G-Saviour — O maior desafio de Mobile Suit Gundam no Universal Century
Assistir G-Saviour não é apenas ver um filme ruim. É uma experiência quase arqueológica para qualquer fã de Gundam.
A fama da obra faz muita gente entrar esperando um desastre técnico absoluto: CGI vergonhoso, mobile suits ridículos e uma produção amadora. Curiosamente, esse não é o verdadeiro problema do filme.
Para uma produção televisiva de 1999/2000, feita com orçamento limitado e focada em live-action sci-fi, os efeitos especiais são até honestos. Os mobile suits possuem bons designs e transmitem esforço visual ali. Existe tentativa.
O verdadeiro problema está no roteiro.
G-Saviour pega temas extremamente Gundam:
- crise alimentar espacial; - decadência da Federação; - corrupção política; - tensão entre colônias; - militarização; - manipulação de recursos.
Tudo isso poderia render um excelente thriller político dentro do UC. E por alguns momentos é possível enxergar o potencial escondido sob o filme.
Mas então a obra abandona o espírito Gundam para se transformar em uma aventura hollywoodiana genérica e mediocre dos anos 90.
O protagonista reage à perseguição política, acusações de assassinato e conspirações militares fazendo piadinhas e sorrindo como herói de filme de aventura. A trama monta sua “equipe de missão” de forma artificial, incluindo romances e triângulos amorosos que parecem existir apenas porque o roteiro acredita que precisava seguir uma fórmula hollywoodiana obrigatória.
E esse talvez seja o maior pecado de G-Saviour: ele parece ter vergonha de ser Gundam.
O Universal Century sempre tratou guerra como algo traumático, político e destrutivo. Personagens carregam culpa, paranoia, ideologias e consequências emocionais pesadas. Em G-Saviour, muitos conflitos parecem existir apenas para mover a próxima cena da aventura.
O filme não falha por ser de baixo custo. Fãs de Gundam aceitariam facilmente mobile suits feitos de papelão se a essência da franquia estivesse ali. O problema é que a obra frequentemente pensa como um sci-fi televisivo ocidental genérico, e não como Gundam.
Curiosamente, isso acaba tornando G-Saviour valioso de uma forma inesperada.
Ao assistir esse filme, o fã percebe o quanto as séries clássicas de Gundam são cuidadosas em sua construção política, emocional e psicológica. Mesmo obras antigas, limitadas por orçamento e animação, conseguem transmitir muito mais peso humano do que G-Saviour em toda sua duração.
No final, sobreviver a G-Saviour quase se torna um rito de passagem para quem deseja explorar todo o Universal Century.
Não é uma boa obra. Mas talvez seja uma obra importante para entender por que Gundam é tão especial quando funciona. E isso faz valer a pena assisti-la, mas apenas se você for fã da franquia e tiver força para resistir até o fim dessa jornada amaldiçoada, conquistando o título de quem sobreviveu a G-Saviour.
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G-Savior
2.2 1G-Saviour — O maior desafio de Mobile Suit Gundam no Universal Century
Assistir G-Saviour não é apenas ver um filme ruim. É uma experiência quase arqueológica para qualquer fã de Gundam.
A fama da obra faz muita gente entrar esperando um desastre técnico absoluto: CGI vergonhoso, mobile suits ridículos e uma produção amadora. Curiosamente, esse não é o verdadeiro problema do filme.
Para uma produção televisiva de 1999/2000, feita com orçamento limitado e focada em live-action sci-fi, os efeitos especiais são até honestos. Os mobile suits possuem bons designs e transmitem esforço visual ali. Existe tentativa.
O verdadeiro problema está no roteiro.
G-Saviour pega temas extremamente Gundam:
- crise alimentar espacial;
- decadência da Federação;
- corrupção política;
- tensão entre colônias;
- militarização;
- manipulação de recursos.
Tudo isso poderia render um excelente thriller político dentro do UC. E por alguns momentos é possível enxergar o potencial escondido sob o filme.
Mas então a obra abandona o espírito Gundam para se transformar em uma aventura hollywoodiana genérica e mediocre dos anos 90.
O protagonista reage à perseguição política, acusações de assassinato e conspirações militares fazendo piadinhas e sorrindo como herói de filme de aventura. A trama monta sua “equipe de missão” de forma artificial, incluindo romances e triângulos amorosos que parecem existir apenas porque o roteiro acredita que precisava seguir uma fórmula hollywoodiana obrigatória.
E esse talvez seja o maior pecado de G-Saviour:
ele parece ter vergonha de ser Gundam.
O Universal Century sempre tratou guerra como algo traumático, político e destrutivo. Personagens carregam culpa, paranoia, ideologias e consequências emocionais pesadas. Em G-Saviour, muitos conflitos parecem existir apenas para mover a próxima cena da aventura.
O filme não falha por ser de baixo custo. Fãs de Gundam aceitariam facilmente mobile suits feitos de papelão se a essência da franquia estivesse ali. O problema é que a obra frequentemente pensa como um sci-fi televisivo ocidental genérico, e não como Gundam.
Curiosamente, isso acaba tornando G-Saviour valioso de uma forma inesperada.
Ao assistir esse filme, o fã percebe o quanto as séries clássicas de Gundam são cuidadosas em sua construção política, emocional e psicológica. Mesmo obras antigas, limitadas por orçamento e animação, conseguem transmitir muito mais peso humano do que G-Saviour em toda sua duração.
No final, sobreviver a G-Saviour quase se torna um rito de passagem para quem deseja explorar todo o Universal Century.
Não é uma boa obra.
Mas talvez seja uma obra importante para entender por que Gundam é tão especial quando funciona. E isso faz valer a pena assisti-la, mas apenas se você for fã da franquia e tiver força para resistir até o fim dessa jornada amaldiçoada, conquistando o título de quem sobreviveu a G-Saviour.