O protagonista, Bongwan, é bem hipócrita e contraditório. Na conversa com Areum no restaurante, quando ela pergunta por que ele vive, a resposta de Bongwan é: “Mas como podemos saber algo assim? Inventar umas palavras e acreditar nelas... não há conexão nenhuma com a realidade. É só pensar em palavras. Não está conectado. Realidade é outra coisa. [...] Mas palavras conseguem captar a realidade? [...] Mas a realidade existe. Palavras não a descrevem, mas podemos senti-la. [...] Coisas expressas em palavras nem se aproximam da realidade”.
Pô, além de ter uma editora ele é crítico literário! O sujeito literalmente vive das palavras e do que elas expressam, na tentativa de descrever a realidade transmitida por uma obra escrita. É como se ele dissesse que não acredita no próprio trabalho. Ou seja, ele realmente não acredita em nada.
Se fosse definir esse filme em uma palavra essa palavra seria: incompletude.
Tudo na vida da família parece estar faltando algo. Uma classe média que vislumbra uma ascensão social com uma casa no litoral, com piscina e na beira de um rio.
Porém, a praia não é das mais bonitas, além de não ser das mais tranquilas e seguras por causa da passagem de carros. O rio aparentemente é poluído e a piscina não foi finalizada porque o dinheiro não é o suficiente.
Várias outras situações são marcadas pela falta. O marido/pai que está ausente das férias da família. A ausência do sujeito é tão grande que além de não vermos a imagem dele também não ouvimos sua voz. E pelo que me lembro, nem o seu nome é mencionado.
A associação ao clube não pode ser feita no plano que dá acesso a todos os serviços oferecidos. Um clube do outro lado do rio em que está a casa da família. Olhe, mas não usufrua totalmente. Um rio na beira de casa em que não se pode mergulhar. Mais uma vez, apenas olhe. Assim, é o filho adolescente que, entediado e cansado de não poder fazer nada, começa a transgredir algumas regras... passando com o pedalinho para além da marca permitida, invadindo o clube numa tentativa de entrar na festa, que não é bem sucedida. Sempre falta alguma coisa.
Mas nessa falta é que entram as transgressões e inconformismos que fazem as coisas valer à pena. A vó que dá a ideia de encher a piscina mesmo sem a instalação completa, o filho que invade a festa e tem seu momento de aventura.
No parque também há uma limitação: somente quatro brinquedos. Mãe e filho não estão lado a lado na roda gigante sob um céu que não está ensolarado. Mas ainda assim, há o compartilhamento de um momento entre os dois, num céu que, se não é perfeito, ainda assim é bonito.
Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.
Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade
O Dia Depois
3.5 42 Assista AgoraO protagonista, Bongwan, é bem hipócrita e contraditório. Na conversa com Areum no restaurante, quando ela pergunta por que ele vive, a resposta de Bongwan é: “Mas como podemos saber algo assim? Inventar umas palavras e acreditar nelas... não há conexão nenhuma com a realidade. É só pensar em palavras. Não está conectado. Realidade é outra coisa. [...] Mas palavras conseguem captar a realidade? [...] Mas a realidade existe. Palavras não a descrevem, mas podemos senti-la. [...] Coisas expressas em palavras nem se aproximam da realidade”.
Pô, além de ter uma editora ele é crítico literário! O sujeito literalmente vive das palavras e do que elas expressam, na tentativa de descrever a realidade transmitida por uma obra escrita. É como se ele dissesse que não acredita no próprio trabalho. Ou seja, ele realmente não acredita em nada.
A Felicidade das Coisas
3.4 28 Assista AgoraSe fosse definir esse filme em uma palavra essa palavra seria: incompletude.
Tudo na vida da família parece estar faltando algo. Uma classe média que vislumbra uma ascensão social com uma casa no litoral, com piscina e na beira de um rio.
Porém, a praia não é das mais bonitas, além de não ser das mais tranquilas e seguras por causa da passagem de carros. O rio aparentemente é poluído e a piscina não foi finalizada porque o dinheiro não é o suficiente.
Várias outras situações são marcadas pela falta. O marido/pai que está ausente das férias da família. A ausência do sujeito é tão grande que além de não vermos a imagem dele também não ouvimos sua voz. E pelo que me lembro, nem o seu nome é mencionado.
A associação ao clube não pode ser feita no plano que dá acesso a todos os serviços oferecidos. Um clube do outro lado do rio em que está a casa da família. Olhe, mas não usufrua totalmente. Um rio na beira de casa em que não se pode mergulhar. Mais uma vez, apenas olhe. Assim, é o filho adolescente que, entediado e cansado de não poder fazer nada, começa a transgredir algumas regras... passando com o pedalinho para além da marca permitida, invadindo o clube numa tentativa de entrar na festa, que não é bem sucedida. Sempre falta alguma coisa.
Mas nessa falta é que entram as transgressões e inconformismos que fazem as coisas valer à pena. A vó que dá a ideia de encher a piscina mesmo sem a instalação completa, o filho que invade a festa e tem seu momento de aventura.
No parque também há uma limitação: somente quatro brinquedos. Mãe e filho não estão lado a lado na roda gigante sob um céu que não está ensolarado. Mas ainda assim, há o compartilhamento de um momento entre os dois, num céu que, se não é perfeito, ainda assim é bonito.