Jook é uma garota que sempre sonhou em publicar seu próprio livro. Ela decide combinar seu sonho e os seus estudos ao planejar trabalhar em um projeto final - um periódico sobre comida no Japão - ao lado de sua melhor amiga Ann. Começa, então, uma viagem para completar seu sonho e seu destino é uma pequena fazenda na região japonesa de Saga. Entretanto, inesperadamente, Jook tem que ir para o Japão sozinha, porque sua melhor amiga decide deixá-la.
Na fazenda, Jook conhece Mhee, um gentil homem tailandês que deixou sua terra natal para viver e trabalhar no Japão por 3 anos. Mhee passa a ser como que uma babá de Jook, cuidando dela em suas necessidades, tornando-os cada vez mais próximos. Mas poucos sabem que seus sentimentos um pelo outro começam a crescer.
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Maravilhosa micro-série.
Gostei da sinopse não ter "entregado" que tanto a Jook quanto o Mhee eram comprometidos. Isso muda completamente a história. Trata-se de dois estranhos que vão ficar apenas algumas semanas juntos. Ela tem um namorado, ele uma noiva. Ele construiu uma vida nova no Japão, ela mora na Tailândia. Não há nenhuma chance de um envolvimento entre os dois dar certo. E os dois sabem muito bem disso. O que eles fazem? Se entregam lentamente à armadilha. A construção da atração é lenta, processual e suave. Ambos sabem o que está acontecendo, mas parecem negar pra si mesmos e pros outros. Mhee e Jook sabem que o momento da definição (a partida dela de volta à Tailândia e o iminente casamento dele) está chegando e seus sentimentos se confundem num amálgama de emoções conflituantes. Por um lado sofrem com o conflito ético-moral da infidelidade; por outro estão magnetizados um pelo outro de um modo que não podem resistir à atração; mas sabem que o final pode ser uma catástrofe se resolverem deixar tal atração seguir seu curso.
Num dos diálogos mais bonitos da série, Jook pergunta pra Mhee se ele usaria uma máquina do tempo pra ir ao passado e mudar algo que tenha feito de errado. Ele responde que preferiria ir para o seu futuro. Jook retruca: "Mas e se tu fosse pro futuro e descobrisse algo ruim, voltaria para o passado para consertar?". Depois de hesitar, ele responde que sim. É um diálogo simbólico, pois eles sabem que se encontram num momento crucial de suas vidas. O que eles estão prestes a fazer irá definir suas vidas no futuro.
De um lado há a segurança, a estabilidade, a razão; do outro há a paixão inconsequente, o desejo de viver a vida sem pensar no amanhã, a pura adrenalina. O mais corajoso do roteiro foi o final. Ambos optam pelo amor racional, pelo amor construído lentamente e não pelos arroubos da paixão. Num tempo em que os filmes costumam optar sempre pelo amor impulsivo que é resultado de alguma ação do "destino", foi um alívio ver algo um pouco diferente. O mais legal foi que a série demonstrou que optar pela segurança não é covardia. É necessário coragem pra tratar nossos desejos da maneira mais produtiva possível. Por mais que os romances de hoje coloquem a inconsequência e a entrega total aos desejos como a atitude mais correta e libertária, as coisas não são simples assim. A ética existe no amor também e nem sempre seguir todo e qualquer desejo resultará em satisfação. O final foi lindo, com ambos compreendendo que podiam encontrar a satisfação no que os dois já tinham antes. A relação dos dois não foi em vão, é claro, pois aprenderam muito um com outro, inclusive a valorizar a vida que eles tinham antes de se encontrarem.
Não poderia deixar de finalizar sem falar da dupla Jeang-Mean, que foi além dos bons momentos cômicos e nos brindou com cenas dramáticas muito bonitas. A presença dos dois engrandeceu ainda mais a série. Insisto que todos assistam "Stay" e reflitam também sobre amor, ética, desejo e liberdade. E deliciem-se com as lindas imagens do Japão (que país bonito, caraca!) e com a bela trilha sonora. Não deixem de conferir a música do grupo Getsunova que toca no final do último episódio, é linda!