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Sakura, órfã japonesa de 11 anos, viaja ao Irã com seu pai, Makoto, em busca de um tapete, uma das riquezas do Irã, que fora o último esboço feito por sua mãe e serviria aos festivais de sua cidade. Essa viagem, cheia de significado emocional para pai e filha, vira um pandemônio, quando se descobre que nenhum fio de lã fora tecido, pois o responsável havia se esquecido da encomenda.
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Gente, que coisa mais linda este filme!
Já nos créditos iniciais fiquei com os olhos cheios de lágrimas. Um mix de música japonesa e persa, mais créditos alinhados de atores japoneses e persas. Sem mais e nem menos, exaltando ao mesmo tempo este dois grandes e belos países. Como um filme tão lindo como este pode ser tão desconhecido? De 2003, mas parece que ficou esquecido, ao menos pelas bandas do mundo Ocidental. Filmes como este deveriam servir de exemplo, inspiração, uma verdadeira lição de tolerância e respeito. A cena de um cidadão japonês fazendo reverências budistas dentro de uma imensa mesquita deveria servir de exemplo para o Mianmar, num caos de intolerância. E por que não a nosso Brasil e ao mundo?
Amor, amizade, cooperativismo, sensibilidade, costumes, crenças, tradição, intercâmbio, cor, arte, poesia, música, e muitos mais. Tudo isso resume ainda pouco do que “The wind carpet” mostra. Uma união dos dois maiores produtores cinematográficos da Ásia, com exceção da Índia e creio que Coreia do Sul. Irã e Japão se unem num mesmo filme com um único propósito: mostrar a antiga tradição dos tapetes persas. Mas vai além disso. A cidade de Isfahã como locação do filme foi perfeita, sem dúvidas, a mais bela cidade persa. Os enquadramentos são lindos, muitas cenas memoráveis. A arte que quebra fronteiras. Muitas vezes não precisamos entender uma palavra sequer de uma língua, mas vemos o afeto transmitido pelo olhar, toque ou sorriso. Achei incrível mostrar a hospitalidade real do povo iraniano, não é mera melação, quem viu o Globo Repórter recentemente mostrando este povo acolhedor, sabe que isso não é exagero. Juro que ficarei com este filme por muito tempo na cabeça. Com os rostos lindos de Sakura e Rouzbeh. A cena exuberante de duas mulheres a tear o tão belíssimo tapete como se compusessem uma canção, suas linhas como que representando as cordas de uma harpa, foi uma das coisas mais perfeitas que já vi na sétima arte. E no fim, não pude deixar de fazer um pedido também no último nó do tapete.
Obrigada, MKO. Sem o trabalho destes verdadeiros cinéfilos acho que nunca veria, nem conheceria obra tão simples, mas poderosíssima.