"Sobre Cabelos" convida a interpretação do espectador de maneira bem sutil, utilizando elementos capazes de discutir a respeito da motivação do personagem central, claramente uma pessoa solitária que não admite ser o que é, e por consequência sua constante busca em se inserir no “grupo dos carecas”, no caso, uma alegoria a qualquer grupo social. O uso preponderante de cores brancas – para roupas e ambientes – remetendo ao vazio existencial do protagonista e a trilha sonora muitas vezes (propositalmente) incômoda complementam os elementos fundamentais para a acertada alegoria de "Sobre Cabelos".
Um filme minimalista. A obra preza por uma fotografia que impacta por conta dos tons brancos exacerbados e uma trilha que remete, levemente, a obra de Yann Tiersen, porém que se mantém uniforme. O diretor prezou por um projeto linear, os elementos não escapam do plano estabelecido, fato que demonstra uma característica mais branda, sem arrojos, porém trata-se de uma obra meticulosa. O filme soa como poesia, uma poesia mais ao estilo dos sonetos, do que Maiakovski , por exemplo. A forma definida é seguida plano a plano e, assim, Lincoln estabelece um dialogo calmo, tranquilo, com o espectador. Não posso falar aqui, afinal não conheço a obra do diretor por completa, que se trata de uma característica própria do autor, mas posso afirmar que a escolha estética foi feliz na medida em que conseguiu traduzir os sentimentos do enredo. Tal estória não poderia ser contada como Acossado de Godard, com excesso de jump cut, por exemplo. O roteiro cobrava uma direção branda, sem excessos e o diretor conseguiu, através da forma, um dialogo positivo. Fica a impressão boa e a curiosidade para conhecer os outros trabalhos.
"Sobre Cabelos" convida a interpretação do espectador de maneira bem sutil, utilizando elementos capazes de discutir a respeito da motivação do personagem central, claramente uma pessoa solitária que não admite ser o que é, e por consequência sua constante busca em se inserir no “grupo dos carecas”, no caso, uma alegoria a qualquer grupo social. O uso preponderante de cores brancas – para roupas e ambientes – remetendo ao vazio existencial do protagonista e a trilha sonora muitas vezes (propositalmente) incômoda complementam os elementos fundamentais para a acertada alegoria de "Sobre Cabelos".
Um filme minimalista. A obra preza por uma fotografia que impacta por conta dos tons brancos exacerbados e uma trilha que remete, levemente, a obra de Yann Tiersen, porém que se mantém uniforme. O diretor prezou por um projeto linear, os elementos não escapam do plano estabelecido, fato que demonstra uma característica mais branda, sem arrojos, porém trata-se de uma obra meticulosa. O filme soa como poesia, uma poesia mais ao estilo dos sonetos, do que Maiakovski , por exemplo. A forma definida é seguida plano a plano e, assim, Lincoln estabelece um dialogo calmo, tranquilo, com o espectador. Não posso falar aqui, afinal não conheço a obra do diretor por completa, que se trata de uma característica própria do autor, mas posso afirmar que a escolha estética foi feliz na medida em que conseguiu traduzir os sentimentos do enredo. Tal estória não poderia ser contada como Acossado de Godard, com excesso de jump cut, por exemplo. O roteiro cobrava uma direção branda, sem excessos e o diretor conseguiu, através da forma, um dialogo positivo. Fica a impressão boa e a curiosidade para conhecer os outros trabalhos.