bonitas, contrastam com os depoimentos pessoais de quem viveu (e sofreu) na reclusão da colônia. O filme também pincela uma grave denúncia: o sumiço de bebês nascidos no local, em história que se assemelha a Philomena, filme indicado ao Oscar deste ano.
Santa Teresa expõe mazelas de nossa história que temos vergonha em aceitar. A segregação, o despreparo profissional e o preconceito persistem até hoje. Mostrar isso de maneira humana é necessário e urgente. Palmas para o diretor e que o documentário encontre seu público pelo mundo afora, pois todos precisam conhecer sua história.