O curta-metragem Ontem à Noite (2013), é uma produção alagoana de Henrique Oliveira, protagonizado por Roberto Rezende e Sílvio Leal Sarmento. A obra narra a história de Felipe e Vivian, que durante a madrugada, após um encontro amoroso, passam por um episódio aterrorizante que faz o público refletir sobre as motivações que cerca os desejos do ser humano.
[/spoiler] Vivian, mulher transexual, vive com sua mãe em uma casa simples, mas colorida, lugar onde divide seus sonhos e anseios sobre o futuro. Ela tem pretensões profissionais e deseja abrir um salão de beleza e ter um negócio de sucesso. A personagem apaixonada demonstra com seu olhar de ternura ao falar sobre seu namorado, a vontade de levar a relação adiante.
Felipe, jovem de classe média-alta, aparenta ter uma vida de solteiro regada a balada e drogas, mas na verdade mantém uma esposa grávida em casa enquanto vai ao encontro de Vivian. Em seu carro, ele a ouve murmurando sobre as situações que acontecem junto à seus clientes enquanto garota de programa, e em seguida fazem sexo intensamente.
Felipe não interage muito com sua parceira, mas, somos levados a sonhar com Vivian. Em alguns momentos podemos pensar que o jovem pode se importar com ela, mesmo em meio à uma relação conturbada. Entretanto, o que acontece no clímax da história pode ser uma resposta para alguns ou a abertura de mais questionamentos para outros.
Vítima de transfobia, Vivian reage ao assédio de alguns jovens que usam da força brutal para apagar todas as perspectivas que ela tinha para sua vida. Sem reação, Felipe de longe assiste a morte da sua amante e permite a fuga dos assassinos.
Ao chegar em casa, o rapaz parece passar por um momento de culpa e remorso. A cena intensa dentro do chuveiro, em que ele tenta se masturbar e não consegue é mais uma das sequências do curta que nos proporciona uma experiência agonizante.
O filme amplia os debates e vai além ao retratar o crime de ódio que mulheres transexuais sofrem diariamente. A ignorância que as exterminam, leva também desejos que nunca terão oportunidades de se realizar. A covardia de Felipe pode demonstrar não apenas seus sentimentos sobre Vivian, mas também o que ele sente sobre si. A não aceitação, o tabu sobre as relações não tradicionais, a perspectivas sobre a família. [spoiler]
“Ontem à Noite”, recebeu o Prêmio Guilherme Rogato da prefeitura de Maceió, e menção honrosa na 4ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano. O curta se mostra necessário para compor discussões e reflexões que permitam fomentar a luta contra a desigualdade e estimular a autocrítica e autoconhecimento.
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Ontem à Noite
4.0 1O curta-metragem Ontem à Noite (2013), é uma produção alagoana de Henrique Oliveira, protagonizado por Roberto Rezende e Sílvio Leal Sarmento. A obra narra a história de Felipe e Vivian, que durante a madrugada, após um encontro amoroso, passam por um episódio aterrorizante que faz o público refletir sobre as motivações que cerca os desejos do ser humano.
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Vivian, mulher transexual, vive com sua mãe em uma casa simples, mas colorida, lugar onde divide seus sonhos e anseios sobre o futuro. Ela tem pretensões profissionais e deseja abrir um salão de beleza e ter um negócio de sucesso. A personagem apaixonada demonstra com seu olhar de ternura ao falar sobre seu namorado, a vontade de levar a relação adiante.
Felipe, jovem de classe média-alta, aparenta ter uma vida de solteiro regada a balada e drogas, mas na verdade mantém uma esposa grávida em casa enquanto vai ao encontro de Vivian. Em seu carro, ele a ouve murmurando sobre as situações que acontecem junto à seus clientes enquanto garota de programa, e em seguida fazem sexo intensamente.
Felipe não interage muito com sua parceira, mas, somos levados a sonhar com Vivian. Em alguns momentos podemos pensar que o jovem pode se importar com ela, mesmo em meio à uma relação conturbada. Entretanto, o que acontece no clímax da história pode ser uma resposta para alguns ou a abertura de mais questionamentos para outros.
Vítima de transfobia, Vivian reage ao assédio de alguns jovens que usam da força brutal para apagar todas as perspectivas que ela tinha para sua vida. Sem reação, Felipe de longe assiste a morte da sua amante e permite a fuga dos assassinos.
Ao chegar em casa, o rapaz parece passar por um momento de culpa e remorso. A cena intensa dentro do chuveiro, em que ele tenta se masturbar e não consegue é mais uma das sequências do curta que nos proporciona uma experiência agonizante.
O filme amplia os debates e vai além ao retratar o crime de ódio que mulheres transexuais sofrem diariamente. A ignorância que as exterminam, leva também desejos que nunca terão oportunidades de se realizar. A covardia de Felipe pode demonstrar não apenas seus sentimentos sobre Vivian, mas também o que ele sente sobre si. A não aceitação, o tabu sobre as relações não tradicionais, a perspectivas sobre a família. [spoiler]
“Ontem à Noite”, recebeu o Prêmio Guilherme Rogato da prefeitura de Maceió, e menção honrosa na 4ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano. O curta se mostra necessário para compor discussões e reflexões que permitam fomentar a luta contra a desigualdade e estimular a autocrítica e autoconhecimento.