Talvez soe um pouco estranho e desconhecido para o público brasileiro em geral, mas Ojmajo Doremi foi uma série de animação sobre garotas mágicas (mahou shoujo) muito popular no Japão durante os anos 2000. A saga das bruxinhas teve 5 temporadas e 200 episódios e se tornou uma das mais bem sucedidas séries do gênero.
Neste filme comemorativo de 20 anos da animação, encontramos três mulheres de idades distintas e em momentos de vida igualmente diferentes. Mas de alguma forma todas estão vivenciando e experienciando dilemas e dúvidas no campo profissional ou pessoal. Sora tem 22 anos e é estudante do quarto ano em uma universidade, está se graduando para ser uma professora, mas sente-se insegura com seu desempenho profissional. Ela foi arrastada pela escolha dos pais e o caso de um aluno com dificuldade de aprendizagem a faz questionar sobre o tornar-se professora. Mire, é a mais velha do trio, tem 27 anos, trabalha em uma grande empresa, mas vive sendo colocada as sombras de seu colega de trabalho. Ela está frustrada, sente que seu potencial é ignorado. E por último, temos Reika, 20 anos, trabalhadora freelancer. Reika tem um histórico familiar conturbado, pais divorciados, relação tumultuada e cheia de ressentimentos com a mãe falecida e ela não vê o pai desde a separação. Ela também vive uma relação de exploração patrimonial com o namorado, um aspirante a músico que não trabalha, mas que aparece constantemente para pedir dinheiro a namorada. Os japoneses usam o termo "himo" para homens que não trabalham e vivem explorando suas companheiras. Existe mais um elemento aglutinador e talvez o mais importante que unem essas mulheres, a sua paixão pelo anime Ojmajo Doremi. Todas as três são fãs e guardam ótimas memórias e aprendizados que tiveram quando assistiram a animação. O amor pela série é tanto que elas coincidentemente acabam se encontrando em um imóvel que reproduz a famosa loja de magia, Maho-Do, presente na série. O encontro inesperado faz emergir uma forte dinâmica de identificação e assim começa a construção de uma amizade, onde juntas vão desbravar seus desafios pessoais.
Olha, me surpreendi muito com esse filme comemorativo. Ele foge do óbvio, eles não vão direto na fonte da série, as bruxinhas, mas recorre a pessoas que foram atravessadas pela animação em sua infância. Logicamente isso aproxima o público, em sua maioria hoje adultos. Ojamajo Doremi não nega que seu público envelheceu e concede nesse longa uma aproximação genuína com ele, mostrando os percalços, todas as dúvidas da vida adulta, as dificuldades e os ressentimentos que só os adultos podem saber como é. E no fim, a magia, a nostalgia de um desenho infantil que ajudou a constituir o imaginário de uma geração também comparece, mas de uma forma a acalentar a vida do público adulto. É como se estivessem dizendo, a magia é toda essa relação de autoconhecimento, cuidado e empatia que encontramos no outro e de alguma forma mantém nossas crianças vivas. Talvez não tão mais ingênua, mas ainda assim cheia de sonhos que fazem valer a pena.
Talvez soe um pouco estranho e desconhecido para o público brasileiro em geral, mas Ojmajo Doremi foi uma série de animação sobre garotas mágicas (mahou shoujo) muito popular no Japão durante os anos 2000. A saga das bruxinhas teve 5 temporadas e 200 episódios e se tornou uma das mais bem sucedidas séries do gênero.
Neste filme comemorativo de 20 anos da animação, encontramos três mulheres de idades distintas e em momentos de vida igualmente diferentes. Mas de alguma forma todas estão vivenciando e experienciando dilemas e dúvidas no campo profissional ou pessoal. Sora tem 22 anos e é estudante do quarto ano em uma universidade, está se graduando para ser uma professora, mas sente-se insegura com seu desempenho profissional. Ela foi arrastada pela escolha dos pais e o caso de um aluno com dificuldade de aprendizagem a faz questionar sobre o tornar-se professora. Mire, é a mais velha do trio, tem 27 anos, trabalha em uma grande empresa, mas vive sendo colocada as sombras de seu colega de trabalho. Ela está frustrada, sente que seu potencial é ignorado. E por último, temos Reika, 20 anos, trabalhadora freelancer. Reika tem um histórico familiar conturbado, pais divorciados, relação tumultuada e cheia de ressentimentos com a mãe falecida e ela não vê o pai desde a separação. Ela também vive uma relação de exploração patrimonial com o namorado, um aspirante a músico que não trabalha, mas que aparece constantemente para pedir dinheiro a namorada. Os japoneses usam o termo "himo" para homens que não trabalham e vivem explorando suas companheiras.
Existe mais um elemento aglutinador e talvez o mais importante que unem essas mulheres, a sua paixão pelo anime Ojmajo Doremi. Todas as três são fãs e guardam ótimas memórias e aprendizados que tiveram quando assistiram a animação. O amor pela série é tanto que elas coincidentemente acabam se encontrando em um imóvel que reproduz a famosa loja de magia, Maho-Do, presente na série. O encontro inesperado faz emergir uma forte dinâmica de identificação e assim começa a construção de uma amizade, onde juntas vão desbravar seus desafios pessoais.
Olha, me surpreendi muito com esse filme comemorativo. Ele foge do óbvio, eles não vão direto na fonte da série, as bruxinhas, mas recorre a pessoas que foram atravessadas pela animação em sua infância. Logicamente isso aproxima o público, em sua maioria hoje adultos. Ojamajo Doremi não nega que seu público envelheceu e concede nesse longa uma aproximação genuína com ele, mostrando os percalços, todas as dúvidas da vida adulta, as dificuldades e os ressentimentos que só os adultos podem saber como é. E no fim, a magia, a nostalgia de um desenho infantil que ajudou a constituir o imaginário de uma geração também comparece, mas de uma forma a acalentar a vida do público adulto. É como se estivessem dizendo, a magia é toda essa relação de autoconhecimento, cuidado e empatia que encontramos no outro e de alguma forma mantém nossas crianças vivas. Talvez não tão mais ingênua, mas ainda assim cheia de sonhos que fazem valer a pena.