Após 32 anos em exílio na então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, um velho comunista retorna à Grécia, mas evita contar o passado aos seus familiares. Seu objetivo é viajar para Cythera, mas seu caminho errático pode prejudicá-lo.
Viagem a Citera é um ótimo exemplo de como a técnica deve servir à proposta cinematográfica, e não o contrário. A técnica, com suas variações e nuances, nada mais é do que uma ferramenta que servirá ao artista para que esse talhe sua obra. Aqui, assim como em outros de seus filmes, Angelopoulos novamente executa um trabalho quase historiográfico, analisando e, principalmente, explicitando uma condição de um determinado local no tempo. Com isso, sua direção, juntamente da composição fotográfica do longa, está muito mais preocupada em exibir as características e a história de um lugar, do que propriamente dos agentes que ali habitam. Aqui, é o local que age sobre as pessoas. O ser humano é passivo. Poder-se-ia dizer sim que a obra de Angelopoulos trata de personagens e suas trajetórias, porém, antes de tudo, ela trata verdadeiramente de locais, e poder notar isso em sua técnica cinematográfica é o que torna a obra tão rica. __________________ Nota: 4,1/5
O primeiro clássico absoluto destruidor de almas da carreira de Angelopoulos.A melancolia vem impregnada nos personagens e lugares.Um ensaio perfeito para "Paisagem na Neblina".A trilha sonora ainda mexe com minha cabeça.
Mais uma vez, Angelopoulos expõe um personagem atormentado porque não conseguiu conciliar durante sua vida a militância política ou o engajamento artístico e intelectual com a vida pessoal (os cineastas A de Ulysses Gaze e Poeira do Tempo, o escritor Alexandre de Eternidade e Um dia) mas este Spyros de Viagem a Cítera tem algo mais insólito e um mistério maior que o aproxima do escritor-político e depois exilado místico de Passo suspenso da cegonha e do Spyros de Apicultor, como se estivesse consolidado em seu autoexílio interior e não sente a culpa pelo fracasso pessoal como os outros personagens acima citados entre parenteses. Nestes três filmes o mistério contemplativo destes personagens é transferido para as esposas (em Viagem a Cítera e o Apicultor) e à comunidade de exilados albaneses (Passo suspenso da cegonha). Não se coloca uma culpa interior nestes personagens para estes três filmes, como nos outros se instala uma cobrança interior e interpessoal pelo dano provocado à falta de conciliação entre as esferas pessoal e utópica do personagem. Mas sempre Angelopoulos em seu humanismo poético, constata a ausência de conciliação como um problema universal do mundo em desajuste que motiva o sujeito a não imergir apenas em sua vida pessoal, pagando um preço alto, e o diretor nunca exibe isso como uma culpa do personagem em si, por mais que sofram esse processo.
Viagem a Citera é um ótimo exemplo de como a técnica deve servir à proposta cinematográfica, e não o contrário. A técnica, com suas variações e nuances, nada mais é do que uma ferramenta que servirá ao artista para que esse talhe sua obra. Aqui, assim como em outros de seus filmes, Angelopoulos novamente executa um trabalho quase historiográfico, analisando e, principalmente, explicitando uma condição de um determinado local no tempo. Com isso, sua direção, juntamente da composição fotográfica do longa, está muito mais preocupada em exibir as características e a história de um lugar, do que propriamente dos agentes que ali habitam. Aqui, é o local que age sobre as pessoas. O ser humano é passivo.
Poder-se-ia dizer sim que a obra de Angelopoulos trata de personagens e suas trajetórias, porém, antes de tudo, ela trata verdadeiramente de locais, e poder notar isso em sua técnica cinematográfica é o que torna a obra tão rica.
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Nota: 4,1/5
O primeiro clássico absoluto destruidor de almas da carreira de Angelopoulos.A melancolia vem impregnada nos personagens e lugares.Um ensaio perfeito para "Paisagem na Neblina".A trilha sonora ainda mexe com minha cabeça.
>Assistido em 30 de Agosto de 2022
-Dou nota 9/10
a musica ainda está ecoando na minha cabeça, parece uma marcha fúnebre.
Mais uma vez, Angelopoulos expõe um personagem atormentado porque não conseguiu conciliar durante sua vida a militância política ou o engajamento artístico e intelectual com a vida pessoal (os cineastas A de Ulysses Gaze e Poeira do Tempo, o escritor Alexandre de Eternidade e Um dia) mas este Spyros de Viagem a Cítera tem algo mais insólito e um mistério maior que o aproxima do escritor-político e depois exilado místico de Passo suspenso da cegonha e do Spyros de Apicultor, como se estivesse consolidado em seu autoexílio interior e não sente a culpa pelo fracasso pessoal como os outros personagens acima citados entre parenteses. Nestes três filmes o mistério contemplativo destes personagens é transferido para as esposas (em Viagem a Cítera e o Apicultor) e à comunidade de exilados albaneses (Passo suspenso da cegonha). Não se coloca uma culpa interior nestes personagens para estes três filmes, como nos outros se instala uma cobrança interior e interpessoal pelo dano provocado à falta de conciliação entre as esferas pessoal e utópica do personagem. Mas sempre Angelopoulos em seu humanismo poético, constata a ausência de conciliação como um problema universal do mundo em desajuste que motiva o sujeito a não imergir apenas em sua vida pessoal, pagando um preço alto, e o diretor nunca exibe isso como uma culpa do personagem em si, por mais que sofram esse processo.
A cena da dança no cemitério é poesia em forma de vídeo!