Tenho quase 60 anos e devia ter uns 7 ou 8 quando vi esse filme no cinema. Não sei como esse filme da então Tchecoslováquia comunista chegou ao Brasil da ditadura, mas felizmente chegou - e marcou minha infância e minha vida para sempre. Na mesma época, os tchecos também mandaram para cá umas apresentações do seu famoso teatro de luz e sombras Laterna Magika - uma espécie de Cirque du Soleil com menos recursos, mas também mais sutil e refinado, e lindo. Para quem viu as duas coisas, como eu, é fácil ver a ligação e a presença da paradoxal tradição tcheca do ilusionismo para representar a realidade.
Assistindo ao filme depois de tantas décadas, aquele menino dos anos 60 voltou à tona na mesma hora. O homem quase idoso de hoje não se decepcionou e ainda chorou como um bebê revendo este filme LINDO, sensível e sutil, mas poderoso, como não se consegue mais fazer hoje. Tecnicamente, o filme é até tosco para os padrões de hoje, mas é impressionante para a época, e o lirismo e a poesia sobreviveram intactos ao tempo. E que música! É impressionante também como o regime tcheco da época deixou o filme ser feito, porque o tema do filme é subversivo para qualquer regime, de esquerda ou de direita, porque expõe de forma incômoda o melhor e o pior da natureza humana, que não muda -- sem falar que, especialmente nas cenas iniciais, há algumas não muito sutis críticas ao regime (funcionários corruptos, turistas doutrinados e imbecilizados, etc.).
"Um Dia, Um Gato" é imperdível, mas é preciso ter a mente aberta e aceitar um paradigma muito diferente daquele ao qual se está acostumado hoje. Se você tiver essa mente aberta, mergulhe fundo e tenha uma experiência tão inesquecível quanto foi para mim, mesmo depois de meio século.
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Um Dia, Um Gato
4.0 83 Assista AgoraTenho quase 60 anos e devia ter uns 7 ou 8 quando vi esse filme no cinema. Não sei como esse filme da então Tchecoslováquia comunista chegou ao Brasil da ditadura, mas felizmente chegou - e marcou minha infância e minha vida para sempre. Na mesma época, os tchecos também mandaram para cá umas apresentações do seu famoso teatro de luz e sombras Laterna Magika - uma espécie de Cirque du Soleil com menos recursos, mas também mais sutil e refinado, e lindo. Para quem viu as duas coisas, como eu, é fácil ver a ligação e a presença da paradoxal tradição tcheca do ilusionismo para representar a realidade.
Assistindo ao filme depois de tantas décadas, aquele menino dos anos 60 voltou à tona na mesma hora. O homem quase idoso de hoje não se decepcionou e ainda chorou como um bebê revendo este filme LINDO, sensível e sutil, mas poderoso, como não se consegue mais fazer hoje. Tecnicamente, o filme é até tosco para os padrões de hoje, mas é impressionante para a época, e o lirismo e a poesia sobreviveram intactos ao tempo. E que música! É impressionante também como o regime tcheco da época deixou o filme ser feito, porque o tema do filme é subversivo para qualquer regime, de esquerda ou de direita, porque expõe de forma incômoda o melhor e o pior da natureza humana, que não muda -- sem falar que, especialmente nas cenas iniciais, há algumas não muito sutis críticas ao regime (funcionários corruptos, turistas doutrinados e imbecilizados, etc.).
"Um Dia, Um Gato" é imperdível, mas é preciso ter a mente aberta e aceitar um paradigma muito diferente daquele ao qual se está acostumado hoje. Se você tiver essa mente aberta, mergulhe fundo e tenha uma experiência tão inesquecível quanto foi para mim, mesmo depois de meio século.