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Após o colapso em seu relacionamento, uma famosa atriz e seu marido diretor são sequestrados pelo ditador coreano obcecado por cinema Kim Jong-il.
Forçado a fazer filmes no país mais estranho do mundo, o casal recebe uma segunda chance no amor, mas apenas uma chance de escapar.
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História espetacular. O documentário, em si, poderia ser um pouco melhor e mais explicativo, acho que faltam muitas coisas e ele opta por umas elipses que, às vezes, não dá pra entender o porquê. E o uso das imagens, do que é filme do Shin Sang-Ok e o que são imagens de arquivo, como aquelas fotos existem, de onde as fotos e as imagens vêm, porque são exibidas... O documentário simplesmente não dá nenhuma dessas informações, parece servirem apenas para a contemplação mesmo. Mas não acho os depoimentos duvidáveis em momento algum, e o filme cumpre seu papel de mostrar um dos lados - o único possível, vale dizer - desse acontecimento tão bizarro que foi o sequestro dos dois. E, como o diretor parece bem saber, tudo sobre esse assunto é deveras fascinante.
BASTIDORES INSÓLITOS
Quando assisti o folclórico e hoje cult "Pulgasari", nada menos que uma tentativa norte-coreana de entrar na onda dos filmes kaiju e fazer propaganda ao mesmo tempo, comentei no Filmow que os bastidores bizarros daquele longa-metragem mereciam outro longa só pra eles. E é justamente isso que esse documentário da BBC - sempre uma fonte suspeita, politicamente falando, pra tratar desse assunto - buscou realizar.
Dão uma forçada gigante em vários momentos e claramente elegeram Kim Jong-Il, pai do atual líder da Coreia do Norte, pra ser o 'vilão' da narrativa - o que já deixam claro logo no título maniqueísta (cuja tradução seria "Os Amantes e o Déspota"). Tratam as gravações em áudio do diretor (supostamente) sequestrado Shin Sang-ok como 'prova irrefutável e bombástica da maldade dos Kim', sendo que, afinal, não há nada de tão grave e malicioso, ao menos do que pude ouvir, nas falas divulgadas. Também a atriz levada pra Coreia do Norte junto com Shin, Choi Eun-hee, bem como seus filhos, dão uma 'floreada' inacreditável nos depoimentos. E o que dizer das tentativas de ver como motivação pra Jong-Il o fato de ser 'frustrado por ser mais baixo que o pai' ou coisa do naipe? Baixaria... Fora que toda a história da 'fuga', contada pela atriz, é muito mal explicada. Não é a toa que tanta gente, até hoje, tem dificuldade em acreditar. Mas o filme claramente ouve um lado só e o toma como verdade.
Com todas essas ressalvas políticas e intelectuais ao documentário da BBC, pra quem - como eu - é curioso com os pormenores desse 'causo' intrigante do cinema mundial, acaba valendo a espiada. Conseguiram entrevistar a hoje nonagenária Eun-hee, o que por si só é uma façanha. E descobrimos um monte de detalhes sobre a vida do casal antes do suposto sequestro, como que eles já estavam em via de separação antes da ida pra Coreia do Norte e o Shin era metido a gostosão, dando puladas de cerca com uma atriz mais nova e achando que ia fundar uma Hollywood sul-coreana.
E por mais que tentem demonizá-lo, a figura em si de Jong-Il traz algo de irreversivelmente simpático a qualquer um que for cinéfilo: ele é perdidamente apaixonado pela sétima arte (o festival de cinema de Pyongyang só existe por causa dele!) e, afinal, achou sinceramente que podia ajudar a revolução por essa via. Era fã inveterado do casal, a ponto de se deslumbrar quando os viu pessoalmente. E o último fruto dessa parceria, ao que parece, 'forçada' entre Jong-Il e Shin foi justamente a aparição do 'camarada Godzilla' no curioso e divertido (apesar de completamente datado) "Pulgasari".
Eu já tinha ouvido falar dessa história do ditador norte-coreano ter sequestrado cineasta para fazer filmes, mas achava que era lenda urbana. Que troço doido. Mas também fiquei com o pé atrás: as caras deles nas fotos na Coréia do Norte, o tom de voz nas gravações e o depoimento da atriz não convenceram, pois não transpareceram em nenhum momento alguma tensão ou arrependimento sincero. Essa história ainda vai render, principalmente depois da queda desse regime anacrônico.
Mas que é uma boa história, isso é.
Parece ficção