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Data de lançamento
27 Abril 2004Duração
O diretor do documentário, Pieter Fleury, segue a vida de uma família que vive em Pyongyang. Sem narração adicional, você pode fazer a sua própria mente sobre o significado das imagens que você vê na cidade norte-coreana de elite.
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Filme que busca encontrar traços de capitalismo e símbolos tão icônicos da cultura ocidental americana (as aulas de inglês, o discurso de produtividade, a fábrica têxtil) como maneira de denunciar uma certa hipocrisia na ideologia da Coreia Popular, mas faz isso com a pose de estar estudando e desvendando aquele povo e aquela cultura. Contudo, em nenhum momento o filme tenta ir além da superfície e das primeiras impressões que concebemos daquelas pessoas. É um filme que diz capturar a realidade de uma nação reclusa que pouco conhecemos, mas não se esforça nem para conhecer melhor seus personagens.
Apenas uma pobre propagandinha liberal.
Vendo agora outros filmes, acho que dá pra classificar "Um Dia na Coreia do Norte" como uma 'sinfonia urbana', estilo "Berlim, Sinfonia da Metrópole".
PYONGYANG SEGUNDO OS HERDEIROS DE BOSCH
Certa vez li numa entrevista de Paul Verhoeven (na opinião deste humilde escriba, o melhor cineasta vivo) que os artistas holandeses possuem o hábito fundamental de lidar com o intuito de um realismo meticuloso em suas obras, sejam elas de ficção ou não. Como exemplo, ele citava um quadro chamado "O Filho Pródigo", que seu conterrâneo Hieronymus Bosch, pintor, retratou há cinco séculos atrás, no qual o autor não deixou escapar o detalhe de um homem urinando no fundo do bordel pintado em sua tela.
Não é por acaso, portanto, que uma das primeiras imagens deste documentário sobre a Coréia do Norte, dirigido pelo também holandês Pieter Fleury, é a de um cachorro urinando embaixo de um viaduto. É uma cena comum a qualquer centro urbano, de Nova York a São Paulo, um detalhe e nada mais; porém faz a diferença no tocante a tornar o todo mostrado pelos artistas mais realista, mais verossímil, mais próximo do cotidiano real daquele lugar.
É essa pegada mais discreta (simplesmente não há nenhuma narração em off ou letreiros, tão comuns em documentários sobre a DPRK), de realizadores contidos e que buscam os detalhes que compõem o cenário estudado - no caso, a Pyongyang dos primeiros anos do século XXI, ainda na era Kim Jong-Il - que dá o tom de "Um Dia na Coréia do Norte". Não escondem os problemas da cidade que porventura apareceram (os blecautes frequentes, os jovens que vão atrás dos poucos postes acesos nas ruas à noite para ler, as consequências da mutilação de uma acidentado do exército num dos relatos, etc), nem tampouco escondem os instantes bonitos, alegres ou apenas singelos de quem pega um metrô para ir trabalhar na fábrica e assim por diante. Os momentos nas aulas de inglês me pareceram particularmente espontâneos e verossímeis. Os norte-coreanos são, afinal, gente como a gente - por mais que a mídia dominante no Ocidente tente pintar como extraterrestres.
O filme tem limitações, evidentemente, e sabemos que mesmo com essa pegada mais pé no chão (inclusive evita o clichê de repetir o tempo todo apenas a relação dos norte-coreanos com seus 'líderes supremos', embora eles apareçam com frequência) não está isenta de grande medida de manipulação nem pelo próprio governo do país, nem pelos realizadores da Europa ocidental que dirigem e montam o filme na sala de edição. Mas não deixa de ser louvável que tenham segurado o ímpeto de fazer uma propaganda descarada (pró ou contra) e, ao invés disso, nos trazem alguns ecos espontâneos de Pyongyayng.
Grande documentário, com cidadãos reais em foco, totalmente imersos aquela realidade, o filme mostra o dia a dia na Coreia do Norte, que apesar de ser alvo de vários bloqueios comerciais, e problemas de infraestrutura persiste forte no trabalho, é transmitida uma perspectiva de vida totalmente diferente dos países de governo aberto, nos faz pensar que não existe o correto ou o errado, e que apesar de ser duramente criticado, a ideologia de igualdade ainda sim é muito forte, a consciência coletiva do comunismo em pequenas atitudes, como ao limpar as ruas, é algo muito distante de algumas culturas ditas "corretas", não cabe a nos julgar e somente, assistir e refletir.
Um filme feito para propaganda que te deixa horrorizado. Nem de perto chega de ter a genialidade de um Triunfo da Vontade, da Leni Riefenstahl. Mostra o dia-a-dia de uma família urbana da Coréia do Norte. Dentre as faltas de energia e atraso tecnológicos, mostra a falta de coneção do povo com a realidade, que ficam apenas tecendo louvores para o seus líderes deuses e culpando o "imperialismo ianque" pelas suas desgraças. Todas cenas aparecem a imagem do Kim Il Sum e Kim Jong Il, me faz lembrar o romance 1984: "The big brother watch you". Vale muito para quem quer entender como se realiza uma lavagem cerebal em massa.