Sobre superestímulos e sobre como se humaniza uma personagem numa narrativa. Sim! Scarlett é beleza e potência, do jeito que o diabo gosta. A hipnose que seu corpo causa é dirigida aos espectadores - somos "colhidos" tanto quanto as vítimas que buscam o gozo naquelas salas escuras (ou seriam salas de cinema?). E isso, evidentemente, permite refletir sobre nosso dia a dia e nossos padrões algoritmizados que, mesmo personalizados, tem sempre um ideal de beleza com certos traços. Os olhos masculinos buscam determinadas formas (e gostei desse paralelo no filme: os corpos masculinos estão dentro de uma lógica mais mundana). São as deformidades de um personagem que humanizam nossa E.T. Enfim, o final deixa a provocação (que pra alguns pode ser clichê, pra outros talvez não): ser humano (ou melhor, homem dentro de uma sociedade patriarcal) é ser potencialmente predador. Que espécie trágica.
O sono é uma experiência necessária pra esse filme, na real. Acabei de ver, numa parada tarde de domingo. Pausei, cochilei, pensei, cochilei, assisti. É uma experiência onírica mesmo. Um dos comentadores tocou no ponto-chave:
Me parece que o estrondo é nosso cotidiano, uma espécie de alarme (a primeira cena!) pra nos desligarmos do que chamamos de sonho (tema de um diálogo entre a protagonista e o pescador, inclusive). Não por acaso, o roteiro gira em torno de uma mulher européia na Colômbia, onde os personagens falam espanhol e inglês alternadamente. Os extraterrestres somos nós mesmos, ou pelo menos os que ainda prestam atenção no mágico e inexplicável, hoje praticamente associado ao mundo rural, ou "exótico".
Enfim, um belo tributo ao realismo mágico sul-americano e uma crítica (?) ao nosso presente tiktokiano.
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Dias Perfeitos
4.2 604 Assista AgoraGente, só eu fiquei com a impressão que ele é autista e de que esse é um dos temas do filme?
A Garota da Agulha
4.0 298 Assista Agora"Olhem para a face da dor"
Sob a Pele
3.2 1,4K Assista AgoraSobre superestímulos e sobre como se humaniza uma personagem numa narrativa. Sim! Scarlett é beleza e potência, do jeito que o diabo gosta. A hipnose que seu corpo causa é dirigida aos espectadores - somos "colhidos" tanto quanto as vítimas que buscam o gozo naquelas salas escuras (ou seriam salas de cinema?). E isso, evidentemente, permite refletir sobre nosso dia a dia e nossos padrões algoritmizados que, mesmo personalizados, tem sempre um ideal de beleza com certos traços. Os olhos masculinos buscam determinadas formas (e gostei desse paralelo no filme: os corpos masculinos estão dentro de uma lógica mais mundana). São as deformidades de um personagem que humanizam nossa E.T. Enfim, o final deixa a provocação (que pra alguns pode ser clichê, pra outros talvez não): ser humano (ou melhor, homem dentro de uma sociedade patriarcal) é ser potencialmente predador. Que espécie trágica.
Memória
3.5 70 Assista AgoraO sono é uma experiência necessária pra esse filme, na real. Acabei de ver, numa parada tarde de domingo. Pausei, cochilei, pensei, cochilei, assisti. É uma experiência onírica mesmo. Um dos comentadores tocou no ponto-chave:
Me parece que o estrondo é nosso cotidiano, uma espécie de alarme (a primeira cena!) pra nos desligarmos do que chamamos de sonho (tema de um diálogo entre a protagonista e o pescador, inclusive). Não por acaso, o roteiro gira em torno de uma mulher européia na Colômbia, onde os personagens falam espanhol e inglês alternadamente. Os extraterrestres somos nós mesmos, ou pelo menos os que ainda prestam atenção no mágico e inexplicável, hoje praticamente associado ao mundo rural, ou "exótico".
Enfim, um belo tributo ao realismo mágico sul-americano e uma crítica (?) ao nosso presente tiktokiano.