Bem antes das produções: a megalomaníaca de James Cameron de 1997, a Hollywoodiana de 1953, a britânica Somente Deus Por Testemunha de 1958, foi realizada uma caríssima versão de Titanic pela Alemanha nazista de Hitler, em plena Segunda Guerra. Este Titanic teve como produtor executivo Willy Reiber, da Tobis Film Company, de Munique, com um orçamento exagerado. A maioria das cenas foi filmada a bordo do luxuoso transatlântico alemão Cop Arcona, que estava ancorado no mar Báltico, no porto de Gdingen. Logo durante os primeiros dias de filmagens, o diretor Herbert Selpin teve sérios atritos com alguns oficiais da marinha alemã, que queriam praticar orgias com as atrizes no set de filmagem. Com muito esforço, o produtor conseguiu evitar que Selpin fosse preso antes do final das filmagens. Ao finalizar o filme, Selpin foi preso pela Gestapo e alguns dias depois morreu, estranhamente. Sua morte foi motivo para o primeiro grande movimento de protestos, entre a comunidade do cinema alemão e os métodos do III Reich. Na noite anterior a sua estreia, o cinema onde seria exibido o filme, sofreu um ataque aéreo. Chateado com o fato Goebbels baniu o filme – alegando que a proibição foi para acalmar os ânimos dos alemães. Sob suas ordens, o negativo do filme e as cópias existentes foram escondidos em um galpão secreto. Acreditou-se que o filme estava perdido, até que, em 1949 o negativo foi misteriosamente encontrado.
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Megalomaníaco para os padrões da época e lugar (a Alemanha Nazista em plena 2a Guerra Mundial), hoje soa datado, com um patético roteiro ideologizado (demonizando a Inglaterra como nação sedenta por lucro) e atuações em nível de teatrinho escolar.
Curiosidade mórbida é que no filme os alemães demonizam os ingleses como inescrupulosos e irresponsáveis, os culpados pelo naufrágio do Titanic. Obviamente existiram pessoas com culpa, independente de nacionalidade, mas como fica bem explícito no fim, a propaganda ideológica fecha tudo no estereotipo de "os ingleses", que também dão jeito de se safar da culpa na justiça, indignando quem assiste o filme em seu desfecho. E os produtores colocaram até a rainha inglesa no navio, mostrando-a também como irresponsável, já que nada fez ante as heroicas e honestas tentativas de um oficial alemão em avisar a ela, ao capitão e ao dono do Titanic o desatino que estava acontecendo na tentativa de bater recorde de velocidade em região com perigo de colisão com icebergs.
A curiosidade mórbida é que o navio que foi usado como cenário (Cap Arcona) teve fim trágico como o Titanic, três anos depois do lançamento do filme, por estratégia perversa dos nazistas (e aí fecho neles com convicção, sem ser propaganda ideológica, pois foi fato histórico). Estes o transformaram numa espécie de campo de prisioneiros flutuante (alguns historiadores chamam de tentativa de queima de arquivo no avançar das tropas aliadas) expondo-o à mira da artilharia inimiga, salvando-se apenas alguns nazistas pela ajuda de compatriotas.
O filme em si, apesar de inusitado na trama (em que sobrou até para os cubanos, pois o personagem da ilha é um inescrupuloso ladrão) tem as cenas do naufrágio emocionantes, mesmo com as limitações técnicas da época (1943).
Valeu a conferida em 08/12/23, está disponível legendado no YouTube.
filme excelente .
O filme do Titanic alemão, ou o Titanic nazista. Não há menções diretas a isso, sendo na verdade uma tentativa de criticar os ingleses/americanos como gananciosos que só querem dinheiro, enquanto o alemão é o herói incompreendido. A trama toda do filme parte disso, até criam um personagem alemão pra ser o mocinho. Muitas cenas as conversas se resumem a negócios e ações a ponto de cansar de tanto que batem na mesma tecla. Tentando mostrar o poder do cinema alemão, conseguem alguns momentos bons, como as cenas dos tripulantes tentando sobreviver, mas tb deixam a desejar em outros com a falta de emoção, como a cena do impacto do iceberg que é bem tanto faz.
Curiosidades: O diretor foi preso durante a produção e encontrado morto logo depois. O filme foi o primeiro a se chamar apenas "Titanic". Também é considerado o primeiro a unir ficção e fato sobre o caso. Foi encomendado pelo ministro da propaganda nazista, mas tb foi proibido pelo próprio posteriormente. Algumas cenas do longa foram gravadas no navio Cap Arcona, que posteriormente sofreu um ataque durante a guerra que resultou numa tragédia com milhares de vítimas, bem mais que no Titanic. Algumas tomadas foram reutilizadas no filme "A Night to Remember". O History chegou a exibir um documentário sobre esse filme.
Não conhecia esse filme e o descobri por acaso. Não conhecia as escabrosas situações de bastidores e fiquei chocado ao descobrir tudo o que aconteceu, após a sessão. Típico do Nazismo, infelizmente. Porém, durante a sessão, estranhei o que motivou o maquiavélico ministro a interessar-se por essa trama, até o letreiro final, que deixará ainda mais intrigado quem jura que o Nacional-Socialismo foi um regime de esquerda. Na verdade, há muita coisa parecida com o que vi na ótima versão do James Cameron (de todas as versões, é a quem mais se parece com a superprodução oscarizada), exceto pela falta de justificativa para que todos os personagens falem alemão. Até que ficamos intrigados com o excesso de abnegação do oficial Petersen. E toda a perniciosidade ideológica deste enredo fica evidente. Não é um filme ruim, aliás. Mas impessoal, frio, oportunista na criação de um herói à beira do estoicismo naval... Para quem está sofrendo com os ataques contínuos do bolsonarismo, ver este filme serve como testemunho involuntário do quão pior tudo pode ficar se o demônio for reeleito! :( - WPC>