O filme é um verdadeiro mind blow. Não apenas pelo enredo, mas por de certa forma abalar toda a forma como entendemos o comportamento da sociedade como um todo, incluindo nós mesmos.
Acho que merece destaque a simbologia do cachorro Moisés deixando de ser apenas parte do cenário e ganhando uma representação viva, assim como o que só ocorria com os humanos no filme.
Encontrei essa análise em um blog. Achei meio ousada mas me fez pensar bastante:
"A condenação se estende a toda a civilização ocidental, na qual já existe, antes do trabalhador assalariado moderno, um símbolo universal da redenção, que foi Cristo. (...) Grace evidentemente representa Cristo (...). “Dogville” não deixa de ser uma resposta à pergunta de todos os crentes religiosos: o que aconteceria se Cristo voltasse a viver entre nós? Provavelmente, aconteceria o que aconteceu com Grace: seria explorado, humilhado e maltratado até o limite, para ser finalmente entregue à morte. Grace, como dissemos, foi delatada por Tom aos gangsteres que a perseguiam. Mas, para surpresa geral, o gangster é seu pai. O gangster-mor é Deus. O diálogo de Grace com seu pai é o diálogo de Cristo com um Deus nietzscheano. Deus censura Cristo por sua arrogância. Cristo (Grace) se atreve a ser bom e puro e querer perdoar os homens apesar de toda a maldade que lhe fizeram. Esse Cristo sempre misericordioso se coloca assim num nível moral muito superior a toda a humanidade e isso parece ser inaceitável para Deus. Ou se julgam todos pelo mesmo padrão ou não haverá justiça. Os homens falharam com Grace e devem ser julgados pelo que fizeram. E eis que Grace acata seu pai e resolve julgar Dogville. Ela dá à cidade o que merece. A exemplificação pretendida por Tom finalmente atinge o espectador, como antecipamos. A sentença que Grace aplica a Dogville é a mesma que nós espectadores proferimos entredentes ao longo do filme. Ela realiza nosso desejo, ordenando a destruição da cidade. De maneira mais uma vez desconcertante, a heroína de pureza e santidade realiza o inverso do que se esperava, porque realiza nosso desejo de vingança inconfessável. O massacre moral a que Grace é submetida nos faz desejar, revoltados, indignados, cheios de santa ira, que Dogville seja destruída. Somos forçados a concordar que o mundo somente terá conserto quando todas as Dogville que o povoam forem destruídas. E ao desejarmos isso, “Dogville”, o filme, triunfa sobre nós, pois mostra como nosso humanismo se desfaz facilmente em ódio bárbaro." O texto é de Adalberto Ribeiro e foi retirado do site http://adalbertoprofessor.blogspot.com.br/2012/12/dogville-filme-completo-legendado.html
Pi
3.8 770 Assista Agoramathfuck!
Dogville
4.3 2,0K Assista AgoraO filme é um verdadeiro mind blow. Não apenas pelo enredo, mas por de certa forma abalar toda a forma como entendemos o comportamento da sociedade como um todo, incluindo nós mesmos.
Acho que merece destaque a simbologia do cachorro Moisés deixando de ser apenas parte do cenário e ganhando uma representação viva, assim como o que só ocorria com os humanos no filme.
Encontrei essa análise em um blog. Achei meio ousada mas me fez pensar bastante:
"A condenação se estende a toda a civilização ocidental, na qual já existe, antes do trabalhador assalariado moderno, um símbolo universal da redenção, que foi Cristo. (...)
Grace evidentemente representa Cristo (...). “Dogville” não deixa de ser uma resposta à pergunta de todos os crentes religiosos: o que aconteceria se Cristo voltasse a viver entre nós? Provavelmente, aconteceria o que aconteceu com Grace: seria explorado, humilhado e maltratado até o limite, para ser finalmente entregue à morte. Grace, como dissemos, foi delatada por Tom aos gangsteres que a perseguiam.
Mas, para surpresa geral, o gangster é seu pai. O gangster-mor é Deus. O diálogo de Grace com seu pai é o diálogo de Cristo com um Deus nietzscheano. Deus censura Cristo por sua arrogância. Cristo (Grace) se atreve a ser bom e puro e querer perdoar os homens apesar de toda a maldade que lhe fizeram. Esse Cristo sempre misericordioso se coloca assim num nível moral muito superior a toda a humanidade e isso parece ser inaceitável para Deus. Ou se julgam todos pelo mesmo padrão ou não haverá justiça. Os homens falharam com Grace e devem ser julgados pelo que fizeram.
E eis que Grace acata seu pai e resolve julgar Dogville. Ela dá à cidade o que merece. A exemplificação pretendida por Tom finalmente atinge o espectador, como antecipamos. A sentença que Grace aplica a Dogville é a mesma que nós espectadores proferimos entredentes ao longo do filme. Ela realiza nosso desejo, ordenando a destruição da cidade. De maneira mais uma vez desconcertante, a heroína de pureza e santidade realiza o inverso do que se esperava, porque realiza nosso desejo de vingança inconfessável.
O massacre moral a que Grace é submetida nos faz desejar, revoltados, indignados, cheios de santa ira, que Dogville seja destruída. Somos forçados a concordar que o mundo somente terá conserto quando todas as Dogville que o povoam forem destruídas. E ao desejarmos isso, “Dogville”, o filme, triunfa sobre nós, pois mostra como nosso humanismo se desfaz facilmente em ódio bárbaro."
O texto é de Adalberto Ribeiro e foi retirado do site http://adalbertoprofessor.blogspot.com.br/2012/12/dogville-filme-completo-legendado.html