“Tecnicamente, a Química é o estudo da matéria, mas prefiro vê-la como o estudo da mudança. Os elétrons mudam seus níveis de energia. Moléculas mudam suas ligações. Elementos se combinam e se transformam em compostos. Mas isso é tudo na vida, certo? É a constante, é o ciclo. É solução, dissolução, infinitamente. É o crescimento, então, a decadência, depois, a transformação. É fascinante, realmente.”
Palavras do inocente, ingênuo mas extremamente inteligente Walter White, personagem que é uma espécie de reduto esquecido de grandes capacidades que podem servir muito bem para grandes feitos ou para uma distopia assustadora sem tamanho ou forma, no caso, serviu como uma luva para a ruína de uma família inteira e quase uma cidade toda, uma espécie de câncer com metástases tão grande que cria fronteiras enormes e avassala tudo o que vê pela frente.
Assim como um físico pode ser capaz de dar vida a teorias que podem revolucionar e facilitar nossas vidas, também é capaz de projetar um instrumento mortal com poder de destruição em massa, uma bomba atômica, de hidrogênio, o que for. A questão é que todos, de certa forma, temos super poderes guardados dentro das nossas moralidades, todos nós somos heróis, anti-heróis ou vilões, temos capacidades escondidas pela sociedade, pela ética, pelos bons costumes, o problema é quando algo, quase que um gatilho, é maior que todas essas coisas juntas e faz invocar lá dentro do seu eu o “desprendimento social”, fazendo com que qualquer respeito ou noção da realidade comece a se desfocar na retina.
A tragédia grega está formada, o velho professor subestimado, que perdeu a chance de ser bilionário por não acreditar na própria capacidade, tem um filho com problemas mentais, uma esposa gravida, um emprego que subestima sua capacidade e um “bico” onde lava carros a troco de…trocos! Não bastasse todo o drama, Walter White se descobre com um câncer no pulmão (mesmo sem fumar)… o que deixara para a sua família além de pobreza? Com seu péssimo salário fica quase que impossível tratar uma doença tão agressiva, e esse, é o seu gatilho anti-social. Se dando conta da sua situação, procura seu ex aluno que desperdiça seu potencial usando drogas para formar um pequeno e tímido império de fabricação de metanfetamina, mal sabia o quão longe sua mente poderia ir.
Walter White descobre dentro de si mesmo uma maquina muito bem lubrificada e programada para arquitetar planos e vinganças inimagináveis até para o mais assíduo telespectador da série, não há previsibilidade em nenhum capítulo, não há capítulo que subestime a audiência, não há audiência que não enxergue os louros de Vince Gilligan.
Com um roteiro bem construído, uma trilha sonora cativante e uma direção sóbria, hora lembrando o cinema de Paul Thomas Anderson, hora lembrando os mais sangrentos fetiches de Quentin Tarantino, sempre sem esquecer da atmosfera Coppola que as vezes paira sobre a trama e o legado de Scorsese estampado na testa de alguns personagens como Mike “The Cleaner”, Breaking Bad é sim, a melhor série dramática da história.
Com atuações fantásticas e oscarizadas, Bryan Cranston, Aaron Paul, Dean Norris, Anna Gunn, betsy brandt e RJ Mitte (sem esquecer das participações ao longo da série) entregam uma equipe fantástica, não há exageros e todos os “overactings” são totalmente perdoáveis e bem trabalhados.
Assim como o paragrafo inicial aqui contido, que foi proferido no piloto da série pelo personagem de Bryan Cranston, Walter White é a química em pessoa, é a transformação do elemento, preso a sua vida toda em frustrações e magoas, como num tubo de ensaio esquecido no laboratório, se muta e explode pela cidade toda em forma de cristais azuis cuidadosamente higienizados e cozinhados, uma bomba relógio com capacidade estratégica napoleônica e um forte braço para gerenciamento e persuasão, fazendo com que até os fãs da série acreditem na sua idoneidade as vezes.
Breaking Bad não terminou, apenas estabeleceu novas regras na tv.
Novelas, seriados…o que for, respeitem o público ou seus nomes não serão lembrados, pois por muito tempo todos nós nos lembraremos de Vince Gilligan, Bryan Cranston e claro…Walter White/Heisenberg.
Seriado nota 10!
Visite meu blog para mais críticas e resenhas: http://apeliculaescrita.wordpress.com/
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Breaking Bad (5ª Temporada)
4.8 3,1K Assista AgoraUMA ODE À BREAKING BAD - Por Reinaldo do Valle
“Tecnicamente, a Química é o estudo da matéria, mas prefiro vê-la como o estudo da mudança. Os elétrons mudam seus níveis de energia. Moléculas mudam suas ligações. Elementos se combinam e se transformam em compostos. Mas isso é tudo na vida, certo? É a constante, é o ciclo. É solução, dissolução, infinitamente. É o crescimento, então, a decadência, depois, a transformação. É fascinante, realmente.”
Palavras do inocente, ingênuo mas extremamente inteligente Walter White, personagem que é uma espécie de reduto esquecido de grandes capacidades que podem servir muito bem para grandes feitos ou para uma distopia assustadora sem tamanho ou forma, no caso, serviu como uma luva para a ruína de uma família inteira e quase uma cidade toda, uma espécie de câncer com metástases tão grande que cria fronteiras enormes e avassala tudo o que vê pela frente.
Assim como um físico pode ser capaz de dar vida a teorias que podem revolucionar e facilitar nossas vidas, também é capaz de projetar um instrumento mortal com poder de destruição em massa, uma bomba atômica, de hidrogênio, o que for. A questão é que todos, de certa forma, temos super poderes guardados dentro das nossas moralidades, todos nós somos heróis, anti-heróis ou vilões, temos capacidades escondidas pela sociedade, pela ética, pelos bons costumes, o problema é quando algo, quase que um gatilho, é maior que todas essas coisas juntas e faz invocar lá dentro do seu eu o “desprendimento social”, fazendo com que qualquer respeito ou noção da realidade comece a se desfocar na retina.
A tragédia grega está formada, o velho professor subestimado, que perdeu a chance de ser bilionário por não acreditar na própria capacidade, tem um filho com problemas mentais, uma esposa gravida, um emprego que subestima sua capacidade e um “bico” onde lava carros a troco de…trocos! Não bastasse todo o drama, Walter White se descobre com um câncer no pulmão (mesmo sem fumar)… o que deixara para a sua família além de pobreza? Com seu péssimo salário fica quase que impossível tratar uma doença tão agressiva, e esse, é o seu gatilho anti-social. Se dando conta da sua situação, procura seu ex aluno que desperdiça seu potencial usando drogas para formar um pequeno e tímido império de fabricação de metanfetamina, mal sabia o quão longe sua mente poderia ir.
Walter White descobre dentro de si mesmo uma maquina muito bem lubrificada e programada para arquitetar planos e vinganças inimagináveis até para o mais assíduo telespectador da série, não há previsibilidade em nenhum capítulo, não há capítulo que subestime a audiência, não há audiência que não enxergue os louros de Vince Gilligan.
Com um roteiro bem construído, uma trilha sonora cativante e uma direção sóbria, hora lembrando o cinema de Paul Thomas Anderson, hora lembrando os mais sangrentos fetiches de Quentin Tarantino, sempre sem esquecer da atmosfera Coppola que as vezes paira sobre a trama e o legado de Scorsese estampado na testa de alguns personagens como Mike “The Cleaner”, Breaking Bad é sim, a melhor série dramática da história.
Com atuações fantásticas e oscarizadas, Bryan Cranston, Aaron Paul, Dean Norris, Anna Gunn, betsy brandt e RJ Mitte (sem esquecer das participações ao longo da série) entregam uma equipe fantástica, não há exageros e todos os “overactings” são totalmente perdoáveis e bem trabalhados.
Assim como o paragrafo inicial aqui contido, que foi proferido no piloto da série pelo personagem de Bryan Cranston, Walter White é a química em pessoa, é a transformação do elemento, preso a sua vida toda em frustrações e magoas, como num tubo de ensaio esquecido no laboratório, se muta e explode pela cidade toda em forma de cristais azuis cuidadosamente higienizados e cozinhados, uma bomba relógio com capacidade estratégica napoleônica e um forte braço para gerenciamento e persuasão, fazendo com que até os fãs da série acreditem na sua idoneidade as vezes.
Breaking Bad não terminou, apenas estabeleceu novas regras na tv.
Novelas, seriados…o que for, respeitem o público ou seus nomes não serão lembrados, pois por muito tempo todos nós nos lembraremos de Vince Gilligan, Bryan Cranston e claro…Walter White/Heisenberg.
Seriado nota 10!
Visite meu blog para mais críticas e resenhas: http://apeliculaescrita.wordpress.com/