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Dave é um criminoso de segunda categoria que atua na área do East End de Londres. Quando suas ações custam a vida de Tarik, seu melhor amigo, ele é tomado por remorso e vergonha. Enquanto o Islã abre uma porta de saída, a antiga vida de Dave volta para assombrá-lo e fazê-lo questionar a própria fé.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Filmes de Gângsters britânicos são invariavelmente "um pé no saco!". De vez em quando aparece um para lutar por este subgênero ultimamente tão castigado na terra da Rainha.
É o caso desta trama que é uma mistura de filme de gângster com um estudo de personagem que busca sua filosofia interna. É um projeto ambicioso que ocasionalmente se sente desconfortável. Pois, está lotado até o teto de questões sociais e espirituais.
O protagonista Dave (interpretado com intensidade por Frederick Schmidt) é a verdadeira face da Grã-Bretanha multicultural; sua família é disfuncional e versada por gângsters, e seu melhor amigo é um rapper de origem muçulmana. É pontilhada com clichês do gênero por toda parte, mas o diretor Andrew Hulme consegue marcar pontos ao explorar caminhos normalmente não vistos em filmes de gângster britânicos. Evoca um despertar espiritual que oferece momentos de silêncio, e introspecção que podem incomodar parte do público.
É uma tentativa admirável de mesclar comentário social com uma trama sobre crime e redenção, sem recorrer a julgamentos morais baratos. O resultado final pode ser falho, mas é igualmente intrigante.
Snow in Paradise (2014) seria um drama britânico com cara setentista se não houvesse o uso do Islamismo como ponto de redenção do protagonista Dave (Frederick Schmidt), um peixe pequeno no oceano do crime chefiado por seu tio, que desce uma espiral de consumo de drogas e violência até reencontrar-se na citada religião. A propósito, se há algo que Snow in Paradise sugere é que poderia ter sido estrelado por Tom Hardy e Michael Caine há alguns anos, tamanha a semelhança de Schmidt e David Spinx com os citados. Mas esta curiosidade não tem nada a ver com esse interessante estudo de personagem, estreia na ficção do montador Andrew Hulme (Control, Um Homem Misterioso), que não sucita comentários do tipo "casa de ferreiro, espeto de pau" pois os talentos deste vêm a serviço da narrativa para ir e vir no tempo e ilustrar as alucinações do protagonista ao invés de investir no decurso linear da ação. Faz sentido já que nos põe na cabeça do protagonista e em tudo que lhe cerca.
Em contrapartida, Hulme denuncia sua origem na escolha de ângulos inusitados da câmera que nada auxiliam a narrativa a contar sua história (para que os contra-plongés?). Hulme também equivoca-se na direção de atores quando parece exigir de Schmidt uma composição mais exagerada da que o ator pode entregar sem parecer forçado - e há cenas que Schmidt está esforçando-se em atuar, curvando o corpo mais do que o necessário, respirando de forma ofegante com a boca aberta etc. Mas por mais que a inexperiência cobre seu preço, Snow in Paradise tem solidez penetrante para nos manter ligados até o longo plano final.