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Um dia qualquer na vida de dez habitantes da cidade de Havana, localizada em Cuba. O dia-a-dia da cidade, mostrando a diversidade dos grupos sociais que existem e que formam várias cidades em uma só.
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COTIDIANO IMORTALIZADO EM CELULOIDE
Sua imersão no documentário de tipo 'sinfonia urbana' produzido pelo Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC) vai depender bastante da sua relação afetiva com o povo daquela ilha caribenha. No meu caso, nem teria como ser diferente: sou apaixonado por Havana desde que a visitei em outubro de 2015, com Fidel ainda vivo, ocasião na qual acabei literalmente invadindo o ICAIC e tive que sair de lá quase na base do puxão de orelha, tamanho o meu interesse em descobrir como funcionava aquele instituto.
Quem for assistir "Suite Habana" esperando encontrar um documentário sobre a revolução ou com um viés turístico vai quebrar a cara. A Plaza de la Revolución, por exemplo, não aparece por um segundo sequer. O máximo que há de 'turístico' nos 80 minutos do filme é a estátua de John Lennon no banco, que aqui é usada para fins líricos.
Ao invés de partir para a seara do turismo ou da política, o diretor Fernando Pérez tentou - e conseguiu - fazer um filme sobre o cotidiano comum dos havanos, de diversas idades, interesses, sonhos e motivações (muitas delas surpreendentes). É um retrato carinhoso dos 'tipinhos toscos do chão de fábrica' que enojam nossos coxinhas brasileiros como enojavam os antigos magnatas capitalistas daquela ilha, antes que estes fossem expurgados pela revolução de 1959. Os antigos cortiços (muitos corroídos pelo tempo) e a modéstia dos móveis, que sem dúvidas vão apavorar os medioclassistas mais afrescalhados, estão ali. O cubano vive nos padrões de consumo da nossa classe média-baixa, porém com padrões de vida relacionados a segurança, saúde e educação invejáveis em toda a América Latina.
Na sua simplicidade, tanto do filme em si quanto do povo cubano, o singelo documentário capta em pequenos sub-temas o dia a dia daquelas pessoas: a ida à escola, as tarefas domésticas, os shows de danças (o cubano é um ser musical), uma visita ao cemitério, a hora do almoço compartilhada por muitas bocas e garfos (e lá eles comem arroz e feijão, como nós), o banho, o trabalho, a volta pra casa num cochilo dentro do ônibus, a chuva que varre Havana e torna o mar nas proximidades do malecón turbulento. E tudo feito com grande atenção na montagem (que sempre lida com pelo menos dois 'personagens' simultaneamente) e a atenção para os detalhes em imagens e efeitos sonoros, como sons de passos e turbinas de avião, sempre usados de forma poética e em perfeita sintonia com a narrativa.
Muito bom apesar da tristeza que transmite. Também fiquei revoltada com as cenas dos idosos trabalhando para poder complementar a renda e por saber o quanto se maltrata o povo em um lugar que foi moldado no tempo através de ideais utópicos de igualdade e bem estar social. Pena que perdi o início do filme, mas assim que tiver oportunidade eu assisto de novo.
pra um filme totalmente sem diálogos, podia ser um pouco mais curto. mas é interessante, desconstruiu uma imagem romântica q eu tinha da cidade. uma amiga q foi numa brigada humanitária pra lá me descreveu algo bem mais inspirador, alegre e belo. me doeu ver aquele monte de idosos trabalhando horrores mesmo depois de aposentados, com as casas mal cuidadas. a única coisa q me impressionou positivamente foi a independência do menininho down, mas isso n tem muito a ver com a cidade, né.
Uma chance de conhecer a realidade cubana e tirar suas conclusões.
Bem legal!