“Os Vingadores – A Era de Ultron”, muita ação, pouca emoção.
Os fãs de super-heróis estão contentes, nunca houve no cinema tantas adaptações do universo dos quadrinhos como nos últimos anos, o mercado cinematográfico reconheceu o potencial de tais produções e a rentabilidade que elas proporcionam. “Os Vingadores – A Era de Ultron” foi bem divulgado e despertou o interesse do público, muitos espectadores estavam esperando ansiosos a estreia do longa. Muita tecnologia, explosões, efeitos especiais, tudo na melhor qualidade possível, aquele formato puramente comercial realizado por Hollywood, mas a história protagonizada pelos heróis da Marvel se mostrou fraca na questão da trama, os acontecimentos que permeiam o roteiro não são empolgantes e a produção enfrenta um grande problema, a falta de humanização dos personagens, os traços psicológicos do Capitão América e sua turma não têm nada de profundo e muitas vezes se torna vaga as interações entre os protagonistas. Talvez o problema maior seja o fato de que os personagens sejam tão autossuficientes, que fica difícil montar um cenário em que exista uma motivação plena para a execução heroica de cada um, táticas de humanização foram utilizadas exacerbadamente, a narrativa da relação amorosa entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Hulk (Mark Ruffalo) se tornou “forçada”, o que ajudou muito neste quesito foi que o filme não tem um momento decisivo, de reviravolta, todo enredo patina e a alternativa de humanizar a equipe heroína fazendo com que ela enfrentasse seus respectivos medos e desenvolvesse atritos entre os membros da equipe, não movimentou em nada a história, o filme termina e começa da mesma forma, a não ser pela morte de um dos personagens (não vou dizer quem é para não contar o filme, porém é um secundário, não precisa lamentar, mas as cenas são tristes, mesmo que xoxas). Capitão América (Chris Evans) traz como sempre o arquétipo correto e forte da nação Americana, mesmo sem muitos atenuantes, é notório que ele é tido como um líder na equipe, vale lembrar que ele também enfrentou “os seus medos” sendo controlado por Wanda Maximoff (Elizabeth Olse) – Ela é a Feiticeira Escarlate, mas como nem tudo é amizade no mundo dos negócios, o nome da personagem não pôde ser usado, tal como também o seu irmão, o Mercúrio (Aaron J.), que no longa é chamado de Pietro Maximoff – e nem no cenário de turbulência psicológica ele se mostrou desesperado, sua desenvoltura foi mais para apática do que qualquer outa coisa, e fica claro que o que ele teme não é ser ele mesmo como aconteceu com os demais personagens que passaram pelo controle de mente e sim a conduta das pessoas em volta dele, sofrimentos demasiados que não partiam dele, mas que ele assistia e se colocava como parte (como um presidente que assiste os problemas sociais da sua nação). O Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) vem em seu melhor modelo – como sempre -, trazendo toda a ironia e ostentação americana, plenamente a caracterização do entretenimento formulado na cultura de massa desenvolvida no solo governado atualmente por Barack Obama. O Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) teve uma ótima funcionalidade no filme, talvez tenha sido o único personagem em toda a história que conseguiu atingir o ponto de humanidade intensamente trabalho na produção. Thor (Chris Hemsworth), como o de costume em meio aos Vingadores, tem a sua divindade nórdica reduzida para conceber uma familiarização e sintonia com os demais integrantes do grupo de bem feitores. O Visão (Paul Bettany), nos quadrinhos da Marvel esse personagem tem tantas aparições e explicações que a tarefa de defini-lo se torna complicada, mas ele aparece brando, tem participação ativa e pode ser considerado uma peça-chave na história. Ultron (James Spader – só a voz, porque o personagem é totalmente constituído tecnologicamente) tinha tudo para ser icônico, mas não foi, o argumento não conseguiu sustentar a discussão “máquina x humanidade”, “emoção x evolução” de forma digna e isso prejudicou a conduta do vilão no longa, de certa forma o Visão também ficou bastante lesado neste quesito, mas não tanto. Para psicanalistas que querem atender algum herói, o Hulk é uma ótima opção, afinal de contas ele se entrega ao inconsciente quando se transforma e se torna animalesco (a cor dele fala por si só, verde é uma das cores mais presentes na natureza... Natureza, animal, tudo a ver...). “Os Vingadores – Era de Ultron” é dirigido por Joss Whedon, tem ótima plástica, produção que verdadeiramente chama a atenção, trabalha de forma competente a linguagem de ficção científica, mas peca na estrutura psicológica dos personagens e na interação entre eles. Se por um acaso os fãs dos quadrinhos se rebelarem contra o filme, compreendo plenamente, eles têm motivos para isso!
Uma grande produção em minha opinião, principalmente na caracterização dos personagens e também dos cenários. O que me chamou a atenção foi a perspicácia de apresentar um herói mitológico nos moldes de um simples homem dono de uma força humana em maior escala, a trama lida com a dúvida sobre quem realmente foi Hércules, um simples mortal ou realmente o filho de um Deus, no caso, Zeus. E é a partir da capacidade de luta e resistência que o espectador pode acreditar no que quiser, tanto na versão fantástica apresentada pela mitologia, quanto na obviedade humana, especulando as grandes vitórias do herói como grandes feitos físicos, mas não como algo sobrenatural, eu particularmente fico com a primeira opção. A magia mitológica é quebrada através da apresentação de alguns acontecimentos na vida de Hércules, como por exemplo, a execução de seus doze trabalhos, mas o filme peca em alguns pontos, como por exemplo, nesta intenção de querer apresentar os feitos dele como fatos explicados humanamente, por isso mesmo a história do filme narra um acontecimento que envolve o herói e não de fato os acontecimentos narrados nas histórias mitológicas, o que colocou o filme em minha opinião como uma grande produção, mas a inovação sobre a estória não foi sensacional, apresentou uma perspectiva "morna" apenas (mesmo citando alguns acontecimentos narrados na mitologia como fatos ampliados por discursos míticos, narrativas construídas no filme pelo personagem de Iolaus, sobrinho de Hércules), afinal de contas, com a subjetividade o personagem Hércules se apresentou sem encanto, quando poderia ter sido enaltecido pelas narrativas mitológicas ou, se bem explicadas, como um homem singular, diferenciado nas questões físicas.
Neste fim de semana pude acompanhar no cinema o mais recente filme estrelado por Angelina Jolie, "Malévola", a produção da Walt Disney trouxe de forma adaptada o conto infantil "A Bela Adormecida". O foco da produção, como o próprio título deixa claro, é na vilã, a bruxa, ou melhor, na fada que se torna amarga após ser enganada por um humano. Ao acompanhar o enredo, que foi enaltecido pelos efeitos especiais, observei a ausência da identidade masculina, salvando é claro a causa de toda a reviravolta na trama, onde é ocasionada pela malícia e ganância representada pela figura do homem. "Malévola" mostra de forma enfatizada os dois lados historicamente tão abordados sobre a figura feminina, a grandiosa capacidade de amar, mas também a magnânima forma de odiar. Foi a mesma fada pura que também se tornou a personagem mais tenebrosa, obscura e depois, através da sensibilidade presente na conduta da mulher, ela volta a se purificar, fazendo justiça, desatando os próprios nós por ela amarrados. A princesa, a doce Aurora, descobre de quem é filha ao completar seus dezesseis anos, em curtas cenas ela demonstra o carinho pela figura paterna, mas na euforia do roteiro, em poucos minutos, ela se volta a favor da identidade feminina, desprezando o vínculo paterno, se tornando fiel aos seus sentimentos, afinal, durante toda a narrativa ela esteve interagindo com "Malévola". O amor eros não é abordado, o príncipe nem ao menos se torna encantador com sua aparência física, ele é apenas mais um personagem que "fala grosso" nos diálogos fantasiosos. Um filme de bom gosto, surpreendente ao fugir do padrão narrado pelo conto de fadas conhecido pela maioria das pessoas, uma produção mascarada de fantasia que mostra o poder de decisão da mulher dentro de uma comunidade.
Vingadores: Era de Ultron
3.7 3,0K Assista Agora“Os Vingadores – A Era de Ultron”, muita ação, pouca emoção.
Os fãs de super-heróis estão contentes, nunca houve no cinema tantas adaptações do universo dos quadrinhos como nos últimos anos, o mercado cinematográfico reconheceu o potencial de tais produções e a rentabilidade que elas proporcionam. “Os Vingadores – A Era de Ultron” foi bem divulgado e despertou o interesse do público, muitos espectadores estavam esperando ansiosos a estreia do longa.
Muita tecnologia, explosões, efeitos especiais, tudo na melhor qualidade possível, aquele formato puramente comercial realizado por Hollywood, mas a história protagonizada pelos heróis da Marvel se mostrou fraca na questão da trama, os acontecimentos que permeiam o roteiro não são empolgantes e a produção enfrenta um grande problema, a falta de humanização dos personagens, os traços psicológicos do Capitão América e sua turma não têm nada de profundo e muitas vezes se torna vaga as interações entre os protagonistas.
Talvez o problema maior seja o fato de que os personagens sejam tão autossuficientes, que fica difícil montar um cenário em que exista uma motivação plena para a execução heroica de cada um, táticas de humanização foram utilizadas exacerbadamente, a narrativa da relação amorosa entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Hulk (Mark Ruffalo) se tornou “forçada”, o que ajudou muito neste quesito foi que o filme não tem um momento decisivo, de reviravolta, todo enredo patina e a alternativa de humanizar a equipe heroína fazendo com que ela enfrentasse seus respectivos medos e desenvolvesse atritos entre os membros da equipe, não movimentou em nada a história, o filme termina e começa da mesma forma, a não ser pela morte de um dos personagens (não vou dizer quem é para não contar o filme, porém é um secundário, não precisa lamentar, mas as cenas são tristes, mesmo que xoxas).
Capitão América (Chris Evans) traz como sempre o arquétipo correto e forte da nação Americana, mesmo sem muitos atenuantes, é notório que ele é tido como um líder na equipe, vale lembrar que ele também enfrentou “os seus medos” sendo controlado por Wanda Maximoff (Elizabeth Olse) – Ela é a Feiticeira Escarlate, mas como nem tudo é amizade no mundo dos negócios, o nome da personagem não pôde ser usado, tal como também o seu irmão, o Mercúrio (Aaron J.), que no longa é chamado de Pietro Maximoff – e nem no cenário de turbulência psicológica ele se mostrou desesperado, sua desenvoltura foi mais para apática do que qualquer outa coisa, e fica claro que o que ele teme não é ser ele mesmo como aconteceu com os demais personagens que passaram pelo controle de mente e sim a conduta das pessoas em volta dele, sofrimentos demasiados que não partiam dele, mas que ele assistia e se colocava como parte (como um presidente que assiste os problemas sociais da sua nação).
O Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) vem em seu melhor modelo – como sempre -, trazendo toda a ironia e ostentação americana, plenamente a caracterização do entretenimento formulado na cultura de massa desenvolvida no solo governado atualmente por Barack Obama. O Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) teve uma ótima funcionalidade no filme, talvez tenha sido o único personagem em toda a história que conseguiu atingir o ponto de humanidade intensamente trabalho na produção. Thor (Chris Hemsworth), como o de costume em meio aos Vingadores, tem a sua divindade nórdica reduzida para conceber uma familiarização e sintonia com os demais integrantes do grupo de bem feitores.
O Visão (Paul Bettany), nos quadrinhos da Marvel esse personagem tem tantas aparições e explicações que a tarefa de defini-lo se torna complicada, mas ele aparece brando, tem participação ativa e pode ser considerado uma peça-chave na história. Ultron (James Spader – só a voz, porque o personagem é totalmente constituído tecnologicamente) tinha tudo para ser icônico, mas não foi, o argumento não conseguiu sustentar a discussão “máquina x humanidade”, “emoção x evolução” de forma digna e isso prejudicou a conduta do vilão no longa, de certa forma o Visão também ficou bastante lesado neste quesito, mas não tanto.
Para psicanalistas que querem atender algum herói, o Hulk é uma ótima opção, afinal de contas ele se entrega ao inconsciente quando se transforma e se torna animalesco (a cor dele fala por si só, verde é uma das cores mais presentes na natureza... Natureza, animal, tudo a ver...).
“Os Vingadores – Era de Ultron” é dirigido por Joss Whedon, tem ótima plástica, produção que verdadeiramente chama a atenção, trabalha de forma competente a linguagem de ficção científica, mas peca na estrutura psicológica dos personagens e na interação entre eles.
Se por um acaso os fãs dos quadrinhos se rebelarem contra o filme, compreendo plenamente, eles têm motivos para isso!
Hércules
3.0 790 Assista AgoraUma grande produção em minha opinião, principalmente na caracterização dos personagens e também dos cenários. O que me chamou a atenção foi a perspicácia de apresentar um herói mitológico nos moldes de um simples homem dono de uma força humana em maior escala, a trama lida com a dúvida sobre quem realmente foi Hércules, um simples mortal ou realmente o filho de um Deus, no caso, Zeus. E é a partir da capacidade de luta e resistência que o espectador pode acreditar no que quiser, tanto na versão fantástica apresentada pela mitologia, quanto na obviedade humana, especulando as grandes vitórias do herói como grandes feitos físicos, mas não como algo sobrenatural, eu particularmente fico com a primeira opção. A magia mitológica é quebrada através da apresentação de alguns acontecimentos na vida de Hércules, como por exemplo, a execução de seus doze trabalhos, mas o filme peca em alguns pontos, como por exemplo, nesta intenção de querer apresentar os feitos dele como fatos explicados humanamente, por isso mesmo a história do filme narra um acontecimento que envolve o herói e não de fato os acontecimentos narrados nas histórias mitológicas, o que colocou o filme em minha opinião como uma grande produção, mas a inovação sobre a estória não foi sensacional, apresentou uma perspectiva "morna" apenas (mesmo citando alguns acontecimentos narrados na mitologia como fatos ampliados por discursos míticos, narrativas construídas no filme pelo personagem de Iolaus, sobrinho de Hércules), afinal de contas, com a subjetividade o personagem Hércules se apresentou sem encanto, quando poderia ter sido enaltecido pelas narrativas mitológicas ou, se bem explicadas, como um homem singular, diferenciado nas questões físicas.
A Rainha dos Condenados
2.9 575 Assista AgoraPela trilha sonora, o filme é válido!
Smiley Face: Louca de Dar Nó
3.3 219Não curto muitos filmes de comédia, mais este, me cativou e me faz rir todas as vezes que assisto!
Malévola
3.7 3,8K Assista AgoraO espetacular feminismo de "Malévola".
Neste fim de semana pude acompanhar no cinema o mais recente filme estrelado por Angelina Jolie, "Malévola", a produção da Walt Disney trouxe de forma adaptada o conto infantil "A Bela Adormecida". O foco da produção, como o próprio título deixa claro, é na vilã, a bruxa, ou melhor, na fada que se torna amarga após ser enganada por um humano. Ao acompanhar o enredo, que foi enaltecido pelos efeitos especiais, observei a ausência da identidade masculina, salvando é claro a causa de toda a reviravolta na trama, onde é ocasionada pela malícia e ganância representada pela figura do homem. "Malévola" mostra de forma enfatizada os dois lados historicamente tão abordados sobre a figura feminina, a grandiosa capacidade de amar, mas também a magnânima forma de odiar. Foi a mesma fada pura que também se tornou a personagem mais tenebrosa, obscura e depois, através da sensibilidade presente na conduta da mulher, ela volta a se purificar, fazendo justiça, desatando os próprios nós por ela amarrados. A princesa, a doce Aurora, descobre de quem é filha ao completar seus dezesseis anos, em curtas cenas ela demonstra o carinho pela figura paterna, mas na euforia do roteiro, em poucos minutos, ela se volta a favor da identidade feminina, desprezando o vínculo paterno, se tornando fiel aos seus sentimentos, afinal, durante toda a narrativa ela esteve interagindo com "Malévola". O amor eros não é abordado, o príncipe nem ao menos se torna encantador com sua aparência física, ele é apenas mais um personagem que "fala grosso" nos diálogos fantasiosos. Um filme de bom gosto, surpreendente ao fugir do padrão narrado pelo conto de fadas conhecido pela maioria das pessoas, uma produção mascarada de fantasia que mostra o poder de decisão da mulher dentro de uma comunidade.