Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme do cineasta iugoslavo Emir Kusturica mostra, com humor negro e em tom de fábula, a situação conflituosa de seus país. O filme conta a história de Marko, proprietário de uma fabrica clandestina de armas (o Underground do título) que usa policiais refugiados como mão de obra. Tudo começa na Segunda Guerra e, por amor de uma mulher, Marco mantém seus colegas refugiados por lá durante 20 anos
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Bom, mas é para um público muito seleto. Desejável um bom conhecimento de história europeia do séc. XX. Nota 7,0.
Genial!
"Essa história não tem fim."
Underground - Mentiras de Guerra. (Podzemlje. Alemanha/Bulgária/EUA/França/Hungria/Reino Unido/República Checa/Sérvia,1995).
Direção: Emir Kusturica.
Com: Miki Manojlović, Lazar Ristovski, Mirjana Joković, Slavko Štimac.
Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme do cineasta iugoslavo Emir Kusturica mostra, com humor (pois assim a ferida se abre) e em tom de fábula, a situação conflituosa de seu país em três épocas onde a guerra é a protagonista da história.
O filme conta a história de Marko, proprietário de uma fábrica clandestina de armas que usa policiais refugiados como mão de obra.
Somos levados ao centro do horror da guerra através do cinema fantástico de Kusturica. É um filme que permanece. Daqueles amargos de engolir. Genial.
Pom pom pom rom pom pom pom rom
Underground de pólvora!
Filme que tem um inegável valor artístico, mas não é para qualquer público, e nem é o tipo de cinema que aprecio, ainda quando procuro por filmes sobre fatos históricos.
A narrativa é exagerada, assim como soa estranho o humor ácido, sem falar da apresentação teatral ou circense, que torna cansativa a duração do filme (169 minutos).
A expressão “underground” significa “subterrâneo”, e pode ser usada para referir-se a uma cultura diferente dos padrões normais conhecidos pela sociedade e pela mídia.
Esse parece ser o inteligente sentido empregado no título do filme, conforme a intenção do diretor e dos produtores, pois para se admirar a trama é necessário saber um pouco da história e das particularidades do intrincado povo da antiga Iugoslávia, que compuseram uma irrequieta mistura ética de 1918 a 1992, com histórico de conflitos desde a Idade Média, quando os turcos muçulmanos dominaram a região dos Bálcãs, submetendo sérvios e croatas.
Vários povos de etnias e religiões diferentes que historicamente foram subjugados por vizinhos belicosos e poderosos: turcos, ao sul; germânicos, a noroeste; russos, ao nordeste!
O filme conta um pouco disso, dessa opressão e desse estado de coisas.
Primeiro, a criminosa ocupação sofrida da Alemanha de Hitler; depois, a oportunista dominação da Rússia de Stalin; por fim a inviabilidade da manutenção da Iugoslávia como nação unida e democrática, pelas divergências étnicas entre os diversos povos que a formavam:
Inicia-se a narrativa no ano de 1941, com os bombardeios e invasão dos nazistas alemães; a partir de 1944, com a vitória dos comunistas russos e dos aliados, implanta-se a ditadura socialista do General Tito, que duraria até a morte deste em 1980, e finalmente registra-se a tragédia iugoslava, a partir de 1992, após o corrupto e caótico governo de Slobodan Milosevic, quando houve a declaração de independência de Eslovênia e Croácia, seguida da sangrenta guerra civil (que terminaria só em 1995, quando foram criados vários estados independentes, pondo fim à antiga Iugoslávia).
Com estranhos e peculiares personagens (Marko é um amoral contrabandista de armas, filho do seu tempo, procura driblar as ideologias para se dar bem conforme mudam os cenários à sua volta; Petar Crni, um comunista fanático, emotivo e idealista, morre por suas causas; Natalija, uma atriz liberal e ingênua, sofre no ambiente masculino, mas segue à deriva, estimulada por paixões e emoções), o filme possibilita-nos saber que de longa data a região dos Bálcãs foi um UNDERGROUND de pólvora!
Tomara que, diferente do que se disse no final do filme, a história de guerras tenha chegado ao seu término.
Nota 7.