Então vamos falar de Tom hansen, pra variar um pouco. Tom trabalha com criação numa empresa que produz cartões comemorativos, de festas, eventos, aniversários, o que for, é preciso um grau emocional maior para desenvolver esse tipo de trabalho, conheço pessoas que produzem escrevendo e é bastante difícil manter uma linha original sem cair no clichê. Tom parece bastante a vontade com a vida que leva, até que surge uma ruptura na sua vida, seu primeiro contato o faz congelar dos pés a cabeça, ironicamente isso é ocasionado por alguém de nome Summer.
Mas vou me manter no Tom por enquanto, quanto é difícil ver por aí homens assim, que vão de Smiths a Pixies, de Regina Spektor a Doves, Tom entende de sentimentos, de relacionamentos, sabe não ser clichê e sabe o que quer quando cruza com Summer. O filme começa com um enorme discurso sobre quem é Summer, da forma que é colocada, pode se ver tons de que o diretor quer que a Summer seja um ser humano diferente dos outros, não, não é, a escolha de Zooey deschanel para o papel é bastante inteligente pois é uma atriz com traços bastante únicos, desde Almost Famous e outras pontas em flimes, ela sempre preenche a tela com seus olhos enormes e brilhantes, qualquer um ficaria bastante tocado com a sua presença, assim como Tom ficou. Então vou ao ponto dizendo que se por um lado o diretor tenta carimbar na Summer a imagem de alguém nascido de forma diferente, é justamente em Tom Hansen que vai essa imagem.
Existem centenas de homens agindo como a Summer, existem centenas de homens ficando por ficar, não se apegando a ninguém, o diferente disso é que Summer é independente, inteligente, ela nota o valor que existe no Tom, sua cultura, sua forma carinhosa, meiga, protetora, mas não vê nada além disso, uma pena. Digo que Tom é a figura diferente do filme por não ter os vícios de vira lata que muitos homens tem.
Tom é o cara que nota detalhes nos olhos, pele, é o namorado que vai notar quando você cortar a franja, quando você pintar as unhas, é o namorado que consegue associar a você as melhores canções, Tom vê em você o romantismo folk de Simon & Garfunkel e ensaia sem mico nenhum, na própria cabeça, os passos mais bregas de um musical regado a Hall & Oates, com claras menções aos anos 80 e toda bagagem infantil que ele tem no coração. Tom é bastante puro no amor que sente, associa seu gostar a coisas puras que guarda em si mesmo e de forma secreta, quase que como uma criança. Summer não está no mesmo mundo, esta “en passant”. Se por um lado, assim como eu, Tom é o cara que guarda as musicas do casal na cabeça, momentos, filmes, piadas e até brincadeiras no cobertor, se por um lado Tom se lembra sorrindo até das pequenas brigas, aquelas bobas como que filme escolher na locadora, que sabor de pizza pedir e “essa música de novo?” – Como Rob e Laura em High Fidelity, esse sim, meu casal preferido e bastante adulto – por outro lado, Summer já virou o disco, aliás, enquanto Tom gosta de vitrola, Summer quer a MP3, Summer não está mais avançada que Tom, só não pertence ao mundo que Tom pertence, enquanto Tom quer pegar nas mãos, Summer está preocupada com qual cor vai colocar em suas unhas. Os dois personagens tem pontos positivos, mas as atitudes da Summer, que ela tem todo direito de ter, está catalogada em cada homem que vemos pelas noites todos os dias, o diferencial, é que Summer respeita Tom e deixa claro para ele que não quer nada sério, o errado é o Tom por insistir em algo que está fadado a fracassar, mas o que eu disse para mim mesmo, ao me ver no Tom quase que o filme todo é: Tom, continue errado, e para sempre, não mude, o verão acaba e logo vem o outono. Tom Hansen é raro, já o verão, esse vem todo ano.
Summer é uma personagem que gosto bastante, seus vestidos, cabelo, seu olhar, sua forma de ver o mundo, mas citando High Fidelity de novo, meu filme de cabeceira, depois de ver a personagem Laura terminar um namoro pra fazer o namorado se tocar e crescer…ver que é um grande cara – e nesse aspecto, Summer não serve nem para fazer as unhas do pé da Laura, quanto menos discutir um relacionamento por igual já que Laura é incrivelmente mais adulta – vejo que Summer não é como o filme tenta pintar, após o Tom, Summer já aparece casada, primeiro do que ele, infelizmente não viu em Tom o que viu no marido, totalmente compreensível, mas é bastante comovente ver o Tom ouvindo isso, Tom que é vivido pelo brilhante Joseph Gordon-levitt, expressa muito bem aquele olhar de um sonho sendo destruído, de algo que queria muito na vida, se tornar impossível, já passei por isso, é impossível fazer alguém gostar de você, Summer está certa em falar a verdade e escolher o melhor para ela, mas Tom também está em querer viver o seu sonho, ao assistir o filme, é impossível não notar o sorriso sem graça do Tom ao perguntar algo como: Por que ele e não eu?
Talvez essa seja a pergunta que mais tememos fazer, a resposta nunca nos fará sair pela rua dançando como se tivéssemos só 12 anos.
Em todo caso, os dois personagens são especiais, Summer fechou seu ciclo e casou, Tom encontra sua nova estação, alguém para fazer tudo o que escreve em seus cartões, vejo as duas personalidades como algo que não pertencem ao sexo feminino ou masculino, conheço homens com atitudes de Summer e mulheres que agem como o Tom, infelizmente é raro carregarem a bagagem cultural que os dois personagens carregam. Também é triste ver que personalidades como a do Tom não são valorizadas, sendo um homem agindo como o Tom, sendo uma mulher agindo como o Tom…ninguém valoriza, mas as Summers, mulheres e homens com essa personalidade, nunca estão sozinhas.
Por um mundo com mais pessoas como o Tom, e que pessoas como a Summer não sejam só mais um verão em nossas vidas.
“Não há duas palavras mais danosas do que ‘bom trabalho‘”, Whiplash, filme estrelado pelo genial e subestimado J.K. Simmons e pelo já promissor Miles Teller, conta a história de um garoto fã de jazz e bateria que quer se tornar um ótimo músico, para isso, precisa entrar na melhor escolar de musica dos estados unidos, para quem já viveu de música, já se envolveu com música, sabe que apenas isso já é difícil, é um sonho grande, conservatórios musicais ou até a mais simples escola de música costuma exigir excelência e dedicação.
Tudo já parecia difícil para Neiman (Teller), a escolha da profissão, uma pequena pressão do pai aqui, outra da namorada ali, apesar da dedicação, ainda se acha amador, para os olhos do público o garoto já é muito talentoso, mas para a grande figura do filme, Terence Fletcher (Simons), Neiman é só mais um achando que jazz é coisa de criança. Definidamente…não é! Eu recomendo pra quem quiser começar a ouvir jazz, que vá em coisas mais fáceis de digerir no começo, pois o estilo exige bastante dos seus ouvidos, sentimentos e atenção, procure por Kind of Blue do Miles Davis, A Love Supreme do Coltrane ou até mesmo Doo-Bop do Miles, nos anos 90 Miles se aventurou pelo ainda tímido rap, nu jazz, experimentou coisas novas e deu um resultado muito agrádavel. O Jazz do filme lembra muito Big Band, com bastante metais, é um barato de se ouvir, bastante divertido.
Voltando ao filme, sempre acreditei que meus melhores professores eram aqueles que cobravam muito, não só professores, mas no próprio trabalho, quando você acha que deu seu melhor, vem alguém e cobre seu trabalho de defeitos, fazendo você ver pontos que ainda estavam invisíveis pra você, você engole aquela opinião como um copo de café puro e forte, sem açucar ou adoçante, sente aquilo bater no estomago, azedar a lingua e parte para o trabalho de novo, dessa vez, melhor. Quando termina, as vezes chega a pensar: Pois é, agora ficou melhor! No entanto, estamos acostumados com doces palavras, com uma pequena correção gentil. O que aconteceria se apanhassemos na cara toda vez que alguma criação nossa fosse criticada? Os métodos de Fletcher são pesados, violentos, mas não se lapida um diamante com carícias, com afagos e beijos. Fletcher tinha o sonho de criar um novo Charlie Parker (recomendo o musico e o filme de nome Bird, dirigido por Clint Eastwood). Por várias vezes Fletcher cita o que fez Charlie virar Bird, seu apelido artístico, foi a pressão, a vergonha, o choro, a dedicação. Fletcher acredita que só assim se cria um diamante bruto, ironicamente, o filme prova isso de certa maneira. Não concordo com os métodos, mas é imensamente difícil refutar Terence Fletcher, é rígido e exigente como o Jazz, , o jazz soa gostoso de se ouvir, Fletcher não (apesar de ser divertido ouvir tanta criatividade para palavrões), Fletcher é um turbilhão de facetas, caras e bocas, expressa “maldade” e “bondade” de uma forma tão fácil que parece estar tocando seu próprio jazz, muda de nota e tom como se fosse um trompete, usa informações que arranca com doçura das suas “vitimas”, é traiçoeiro, esperto, calculista e excelente!!!
Preciso falar sobre Miles Teller, faz tempo que não vejo alguém tão jovem assim se dedicando de forma tão profunda no cinema. O garoto parece sofrer mesmo, parece querer abraçar o sonho mesmo que não tenha mais força nos braços para faze-lo, derrete em suor, sangue, palavrões, me parece até que seu personagem é o Rock And Roll (que amo) apanhando do Jazz, me parece que Fletcher, a figura do Jazz, não quer permitir que qualquer um viva o Jazz, Fletcher como jazz, parece barrar Neiman como Rock, Neiman, persistente, barulhento, birrento, aprende na base do tapa (literalmente) que a brincadeira acabou, não importa se tocar bateria é gostoso, agora vai doer! Não importa se tocava bateria desde criança…ta na hora de virar adulto, e é justamente no climax do filme que vemos Neiman crescendo, abandonando sua personalidade bondosa, caridosa, doce e até meio infantil, para dar espaço para o jazz, ele incorpora o estilo como se finalmente tivesse ganhado passe livre para entrar, domina-o e mostra, persistentemente, que ali é o seu lugar, que ninguém, nem Fletcher, nem pai, nem namorada…vai impedi-lo, eu gosto muito da sensação que o personagem me deu nos minutos finais (que são geniais e de encher o ouvido)…me parece que ele senta na bateria e deixa claro que aquilo o pertence, que ele é aquilo, é imutável, com a expressão doentia , fixa e clara escrita na testa, como uma partiturara: ISSO É MEU! NINGUÉM ME TIRA DAQUI E NINGUÉM ME TIRA ISSO!
A trilha sonora do filme é um show a parte, muito bem direcionada, nada fácil ou batido, tudo bastante sóbrio, assim como a fotografia, nas melhores cenas tudo é escuro, abafado, como um clube de jazz na New Orleans 1930, o diretor é muito competente não usando alguns clichês do jazz que costumam usar, fotografia em preto e branco, fumaça de cigarro, drogas e mulheres chorando, todos os personagens são extremamente fortes, até as pequenas participações, a namorada não chora, o pai deixa o filho seguir o rumo, quem não é forte o suficiente no filme, ou apanha, ou é dispensado. Em algumas horas, me lembrou o cinema Aronofsky, as dores do personagem são explicitas em gráficos muito pesados, assim como em O Lutador com Mickey Rourke e Cisne Negro com Natalie Portman.
Apesar de alguns acharem o jazz bastante maçante, eu adoro, e o diretor faz cenas musicais parecem cenas de ação, com belos cortes, ângulos, a direção do filme é bastante competente, fazendo o filme inteiro e todas as cenas parecerem pequenos clubes, cafeteiras, carros, até as ruas, tudo parece fazer parte de uma pequena sala claustrofóbica, prova disso é a cidade que é minúscula, fazendo os personagens se encontrarem facilmente.
Whiplash é um filme extremamente importante e levanta questões muito pertinentes, meritocracia, dedicação e até onde é permitido sangrar pelo seu sonho…e se aquilo é mesmo seu sonho, se não for, parta para outra, assuma, em voz alta que você não presta para aquilo, grite alto, mais alto ainda…que você não tem competência para aquilo. Se for o seu sonho, sangre por aquilo, que doa muito, pois quando achar que está bom…talvez ainda seja apenas um “bom trabalho”
Filme excelente! Nota 10!
Veja mais resenhas no meu blog: https://apeliculaescrita.wordpress.com/
Primeira vez que fico convencido de que alguém esta realmente bêbado em cena e não só fingindo. Uma atuação muito sóbria (irônico) e contida, muitos iriam extrapolar, fazer cenas babando, gritaria.
Denzel consegue passar o típico constrangimento que passamos quando estamos bêbados e FINGIMOS não estar alcoolizados, ele faz isso muito bem. Seu personagem, em quase toda a trama não aceita o vício que tem e fica fingindo para os outros que não esta bêbado, que está bem, nós que somos plateias percebemos o fingimento e eu...que já estive alcoolizado, identifiquei na hora a boa atuação.
Foi bastante constrangedor chorar no cinema, foi a primeira vez que isso aconteceu comigo. Mas finalmente foi feito o filme que mais queria ver na minha vida. É difícil, não sei como começar, estou em choque até agora, mas vamos partir do básico.
Em interestelar, Nolan aborda a humanidade perdendo o seu lar, a terra, não existe mais esperança, os alimentos estão deixando de existir por conta de uma nova praga, praga tão letal que acaba pulando de uma plantação em plantação, primeiro o trigo, depois o milho...até não restar mais nada, pelo que é entendido, é uma espécie de vírus que tem uma mutação muito rápida, fora isso, carrega tempestades de areia, de pó, fazendo tudo estar árido, seco, sufocante...todo o clima na terra está desesperador. Como solução para isso, uma equipe da Nasa, com ares nostálgicos, de abandonados e desacreditados, desenvolve uma teoria que pode levar a busca de outros planetas habitáveis, fazendo a humanidade ganhar um novo lar, deixando a terra para secar sozinha.
Até aí, mais uma ficção básica. A diferença está na direção, no toque humano. Se em Inception houveram reclamações sobre a falta de humanidade do diretor abordando algo tão pessoal como sonhos de forma tão formal, seca, cinza (descordo da maioria das críticas), em Interestelar sobrou emoção, talvez até transborde, o que é inesperado já que é o seu filme com tons mais mecânicos, matemáticos, físicos. Boa parte da trama é controlada por teorias, por cálculos, até o meio do filme eu sentia bastante frieza, apesar da introdução ter uma carga emocional pesada com todo aquele ar de família, filhos, avô.
Matthew McConaughey vive Cooper, um pai de família que tenta criar seus filhos ao lado do sogro, Cooper é viúvo, perdeu a esposa de forma trágica, é um sujeito simples, simpático, mas esconde uma inteligência incrível, é engenheiro, piloto, mas se orgulha de dizer que é fazendeiro, vê valor na ciência da mesma forma que vê valor no plantio, valoriza a simplicidade com que cria seus filhos e até os incentiva a seguir o próprio sonho. Os filhos são reflexos do pai, o garoto tem um estilo rebelde, coisa que reflete um pouco na fase adulta. A garota é sonhadora como o pai, enxerga longe, é curiosa, uma personagem interessante desde o começo.
Cooper se ve obrigado a fazer algo pela humanidade pois sabe que se for omisso, quem sofrera com tudo serão seus filhos. Pensando nisso, "embarca" para o espaço ao lado de Brand (Anne Hathaway), tudo seguindo a teoria do Professor Brand (Michael Caine, fetiche do Nolan). Então o filme decola.
Há sim partes maçantes, até concordo, mas são extremamente necessárias. Eu sempre tive uma certa curiosidade com realidades alternativas, com o espaço. Meu lado ficção cientifica anda fraco, então amei a representação do buraco negro, algo que só tinha em mente. Eu sempre quis saber se existia um outro eu, uma outra realidade ou coisas assim, ver no cinema a chance de encontrar novas formas de vidam, novos planetas, me deixou bastante fascinado. Fiquei como criança com um doce na boca, enquanto via a sala do cinema esvaziando pela falta de paciência das pessoas...o que se enxiam eram meus olhos, hora de lagrimas, hora de cores, efeitos, imagens.
Antes de mais nada é preciso saber que muitas coisas no filme não são só teorias do personagem vivido pelo grande Michael Caine, muitas teorias são sérias e existem na vida real, algumas baseadas no físico Kip Thorne. Kip ajudou Nolan com parte do roteiro, com a coerência nas teorias criadas pelo personagem de Michael Caine.
É claro que escorreram rios dos meus olhos em algumas cenas, o reencontro do pai com os filhos depois de anos, todo aquele clima de suspense, de perda, de solidão, sem falar na teoria de Carl Sagan sobre dimensões, muitos podem ter ficado perdidos com a parte final do filme, mas ela é bastante baseada em algo que até o mítico ciêntista Carl Sagan defendia, quem quiser entender melhor sobre a parte final do filme, sobre dimensões e como se explicaria o que chamamos de "fantasmas", assista Carl Sagan explicando melhor essa teoria, é bastante didatico: https://www.youtube.com/watch?v=7JsgSmY95es
Agora vai uma questão pessoal, opinião pessoal minha, lembrando que Sagan era cético mas respeitava e muito opiniões religiosas, recomendo o filme "Contato", ficção tão importante quanto Interestelar. É preciso respeitar a crença alheia e até cogitar a hipótese de você estar errado, a hipótese de tal crença não ser só fé, mas sim algo real. Algumas pessoas acreditam que essa teoria do Carl Sagan explicaria a existência de fantasmas, explicaria vozes que ouvimos de noite, sons, coisas caindo no chão, copos quebrando, acreditam que devido ao fato da alma não pesar quase nada (ou pesar 23 gramas, se vale a citação, brincadeira), ela seria facilmente puxada para essa dimensão que fica ao lado da nossa, isso após a morte - coisa que Cooper quase sofre nesta parte do filme - mas que não pode interagir conosco por conta de possuir outro corpo, outra forma, pois agora é alma, não matéria, corpo, nós também não podemos enxergar essa dimensão e quem esta nela, como explica Sagan no vídeo, somos formas diferentes, não conseguimos ver, interagir, talvez eles consigam provar um pouco do nosso mundo, interagindo através de sons, objetos sendo empurrados, portas batendo, talvez por já terem vivido aqui, mas como eu disse, é teoria e um pouco de opinião pessoal. Isso envolve teoria das cordas, multiversos, várias realidades iguais agindo de formas diferentes.
É fácil ver como fiquei fascinado pelo filme, pela proposta, Nolan já é um dos diretores mais ousados da história, podem criticar, mas achei muito corajoso misturar sentimentalismo com um tema tão complexo, tão profundo, isso unindo uma direção que mescla frieza com paixão, consegue trabalhar humanos e robôs de forma impressionante, faz cortes bruscos nas cenas, nas músicas, trabalha o silêncio do espaço e orquestra com muita competência sons de explosões e melodias ensurdecedoras nas cenas de suspense.
Se for pra ser ousado, que seja assim, Nolan é um homem que caminha a passos largos, começou tímido com Amnésia e hoje nos entrega algo que, na minha opinião pessoal, equipara-se ou divide a mesma importância de 2001: Uma Odisseia no espaço.
Gosto também de como o filme não perde a poesia, volta e meia um personagem acaba encarnando um poeta, ou com frases, ou com desejos puros, mesmo no futuro, no espaço, passam minutos discutindo amor e cosmo como se fossem teorias irmãs, é bonito, é valido, é humano.
Filme perfeito, Nota 10 Veja mais resenhas no meu blog: apeliculaescrita.wordpress.com
É impressionante a quantidade de figuras carismáticas pairando na tela. Não tenho muitas palavras, tudo já foi dito e é o tipo de filme que mostra tudo o que tem sem ficar enrolando o telespectador. É sim uma das melhores comédias que já vi, o humor é inocente, doce e seus personagens não são heróis, muito pelo contrário, são de uma época que era bastante comum duplas de golpistas atrapalhados, isso se arrastou bastante pelo cinema anos depois, como em Dirty Rotten Scoundrels, comédia que gosto muito!
Marilyn Monroe é algo que até hoje não se consegue explicar, eterna bombshell, carismática, doce, linda, voz incrível, jeito angelical mas fatal, sexy, é a criação do século, inesquecível, nos castiga com seus registros guardados pela indústria, é impossível toca-la, senti-la, e será assim eternamente, sua imagem nunca será esquecida e futuras gerações ainda irão “sofrer” com suas imagens, sua voz, é, na minha opinião, o maior amor platônico já produzido por hollywood. Dói um pouquinho vê-la em cena, é como se apaixonar por uma música, é impossível toca-la, só contempla-la.
Gosto também de suas formas, deixando de lado um papo mais picante, a senhorita Monroe tinha a liberdade de ter curvinhas mais salientes, tinha barriga, pernas grossas, celulite, era uma mulher real, não é só do rosto que gostamos, do cabelo, da voz, mas é de como ela faz crer que ser real, é ser bonito também, é ser encantador, não são só as qualidades, mas as ditas “falhas” que ela carrega que a completam, que a tornam o mito que é, afinal, todos nós gostamos do Elvis, jovem, ou gordo de costeletas na sua fase mais Las Vegas.
Em Quanto Mais Quente Melhor, Marylin vive Sugar Kane Kowalczyk, uma cantora problemática que abusa do whisky e adora uma festinha, está atrás de um partidão rico, bonito, jovem e sensível, que a entenda. O mais legal da sua personagem é que ela não se contesta e ninguém a contesta, não existe conselhos, um “chatismo” crônico dos personagens a forçando a parar de beber e ensinar valores melhores, muito pelo contrário, ela é incentivada a beber, farrear, se divertir. Para isso, interage com dois malandros abusando de uma química incrível. Jack Lemmon vive Jerry, figura super engraçada, divertida, arranca risos facilmente, entra no personagem como ninguém, pula, sorri e encanta, Jack é um ator que sinto bastante falta, é poderoso com diálogos, domina uma cena como ninguém, sua atuação em Glengarry Glen Ross não sai da minha cabeça, é uma das maiores amostras de debate, diálogo e atuação. Ao seu lado vem Tony Curtis, é nesse ponto que sempre insisto que antigamente um ator precisava saber cantar, atuar, fazer sorrir, sorrir, dançar e tirar lagrimas, Lemmon e Curtis são atores versáteis, fazem drama e comédia como ninguém, Curtis esteve em Spartacus, filme que vai totalmente na contra mão de Quanto Mais Quente Melhor, Curtis se transfigura de machão para drag queen e logo depois para capitão de iate com uma facilidade enorme, a mudança de voz, o jeito de andar, é impressionante a dedicação do ator.
Marilyn queria que o filme fosse feito em cores, mas foi convencida pelo diretor Billy Wilder a filmar em preto e branco, a maquiagem dos atores quando estavam em seus personagens femininos convencia mais quando não tinha cores. Isso me faz pensar no quão a tecnologia e firulas de produção eram dispensadas em prol da arte naquela época, já era possível filmar em cores, mas o diretor optou pelo preto e branco, dando mais charme ainda à obra. O filme usa como calcanhar o triste “Massacre do dia de São Valentim”, uma maneira interessante de se construir um roteiro.
Existem várias premiações dadas ao filme, todas muito justas.
Sempre acreditei que um filme é feito de diálogos e roteiros, que efeitos especiais, fotografia, produção e até atuação, não fazem um filme, pode ajudar, pode melhorar o resultado final, mas pra mim são apenas cerejas no bolo, desenhos feitos com chantili. É preciso prender o telespectador, criar questões, responde-las ou não, inquietar. Locke conseguiu fazer isso comigo.
Eu poderia dizer que muitos vão odiar esse filme, dou até razão, não é um filme para todos, e quando digo isso não digo com algum ar de desdém ou superioridade, digo que o diretor focou outro tipo de pessoa com esse filme, outro tipo de clima, talvez você precise estar num dia diferente, num lugar diferente, numa situação diferente e vivendo coisas diferentes para entrar no carro junto com Tom Hardy e viver esse “road movie”. Locke, filme dirigido pelo excelente Steven Knight, diretor que fez ótimos trabalhos como “Senhores do Crime” e esteve envolvido em alguns bons roteiros, acompanha Tom Hardy no papel de Ivan Locke, um empregado exemplar e um ótimo pai de família. Locke está muito bem representado por Tom Hardy, ator que tem a capacidade de mudar sua faceta, jeitos e trejeitos com um profissionalismo invejável, gosto muito do seu trabalho com os olhos, com a voz, com as pausas que faz na voz. Hardy é um excelente orador, não incomoda nem um pouco os minutos passados nesse filme, afinal, é só ele, um carro na estrada e inúmeros telefonemas.
Muitas questões são abertas, poucas são fechadas, isso me intriga bastante, difícil não lembrar do filósofo John Locke, defensor do conceito de liberdade mais antigo que temos, o direito à vida, a liberdade e a propriedade privada. John Locke defendia a busca pela felicidade, o individualismo – também bastante pautado pela filosofa russa Ayn Rand, defensora da liberdade - tão criticado e mal entendido hoje em dia, é mostrado nesse filme na sua forma mais pura e justa. É a vida de Locke que está em jogo, seu nome, seus problemas, o porco e sujo legado que seu pai deixou, isso fica bem claro quando Locke diz que seu sobrenome era sujo, mas ele limpou trazendo dignidade para a sua vida, trazendo orgulho, mas então, o fantasma do seu pai, sentado no banco de traz...parece gozar e rir da vida de Locke estar sendo estremecida novamente. Locke tem direito a fazer o que quiser da sua vida, o personagem responde sempre com um certeiro “JÁ TOMEI MINHA DECISÃO”, como quem clama por liberdade, por um caminho limpo para traçar. Acha que seu novo filho TEM DIREITO A VIDA, a dignidade, acha que nada, nem emprego nem família pode pará-lo e tira-lo da sua missão de manter o seu sobrenome limpo. Mesmo que tudo desmorone, emprego, família, é o indivíduo sabendo – ou achando que sabe – o que é melhor para ele e ninguém deve se meter nisso, e claro, com todas as doses necessárias de responsabilidade, Locke alerta sua esposa sobre o que está acontecendo, acompanha o problema que está acontecendo na obra onde trabalha, tenta acalmar a mãe de seu novo filho, é esse individualismo que tanto é atacado e nunca é entendido, você tem algo para fazer, é necessário fazer é o certo a fazer e ninguém vai te impedir, mesmo que seja errado, o importante é não ferir terceiros, não prejudica-los – como o fato de não estar mais envolvido na obra e mesmo assim querer que tudo termine bem – você tem direito a fazer o que acha que tem que fazer, a esposa de Locke já tinha sido atingida antes, não com sua atitude desatinada mostrada no filme, mas quando ele quebrou o contrato que fez no casamento jurando ser fiel e depois quebrando isso. A sua busca por limpar o nome, não fere a esposa, os filhos, a obra, o que fez no passado sim.
Como o filme abre muitas questões e não as responde, entendo que o diretor entrega para o público um caderno coberto de indagações e como quem diz: SE VIRA! Deixa para o público a parte das respostas, a parte das interpretações. Há um conceito antigo sobre filmes que diz que quando a obra está terminada e entregue ao público, as interpretações são de quem vê a obra, não é mais do diretor o que ficou na minha mente, afinal, só poderíamos interpretar e entender a 9ª Sinfonia se entrássemos numa máquina do tempo e fossemos falar pessoalmente com Beethoven. Locke é filmado em tempo real, o tempo do seu filme é real, se o personagem diz que estará em ponto x daqui a 45 minutos...ele vai estar lá. É algo bastante usado na série 24 horas.
Não posso me alongar sobre a fotografia pois é básica, carro, estrada e luzes, somente o necessário para manter a estrutura apresentada. Apesar de tudo, o filme tem lá seus momentos cansativos, mas é típico de um road movie, impossível não tropeçar enquanto se caminha por muito tempo.
Bom filme, nota 7
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Vingadores foi esmagado por esse filme, sorte que vingadores é da marvel, então ponto para a marvel!
Que filme DO CARALHO! Eu vou fazer uma grande resenha sobre ele quando tiver tempo, saí do cinema com um sorriso enorme, para quem trata música como religião (eu)...esse filme é um prato cheio...e ainda conta com uma história super ágil, personagens divertidos e visual deslumbrante!
O povo americano se preocupa bastante com os idosos, com a terceira idade, é algo bastante marcante na cultura deles, o próprio asilo tem um conceito bastante diferente do que conhecemos, é chamado de “home”, existe um tratamento melhor, mais limpo, mais digno, mas ainda assim é evitado, a internação é só em último caso, quando o idoso(a)precisa de tratamentos mais técnicos. Já havia me emocionado com “A Família Savage”, um bom drama dirigido e escrito por Tamara Jenkins, a terceira idade, a demência, a família, tudo está ali – não vou entrar nos méritos do pôster de divulgação feito por Daniel Clowes, um dos meus ilustradores preferidos – é altamente recomendável.
Nebraska, road movie – já é um dos meus estilos preferidos - dirigido por Alexander Payne, mostra mais uma vez o dom do diretor quando o assunto é relacionamento, família, a eterna busca pelo “eu”. Payne me ganhou bastante com Sideways, deliciosa comédia masculina sobre maturidade, amizade, relacionamento e...VINHOS! Você pode ler minha resenha sobre Sideways clicando aqui.
Woody Grant, vivido por Bruce Dern, é um homem de camadas, um típico alcoólatra que nega seus vícios virando copos e copos de cerveja, acredito que esteja à beira do Alzheimer ou demência, isso não fica claro mas suas atitudes denotam um pouco das duas doenças, é rancoroso, tímido, impulsivo e imprevisível, guarda mágoas, arrependimentos e alguns sonhos inacabados, desconstruídos, descontinuados e propositalmente - ou não - esquecidos.
Gosto muito da decisão do diretor de fotografar tudo em preto-e-branco, tudo na trama acompanha os personagens como se cada nuvem no céu ou poeira na estrada fosse cenário das confusões internas e mentais dentro da cabeça de Woody e sua família. Paisagens planas, cafés solitários, estradas vazias, o frio que transpassa a tela e acaba nos contagiando através dos casacos pesados dos personagens, a trilha sonora bastante simpática de Mark Orton, o filme todo é uma grande caminhonete velha carregada de pequenos objetos que compõe um resultado final excepcional. Woody acredita ter ganho numa espécie de loteria, mas desde o começo sabemos que é apenas uma espécie de marketing embusteiro, aqueles feitos para seduzir afim de mais assinaturas, adesões, o que for. Em tempos de internet, o prêmio se iguala ao famoso “Clique aqui e veja seu prêmio” e BAM! Tome vírus. Acreditando estar milionário, tenta partir a pé para Lincoln, Nebraska, é frustrado várias vezes por autoridades locais, familiares, todos sabem que um idoso, naquelas condições, andando daquele jeito, não pode estar desacompanhado, existe algum problema com aquele senhor andando solitário na estrada.
Então entra em cena David Grant, vivido por Will Forte, Will tem seus momentos de comediante no cinema e parece ser proposital da parte de Payne colocá-lo para viver um sujeito triste que a todo momento está esperando algo da vida, mas assim como seu pai, está deixando tudo passar para depois se arrepender do que não fez. Vive uma recente separação e no momento que é mostrado isso, a apatia do personagem perante seu relacionamento é mostrada de forma gritante. Existe um certo misto de inveja e admiração pelo seu irmão mais velho e bem sucedido, há um choque de conquistas, enquanto David é vendedor numa loja de departamentos, seu irmão, Ross Grant, vivido pelo sempre bem-vindo Bob Odenkirk (eterno Saul Goodman de Breaking Bad) é um quase ancora de telejornal, a carreira cresce cada vez mais, Bob também tem seus momentos de comediante e faz um bom contraste com seu personagem sério e sisudo, o que gostei é que não existe desprezo da sua parte pela falta de sucesso do irmão mais novo, pelo contrário, apesar da frieza do personagem, existe uma certa preocupação no seu jeito, nos seus olhos, seu modo de falar.
David percebe que o único jeito de acalmar seu pai é levando-o a Nebraska, mesmo ouvindo xingos e palavrões da sua marrenta mãe Kate Grant, vivida por June Squibb – ótima no papel – David embarca quase que sem destino para uma viagem sem sentido algum, mas que ganharia razões com o passar da trama. Existe alguns momentos de humor no filme e são muito bem dosados, assim como em Sideways, claro que desta vez um pouco menor, mas mesmo assim é muito bem encaixado, engraçado, leve... faz sentido com a trama.
Então...Nebraska cresce e ganha a todos, a família Grant se vê perdida no passado, em casas e ruas antigas, amigos e amores passados, por vezes, ao assistir ao filme, me vem à mente, junto com seus personagens e cenários, um jazz bem triste, bem solitário, já sentiu a sensação de querer inventar uma máquina do tempo para poder voltar ao passado e resgatar sonhos perdidos, deixados para traz, coisas que não fez? É isso que senti escorrer pelos olhos de Woody Grant. Quando o personagem diz que um dos seus sonhos “não importa mais”, me corta o coração. Como pode, um sonho, algo que você almeja tanto e ainda é audaz por chamar de “sonho”, que remete ao topo da sua vida, algo que só existe nos seus momentos mais íntimos...virar algo que não importa mais? Todos nós temos objetivos e sonhos na vida, coisas que são prioridades, tenho um medo desforme ao pensar que um dia esses objetivos ou sonhos possam não importar mais, que pessoas que foram especiais possam ser esquecidas, de forma proposital ou não, mas o que mais tenho medo é do arrependimento, da sensação de querer voltar no passado e anular/fazer qualquer coisa presa lá, que só vai aparecer na minha mente novamente... quando for tarde demais.
Lembra aquele seu parente mais velho com um papo monótono, chato? É você daqui alguns anos, o assunto fica chato, o que era moda fica ultrapassado, vai acontecer com você e isso é fato! Tem uma cena bastante simbólica pra mim, os personagens estão vendo televisão, são todos velhos, menos David, os velhos se entendem naquela falta de assunto ou naquele bate papo que não muda a mais de 30 anos, David olha confuso, tudo para ele parece sem graça, sem cor, mas é o que o aguarda, ele sabe disso, mas se cala, ele não critica, não grita, não fala nada, ele sabe.
Woody é um personagem interessantíssimo e merece uma boa analise, Bruce Dern é fantástico pois consegue expressar um turbilhão de sentimentos mesmo com a boca fechada na maior parte do filme. Eu não sei se seu esquecimento ou surdez é proposital, em certos momentos sei que é, sei como é triste querer ficar surdo para os problemas, para as broncas, sei como é querer apenas fazer o que se tem em mente e pronto. A forma como ele está com a esposa é bastante confusa, no entanto, respeitável, os filhos adotam o famoso “ em briga de marido e mulher, não se mete a colher “...mesmo querendo se intrometer, sabem que a forma que a mãe/esposa fala com Woody...é a maneira que ela tem de amar, no final do filme fica claro que existe um carinho, ela o beija e o chama de idiota...mas é o idiota dela, e só dela, é o velho, chato, turrão, teimoso, doente... DELA, e só dela, é bonito? Não sei, mas é a humanidade. Quando criança achamos que corações tem aquela forma bonitinha e vermelha, com uma pontinha no final, duas esferas em cima, então crescemos e vemos que é um órgão normal e muito asqueroso, cheio de sangue, veias, artérias, é feio? Claro, mas é a humanidade, o amor é isso, é aturar a velhice, as broncas, os arrotos na mesa, os gases na cama, a dentadura, as rugas, a demência...é feio? Claro, mas como disse, é a humanidade, somos o que somos.
Eu carrego comigo a mania de guardar no tato lembrança de lugares que estive, por várias vezes, ao abandonar um lugar que foi importante e marcante para mim, procuro gastar alguns segundos passeando os dedos pela madeira do móvel, da cadeira, da mesa, da parede, do que for, para ter uma memória da textura daquilo um dia, mesmo que só venha fragmentos ou uma falsa ideia de como era aquele objeto, aquele lugar...eu sei que lá no fundo minha memória brilha e de certa forma sorri como se estivesse dizendo: Eu lembro desse dia, dos momentos que foram vividos aqui, eu lembro...
A sensação que fica é que tudo vira poeira, locais marcantes, os amigos fiéis, a namorada do passado, tudo vira poeira de certa maneira, é triste e bonito, mas é real, igual a terceira idade, igual a velhice, igual nossos pais. Filme perfeito, nota 10
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A idade chega para todos, quando menos percebi...não tinha mais 20 anos, passei por poucas e boas, tive bons momentos, aproveitava a vida, um dia olhei no espelho e a porrada veio, problemas e problemas...mas já estava velho, barbado, o sorriso apresentava dentes e rugas, os famosos pés de galinha. Você olha jovens de 18 anos e pensa: Poxa, como passou rápido, era eu ali!
Os estagiários, filme dirigido por Shawn Levy, foca justamente na melhor coisa que o ser humano pode fazer em sua própria vida: Atualizar-se!
É uma comédia leve, faz uma pesada propaganda do Google, mas quem se importa? O que o Google nos fez de mal? Vamos deixar o gigante da internet falar um pouco, já que todos os dias aguenta nossas perguntas válidas ou inválidas.
Vince Vaughn vive Billy McMahon, um ótimo vendedor de boa lábia, simpático e otimista, está vivendo um bom momento até que vai parar no olho da rua, perde emprego, namorada e se vê sem opções, junto com seu amigo de carisma Nick Campbell, vivido por Owen Wilson, tipão divertido e galanteador. Mas o que acontece quando o mercado todo mudou e você não, nem tudo é pra sempre, muito menos seu salário. Da uma certa dorzinha no coração quando Vince digita no Google: Vagas para pessoas com poucas habilidades. Já me vi nessa situação, a molecada hoje em dia cresce e aprende rápido, tudo que sei hoje na minha área, tem criança de 15 anos fazendo...e as vezes melhor que eu (rindo pra não chorar, mas vale lembrar: sua hora também vai chegar, garotinho de 15 anos haha) ... Então, o que resta fazer? Chorar? Baixar a cabeça? Ficar no “liquidificador como duas moedas” – como citado no filme – e ser esquecido? Que outras opções nós temos? É preciso tirar o pó sempre, é preciso uma renovação, se aventurar, a tecnologia está aí? É assustadora? Seja mais assustadora que ela, seja um velho conectado, um intrometido, surpreenda, não existe coisa que você não possa fazer, não existe idade para tal coisa, meu cérebro quase trintão ainda funciona, quando for quarentão, cinquentão e até onde conseguir, estarei lá tirando a paciência de quem acha que estou velho demais para tal coisa, mas que não me mande procurar o professor Xavier, não adianta me fazer de besta, esse é do meu tempo =)
Filme divertido, nota 7
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O filme dirigido por Richard Ayoade (grande figura que sou fã desde Maurice Moss) é bastante sentimental, isso mostra que além de um ótimo comediante, é um diretor muito competente, sensível, com boas ideias.
Apesar de todo o clichê indie durante a trama – não é de se estranhar pois Ayoade é um hipster ambulante – o filme funciona muito bem, no começo demora para desenrolar, mas seus personagens crescem muito bem e o final torna tudo melhor, com mais sentido. Tente não desistir após os cortes, closes e toda investida cult que o filme carrega, apesar de tudo o roteiro se garante, se firma e conquista. Irrita um pouco tudo isso, mas de certa forma me pareceu bastante honesto.
Craig Roberts vive Oliver Tate, um garoto curioso, observador e que acaba caindo nas armadilhas do próprio monólogo, o filme começa com seu personagem fazendo reflexões sobre o pensamento humano, sobre pensarmos que somos únicos no mundo e que não há ninguém como você, como eu, como ele. Toda essa filosofia interna do personagem o faz buscar o melhor para todos em sua vida, até na pratica do bullying para conquistar uma paixão que adora fazer maldades, Oliver é bondoso e não consegue entrar tanto num personagem maldoso, muito pelo contrário, é bondoso e sensível com sua vítima. Oliver acredita que é responsável pelo destino de todos e que sempre pode ajudar alguém, mesmo fingindo desdém quase sempre, é um adolescente teimoso que insiste em resolver os problemas dos outros, é preciso aprender que não há jeito para tudo e que as vezes as coisas precisam se resolver sozinhas, mesmo que se resolvam de forma trágica.
Sua paixão de nome Jordana Bevan é vivida por Yasmin Paige, atriz de bastante expressão nos olhos, essa sim trabalha o desdém como ninguém, perfeita para o papel, faz o arquétipo daquela “garota do fundão”, aquela que parece se dar melhor com amizades masculinas do que com femininas, é sensível mas se esconde atrás de uma dura couraça que só se quebra com muita confiança, antes disso, posa de valentona, de rude, de moleca. Ainda está se descobrindo e é bastante bonito o desabrochar da personagem, é minha preferida no filme, a mais crua e real perante a morbidez de alguns personagens. Joana tem um ar de garota que quer ser descoberta e procura esconder seus sentimentos para não ser humilhada pelos colegas de bullying da escola. Digamos que paixão, amor e qualquer forma de carinho no filme é um tabu, seja no núcleo jovem ou no núcleo adulto, parece que o amor faz os personagens parecerem fracos. Ela carrega um doce olhar sínico e irônico, um deboche no sorriso e no jeito, toda essa autodefesa durona da personagem desmancha quando seu pai revela para Oliver, com palavras doces e bregas, que Jordana disse que Oliver roubou seu coração, a cena provoca uma timidez muito bonita na personagem e mostra que é só um tipo bruto mesmo para criar uma blindagem na escola, pois vem de um lar muito carinhoso, aconchegante, amoroso, muito diferente da realidade vivida por Oliver.
Os pais de Oliver são vividos por Noah Taylor e Sally Hawkins, casal envelhecido e empoeirado pelo matrimonio, Noah vive Lloyd Tate, um genioso professor subestimado em sua própria profissão, um grande potencial sem um pingo de carisma para o que pretende fazer, um homem que já teve seus bons dias de romântico mas hoje estagnou no conformismo da troca de alianças, é o avesso de sua esposa, tem caráter cético, frio, sóbrio, enquanto sua companheira, Jill Tate, vivida por Sally Hawkins, é uma mulher procurando por aventuras, romantismo, por algo que a deixe com frio na barriga, mesmo dentro do próprio casamento, insiste, tenta, mas está presa ao conformismo do marido, que as vezes reconhece sua própria apatia…mas nada faz.
Oliver é pego pelas ironias do destino, isso tudo acompanhado pela ótima trilha sonora criada por Alex Turner (Arctic Monkeys)…todas as melodias e letras casam bem com o filme, com as cenas, seu personagem tem um ótimo gosto para a música, para o cinema, e deixa isso transbordar para quem está acompanhando sua história.
o filme se divide em capítulos, coisa que achei meio desnecessária, me pareceu um pouco com ritos de passagem, como fases na vida do personagem, muito explicito ou literal, mas isso não atrapalha.A fotografia do filme é bastante bonita com paisagens frias, belos crepúsculos e muitas imagens refletindo todo o clima frio da cidade, o que acaba atingindo os personagens do filme que sempre estão agasalhados e afundados em cobertas na cama, as vezes parece que todos estão buscando um ombro, um colo, um carinho ou um pouco de calor humano.
A adolescência é sim um período difícil, por isso muitos nessa idade são confusos, chatos, emburrados, adolescentes costumam achar que tem a solução para tudo, as respostas para tudo, a separação dos pais é sempre difícil nessa idade, parece que o mundo vai desabar, anos depois isso parece apenas um fato triste na vida, triste, mas nada traumático quanto pode ser quando você ainda é um jovem conhecendo o mundo. Perder a virgindade também é outra questão importante, é como os pais cobrando boas notas, mas nisso são os amigos cobrando atitude, as amigas cobrando virilidade e a vida cobrando experiência.
Bom filme, nota 7
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Spike Jonze sempre foi um sujeito com uma sensibilidade enorme, desde seu trabalho com o Weezer ele se mostra criativo, é uma figura que sempre está calada no seu canto, fazendo poucos trabalhos, mas sempre deixando uma marca especial. Infelizmente é subestimado, muitas pessoas não conhecem o seu nome, talvez ganhe mais destaque agora já que seu filme ganhou algumas indicações no Oscar - sendo bastante subestimado na cerimonia - e por conta do tema, que trabalha algo muito atual. Spike também dirigiu I'm Here/Eu estou aqui, um curta com Andrew Garfield que conta a história de uma sociedade que vive com robôs que tem sentimentos humanos, é altamente recomendável. Assisti graças a uma pessoa que guardo com carinho no coração.
Ela, não é só um dos melhores filmes sobre o tema como um dos melhores roteiros já produzido, o filme todo é poético, bem estruturado e ganha qualquer um que já virou a noite em salas de bate papo procurando um amor, mesmo sabendo que as chances são mínimas. Vamos lá, nem tudo é sacanagem, nem tudo é sexo, revele-se para você mesmo e assuma, você já procurou um namoro virtual, você já se apaixonou por alguns pixels, você já montou uma imagem perfeita de alguém e quis que a pessoa fosse daquele jeito. Todos nós já fizemos isso.
Em Ela, Joaquim Phoenix vive Theodore Twombly , um rapaz sensível, simples, desajeitado e que trabalha escrevendo cartas de amor para pessoas que não querem mais perder tempo com isso, a grande jogada do filme já começa aí, Theodore sabe o que são sentimentos, ele entende disso, trabalha com isso, o diretor ainda é genioso em não fazer Theodore como uma figura reclusa, ele não cai no clichê do nerd esquisitão - apesar da aparência atípica do personagem - e constrói em Theodore uma figura que tem bons momentos com os amigos, sociável, falante, inteligente, alegre e muito interessante, consegue ter bons relacionamentos, fazer amizades e cativar até mulheres lindas, o que acontece no seu encontro com a personagem de Olivia Wilde. Sua relação virtual é inteiramente opcional, Theodore não esta mesmo desesperado.
Eu tenho que continuar falando sobre Theodore pois o personagem me cativou muito, o design de produção desse filme é um dos mais simpáticos que já vi, diferente do clichê futurista, em Ela a metrópole do personagem é toda baseada em Flat Design, toda chapada, cores fortes, pastéis, sem poluição visual, sem fios, tudo clean e de muito bom gosto! No entanto, Theodore, apesar de vestir camisas muito legais e com cores fortes - vermelho e amarelo nas cenas mais intensas - está preso num arquétipo do passado, aquele bigode totalmente "offline" daquele mundo todo, gritando ser brega e estiloso ao mesmo tempo, os óculos, a forma de andar, o cabelo sempre bagunçado, Theodore é mesmo uma figura que se destaca, é um romântico perdido no tempo, escreve cartinhas, coisa que ninguém mais quer fazer, gosta de bater um papo, tem um andar solitário, inspirador, sempre buscando uma fuga descansando o olhar no horizonte, naquele mundo, preso a cartas virtuais, tecnologia, jogos e todo tipo de modernidade, Theodore é como um Power Point bagunçado que recebemos de algum parente ou amigo, aquela pessoa humilde que mal sabe mexer na internet e quer compartilhar todo o tipo de frases ou imagens, Theodore é uma música antiga na balada, um fusca velho virando uma esquina chique, uma simples xícara de café feita pela sua avó, perdida num starbucks da vida, é impossível não notar, ele está la e é perfeito do jeito que é, não precisa de atualizações.
No filme vemos uma figura bem parecida com a de Theodore, Amy, vivida pela sempre linda Amy Adams, Amy tem um relacionamento que já nos minutos iniciais do filme mostra cansaço, namora um sujeito chato, controlador, sabichão, nota-se claramente que a personagem busca um pouco de respiro, de privacidade, de algo mais real, mesmo caindo na mesma paixão que Theodore caíra mais tarde, Amy ainda assim procura por uma amiga, por alguém que a ouça, que a respeite e que a faça rir, se sentir tranquila com coisas bobas, Amy não quer ser paranoica com sua saúde como o seu namorado é, na cena do elevador ela diz que tomar um suco de frutas pode ser bom para o corpo simplesmente por ser gostoso e só, contrariando seu namorado inconveniente.
Então entra em cena minha personagem do coração, estou amando essa personagem e entendo perfeitamente a paixão de theodore, é IMPOSSÍVEL não se apaixonar. Samantha, que é vivida pela super competente Scarlett Johansson, é uma tecnologia assustadoramente inteligente, além de possuir um vasto banco de dados sobre tudo, consegue absorver, filtrar, interpretar e questionar novas informações, tornando-se cada vez mais inteligente, cada vez mais independente e humana, aliás, em certo ponto, ultrapassa a barreira que o cérebro humano pode atingir. Uma das coisas mais bonitas do filme é o respeito entre as duas partes, em nenhum momento Samantha desdenha da limitação de Theodore, e o mesmo não a esnoba por não ter forma ou corpo, em apenas uma cena Theodore questiona as manias de Samantha e a mesma, indigna-se com razão, pois fica claro que "ela" é mais que uma voz.
Scarlett Johansson apresenta sua voz rouca, suave, doce, com sorrisos que arrepiam, aquele tipo de voz que gostaríamos de ouvir no café da manha e certamente dormiríamos melhor após ouvir o seu "boa noite", é simpática, interessante, cativante, faz Theodore se sentir único e especial, o fato de não ter corpo só incomoda no começo, com o passar do filme essa questão pouco importa para Theodore, para seus amigos e para o seu mundo. O filme tem cenas lindas dos dois conversando, passeando, admirando a paisagem, a fotografia é tocante e Spike é muito inteligente entrando na mente de Theodore com flashbacks sem fundo musical nem nada, apenas os ruídos do cotidiano, adoro suas lembranças, é como estar lá vasculhando a mente do sujeito.
Assim como em Blade Runner, o filme tem questões muito interessantes sobre a ficção científica, sobre a inteligencia artificial, quando Samantha se questiona sobre os seus sentimentos, me faz pensar que se você é programado para FINGIR um sentimento, como sabe que não esta o sentindo de verdade? Essas confusões que atingem até a super inteligente companheira de Theodore tornam o filme muito mais rico do que ele é! O que é o cérebro humano além de um banco de dados que guarda informações, traumas, sentimentos, planos e que todas as decisões que tomamos são baseadas em experiências que tivemos algum dia na vida? Não sabemos como funciona o cérebro de quem se apaixona por nós, sabemos como o nosso funciona...as vezes!
A trilha sonora do filme é muito leve, gostosa de se ouvir e por vezes se prende a instrumentos clássicos.
Gosto muito das questões finais do filme, algumas pontas abertas como o fato de Samantha estar se aprofundando em física, Theodore estar perdido num livro de física, o fato da inteligência ter se dado conta de que pode ir além do que foi programada e se juntado com seus iguais para buscar um lugar em comum, que claramente fica num lugar que nunca entenderemos e nunca teremos capacidade para entender, a física nessa parte me intrigou muito, onde estaria indo Samantha? O diretor sugestiona algumas questões de forma sútil, Samantha e seus "amigos" conseguem dar vida a Alan Watts, uma espécie de reencarnação tecnológica dele, Watts era famoso por abordar questões como o sentido da vida, a busca pelo conhecimento pessoal, a alta consciência e coincidentemente a verdadeira natureza da realidade, Watts também falava sobre a formação de um novo homem, um novo ser humano, o que coincide muito com os questionamentos que Samantha tem sobre si mesma, isso mostra que a inteligência artificial esta tentando se encontrar, se conhecer, evoluir cada vez mais. Alan também era um grande divulgador dos pensamentos orientais no ocidente, pensamentos que se voltam muito também para a espiritualidade.
Ela sempre será um filme atemporal, não importa quem o veja, um dia toda aquela tecnologia poderá ser ultrapassada, defasada, mas as questões sobre amor e companheirismo sempre serão atuais. O filme prova que o amor transcende o corpo e a tecnologia, prova que o amor não está limitado a fios ou neurônios, prova também que não importa quem você seja, maquina ou humano, de alguma forma você está passível de viver ou sofrer de amor, e não há tecnologia ou filosofia que diga que o que você sente não é amor.
Filme perfeito, nota 10
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M. Night Shyamalan é um dos diretores mais competentes e sem rumo que o cinema já teve, é triste ver que hoje em dia está se perdendo em modismos, quando se voltava para o suspense, conseguia assombrar e muito, fazia pausas, silêncios, criava bons personagens e mesmo que seja exagero da minha parte, eu conseguia ver tons de Hitchcocks em algumas cenas.
Sinais é um dos meus filmes favoritos e um dos filmes mais injustiçados da história, o marketing foi todo errado e focado na ficção, aliens e destruição do planeta, sinais, na verdade, é um filme sobre fé, sobre acreditar, é muito além da ficção, ele entrega conceitos mais amplos e vai da religião a ciência.
A trilha sonora principal é fantástica, progressiva, persistente, pode ser tocada "ad infinitum" que ainda será boa, constante, encaixa perfeitamente na vida dos personagens. Nossa vida é repleta de sinais, grandes e pequenos, as vezes relevantes, as vezes não...ou pensamos que não, Steve Jobs já dizia que a vida é como um jogo cheio de pontos, vc só vai ligar todos os pontos no fim da vida...e então vera um desenho formado por esses pontos, vc precisa fazer escolhas erradas, certas...passar por esses pontos e então tudo fará sentido! Até coisas irrelevantes, bobas, um dia ruim, um amigo que se foi ou uma conversa no trem, tudo pode fazer sentido mais tarde.
O filme trata sobre isso, sobre acreditar ou tentar ter um pingo de fé nas pequenas e grandes coisas.
Mel Gibson vive Graham Hess, um ex padre acovardado pelo medo, descrente em deus, uma espécie de ermitão com os próprios sentimentos, a cidade em que vive faz todo sentido e é muito simbólica com seu isolamento, apesar dos filhos, irmão, vizinhos, é um homem solitário, triste, amargurado e sensível. Não vou comentar muito sobre os problemas pessoais de Mel Gibson, é um dos meus atores preferidos mas tem lá seus problemas com cachaça, fala muito quando tem que ficar calado, no entanto, é um ator e diretor muito competente!.
"Que tipo de pessoa vc é, do tipo que vê sinais ou acredita que as pessoas só tem sorte? É possível que não haja coincidências?"
O filme se baseia quase que todo nessa frase...
Joaquim Phoenix é outro ator que sempre gostei, consegue ser um ótimo ator de drama como de qualquer outro gênero, é muito versátil. Nesse filme ele vive Merrill Hess, personagem irmão do personagem principal de Mel Gibson, Merrill é um ex jogador de baseball muito talentoso e solitário, assim como seu irmão, está vendo a vida passar depois de ter perdido coisas especiais em sua vida...no seu caso, o seu amor pelo esporte, sua carreira, ajuda a cuidar dos dois sobrinhos e por vezes se confunde com uma criança.
O ponto alto do filme é a fé entrando na prova de fogo, o filme tem certos erros e uma certa pobreza nos efeitos especiais, mas todas as questões levantadas, todas as coincidências são bem resolvidas, o filme mostra como até detalhes irrelevantes em nossas vidas podem fazer um efeito enorme no futuro, os copos de água que a filha de Graham deixa pela casa, a asma de seu filho e a força de seu irmão com um taco de baseball nas mãos...tudo faz sentido, até as ultimas palavras de sua falecida esposa.
Atente-se a detalhes pois Sinais é um filme se prende muito a eles, também gosto do silêncio das cenas, dos diálogos e da solidão e amargo que todos os personagens carregam. Mesmo as crianças do filme sofrem com isso, o filho de Graham tem um ar melancólico, triste, a filha tem um ar de quem sente falta da mãe, de uma presença feminina na família.
Pode não ser o melhor filme sobre o tema, mas ainda assim é um ótimo filme.
Ótimo filme, nota 8
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H.P. Lovecraft ao se aventurar pelo mito do horror e medo indescritível, aquele pavor que sentimos e nem sabemos explicar o sentimento vivido, deu vida a várias lendas e criações, tal como Cthulhu, o mau abismal que causa pânico e horror só por estar presente. Cthulhu é quase que sem descrição, é inimaginável e apavorante, igual a um pesadelo que de tão ruim, nem queremos pensar sobre.
Godzilla vem da cultura japonesa, o monstro é uma espécie de resultado de bombas atômicas, nota-se que a cicatriz feita em Hiroshima e Nagasaki ganham corpo, garras, escamas e um grito pavoroso, apesar de bancar o mocinho as vezes, Godzilla não é nada simpático, o gigante é a personificação do pesadelo dos japoneses, dos que viveram a bomba atômica e dos que não viveram, mas ouviram de seus parentes mais velhos, o medo é latente e a força do lagarto gigante é destruidora, insensível e irracional, tal como a decisão de um militar autorizando o lançamento de uma bomba, tal como um governo dando uma canetada que fere milhões através de megatons. Parece viagem? Não, Godzilla fez um estrago muito pequeno se compararmos com a sua progenitora, a bomba.
Deixando isso tudo de lado, Godzilla, bastante cultuado na cultura japonesa, ganha sua nova versão americana em 2014, o que mais gostei e o que menos gostaram - pelo menos os desavisados - foi a fidelidade, a sobriedade, o Godzilla de Roland Emmerich, filme de 1998 que faço questão de enterrar no esquecimento, criou um dinossauro que mudava de tamanho a cada minuto do filme, se nutria de sardinha, não conseguia nem matar o Ferris Bueller/Matthew Broderick - Save Ferris - e nem de longe aterrorizava como o original, que não lembrava um dinossauro. Gareth Edwards, que dirigiu Monstros, grande suspense que consegue aterrorizar sem mostrar ou apelar para criaturas, foi fiel, criou um ser sem modismos, sem querer agradar com visuais mais esguios, estilosos, visuais que encaixariam muito bem numa tatuagem, assim como o Godzilla de Emmerich, que é estiloso, bonito, esguio, mas não é o Godzilla, e todos perceberam isso, principalmente os japoneses. Todos queriam o Godzilla "Old School", gordo, cara de bolacha, olhos apertados, barrigudo, desajeitado, estabanado, lento e quase que desforme. Com seu berro/uivo/grito/choro/ tão ensurdecedor quanto um refrão do calypso - ok, não é tão pavoroso assim, é até simpático - lembra muito um choro e por vezes me faz pensar que é um filhote ou algo assim - mesmo o filme deixando claro que não é.
O elenco é afiadíssimo, Gareth é esperto e utiliza Bryan Cranston na parte mais dramática do filme, ator de competência inigualável que vem de uma escola de séries e comerciais, estava ali, suando a camisa até ser descoberto em Breaking Bad, pena estar colhendo os frutos só agora com quase 60 anos de idade, mas ainda tem muita lenha para queimar e merece um destaque melhor.
A parte jovem do filme, para alinhar o público jovem com o mito do passado, tem Aaron Taylor-Johnson, famoso por Kick Ass, é como transportar a nova geração para o passado e dizer: Veja, esse é o terror que vivemos no passado! É como lembrar o jovem, ou tentar através de um filme, os perigos da industria bélica, mesmo que seja através da ficção.
Rodan, o "inimigo" de Godzilla no filme - ainda me perco nesses nomes - , é uma criatura pavorosa, má, raivosa e gigantesca, de instinto mais selvagem que o lagarto, tem um design que pra mim parece mais pavoroso e assustador que o monstro do título, lembrei bastante da figura de Cloverfield, ela faz você torcer pelo Godzilla, é como escolher o menor dos males. O filme também conta com Ken Watanabe, o laço com a cultura japonesa, é um ator que gosto muito mas que na minha opinião, está bastante canastrão no filme, em todas as cenas está com a mesma cara de desiludido e perdido, sei que o personagem é isso, mas ao lado de Bryan Cranston, ficou um pouco pequeno pra ele, só que afirmo novamente que sou muito fã do japonês.
Voltando a Lovecraft, vou para o defeito que me deixou bastante triste com o filme, nos trailers a coisa mais legal era tentar adivinhar o tamanho da criatura, eu gostei sim dos efeitos e da criação toda, mas faltou algo ali de sombrio, apesar do filme ter várias passagens sinistras, aterrorizantes, utilizando muito bem o silêncio, no final o filme vira uma guerra de monstros qualquer - o que é de se esperar nesse filme - só que não apresenta nada de novo. Eu esperava um pouco de horror, de lovecraft, talvez o fato de não gostar de quase nenhum filme de terror por achar todos fracos e bobos - a grande maioria - fez com que esse filme parecesse um pouco "normal" para mim, legal, mas nada novo. Lovecraft assustava com detalhes, com palavras, não precisava de imagens, acho que faltou um pouco de conceito, de horror, faltou um pouco de "Nas Montanhas da Loucura"
É totalmente perdoável pois o filme é ótimo mesmo assim, trilha sonora, fotografia, efeitos, mas vou ficar esperando a continuação, Gareth é um bom homem e sabe abordar muito bem o suspense, melhor do que Emmerich ele já fez, muito melhor, valeu as horas na poltrona do cinema, basta fazer um filme a altura do grande Mito/Lagartão/Monstro/Preta Gil/Godzilla
Bom filme, nota 8
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Hitchcock, o mestre do suspense, cria uma atmosfera horripilante, com closes, ângulos e tomadas incríveis, todo o filme parece um pesadelo, muitos diretores se alimentam de Psicose até hoje, é possível ver o mesmo clima em The Machinist, longa de Brad Anderson com Christian Bale no papel principal, famoso filme onde Bale emagreceu de forma assustadora, no filme vemos um personagem carregado de culpa, uma atmosfera de pesadelo, de penumbra e um crepúsculo eterno nos céus, tudo pesando nas costas do personagem. Psicose praticamente fez o parto desse filme e de outros, não que Psicose não tenha suas influências, é claro que tem, o ar noir, os diálogos e até aquele clima anos 30, mesmo o filme sendo de 1960. Hitchcock preferiu filmar em preto e branco, mesmo tendo a tecnologia das cores já disponível, alegou que o filme ficaria muito ensanguentado, é claro que tudo acabou ganhando um ar muito requintado.
As sombras do filme fazem o branco explodir em luzes nos rostos dos personagens, as expressões saltam sempre e todos os sustos parecem duplicar, a iluminação é quase que um personagem principal no filme todo.
Tudo custou apenas US$800,00 mil – digo “apenas” pois para os padrões de Hollywood esse valor é extremamente humilde – e faturou US$40 milhões nas bilheterias, grande feito, grande investimento do estúdio já que tudo foi muito econômico, Hitchcock comprou os direitos do livro por apenas US$ 9 mil.
Saindo um pouco dos dados técnicos, o que me chamou atenção no filme foi o excesso de culpa que ele carrega, todos os personagens tem o seu próprio inferno, Janet Leigh, que interpreta Marion Crane, é perseguida pela culpa, pelo medo, o filme nunca mostra seus principais objetivos, mas gosto muito do fato dela estar sempre correndo da própria imaginação e de estranhos que conseguem ver em seus olhos o medo quase que físico e latente, é perseguida pelos pensamentos e por estranhos. Gosto muito do policial que a vigia, do vendedor cansado de problemas e até do manobrista. No final da cena da compra do carro, os três a fitam sair do pátio da loja, olhares confusos e que a cercam, novamente Marion está sendo vigiada, mas não só pela sua culpa.
Temos o mocinho que não deixa claro se é realmente o amor de Marion ou apenas um Affair, Sam Loomis, vivido por John Gavin, tem pouco espaço no filme mas é importante para alimentar mais ainda o sentimento de culpa na trama, assim que Lila Crane - vivida por Vera Miles - , irmã de Marion, sente falta da irmã, procura Sam Loomis e o cobre de culpas e suspeitas, desconfia que Sam esconde sua irmã ou até fez algo pior. Então surge Arbogast, investigador que surge do além para culpar Lila Crane e o seu quase cunhado, Arbogast, vivido por Martin Balsam, é a figura esculpida do clássico detetive, investigador, até olhos cerrados e sorriso irônico o personagem carrega, gosto muito da atuação e me parece bastante contida, divertida, Hitchcock é sádico e nos mostra o que os personagens querem saber, sabemos parte da solução da trama, os personagens não, mas o pior ainda está no final, é mais trágico e assustador do que parece.
Então entra em cena o meu personagem preferido, Norman Bates, vivido por Anthony Perkins - ótimo, por sinal – um rapaz simples, de sorriso fácil e simpático, muito solicito, falador e completamente dominado pela mãe. Admito que tive uma certa suspeita do final da trama ao ver o close nos olhos de Norman Bates e ver os seus cílios saltando, quase que maquiado e com uma fala doce demais, se não fosse a ótima atuação de Perkins, toda a trama seria solucionada assim que o personagem abrisse a boca.
Norman Bates é tímido e apesar de tudo parece um romântico a moda antiga, convida para jantar, faz companhia e até tem um passatempo bastante estranho mas completamente natural para um rapaz como ele. A sua personalidade é frágil, doce, o seu lado garoto, que ainda é evidente para nós, mostra um rapaz bastante solitário, aquele tipo que não machucaria uma mosca.
A famosa cena do chuveiro até nos faz pensar que Norman vive um inferno, aos poucos vemos que ele é dono desse inferno. Na cena em questão, o sangue é calda de chocolate, ideia do Hitchcock, janet Leigh grita como ninguém e mesmo sem nenhum grau de violência gráfica ou aparente, a cena é aterrorizante, agoniante, a trilha sonora esfaqueia duramente nossos ouvidos, o violino emula muito bem gritos agudos, é cortante e afiado, arrepia. Ainda cismo que vi a câmera e o Hitchcock nos olhos da personagem na parte final da cena do chuveiro.
Os cenários foram muito bem escolhidos, reparo sempre na “tara” que Hitchcock tem pela imagem da metrópole, das ruas, cenas no volante, civilização, Festim Diabólico usa de background uma grande metrópole e começa com uma boa tomada da cidade, assim como em Psicose. A casa da família Bates é assustadora, fantasmagórica, antiga, no alto de uma pequena montanha e com uma escadaria sinistra, sempre filmada de longe, parecendo uma pintura antiga, uma típica mansão mal assombrada.
Hitchcock merece mesmo a fama que tem, não existem filmes como Psicose, apesar de alguns detalhes que não gostei no final, o didatismo de um personagem bastante infeliz, explicando a trama toda e subestimando a inteligência de quem assiste, o filme fecha muito bem, assustadoramente bem, a escolha de Anthony Perkins foi muito boa, a sua transformação horripilante, em segundos, explica muito bem o título do filme, seu sorriso não é nada além de psicótico e gentil, apesar das influências claras de Ed Gein, ninguém pode reclamar, Norman Bates é um ótimo e prestativo anfitrião.
Ótimo filme, nota 8,6
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Iñárritu apresenta uma obra que acaba fazendo “vazar” um pouco de seu pensamento sobre a morte, é impossível não notar o toque delicado em cada cena e o cuidado empregado em cada personagem, cada dialogo, cada cena.
O filme trata de um assunto muito pesado: O respeito com o ser humano, em vida e em morte. A escolha de Javier Bardem foi muito feliz pois o ator conta com um ar de experiência no rosto, um ar sofrido mas paternal, de acolhedor, o personagem vive de negócios ilegais e a todo momento carrega nos olhos a dor de estar prejudicando alguém, o pesar se encontra na falta de humor do personagem, sempre pra baixo, tristonho, sem um traço de orgulho, é possível contar nos dedos quantos sorrisos o personagem da, quantas vezes você o vê confortável, satisfeito, o filme retrata muito bem sonhos que deram errado, esperanças perdidas e como isso pode passar de pai pra filho, o pai que era jovem, bonito, irreverente e acaba sumindo no mundo, o filho que um dia vira pai e não pode sustentar direito seus filhos, vive na miséria, os filhos desse pai que vão acabar sozinhos, imigrantes ilegais com uma esperança de vida melhor tendo sua dignidade roubada, o amor se desfazendo por conta de drogas, por conta da maldita realidade que sempre teima em nos achar…é um filme triste, pesado mas necessário.
Javier Bardem merecia todos os louros por essa atuação, todos estão bem no elenco, um filme sensível, forte e arrebatador, sua duração é totalmente justificável, impossível ser tão visceral e pequeno num assunto como esse, a obra é grande em vários aspectos…o final conseguiu me deixar feliz e triste ao mesmo tempo, a fotografia, o angulo fechado, a trilha sonora e a mensagem que entra quase que sutilmente em nossos cérebros: Estamos todos vivos e sempre estaremos.
Nota 10
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Roman Polanski dirige um noir focado num escritor envolvido em uma trama que faz até o próprio personagem não acreditar no que está vivendo.
Os cenários e locações muito bem escolhidos, dando um clima pessimista, caótico e frio, não há quase um pingo de vida nos personagens já que o personagem principal não possui família, não liga para relacionamentos e a família do primeiro ministro vivido pelo Pierce Brosnan está desmoronando.
O clima chuvoso, os tons de cinza e o clima tenso fazendo todos os frames do filme parecerem um escritório burocrático abandonado no tempo fazem o filme ser um bom representante do que é e sempre foi os bastidores da política
Uma trama muito bem estruturada e calcada na falta de esperança, mistério e solidão.
Bom filme, nota 8!
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Vi em IMAX e em 3D no Bourbon, impossível escrever pouco.
Minha resenha:
Muitos estavam com medo das mãos de Zack Snyder sob o mais antigo e clássico herói dos quadrinhos, Zack Snyder é um ótimo diretor, muitos criticam seus maneirismos, seus “slows”…mas é um diretor necessário, é preciso coragem para assumir projetos que ele tem assumido, Watchmen que é uma HQ quase que “infilmavel” passou pelas suas mãos com muitos méritos, há erros ali, claro, mas ainda assim é um filme muito bom tecnicamente falando, os atores estão bem dirigidos, a trilha sonora é precisa e bem escolhida, ele fez o que deu e ainda apresentou algo a mais.
Em O homem de aço já era de se esperar um pouco do ar Christopher Nolan, a sobriedade, a frieza e o pé no chão, Kal-El ( poucas vezes chamado de Superman ) não é um esbanjador de poder, não é alguém centrado e controlado, muito pelo contrário, antes de saber que é um alienígena, já se sente um, o filme trata muito sobre criação, caso seu “berço” tivesse caído em outro lugar, talvez 12 horas de distância…poderia cair na Russia ou em qualquer outro lugar onde a sua criação poderia ter sido militar, assim como Zod, Kal-El poderia ter sido uma arma nuclear, dependendo de como fosse criado, mas o que é o acaso, não é mesmo? Kevin Costner ( muito competente, passando um ar de experiência muito grande ) está fantástico e seu personagem tem momentos muito bons, era preciso esse “tutorial” todo para sabermos de onde vem o tal bom mocismo do herói, era preciso mostrar a destruição de krypton, a política de colonias e toda aquela sociedade “programada” para o sucesso finalmente entrando em ruínas, era preciso o choque cultural entre a criação automatizada de Zod e a criação simples e humilde de Clark, a criação talhada em ensinamentos simplórios, baseada num homem rural como o pai dele, valores humanos que Krypton havia esquecido há muito tempo, talvez Kal-El tenha se beneficiado pelo fato de seu pai ser um anarquista em Krypton, ele realiza o parto da esposa, algo que não é bem visto em Krypton, para seu pai de Krypton, aquele lugar já teve sua chance, também.
Após uma boa e longa detalhação sobre seus anos na terra, sobre como os ensinamentos de seu pai moldaram seu caráter, com cenas lindas, de encher os olhos, com uma fotografia charmosa, viva, a câmera balançando e arqueando como se estivéssemos documentando os segundos da vida do alienígena na terra, os flashbacks muito bem selecionados e adicionados em momentos oportunos…temos então finalmente o momento que o filme BRILHA e se destaca totalmente dos outros filmes já produzidos do herói, nesse filme finalmente vemos o SUPERMAN brigando, algo olho por olho, dente por dente, não existe mais essa de Superman salvando gatinhos presos em arvores, aquele poderio todo para impedir bandidos de roubarem joalherias, em todos os outros filmes vimos um ser com uma força dantesca a guardando e a usando para nada, hoje podemos ver do que sua força é capaz. Os efeitos são incríveis, as batalhas são épicas e o General Zod ( me desculpe Terence Stamp, esteve ótimo…mas ) finalmente pode ser chamado de GENERAL…seu uniforme e postura impõe respeito, Michael Shannon ( sempre ótimo! ) passa frieza e calculismo, apesar das boas e más intenções…é um vilão de fins justificando os meios.
Amy Adams, uma atriz que dispensa comentários, finalmente entrega uma Lois Lane repórter, investigativa, que FAZ investigações e matérias, que deixa claro ( através das palavras do simpático Laurence Fishburn ) que é uma repórter de renome, com um nome a zelar, gostei do filme não ter focado em romance mas em encontros, em como cada personagem se relacionada com o outro.
Henry Cavill merece destaque, entregou um personagem visceral, preocupado, ansioso e que procura de todas as formas criar uma identidade, sendo humana ou não ( a resposta vem no final ). O Superman com mais forma humana e não parecendo um boneco, cultivando barba e pelos nos peitos, digno de um homem criado na fazenda… é bem vindo e muito bem construído, Brandon Routh pode ter o tipo mais Christopher Reeve, mas está muito atrás de Cavill na entrega do personagem.
A duração era necessária, assim como em Batman Begins, vemos um “novo” Superman, vimos um “novo” Batman nascendo, agora foi a vez do kryptoniano, vimos a filosofia de justiça sendo moldada em Bruce Wayne, seus medos sendo enfrentados…dessa vez vimos Kal-El se transformando em Clark Kent…em Superman, as lutas sendo comparadas com Dragon Ball não fazem sentido, façam o contrário, Dragon Ball nasceu nos anos 80…Superman surgiu nos anos 30, é um senhor e muito dos heróis de hoje ( Marvel ou não )…devem a ele.
A trilha sonora orquestrada é muito bem conduzida por Hans Zimmer, na parte drama lembra um pouco de “O Gladiador”…passando um clima de mistério, conhecimento, nostalgia e saudades do pai, família, do que perdeu e do seu deslocamento no mundo…na parte catástrofe ela se encarrega de acompanhar sonhos físicos e materiais se rompendo, explodindo e voando pelos ares, a melodia encarna uma espécie de Wagner e orquestra com todo expressionismo a arquitetura da destruição, algo que só provem através do ódio e da vingança emanada pelo vilão, cego e programado para de certa forma ( e de forma irônica )…dar vida ao seu povo, mesmo que isso custe vidas.
Nota 10
PS: Feliz aquele que viu entre os escombros os logotipos da Lexcorp e da Wayne Enterprises
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Uma coisa temos que admitir, Michael Bay sabe filmar um vídeo clip como ninguém! Aqueles que reclamam da superficialidade dos personagens ou o que for… apenas pense que Michael Bay vem apresentando seus trabalhos faz tempo, Transformers e outros…então vocês já estavam avisados sobre esse filme, não reclamem, o trailer é honesto e a divulgação toda é honesta…é uma história REAL coberta de futilidade…o trailer avisa isso e toda propaganda avisa isso, não acusem esse filme de desonestidade, ele não se vende como algo a mais, ele realmente entrega o que promete.
Falando do filme, é um grande vídeo clip, se não se pode aproveitar tudo…pelo menos aproveite os multi ângulos, os zoons, a câmera girando…como eu disse, Michael Bay sabe fazer um vídeo clip, todas as cenas possuem um ar pop, colorido, frenético, isso é divertido, a apresentação de todos os personagens ( na preguiça, Bay resolveu deixar os personagens falarem por eles mesmos… ao invés de construí-los aos poucos, até o personagem cabeça de bagre do Dwayne Johnson/The Rock tem seus monólogos ) são boas, são movimentadas e interessantes, Michael bay é ótimo filmando alguém saindo de um carro.
É claro que o filme tropeça na própria história, é real…e vazia, o filme faz uma dura crítica ao “American way of life”..ao “sonho americano”, em vários momentos é possível ver a bandeira americana balançando ou estampando o background da cena…os EUA contam com um número gigante de obesos, mas também…é a nação do Body Building, muitos nomes vem de lá, se por um lado a America é obesa, por outro é musculosa e repleta de suplementos, academias beirando a praia, aquele clima de sol, biquínis e carrões…a cara do Michael Bay, em uma das cenas é possível ver o mesmo recurso de câmera que ele usou em “Bad Boys 2″…o que mostra que o diretor é fã do próprio estilo ou não evoluiu mesmo.
Eu gostei de todos no elenco, principalmente do Mark Wahlberg que além de se divertir muito, faz muitas caras e bocas, o filme tem seus méritos, se passa nos anos 90 e realmente tem o clima da época, tem cara de filme de locadora, filme pra se divertir.
Não é tão ruim, seu potencial pra ser ruim é muito maior, o tema, o diretor e tudo…mas no final achei bastante divertido, apesar das maluquices, da “porralouquisse” toda…o filme é divertido.
Não esperem algo cabeça…os 3 personagens principais são três patetas sem um pingo de juízo, superficiais e burros demais, o diretor filmou um filme sobre robôs que se transformam em carros, um dos atores é ex lutador de wrestling que apesar do tamanho…tem um certo carisma…Mark Wahlberg ( que gosto muito )…é o ex “Marky Mark and the funky bunch”…e você esperando uma obra do Kubrick? Da um tempo! Faça um churrasco, chame os amigos da academia, deem muitas risadas tomando whey e pensem: Sem dor, sem ganho!
Nota 7
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Um grande exemplar maduro, rico e ao mesmo tempo humilde e simples por conta das suas limitações. Uma grande história contada de forma simpática e simplória, é possível colecionar conselhos e sabedorias durante o filme todo.
Os atores são esforçados e as lutas são muito boas, toda a equipe técnica é bastante competente, transformaram um simples e pequeno Junco numa grande obra artesanal, gosto de cinema assim, até nessas horas ensinam boas lições.
O personagem principal ( que realmente existiu ) é uma pérola de pessoa, apesar da riqueza, fama e sabedoria, é um homem de muito valor, muito querido e importante para todos, não por conta do seu dinheiro, mas por conta do seu caráter.
A história mostra um pouco da invasão japonesa na China, a falta de respeito com uma cultura, com seu povo e suas tradições…como um povo unido é capaz ( mesmo que usando os próprios punhos) de derrubar tiranos…e como a luta…bem orquestrada e manipulada, ao contrário da violência, pode construir respeito…não medo
Grande filme, nota 10!
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Nolan já mostrou seu estilo, em amnésia ( início de sua carreira )…ele provou que sabe dirigir, ainda não tinha se encontrado num estilo, mas ali provou uma eficiência enorme na questão inovação. Não que tenha sido super original…mas ali o diretor mostrou que sabe fazer algo diferente do corriqueiro.
The Dark Knight Rises é uma obra recheada de eventos que contam boa parte da história humana e até parte da história política do mundo. O filme que em seu caráter é totalmente anti-revolucionário, anti-ditadores e ideologias até de esquerda ( nota-se que Bane, ao chegar na cidade, faz a luta de classe, coloca os pobres contra os ricos, massacra os ricos e incentiva o roubo de grandes fortunas, também promete fazer uma revolução e entregar a cidade ao povo…mas está claro para o telespectador que é só um discurso barato com um viés político muito mais sinistro e mórbido, quantos ditadores chegaram ao poder prometendo revoluções, melhorias…mas no fundo o que fizeram foi sentar em um trono, desfrutar das riquezas roubadas, das mordomias do capitalismo e massacrar o povo no frio, fome e escuridão, basta olhar para a triste realidade da Coréia do Norte e de Cuba ).
O grande herói do filme, por ironia, é um empresário capitalista, que doa dinheiro para orfanatos, tem centros de pesquisas e investe na cidade…Mr. Wayne.
No entanto, para não se ter somente o caráter de extrema esquerda revolucionário em foque no lado escuro da trama, Nolan faz a justiça de vestir o Bane como militar, com um exercito, dando tons também de uma revolução ala Pinochet ( extrema direita )… no fim o que fica claro é a luta pelo Welfare State, já que a vitória só é alcançada através da união dos serviços públicos como a polícia (covardemente massacrada e desacreditada) e a iniciativa privada (Batman e seus recursos).
Com direito a tribunais claramente inspirados no romantismo da revolução francesa (assim como o sobretudo do Bane que foi inspirado em casacos da revolução francesa, com cortes que lembram também os casacos da SS da Alemanha nazista de Hitler )…Nolan nos apresenta o final da trilogia que pegou todo mundo de surpresa, Batman que sempre foi motivo de piada no cinema, ganhou três filmes tensos, densos, dramáticos e realistas.
Um filme sobre a sociedade moderna sofrendo com ideologias antigas, um filme sobre liberdades individuais e poder, a obra se mostra grandiosa do início ao fim.
Os detalhes na construção de cada fala, a voz criada para o vilão e como o herói é totalmente o oposto dele, mesmo carregando origens de guerra parecidas (vozes deformadas, teatralidade e treinamento na mítica Liga das Sombras)…ainda são o inverso um do outro, enquanto Batman cobre a parte de cima do rosto, só mostrando a boca, Bane cobre a boca só mostrando os olhos com uma incrível e assustadora atuação do sempre bem vindo Tom Hardy.
Em The Dark Knight tivemos um vilão com físico fraco e com uma mente forte, um estrategista do mal, um digno agente do caos com um único interesse: Ver o circo pegar fogo (dito por Alfred).
Em The Dark Knight Rises, vemos o “recurso” (Miranda/Talia Al Ghul) e o “braço” (Bane)…se antes tínhamos questões psicológicas em torno da natureza do herói e do vilão, cenas de interrogatório onde as personalidades se confundem, fazendo o herói agir de forma extrema e o vilão, com uma simples lábia virando a cidade de ponta cabeça, agora temos as personalidades muito bem definidas, Batman é o herói de Gotham e Bane é seu algoz, não há dúvidas.
As mensagens que o filme consegue carregar passeando através da trilogia, o fato de sabermos que Bruce caiu num buraco quando era pequeno e era questão de tempo até ele sair do buraco que foi jogado de novo, a oportuna pergunta feita pelo seu pai no primeiro filme: “Por que caímos, Bruce?”…fecha a trilogia com a resposta perfeita dada por ele mesmo: “Para aprendermos a levantar”…resposta também anunciada desde o título: The Dark Knight Rises!
Ótimo filme, nota 10!
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Pixels: O Filme
2.8 1,0K Assista AgoraNão parecem pixels
(500) Dias com Ela
4.0 5,7K Assista AgoraEntão vamos falar de Tom hansen, pra variar um pouco. Tom trabalha com criação numa empresa que produz cartões comemorativos, de festas, eventos, aniversários, o que for, é preciso um grau emocional maior para desenvolver esse tipo de trabalho, conheço pessoas que produzem escrevendo e é bastante difícil manter uma linha original sem cair no clichê. Tom parece bastante a vontade com a vida que leva, até que surge uma ruptura na sua vida, seu primeiro contato o faz congelar dos pés a cabeça, ironicamente isso é ocasionado por alguém de nome Summer.
Mas vou me manter no Tom por enquanto, quanto é difícil ver por aí homens assim, que vão de Smiths a Pixies, de Regina Spektor a Doves, Tom entende de sentimentos, de relacionamentos, sabe não ser clichê e sabe o que quer quando cruza com Summer. O filme começa com um enorme discurso sobre quem é Summer, da forma que é colocada, pode se ver tons de que o diretor quer que a Summer seja um ser humano diferente dos outros, não, não é, a escolha de Zooey deschanel para o papel é bastante inteligente pois é uma atriz com traços bastante únicos, desde Almost Famous e outras pontas em flimes, ela sempre preenche a tela com seus olhos enormes e brilhantes, qualquer um ficaria bastante tocado com a sua presença, assim como Tom ficou. Então vou ao ponto dizendo que se por um lado o diretor tenta carimbar na Summer a imagem de alguém nascido de forma diferente, é justamente em Tom Hansen que vai essa imagem.
Existem centenas de homens agindo como a Summer, existem centenas de homens ficando por ficar, não se apegando a ninguém, o diferente disso é que Summer é independente, inteligente, ela nota o valor que existe no Tom, sua cultura, sua forma carinhosa, meiga, protetora, mas não vê nada além disso, uma pena. Digo que Tom é a figura diferente do filme por não ter os vícios de vira lata que muitos homens tem.
Tom é o cara que nota detalhes nos olhos, pele, é o namorado que vai notar quando você cortar a franja, quando você pintar as unhas, é o namorado que consegue associar a você as melhores canções, Tom vê em você o romantismo folk de Simon & Garfunkel e ensaia sem mico nenhum, na própria cabeça, os passos mais bregas de um musical regado a Hall & Oates, com claras menções aos anos 80 e toda bagagem infantil que ele tem no coração. Tom é bastante puro no amor que sente, associa seu gostar a coisas puras que guarda em si mesmo e de forma secreta, quase que como uma criança. Summer não está no mesmo mundo, esta “en passant”. Se por um lado, assim como eu, Tom é o cara que guarda as musicas do casal na cabeça, momentos, filmes, piadas e até brincadeiras no cobertor, se por um lado Tom se lembra sorrindo até das pequenas brigas, aquelas bobas como que filme escolher na locadora, que sabor de pizza pedir e “essa música de novo?” – Como Rob e Laura em High Fidelity, esse sim, meu casal preferido e bastante adulto – por outro lado, Summer já virou o disco, aliás, enquanto Tom gosta de vitrola, Summer quer a MP3, Summer não está mais avançada que Tom, só não pertence ao mundo que Tom pertence, enquanto Tom quer pegar nas mãos, Summer está preocupada com qual cor vai colocar em suas unhas. Os dois personagens tem pontos positivos, mas as atitudes da Summer, que ela tem todo direito de ter, está catalogada em cada homem que vemos pelas noites todos os dias, o diferencial, é que Summer respeita Tom e deixa claro para ele que não quer nada sério, o errado é o Tom por insistir em algo que está fadado a fracassar, mas o que eu disse para mim mesmo, ao me ver no Tom quase que o filme todo é: Tom, continue errado, e para sempre, não mude, o verão acaba e logo vem o outono. Tom Hansen é raro, já o verão, esse vem todo ano.
Summer é uma personagem que gosto bastante, seus vestidos, cabelo, seu olhar, sua forma de ver o mundo, mas citando High Fidelity de novo, meu filme de cabeceira, depois de ver a personagem Laura terminar um namoro pra fazer o namorado se tocar e crescer…ver que é um grande cara – e nesse aspecto, Summer não serve nem para fazer as unhas do pé da Laura, quanto menos discutir um relacionamento por igual já que Laura é incrivelmente mais adulta – vejo que Summer não é como o filme tenta pintar, após o Tom, Summer já aparece casada, primeiro do que ele, infelizmente não viu em Tom o que viu no marido, totalmente compreensível, mas é bastante comovente ver o Tom ouvindo isso, Tom que é vivido pelo brilhante Joseph Gordon-levitt, expressa muito bem aquele olhar de um sonho sendo destruído, de algo que queria muito na vida, se tornar impossível, já passei por isso, é impossível fazer alguém gostar de você, Summer está certa em falar a verdade e escolher o melhor para ela, mas Tom também está em querer viver o seu sonho, ao assistir o filme, é impossível não notar o sorriso sem graça do Tom ao perguntar algo como: Por que ele e não eu?
Talvez essa seja a pergunta que mais tememos fazer, a resposta nunca nos fará sair pela rua dançando como se tivéssemos só 12 anos.
Em todo caso, os dois personagens são especiais, Summer fechou seu ciclo e casou, Tom encontra sua nova estação, alguém para fazer tudo o que escreve em seus cartões, vejo as duas personalidades como algo que não pertencem ao sexo feminino ou masculino, conheço homens com atitudes de Summer e mulheres que agem como o Tom, infelizmente é raro carregarem a bagagem cultural que os dois personagens carregam. Também é triste ver que personalidades como a do Tom não são valorizadas, sendo um homem agindo como o Tom, sendo uma mulher agindo como o Tom…ninguém valoriza, mas as Summers, mulheres e homens com essa personalidade, nunca estão sozinhas.
Por um mundo com mais pessoas como o Tom, e que pessoas como a Summer não sejam só mais um verão em nossas vidas.
Ótimo filme, nota 10
Whiplash: Em Busca da Perfeição
4.4 4,2K Assista Agora“Não há duas palavras mais danosas do que ‘bom trabalho‘”,
Whiplash, filme estrelado pelo genial e subestimado J.K. Simmons e pelo já promissor Miles Teller, conta a história de um garoto fã de jazz e bateria que quer se tornar um ótimo músico, para isso, precisa entrar na melhor escolar de musica dos estados unidos, para quem já viveu de música, já se envolveu com música, sabe que apenas isso já é difícil, é um sonho grande, conservatórios musicais ou até a mais simples escola de música costuma exigir excelência e dedicação.
Tudo já parecia difícil para Neiman (Teller), a escolha da profissão, uma pequena pressão do pai aqui, outra da namorada ali, apesar da dedicação, ainda se acha amador, para os olhos do público o garoto já é muito talentoso, mas para a grande figura do filme, Terence Fletcher (Simons), Neiman é só mais um achando que jazz é coisa de criança. Definidamente…não é!
Eu recomendo pra quem quiser começar a ouvir jazz, que vá em coisas mais fáceis de digerir no começo, pois o estilo exige bastante dos seus ouvidos, sentimentos e atenção, procure por Kind of Blue do Miles Davis, A Love Supreme do Coltrane ou até mesmo Doo-Bop do Miles, nos anos 90 Miles se aventurou pelo ainda tímido rap, nu jazz, experimentou coisas novas e deu um resultado muito agrádavel.
O Jazz do filme lembra muito Big Band, com bastante metais, é um barato de se ouvir, bastante divertido.
Voltando ao filme, sempre acreditei que meus melhores professores eram aqueles que cobravam muito, não só professores, mas no próprio trabalho, quando você acha que deu seu melhor, vem alguém e cobre seu trabalho de defeitos, fazendo você ver pontos que ainda estavam invisíveis pra você, você engole aquela opinião como um copo de café puro e forte, sem açucar ou adoçante, sente aquilo bater no estomago, azedar a lingua e parte para o trabalho de novo, dessa vez, melhor. Quando termina, as vezes chega a pensar: Pois é, agora ficou melhor! No entanto, estamos acostumados com doces palavras, com uma pequena correção gentil. O que aconteceria se apanhassemos na cara toda vez que alguma criação nossa fosse criticada? Os métodos de Fletcher são pesados, violentos, mas não se lapida um diamante com carícias, com afagos e beijos. Fletcher tinha o sonho de criar um novo Charlie Parker (recomendo o musico e o filme de nome Bird, dirigido por Clint Eastwood). Por várias vezes Fletcher cita o que fez Charlie virar Bird, seu apelido artístico, foi a pressão, a vergonha, o choro, a dedicação. Fletcher acredita que só assim se cria um diamante bruto, ironicamente, o filme prova isso de certa maneira. Não concordo com os métodos, mas é imensamente difícil refutar Terence Fletcher, é rígido e exigente como o Jazz, , o jazz soa gostoso de se ouvir, Fletcher não (apesar de ser divertido ouvir tanta criatividade para palavrões), Fletcher é um turbilhão de facetas, caras e bocas, expressa “maldade” e “bondade” de uma forma tão fácil que parece estar tocando seu próprio jazz, muda de nota e tom como se fosse um trompete, usa informações que arranca com doçura das suas “vitimas”, é traiçoeiro, esperto, calculista e excelente!!!
Preciso falar sobre Miles Teller, faz tempo que não vejo alguém tão jovem assim se dedicando de forma tão profunda no cinema. O garoto parece sofrer mesmo, parece querer abraçar o sonho mesmo que não tenha mais força nos braços para faze-lo, derrete em suor, sangue, palavrões, me parece até que seu personagem é o Rock And Roll (que amo) apanhando do Jazz, me parece que Fletcher, a figura do Jazz, não quer permitir que qualquer um viva o Jazz, Fletcher como jazz, parece barrar Neiman como Rock, Neiman, persistente, barulhento, birrento, aprende na base do tapa (literalmente) que a brincadeira acabou, não importa se tocar bateria é gostoso, agora vai doer! Não importa se tocava bateria desde criança…ta na hora de virar adulto, e é justamente no climax do filme que vemos Neiman crescendo, abandonando sua personalidade bondosa, caridosa, doce e até meio infantil, para dar espaço para o jazz, ele incorpora o estilo como se finalmente tivesse ganhado passe livre para entrar, domina-o e mostra, persistentemente, que ali é o seu lugar, que ninguém, nem Fletcher, nem pai, nem namorada…vai impedi-lo, eu gosto muito da sensação que o personagem me deu nos minutos finais (que são geniais e de encher o ouvido)…me parece que ele senta na bateria e deixa claro que aquilo o pertence, que ele é aquilo, é imutável, com a expressão doentia , fixa e clara escrita na testa, como uma partiturara: ISSO É MEU! NINGUÉM ME TIRA DAQUI E NINGUÉM ME TIRA ISSO!
A trilha sonora do filme é um show a parte, muito bem direcionada, nada fácil ou batido, tudo bastante sóbrio, assim como a fotografia, nas melhores cenas tudo é escuro, abafado, como um clube de jazz na New Orleans 1930, o diretor é muito competente não usando alguns clichês do jazz que costumam usar, fotografia em preto e branco, fumaça de cigarro, drogas e mulheres chorando, todos os personagens são extremamente fortes, até as pequenas participações, a namorada não chora, o pai deixa o filho seguir o rumo, quem não é forte o suficiente no filme, ou apanha, ou é dispensado. Em algumas horas, me lembrou o cinema Aronofsky, as dores do personagem são explicitas em gráficos muito pesados, assim como em O Lutador com Mickey Rourke e Cisne Negro com Natalie Portman.
Apesar de alguns acharem o jazz bastante maçante, eu adoro, e o diretor faz cenas musicais parecem cenas de ação, com belos cortes, ângulos, a direção do filme é bastante competente, fazendo o filme inteiro e todas as cenas parecerem pequenos clubes, cafeteiras, carros, até as ruas, tudo parece fazer parte de uma pequena sala claustrofóbica, prova disso é a cidade que é minúscula, fazendo os personagens se encontrarem facilmente.
Whiplash é um filme extremamente importante e levanta questões muito pertinentes, meritocracia, dedicação e até onde é permitido sangrar pelo seu sonho…e se aquilo é mesmo seu sonho, se não for, parta para outra, assuma, em voz alta que você não presta para aquilo, grite alto, mais alto ainda…que você não tem competência para aquilo. Se for o seu sonho, sangre por aquilo, que doa muito, pois quando achar que está bom…talvez ainda seja apenas um “bom trabalho”
Filme excelente! Nota 10!
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O Voo
3.6 1,4K Assista AgoraPrimeira vez que fico convencido de que alguém esta realmente bêbado em cena e não só fingindo. Uma atuação muito sóbria (irônico) e contida, muitos iriam extrapolar, fazer cenas babando, gritaria.
Denzel consegue passar o típico constrangimento que passamos quando estamos bêbados e FINGIMOS não estar alcoolizados, ele faz isso muito bem. Seu personagem, em quase toda a trama não aceita o vício que tem e fica fingindo para os outros que não esta bêbado, que está bem, nós que somos plateias percebemos o fingimento e eu...que já estive alcoolizado, identifiquei na hora a boa atuação.
Filme muito bom! Nota 8!
Interestelar
4.3 5,8K Assista AgoraFoi bastante constrangedor chorar no cinema, foi a primeira vez que isso aconteceu comigo. Mas finalmente foi feito o filme que mais queria ver na minha vida.
É difícil, não sei como começar, estou em choque até agora, mas vamos partir do básico.
Em interestelar, Nolan aborda a humanidade perdendo o seu lar, a terra, não existe mais esperança, os alimentos estão deixando de existir por conta de uma nova praga, praga tão letal que acaba pulando de uma plantação em plantação, primeiro o trigo, depois o milho...até não restar mais nada, pelo que é entendido, é uma espécie de vírus que tem uma mutação muito rápida, fora isso, carrega tempestades de areia, de pó, fazendo tudo estar árido, seco, sufocante...todo o clima na terra está desesperador. Como solução para isso, uma equipe da Nasa, com ares nostálgicos, de abandonados e desacreditados, desenvolve uma teoria que pode levar a busca de outros planetas habitáveis, fazendo a humanidade ganhar um novo lar, deixando a terra para secar sozinha.
Até aí, mais uma ficção básica. A diferença está na direção, no toque humano.
Se em Inception houveram reclamações sobre a falta de humanidade do diretor abordando algo tão pessoal como sonhos de forma tão formal, seca, cinza (descordo da maioria das críticas), em Interestelar sobrou emoção, talvez até transborde, o que é inesperado já que é o seu filme com tons mais mecânicos, matemáticos, físicos. Boa parte da trama é controlada por teorias, por cálculos, até o meio do filme eu sentia bastante frieza, apesar da introdução ter uma carga emocional pesada com todo aquele ar de família, filhos, avô.
Matthew McConaughey vive Cooper, um pai de família que tenta criar seus filhos ao lado do sogro, Cooper é viúvo, perdeu a esposa de forma trágica, é um sujeito simples, simpático, mas esconde uma inteligência incrível, é engenheiro, piloto, mas se orgulha de dizer que é fazendeiro, vê valor na ciência da mesma forma que vê valor no plantio, valoriza a simplicidade com que cria seus filhos e até os incentiva a seguir o próprio sonho. Os filhos são reflexos do pai, o garoto tem um estilo rebelde, coisa que reflete um pouco na fase adulta. A garota é sonhadora como o pai, enxerga longe, é curiosa, uma personagem interessante desde o começo.
Cooper se ve obrigado a fazer algo pela humanidade pois sabe que se for omisso, quem sofrera com tudo serão seus filhos. Pensando nisso, "embarca" para o espaço ao lado de Brand (Anne Hathaway), tudo seguindo a teoria do Professor Brand (Michael Caine, fetiche do Nolan). Então o filme decola.
Há sim partes maçantes, até concordo, mas são extremamente necessárias. Eu sempre tive uma certa curiosidade com realidades alternativas, com o espaço. Meu lado ficção cientifica anda fraco, então amei a representação do buraco negro, algo que só tinha em mente. Eu sempre quis saber se existia um outro eu, uma outra realidade ou coisas assim, ver no cinema a chance de encontrar novas formas de vidam, novos planetas, me deixou bastante fascinado. Fiquei como criança com um doce na boca, enquanto via a sala do cinema esvaziando pela falta de paciência das pessoas...o que se enxiam eram meus olhos, hora de lagrimas, hora de cores, efeitos, imagens.
Antes de mais nada é preciso saber que muitas coisas no filme não são só teorias do personagem vivido pelo grande Michael Caine, muitas teorias são sérias e existem na vida real, algumas baseadas no físico Kip Thorne. Kip ajudou Nolan com parte do roteiro, com a coerência nas teorias criadas pelo personagem de Michael Caine.
É claro que escorreram rios dos meus olhos em algumas cenas, o reencontro do pai com os filhos depois de anos, todo aquele clima de suspense, de perda, de solidão, sem falar na teoria de Carl Sagan sobre dimensões, muitos podem ter ficado perdidos com a parte final do filme, mas ela é bastante baseada em algo que até o mítico ciêntista Carl Sagan defendia, quem quiser entender melhor sobre a parte final do filme, sobre dimensões e como se explicaria o que chamamos de "fantasmas", assista Carl Sagan explicando melhor essa teoria, é bastante didatico: https://www.youtube.com/watch?v=7JsgSmY95es
Agora vai uma questão pessoal, opinião pessoal minha, lembrando que Sagan era cético mas respeitava e muito opiniões religiosas, recomendo o filme "Contato", ficção tão importante quanto Interestelar. É preciso respeitar a crença alheia e até cogitar a hipótese de você estar errado, a hipótese de tal crença não ser só fé, mas sim algo real.
Algumas pessoas acreditam que essa teoria do Carl Sagan explicaria a existência de fantasmas, explicaria vozes que ouvimos de noite, sons, coisas caindo no chão, copos quebrando, acreditam que devido ao fato da alma não pesar quase nada (ou pesar 23 gramas, se vale a citação, brincadeira), ela seria facilmente puxada para essa dimensão que fica ao lado da nossa, isso após a morte - coisa que Cooper quase sofre nesta parte do filme - mas que não pode interagir conosco por conta de possuir outro corpo, outra forma, pois agora é alma, não matéria, corpo, nós também não podemos enxergar essa dimensão e quem esta nela, como explica Sagan no vídeo, somos formas diferentes, não conseguimos ver, interagir, talvez eles consigam provar um pouco do nosso mundo, interagindo através de sons, objetos sendo empurrados, portas batendo, talvez por já terem vivido aqui, mas como eu disse, é teoria e um pouco de opinião pessoal. Isso envolve teoria das cordas, multiversos, várias realidades iguais agindo de formas diferentes.
É fácil ver como fiquei fascinado pelo filme, pela proposta, Nolan já é um dos diretores mais ousados da história, podem criticar, mas achei muito corajoso misturar sentimentalismo com um tema tão complexo, tão profundo, isso unindo uma direção que mescla frieza com paixão, consegue trabalhar humanos e robôs de forma impressionante, faz cortes bruscos nas cenas, nas músicas, trabalha o silêncio do espaço e orquestra com muita competência sons de explosões e melodias ensurdecedoras nas cenas de suspense.
Se for pra ser ousado, que seja assim, Nolan é um homem que caminha a passos largos, começou tímido com Amnésia e hoje nos entrega algo que, na minha opinião pessoal, equipara-se ou divide a mesma importância de 2001: Uma Odisseia no espaço.
Gosto também de como o filme não perde a poesia, volta e meia um personagem acaba encarnando um poeta, ou com frases, ou com desejos puros, mesmo no futuro, no espaço, passam minutos discutindo amor e cosmo como se fossem teorias irmãs, é bonito, é valido, é humano.
Filme perfeito, Nota 10
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Eu Sou o Número Quatro
3.1 2,0K Assista AgoraMinha opinião sobre esse filme: Número 2
Quanto Mais Quente Melhor
4.3 871 Assista AgoraÉ impressionante a quantidade de figuras carismáticas pairando na tela. Não tenho muitas palavras, tudo já foi dito e é o tipo de filme que mostra tudo o que tem sem ficar enrolando o telespectador.
É sim uma das melhores comédias que já vi, o humor é inocente, doce e seus personagens não são heróis, muito pelo contrário, são de uma época que era bastante comum duplas de golpistas atrapalhados, isso se arrastou bastante pelo cinema anos depois, como em Dirty Rotten Scoundrels, comédia que gosto muito!
Marilyn Monroe é algo que até hoje não se consegue explicar, eterna bombshell, carismática, doce, linda, voz incrível, jeito angelical mas fatal, sexy, é a criação do século, inesquecível, nos castiga com seus registros guardados pela indústria, é impossível toca-la, senti-la, e será assim eternamente, sua imagem nunca será esquecida e futuras gerações ainda irão “sofrer” com suas imagens, sua voz, é, na minha opinião, o maior amor platônico já produzido por hollywood. Dói um pouquinho vê-la em cena, é como se apaixonar por uma música, é impossível toca-la, só contempla-la.
Gosto também de suas formas, deixando de lado um papo mais picante, a senhorita Monroe tinha a liberdade de ter curvinhas mais salientes, tinha barriga, pernas grossas, celulite, era uma mulher real, não é só do rosto que gostamos, do cabelo, da voz, mas é de como ela faz crer que ser real, é ser bonito também, é ser encantador, não são só as qualidades, mas as ditas “falhas” que ela carrega que a completam, que a tornam o mito que é, afinal, todos nós gostamos do Elvis, jovem, ou gordo de costeletas na sua fase mais Las Vegas.
Em Quanto Mais Quente Melhor, Marylin vive Sugar Kane Kowalczyk, uma cantora problemática que abusa do whisky e adora uma festinha, está atrás de um partidão rico, bonito, jovem e sensível, que a entenda. O mais legal da sua personagem é que ela não se contesta e ninguém a contesta, não existe conselhos, um “chatismo” crônico dos personagens a forçando a parar de beber e ensinar valores melhores, muito pelo contrário, ela é incentivada a beber, farrear, se divertir. Para isso, interage com dois malandros abusando de uma química incrível. Jack Lemmon vive Jerry, figura super engraçada, divertida, arranca risos facilmente, entra no personagem como ninguém, pula, sorri e encanta, Jack é um ator que sinto bastante falta, é poderoso com diálogos, domina uma cena como ninguém, sua atuação em Glengarry Glen Ross não sai da minha cabeça, é uma das maiores amostras de debate, diálogo e atuação.
Ao seu lado vem Tony Curtis, é nesse ponto que sempre insisto que antigamente um ator precisava saber cantar, atuar, fazer sorrir, sorrir, dançar e tirar lagrimas, Lemmon e Curtis são atores versáteis, fazem drama e comédia como ninguém, Curtis esteve em Spartacus, filme que vai totalmente na contra mão de Quanto Mais Quente Melhor, Curtis se transfigura de machão para drag queen e logo depois para capitão de iate com uma facilidade enorme, a mudança de voz, o jeito de andar, é impressionante a dedicação do ator.
Marilyn queria que o filme fosse feito em cores, mas foi convencida pelo diretor Billy Wilder a filmar em preto e branco, a maquiagem dos atores quando estavam em seus personagens femininos convencia mais quando não tinha cores. Isso me faz pensar no quão a tecnologia e firulas de produção eram dispensadas em prol da arte naquela época, já era possível filmar em cores, mas o diretor optou pelo preto e branco, dando mais charme ainda à obra.
O filme usa como calcanhar o triste “Massacre do dia de São Valentim”, uma maneira interessante de se construir um roteiro.
Existem várias premiações dadas ao filme, todas muito justas.
Ótimo filme, nota 10!
Locke
3.5 446 Assista AgoraSempre acreditei que um filme é feito de diálogos e roteiros, que efeitos especiais, fotografia, produção e até atuação, não fazem um filme, pode ajudar, pode melhorar o resultado final, mas pra mim são apenas cerejas no bolo, desenhos feitos com chantili. É preciso prender o telespectador, criar questões, responde-las ou não, inquietar. Locke conseguiu fazer isso comigo.
Eu poderia dizer que muitos vão odiar esse filme, dou até razão, não é um filme para todos, e quando digo isso não digo com algum ar de desdém ou superioridade, digo que o diretor focou outro tipo de pessoa com esse filme, outro tipo de clima, talvez você precise estar num dia diferente, num lugar diferente, numa situação diferente e vivendo coisas diferentes para entrar no carro junto com Tom Hardy e viver esse “road movie”.
Locke, filme dirigido pelo excelente Steven Knight, diretor que fez ótimos trabalhos como “Senhores do Crime” e esteve envolvido em alguns bons roteiros, acompanha Tom Hardy no papel de Ivan Locke, um empregado exemplar e um ótimo pai de família. Locke está muito bem representado por Tom Hardy, ator que tem a capacidade de mudar sua faceta, jeitos e trejeitos com um profissionalismo invejável, gosto muito do seu trabalho com os olhos, com a voz, com as pausas que faz na voz. Hardy é um excelente orador, não incomoda nem um pouco os minutos passados nesse filme, afinal, é só ele, um carro na estrada e inúmeros telefonemas.
Muitas questões são abertas, poucas são fechadas, isso me intriga bastante, difícil não lembrar do filósofo John Locke, defensor do conceito de liberdade mais antigo que temos, o direito à vida, a liberdade e a propriedade privada. John Locke defendia a busca pela felicidade, o individualismo – também bastante pautado pela filosofa russa Ayn Rand, defensora da liberdade - tão criticado e mal entendido hoje em dia, é mostrado nesse filme na sua forma mais pura e justa. É a vida de Locke que está em jogo, seu nome, seus problemas, o porco e sujo legado que seu pai deixou, isso fica bem claro quando Locke diz que seu sobrenome era sujo, mas ele limpou trazendo dignidade para a sua vida, trazendo orgulho, mas então, o fantasma do seu pai, sentado no banco de traz...parece gozar e rir da vida de Locke estar sendo estremecida novamente. Locke tem direito a fazer o que quiser da sua vida, o personagem responde sempre com um certeiro “JÁ TOMEI MINHA DECISÃO”, como quem clama por liberdade, por um caminho limpo para traçar. Acha que seu novo filho TEM DIREITO A VIDA, a dignidade, acha que nada, nem emprego nem família pode pará-lo e tira-lo da sua missão de manter o seu sobrenome limpo. Mesmo que tudo desmorone, emprego, família, é o indivíduo sabendo – ou achando que sabe – o que é melhor para ele e ninguém deve se meter nisso, e claro, com todas as doses necessárias de responsabilidade, Locke alerta sua esposa sobre o que está acontecendo, acompanha o problema que está acontecendo na obra onde trabalha, tenta acalmar a mãe de seu novo filho, é esse individualismo que tanto é atacado e nunca é entendido, você tem algo para fazer, é necessário fazer é o certo a fazer e ninguém vai te impedir, mesmo que seja errado, o importante é não ferir terceiros, não prejudica-los – como o fato de não estar mais envolvido na obra e mesmo assim querer que tudo termine bem – você tem direito a fazer o que acha que tem que fazer, a esposa de Locke já tinha sido atingida antes, não com sua atitude desatinada mostrada no filme, mas quando ele quebrou o contrato que fez no casamento jurando ser fiel e depois quebrando isso. A sua busca por limpar o nome, não fere a esposa, os filhos, a obra, o que fez no passado sim.
Como o filme abre muitas questões e não as responde, entendo que o diretor entrega para o público um caderno coberto de indagações e como quem diz: SE VIRA! Deixa para o público a parte das respostas, a parte das interpretações.
Há um conceito antigo sobre filmes que diz que quando a obra está terminada e entregue ao público, as interpretações são de quem vê a obra, não é mais do diretor o que ficou na minha mente, afinal, só poderíamos interpretar e entender a 9ª Sinfonia se entrássemos numa máquina do tempo e fossemos falar pessoalmente com Beethoven.
Locke é filmado em tempo real, o tempo do seu filme é real, se o personagem diz que estará em ponto x daqui a 45 minutos...ele vai estar lá. É algo bastante usado na série 24 horas.
Não posso me alongar sobre a fotografia pois é básica, carro, estrada e luzes, somente o necessário para manter a estrutura apresentada.
Apesar de tudo, o filme tem lá seus momentos cansativos, mas é típico de um road movie, impossível não tropeçar enquanto se caminha por muito tempo.
Bom filme, nota 7
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Guardiões da Galáxia
4.1 3,8K Assista AgoraVingadores foi esmagado por esse filme, sorte que vingadores é da marvel, então ponto para a marvel!
Que filme DO CARALHO!
Eu vou fazer uma grande resenha sobre ele quando tiver tempo, saí do cinema com um sorriso enorme, para quem trata música como religião (eu)...esse filme é um prato cheio...e ainda conta com uma história super ágil, personagens divertidos e visual deslumbrante!
Clássico instantâneo, nota 10!
Nebraska
4.1 1,0K Assista AgoraO povo americano se preocupa bastante com os idosos, com a terceira idade, é algo bastante marcante na cultura deles, o próprio asilo tem um conceito bastante diferente do que conhecemos, é chamado de “home”, existe um tratamento melhor, mais limpo, mais digno, mas ainda assim é evitado, a internação é só em último caso, quando o idoso(a)precisa de tratamentos mais técnicos.
Já havia me emocionado com “A Família Savage”, um bom drama dirigido e escrito por Tamara Jenkins, a terceira idade, a demência, a família, tudo está ali – não vou entrar nos méritos do pôster de divulgação feito por Daniel Clowes, um dos meus ilustradores preferidos – é altamente recomendável.
Nebraska, road movie – já é um dos meus estilos preferidos - dirigido por Alexander Payne, mostra mais uma vez o dom do diretor quando o assunto é relacionamento, família, a eterna busca pelo “eu”. Payne me ganhou bastante com Sideways, deliciosa comédia masculina sobre maturidade, amizade, relacionamento e...VINHOS! Você pode ler minha resenha sobre Sideways clicando aqui.
Woody Grant, vivido por Bruce Dern, é um homem de camadas, um típico alcoólatra que nega seus vícios virando copos e copos de cerveja, acredito que esteja à beira do Alzheimer ou demência, isso não fica claro mas suas atitudes denotam um pouco das duas doenças, é rancoroso, tímido, impulsivo e imprevisível, guarda mágoas, arrependimentos e alguns sonhos inacabados, desconstruídos, descontinuados e propositalmente - ou não - esquecidos.
Gosto muito da decisão do diretor de fotografar tudo em preto-e-branco, tudo na trama acompanha os personagens como se cada nuvem no céu ou poeira na estrada fosse cenário das confusões internas e mentais dentro da cabeça de Woody e sua família. Paisagens planas, cafés solitários, estradas vazias, o frio que transpassa a tela e acaba nos contagiando através dos casacos pesados dos personagens, a trilha sonora bastante simpática de Mark Orton, o filme todo é uma grande caminhonete velha carregada de pequenos objetos que compõe um resultado final excepcional. Woody acredita ter ganho numa espécie de loteria, mas desde o começo sabemos que é apenas uma espécie de marketing embusteiro, aqueles feitos para seduzir afim de mais assinaturas, adesões, o que for. Em tempos de internet, o prêmio se iguala ao famoso “Clique aqui e veja seu prêmio” e BAM! Tome vírus. Acreditando estar milionário, tenta partir a pé para Lincoln, Nebraska, é frustrado várias vezes por autoridades locais, familiares, todos sabem que um idoso, naquelas condições, andando daquele jeito, não pode estar desacompanhado, existe algum problema com aquele senhor andando solitário na estrada.
Então entra em cena David Grant, vivido por Will Forte, Will tem seus momentos de comediante no cinema e parece ser proposital da parte de Payne colocá-lo para viver um sujeito triste que a todo momento está esperando algo da vida, mas assim como seu pai, está deixando tudo passar para depois se arrepender do que não fez. Vive uma recente separação e no momento que é mostrado isso, a apatia do personagem perante seu relacionamento é mostrada de forma gritante. Existe um certo misto de inveja e admiração pelo seu irmão mais velho e bem sucedido, há um choque de conquistas, enquanto David é vendedor numa loja de departamentos, seu irmão, Ross Grant, vivido pelo sempre bem-vindo Bob Odenkirk (eterno Saul Goodman de Breaking Bad) é um quase ancora de telejornal, a carreira cresce cada vez mais, Bob também tem seus momentos de comediante e faz um bom contraste com seu personagem sério e sisudo, o que gostei é que não existe desprezo da sua parte pela falta de sucesso do irmão mais novo, pelo contrário, apesar da frieza do personagem, existe uma certa preocupação no seu jeito, nos seus olhos, seu modo de falar.
David percebe que o único jeito de acalmar seu pai é levando-o a Nebraska, mesmo ouvindo xingos e palavrões da sua marrenta mãe Kate Grant, vivida por June Squibb – ótima no papel – David embarca quase que sem destino para uma viagem sem sentido algum, mas que ganharia razões com o passar da trama. Existe alguns momentos de humor no filme e são muito bem dosados, assim como em Sideways, claro que desta vez um pouco menor, mas mesmo assim é muito bem encaixado, engraçado, leve... faz sentido com a trama.
Então...Nebraska cresce e ganha a todos, a família Grant se vê perdida no passado, em casas e ruas antigas, amigos e amores passados, por vezes, ao assistir ao filme, me vem à mente, junto com seus personagens e cenários, um jazz bem triste, bem solitário, já sentiu a sensação de querer inventar uma máquina do tempo para poder voltar ao passado e resgatar sonhos perdidos, deixados para traz, coisas que não fez? É isso que senti escorrer pelos olhos de Woody Grant. Quando o personagem diz que um dos seus sonhos “não importa mais”, me corta o coração. Como pode, um sonho, algo que você almeja tanto e ainda é audaz por chamar de “sonho”, que remete ao topo da sua vida, algo que só existe nos seus momentos mais íntimos...virar algo que não importa mais? Todos nós temos objetivos e sonhos na vida, coisas que são prioridades, tenho um medo desforme ao pensar que um dia esses objetivos ou sonhos possam não importar mais, que pessoas que foram especiais possam ser esquecidas, de forma proposital ou não, mas o que mais tenho medo é do arrependimento, da sensação de querer voltar no passado e anular/fazer qualquer coisa presa lá, que só vai aparecer na minha mente novamente... quando for tarde demais.
Lembra aquele seu parente mais velho com um papo monótono, chato? É você daqui alguns anos, o assunto fica chato, o que era moda fica ultrapassado, vai acontecer com você e isso é fato! Tem uma cena bastante simbólica pra mim, os personagens estão vendo televisão, são todos velhos, menos David, os velhos se entendem naquela falta de assunto ou naquele bate papo que não muda a mais de 30 anos, David olha confuso, tudo para ele parece sem graça, sem cor, mas é o que o aguarda, ele sabe disso, mas se cala, ele não critica, não grita, não fala nada, ele sabe.
Woody é um personagem interessantíssimo e merece uma boa analise, Bruce Dern é fantástico pois consegue expressar um turbilhão de sentimentos mesmo com a boca fechada na maior parte do filme. Eu não sei se seu esquecimento ou surdez é proposital, em certos momentos sei que é, sei como é triste querer ficar surdo para os problemas, para as broncas, sei como é querer apenas fazer o que se tem em mente e pronto. A forma como ele está com a esposa é bastante confusa, no entanto, respeitável, os filhos adotam o famoso “ em briga de marido e mulher, não se mete a colher “...mesmo querendo se intrometer, sabem que a forma que a mãe/esposa fala com Woody...é a maneira que ela tem de amar, no final do filme fica claro que existe um carinho, ela o beija e o chama de idiota...mas é o idiota dela, e só dela, é o velho, chato, turrão, teimoso, doente... DELA, e só dela, é bonito? Não sei, mas é a humanidade. Quando criança achamos que corações tem aquela forma bonitinha e vermelha, com uma pontinha no final, duas esferas em cima, então crescemos e vemos que é um órgão normal e muito asqueroso, cheio de sangue, veias, artérias, é feio? Claro, mas é a humanidade, o amor é isso, é aturar a velhice, as broncas, os arrotos na mesa, os gases na cama, a dentadura, as rugas, a demência...é feio? Claro, mas como disse, é a humanidade, somos o que somos.
Eu carrego comigo a mania de guardar no tato lembrança de lugares que estive, por várias vezes, ao abandonar um lugar que foi importante e marcante para mim, procuro gastar alguns segundos passeando os dedos pela madeira do móvel, da cadeira, da mesa, da parede, do que for, para ter uma memória da textura daquilo um dia, mesmo que só venha fragmentos ou uma falsa ideia de como era aquele objeto, aquele lugar...eu sei que lá no fundo minha memória brilha e de certa forma sorri como se estivesse dizendo: Eu lembro desse dia, dos momentos que foram vividos aqui, eu lembro...
A sensação que fica é que tudo vira poeira, locais marcantes, os amigos fiéis, a namorada do passado, tudo vira poeira de certa maneira, é triste e bonito, mas é real, igual a terceira idade, igual a velhice, igual nossos pais.
Filme perfeito, nota 10
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Os Estagiários
3.3 1,2K Assista AgoraA idade chega para todos, quando menos percebi...não tinha mais 20 anos, passei por poucas e boas, tive bons momentos, aproveitava a vida, um dia olhei no espelho e a porrada veio, problemas e problemas...mas já estava velho, barbado, o sorriso apresentava dentes e rugas, os famosos pés de galinha.
Você olha jovens de 18 anos e pensa: Poxa, como passou rápido, era eu ali!
Os estagiários, filme dirigido por Shawn Levy, foca justamente na melhor coisa que o ser humano pode fazer em sua própria vida: Atualizar-se!
É uma comédia leve, faz uma pesada propaganda do Google, mas quem se importa? O que o Google nos fez de mal? Vamos deixar o gigante da internet falar um pouco, já que todos os dias aguenta nossas perguntas válidas ou inválidas.
Vince Vaughn vive Billy McMahon, um ótimo vendedor de boa lábia, simpático e otimista, está vivendo um bom momento até que vai parar no olho da rua, perde emprego, namorada e se vê sem opções, junto com seu amigo de carisma Nick Campbell, vivido por Owen Wilson, tipão divertido e galanteador. Mas o que acontece quando o mercado todo mudou e você não, nem tudo é pra sempre, muito menos seu salário. Da uma certa dorzinha no coração quando Vince digita no Google: Vagas para pessoas com poucas habilidades. Já me vi nessa situação, a molecada hoje em dia cresce e aprende rápido, tudo que sei hoje na minha área, tem criança de 15 anos fazendo...e as vezes melhor que eu (rindo pra não chorar, mas vale lembrar: sua hora também vai chegar, garotinho de 15 anos haha) ... Então, o que resta fazer? Chorar? Baixar a cabeça? Ficar no “liquidificador como duas moedas” – como citado no filme – e ser esquecido? Que outras opções nós temos? É preciso tirar o pó sempre, é preciso uma renovação, se aventurar, a tecnologia está aí? É assustadora? Seja mais assustadora que ela, seja um velho conectado, um intrometido, surpreenda, não existe coisa que você não possa fazer, não existe idade para tal coisa, meu cérebro quase trintão ainda funciona, quando for quarentão, cinquentão e até onde conseguir, estarei lá tirando a paciência de quem acha que estou velho demais para tal coisa, mas que não me mande procurar o professor Xavier, não adianta me fazer de besta, esse é do meu tempo =)
Filme divertido, nota 7
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Máquina Mortífera
3.7 342 Assista AgoraNada mais nostálgico que as virgulas sonoras e dramáticas de Maquina Mortífera, sempre bem regadas a um saxofone em tons noir!
Submarine
4.0 1,6K Assista AgoraO filme dirigido por Richard Ayoade (grande figura que sou fã desde Maurice Moss) é bastante sentimental, isso mostra que além de um ótimo comediante, é um diretor muito competente, sensível, com boas ideias.
Apesar de todo o clichê indie durante a trama – não é de se estranhar pois Ayoade é um hipster ambulante – o filme funciona muito bem, no começo demora para desenrolar, mas seus personagens crescem muito bem e o final torna tudo melhor, com mais sentido. Tente não desistir após os cortes, closes e toda investida cult que o filme carrega, apesar de tudo o roteiro se garante, se firma e conquista. Irrita um pouco tudo isso, mas de certa forma me pareceu bastante honesto.
Craig Roberts vive Oliver Tate, um garoto curioso, observador e que acaba caindo nas armadilhas do próprio monólogo, o filme começa com seu personagem fazendo reflexões sobre o pensamento humano, sobre pensarmos que somos únicos no mundo e que não há ninguém como você, como eu, como ele. Toda essa filosofia interna do personagem o faz buscar o melhor para todos em sua vida, até na pratica do bullying para conquistar uma paixão que adora fazer maldades, Oliver é bondoso e não consegue entrar tanto num personagem maldoso, muito pelo contrário, é bondoso e sensível com sua vítima. Oliver acredita que é responsável pelo destino de todos e que sempre pode ajudar alguém, mesmo fingindo desdém quase sempre, é um adolescente teimoso que insiste em resolver os problemas dos outros, é preciso aprender que não há jeito para tudo e que as vezes as coisas precisam se resolver sozinhas, mesmo que se resolvam de forma trágica.
Sua paixão de nome Jordana Bevan é vivida por Yasmin Paige, atriz de bastante expressão nos olhos, essa sim trabalha o desdém como ninguém, perfeita para o papel, faz o arquétipo daquela “garota do fundão”, aquela que parece se dar melhor com amizades masculinas do que com femininas, é sensível mas se esconde atrás de uma dura couraça que só se quebra com muita confiança, antes disso, posa de valentona, de rude, de moleca. Ainda está se descobrindo e é bastante bonito o desabrochar da personagem, é minha preferida no filme, a mais crua e real perante a morbidez de alguns personagens. Joana tem um ar de garota que quer ser descoberta e procura esconder seus sentimentos para não ser humilhada pelos colegas de bullying da escola. Digamos que paixão, amor e qualquer forma de carinho no filme é um tabu, seja no núcleo jovem ou no núcleo adulto, parece que o amor faz os personagens parecerem fracos. Ela carrega um doce olhar sínico e irônico, um deboche no sorriso e no jeito, toda essa autodefesa durona da personagem desmancha quando seu pai revela para Oliver, com palavras doces e bregas, que Jordana disse que Oliver roubou seu coração, a cena provoca uma timidez muito bonita na personagem e mostra que é só um tipo bruto mesmo para criar uma blindagem na escola, pois vem de um lar muito carinhoso, aconchegante, amoroso, muito diferente da realidade vivida por Oliver.
Os pais de Oliver são vividos por Noah Taylor e Sally Hawkins, casal envelhecido e empoeirado pelo matrimonio, Noah vive Lloyd Tate, um genioso professor subestimado em sua própria profissão, um grande potencial sem um pingo de carisma para o que pretende fazer, um homem que já teve seus bons dias de romântico mas hoje estagnou no conformismo da troca de alianças, é o avesso de sua esposa, tem caráter cético, frio, sóbrio, enquanto sua companheira, Jill Tate, vivida por Sally Hawkins, é uma mulher procurando por aventuras, romantismo, por algo que a deixe com frio na barriga, mesmo dentro do próprio casamento, insiste, tenta, mas está presa ao conformismo do marido, que as vezes reconhece sua própria apatia…mas nada faz.
Oliver é pego pelas ironias do destino, isso tudo acompanhado pela ótima trilha sonora criada por Alex Turner (Arctic Monkeys)…todas as melodias e letras casam bem com o filme, com as cenas, seu personagem tem um ótimo gosto para a música, para o cinema, e deixa isso transbordar para quem está acompanhando sua história.
o filme se divide em capítulos, coisa que achei meio desnecessária, me pareceu um pouco com ritos de passagem, como fases na vida do personagem, muito explicito ou literal, mas isso não atrapalha.A fotografia do filme é bastante bonita com paisagens frias, belos crepúsculos e muitas imagens refletindo todo o clima frio da cidade, o que acaba atingindo os personagens do filme que sempre estão agasalhados e afundados em cobertas na cama, as vezes parece que todos estão buscando um ombro, um colo, um carinho ou um pouco de calor humano.
A adolescência é sim um período difícil, por isso muitos nessa idade são confusos, chatos, emburrados, adolescentes costumam achar que tem a solução para tudo, as respostas para tudo, a separação dos pais é sempre difícil nessa idade, parece que o mundo vai desabar, anos depois isso parece apenas um fato triste na vida, triste, mas nada traumático quanto pode ser quando você ainda é um jovem conhecendo o mundo. Perder a virgindade também é outra questão importante, é como os pais cobrando boas notas, mas nisso são os amigos cobrando atitude, as amigas cobrando virilidade e a vida cobrando experiência.
Bom filme, nota 7
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O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro
3.5 2,6K Assista AgoraSargento Stacy não deveria se preocupar por sua filha namorar o Peter Parker/Homem aranha, deveria se preocupar pq ele é a cara do Norman Bates...
Ela
4.2 5,8K Assista AgoraSpike Jonze sempre foi um sujeito com uma sensibilidade enorme, desde seu trabalho com o Weezer ele se mostra criativo, é uma figura que sempre está calada no seu canto, fazendo poucos trabalhos, mas sempre deixando uma marca especial. Infelizmente é subestimado, muitas pessoas não conhecem o seu nome, talvez ganhe mais destaque agora já que seu filme ganhou algumas indicações no Oscar - sendo bastante subestimado na cerimonia - e por conta do tema, que trabalha algo muito atual. Spike também dirigiu I'm Here/Eu estou aqui, um curta com Andrew Garfield que conta a história de uma sociedade que vive com robôs que tem sentimentos humanos, é altamente recomendável. Assisti graças a uma pessoa que guardo com carinho no coração.
Ela, não é só um dos melhores filmes sobre o tema como um dos melhores roteiros já produzido, o filme todo é poético, bem estruturado e ganha qualquer um que já virou a noite em salas de bate papo procurando um amor, mesmo sabendo que as chances são mínimas. Vamos lá, nem tudo é sacanagem, nem tudo é sexo, revele-se para você mesmo e assuma, você já procurou um namoro virtual, você já se apaixonou por alguns pixels, você já montou uma imagem perfeita de alguém e quis que a pessoa fosse daquele jeito. Todos nós já fizemos isso.
Em Ela, Joaquim Phoenix vive Theodore Twombly , um rapaz sensível, simples, desajeitado e que trabalha escrevendo cartas de amor para pessoas que não querem mais perder tempo com isso, a grande jogada do filme já começa aí, Theodore sabe o que são sentimentos, ele entende disso, trabalha com isso, o diretor ainda é genioso em não fazer Theodore como uma figura reclusa, ele não cai no clichê do nerd esquisitão - apesar da aparência atípica do personagem - e constrói em Theodore uma figura que tem bons momentos com os amigos, sociável, falante, inteligente, alegre e muito interessante, consegue ter bons relacionamentos, fazer amizades e cativar até mulheres lindas, o que acontece no seu encontro com a personagem de Olivia Wilde. Sua relação virtual é inteiramente opcional, Theodore não esta mesmo desesperado.
Eu tenho que continuar falando sobre Theodore pois o personagem me cativou muito, o design de produção desse filme é um dos mais simpáticos que já vi, diferente do clichê futurista, em Ela a metrópole do personagem é toda baseada em Flat Design, toda chapada, cores fortes, pastéis, sem poluição visual, sem fios, tudo clean e de muito bom gosto! No entanto, Theodore, apesar de vestir camisas muito legais e com cores fortes - vermelho e amarelo nas cenas mais intensas - está preso num arquétipo do passado, aquele bigode totalmente "offline" daquele mundo todo, gritando ser brega e estiloso ao mesmo tempo, os óculos, a forma de andar, o cabelo sempre bagunçado, Theodore é mesmo uma figura que se destaca, é um romântico perdido no tempo, escreve cartinhas, coisa que ninguém mais quer fazer, gosta de bater um papo, tem um andar solitário, inspirador, sempre buscando uma fuga descansando o olhar no horizonte, naquele mundo, preso a cartas virtuais, tecnologia, jogos e todo tipo de modernidade, Theodore é como um Power Point bagunçado que recebemos de algum parente ou amigo, aquela pessoa humilde que mal sabe mexer na internet e quer compartilhar todo o tipo de frases ou imagens, Theodore é uma música antiga na balada, um fusca velho virando uma esquina chique, uma simples xícara de café feita pela sua avó, perdida num starbucks da vida, é impossível não notar, ele está la e é perfeito do jeito que é, não precisa de atualizações.
No filme vemos uma figura bem parecida com a de Theodore, Amy, vivida pela sempre linda Amy Adams, Amy tem um relacionamento que já nos minutos iniciais do filme mostra cansaço, namora um sujeito chato, controlador, sabichão, nota-se claramente que a personagem busca um pouco de respiro, de privacidade, de algo mais real, mesmo caindo na mesma paixão que Theodore caíra mais tarde, Amy ainda assim procura por uma amiga, por alguém que a ouça, que a respeite e que a faça rir, se sentir tranquila com coisas bobas, Amy não quer ser paranoica com sua saúde como o seu namorado é, na cena do elevador ela diz que tomar um suco de frutas pode ser bom para o corpo simplesmente por ser gostoso e só, contrariando seu namorado inconveniente.
Então entra em cena minha personagem do coração, estou amando essa personagem e entendo perfeitamente a paixão de theodore, é IMPOSSÍVEL não se apaixonar. Samantha, que é vivida pela super competente Scarlett Johansson, é uma tecnologia assustadoramente inteligente, além de possuir um vasto banco de dados sobre tudo, consegue absorver, filtrar, interpretar e questionar novas informações, tornando-se cada vez mais inteligente, cada vez mais independente e humana, aliás, em certo ponto, ultrapassa a barreira que o cérebro humano pode atingir. Uma das coisas mais bonitas do filme é o respeito entre as duas partes, em nenhum momento Samantha desdenha da limitação de Theodore, e o mesmo não a esnoba por não ter forma ou corpo, em apenas uma cena Theodore questiona as manias de Samantha e a mesma, indigna-se com razão, pois fica claro que "ela" é mais que uma voz.
Scarlett Johansson apresenta sua voz rouca, suave, doce, com sorrisos que arrepiam, aquele tipo de voz que gostaríamos de ouvir no café da manha e certamente dormiríamos melhor após ouvir o seu "boa noite", é simpática, interessante, cativante, faz Theodore se sentir único e especial, o fato de não ter corpo só incomoda no começo, com o passar do filme essa questão pouco importa para Theodore, para seus amigos e para o seu mundo. O filme tem cenas lindas dos dois conversando, passeando, admirando a paisagem, a fotografia é tocante e Spike é muito inteligente entrando na mente de Theodore com flashbacks sem fundo musical nem nada, apenas os ruídos do cotidiano, adoro suas lembranças, é como estar lá vasculhando a mente do sujeito.
Assim como em Blade Runner, o filme tem questões muito interessantes sobre a ficção científica, sobre a inteligencia artificial, quando Samantha se questiona sobre os seus sentimentos, me faz pensar que se você é programado para FINGIR um sentimento, como sabe que não esta o sentindo de verdade? Essas confusões que atingem até a super inteligente companheira de Theodore tornam o filme muito mais rico do que ele é! O que é o cérebro humano além de um banco de dados que guarda informações, traumas, sentimentos, planos e que todas as decisões que tomamos são baseadas em experiências que tivemos algum dia na vida? Não sabemos como funciona o cérebro de quem se apaixona por nós, sabemos como o nosso funciona...as vezes!
A trilha sonora do filme é muito leve, gostosa de se ouvir e por vezes se prende a instrumentos clássicos.
Gosto muito das questões finais do filme, algumas pontas abertas como o fato de Samantha estar se aprofundando em física, Theodore estar perdido num livro de física, o fato da inteligência ter se dado conta de que pode ir além do que foi programada e se juntado com seus iguais para buscar um lugar em comum, que claramente fica num lugar que nunca entenderemos e nunca teremos capacidade para entender, a física nessa parte me intrigou muito, onde estaria indo Samantha? O diretor sugestiona algumas questões de forma sútil, Samantha e seus "amigos" conseguem dar vida a Alan Watts, uma espécie de reencarnação tecnológica dele, Watts era famoso por abordar questões como o sentido da vida, a busca pelo conhecimento pessoal, a alta consciência e coincidentemente a verdadeira natureza da realidade, Watts também falava sobre a formação de um novo homem, um novo ser humano, o que coincide muito com os questionamentos que Samantha tem sobre si mesma, isso mostra que a inteligência artificial esta tentando se encontrar, se conhecer, evoluir cada vez mais. Alan também era um grande divulgador dos pensamentos orientais no ocidente, pensamentos que se voltam muito também para a espiritualidade.
Ela sempre será um filme atemporal, não importa quem o veja, um dia toda aquela tecnologia poderá ser ultrapassada, defasada, mas as questões sobre amor e companheirismo sempre serão atuais. O filme prova que o amor transcende o corpo e a tecnologia, prova que o amor não está limitado a fios ou neurônios, prova também que não importa quem você seja, maquina ou humano, de alguma forma você está passível de viver ou sofrer de amor, e não há tecnologia ou filosofia que diga que o que você sente não é amor.
Filme perfeito, nota 10
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Sinais
3.5 1,4K Assista AgoraM. Night Shyamalan é um dos diretores mais competentes e sem rumo que o cinema já teve, é triste ver que hoje em dia está se perdendo em modismos, quando se voltava para o suspense, conseguia assombrar e muito, fazia pausas, silêncios, criava bons personagens e mesmo que seja exagero da minha parte, eu conseguia ver tons de Hitchcocks em algumas cenas.
Sinais é um dos meus filmes favoritos e um dos filmes mais injustiçados da história, o marketing foi todo errado e focado na ficção, aliens e destruição do planeta, sinais, na verdade, é um filme sobre fé, sobre acreditar, é muito além da ficção, ele entrega conceitos mais amplos e vai da religião a ciência.
A trilha sonora principal é fantástica, progressiva, persistente, pode ser tocada "ad infinitum" que ainda será boa, constante, encaixa perfeitamente na vida dos personagens. Nossa vida é repleta de sinais, grandes e pequenos, as vezes relevantes, as vezes não...ou pensamos que não, Steve Jobs já dizia que a vida é como um jogo cheio de pontos, vc só vai ligar todos os pontos no fim da vida...e então vera um desenho formado por esses pontos, vc precisa fazer escolhas erradas, certas...passar por esses pontos e então tudo fará sentido! Até coisas irrelevantes, bobas, um dia ruim, um amigo que se foi ou uma conversa no trem, tudo pode fazer sentido mais tarde.
O filme trata sobre isso, sobre acreditar ou tentar ter um pingo de fé nas pequenas e grandes coisas.
Mel Gibson vive Graham Hess, um ex padre acovardado pelo medo, descrente em deus, uma espécie de ermitão com os próprios sentimentos, a cidade em que vive faz todo sentido e é muito simbólica com seu isolamento, apesar dos filhos, irmão, vizinhos, é um homem solitário, triste, amargurado e sensível. Não vou comentar muito sobre os problemas pessoais de Mel Gibson, é um dos meus atores preferidos mas tem lá seus problemas com cachaça, fala muito quando tem que ficar calado, no entanto, é um ator e diretor muito competente!.
"Que tipo de pessoa vc é, do tipo que vê sinais ou acredita que as pessoas só tem sorte? É possível que não haja coincidências?"
O filme se baseia quase que todo nessa frase...
Joaquim Phoenix é outro ator que sempre gostei, consegue ser um ótimo ator de drama como de qualquer outro gênero, é muito versátil. Nesse filme ele vive Merrill Hess, personagem irmão do personagem principal de Mel Gibson, Merrill é um ex jogador de baseball muito talentoso e solitário, assim como seu irmão, está vendo a vida passar depois de ter perdido coisas especiais em sua vida...no seu caso, o seu amor pelo esporte, sua carreira, ajuda a cuidar dos dois sobrinhos e por vezes se confunde com uma criança.
O ponto alto do filme é a fé entrando na prova de fogo, o filme tem certos erros e uma certa pobreza nos efeitos especiais, mas todas as questões levantadas, todas as coincidências são bem resolvidas, o filme mostra como até detalhes irrelevantes em nossas vidas podem fazer um efeito enorme no futuro, os copos de água que a filha de Graham deixa pela casa, a asma de seu filho e a força de seu irmão com um taco de baseball nas mãos...tudo faz sentido, até as ultimas palavras de sua falecida esposa.
Atente-se a detalhes pois Sinais é um filme se prende muito a eles, também gosto do silêncio das cenas, dos diálogos e da solidão e amargo que todos os personagens carregam. Mesmo as crianças do filme sofrem com isso, o filho de Graham tem um ar melancólico, triste, a filha tem um ar de quem sente falta da mãe, de uma presença feminina na família.
Pode não ser o melhor filme sobre o tema, mas ainda assim é um ótimo filme.
Ótimo filme, nota 8
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Godzilla
3.1 2,1K Assista AgoraH.P. Lovecraft ao se aventurar pelo mito do horror e medo indescritível, aquele pavor que sentimos e nem sabemos explicar o sentimento vivido, deu vida a várias lendas e criações, tal como Cthulhu, o mau abismal que causa pânico e horror só por estar presente. Cthulhu é quase que sem descrição, é inimaginável e apavorante, igual a um pesadelo que de tão ruim, nem queremos pensar sobre.
Godzilla vem da cultura japonesa, o monstro é uma espécie de resultado de bombas atômicas, nota-se que a cicatriz feita em Hiroshima e Nagasaki ganham corpo, garras, escamas e um grito pavoroso, apesar de bancar o mocinho as vezes, Godzilla não é nada simpático, o gigante é a personificação do pesadelo dos japoneses, dos que viveram a bomba atômica e dos que não viveram, mas ouviram de seus parentes mais velhos, o medo é latente e a força do lagarto gigante é destruidora, insensível e irracional, tal como a decisão de um militar autorizando o lançamento de uma bomba, tal como um governo dando uma canetada que fere milhões através de megatons. Parece viagem? Não, Godzilla fez um estrago muito pequeno se compararmos com a sua progenitora, a bomba.
Deixando isso tudo de lado, Godzilla, bastante cultuado na cultura japonesa, ganha sua nova versão americana em 2014, o que mais gostei e o que menos gostaram - pelo menos os desavisados - foi a fidelidade, a sobriedade, o Godzilla de Roland Emmerich, filme de 1998 que faço questão de enterrar no esquecimento, criou um dinossauro que mudava de tamanho a cada minuto do filme, se nutria de sardinha, não conseguia nem matar o Ferris Bueller/Matthew Broderick - Save Ferris - e nem de longe aterrorizava como o original, que não lembrava um dinossauro. Gareth Edwards, que dirigiu Monstros, grande suspense que consegue aterrorizar sem mostrar ou apelar para criaturas, foi fiel, criou um ser sem modismos, sem querer agradar com visuais mais esguios, estilosos, visuais que encaixariam muito bem numa tatuagem, assim como o Godzilla de Emmerich, que é estiloso, bonito, esguio, mas não é o Godzilla, e todos perceberam isso, principalmente os japoneses. Todos queriam o Godzilla "Old School", gordo, cara de bolacha, olhos apertados, barrigudo, desajeitado, estabanado, lento e quase que desforme. Com seu berro/uivo/grito/choro/ tão ensurdecedor quanto um refrão do calypso - ok, não é tão pavoroso assim, é até simpático - lembra muito um choro e por vezes me faz pensar que é um filhote ou algo assim - mesmo o filme deixando claro que não é.
O elenco é afiadíssimo, Gareth é esperto e utiliza Bryan Cranston na parte mais dramática do filme, ator de competência inigualável que vem de uma escola de séries e comerciais, estava ali, suando a camisa até ser descoberto em Breaking Bad, pena estar colhendo os frutos só agora com quase 60 anos de idade, mas ainda tem muita lenha para queimar e merece um destaque melhor.
A parte jovem do filme, para alinhar o público jovem com o mito do passado, tem Aaron Taylor-Johnson, famoso por Kick Ass, é como transportar a nova geração para o passado e dizer: Veja, esse é o terror que vivemos no passado! É como lembrar o jovem, ou tentar através de um filme, os perigos da industria bélica, mesmo que seja através da ficção.
Rodan, o "inimigo" de Godzilla no filme - ainda me perco nesses nomes - , é uma criatura pavorosa, má, raivosa e gigantesca, de instinto mais selvagem que o lagarto, tem um design que pra mim parece mais pavoroso e assustador que o monstro do título, lembrei bastante da figura de Cloverfield, ela faz você torcer pelo Godzilla, é como escolher o menor dos males. O filme também conta com Ken Watanabe, o laço com a cultura japonesa, é um ator que gosto muito mas que na minha opinião, está bastante canastrão no filme, em todas as cenas está com a mesma cara de desiludido e perdido, sei que o personagem é isso, mas ao lado de Bryan Cranston, ficou um pouco pequeno pra ele, só que afirmo novamente que sou muito fã do japonês.
Voltando a Lovecraft, vou para o defeito que me deixou bastante triste com o filme, nos trailers a coisa mais legal era tentar adivinhar o tamanho da criatura, eu gostei sim dos efeitos e da criação toda, mas faltou algo ali de sombrio, apesar do filme ter várias passagens sinistras, aterrorizantes, utilizando muito bem o silêncio, no final o filme vira uma guerra de monstros qualquer - o que é de se esperar nesse filme - só que não apresenta nada de novo. Eu esperava um pouco de horror, de lovecraft, talvez o fato de não gostar de quase nenhum filme de terror por achar todos fracos e bobos - a grande maioria - fez com que esse filme parecesse um pouco "normal" para mim, legal, mas nada novo. Lovecraft assustava com detalhes, com palavras, não precisava de imagens, acho que faltou um pouco de conceito, de horror, faltou um pouco de "Nas Montanhas da Loucura"
É totalmente perdoável pois o filme é ótimo mesmo assim, trilha sonora, fotografia, efeitos, mas vou ficar esperando a continuação, Gareth é um bom homem e sabe abordar muito bem o suspense, melhor do que Emmerich ele já fez, muito melhor, valeu as horas na poltrona do cinema, basta fazer um filme a altura do grande Mito/Lagartão/Monstro/Preta Gil/Godzilla
Bom filme, nota 8
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Psicose
4.4 2,5K Assista AgoraHitchcock, o mestre do suspense, cria uma atmosfera horripilante, com closes, ângulos e tomadas incríveis, todo o filme parece um pesadelo, muitos diretores se alimentam de Psicose até hoje, é possível ver o mesmo clima em The Machinist, longa de Brad Anderson com Christian Bale no papel principal, famoso filme onde Bale emagreceu de forma assustadora, no filme vemos um personagem carregado de culpa, uma atmosfera de pesadelo, de penumbra e um crepúsculo eterno nos céus, tudo pesando nas costas do personagem. Psicose praticamente fez o parto desse filme e de outros, não que Psicose não tenha suas influências, é claro que tem, o ar noir, os diálogos e até aquele clima anos 30, mesmo o filme sendo de 1960. Hitchcock preferiu filmar em preto e branco, mesmo tendo a tecnologia das cores já disponível, alegou que o filme ficaria muito ensanguentado, é claro que tudo acabou ganhando um ar muito requintado.
As sombras do filme fazem o branco explodir em luzes nos rostos dos personagens, as expressões saltam sempre e todos os sustos parecem duplicar, a iluminação é quase que um personagem principal no filme todo.
Tudo custou apenas US$800,00 mil – digo “apenas” pois para os padrões de Hollywood esse valor é extremamente humilde – e faturou US$40 milhões nas bilheterias, grande feito, grande investimento do estúdio já que tudo foi muito econômico, Hitchcock comprou os direitos do livro por apenas US$ 9 mil.
Saindo um pouco dos dados técnicos, o que me chamou atenção no filme foi o excesso de culpa que ele carrega, todos os personagens tem o seu próprio inferno, Janet Leigh, que interpreta Marion Crane, é perseguida pela culpa, pelo medo, o filme nunca mostra seus principais objetivos, mas gosto muito do fato dela estar sempre correndo da própria imaginação e de estranhos que conseguem ver em seus olhos o medo quase que físico e latente, é perseguida pelos pensamentos e por estranhos. Gosto muito do policial que a vigia, do vendedor cansado de problemas e até do manobrista. No final da cena da compra do carro, os três a fitam sair do pátio da loja, olhares confusos e que a cercam, novamente Marion está sendo vigiada, mas não só pela sua culpa.
Temos o mocinho que não deixa claro se é realmente o amor de Marion ou apenas um Affair, Sam Loomis, vivido por John Gavin, tem pouco espaço no filme mas é importante para alimentar mais ainda o sentimento de culpa na trama, assim que Lila Crane - vivida por Vera Miles - , irmã de Marion, sente falta da irmã, procura Sam Loomis e o cobre de culpas e suspeitas, desconfia que Sam esconde sua irmã ou até fez algo pior. Então surge Arbogast, investigador que surge do além para culpar Lila Crane e o seu quase cunhado, Arbogast, vivido por Martin Balsam, é a figura esculpida do clássico detetive, investigador, até olhos cerrados e sorriso irônico o personagem carrega, gosto muito da atuação e me parece bastante contida, divertida, Hitchcock é sádico e nos mostra o que os personagens querem saber, sabemos parte da solução da trama, os personagens não, mas o pior ainda está no final, é mais trágico e assustador do que parece.
Então entra em cena o meu personagem preferido, Norman Bates, vivido por Anthony Perkins - ótimo, por sinal – um rapaz simples, de sorriso fácil e simpático, muito solicito, falador e completamente dominado pela mãe. Admito que tive uma certa suspeita do final da trama ao ver o close nos olhos de Norman Bates e ver os seus cílios saltando, quase que maquiado e com uma fala doce demais, se não fosse a ótima atuação de Perkins, toda a trama seria solucionada assim que o personagem abrisse a boca.
Norman Bates é tímido e apesar de tudo parece um romântico a moda antiga, convida para jantar, faz companhia e até tem um passatempo bastante estranho mas completamente natural para um rapaz como ele. A sua personalidade é frágil, doce, o seu lado garoto, que ainda é evidente para nós, mostra um rapaz bastante solitário, aquele tipo que não machucaria uma mosca.
A famosa cena do chuveiro até nos faz pensar que Norman vive um inferno, aos poucos vemos que ele é dono desse inferno. Na cena em questão, o sangue é calda de chocolate, ideia do Hitchcock, janet Leigh grita como ninguém e mesmo sem nenhum grau de violência gráfica ou aparente, a cena é aterrorizante, agoniante, a trilha sonora esfaqueia duramente nossos ouvidos, o violino emula muito bem gritos agudos, é cortante e afiado, arrepia. Ainda cismo que vi a câmera e o Hitchcock nos olhos da personagem na parte final da cena do chuveiro.
Os cenários foram muito bem escolhidos, reparo sempre na “tara” que Hitchcock tem pela imagem da metrópole, das ruas, cenas no volante, civilização, Festim Diabólico usa de background uma grande metrópole e começa com uma boa tomada da cidade, assim como em Psicose. A casa da família Bates é assustadora, fantasmagórica, antiga, no alto de uma pequena montanha e com uma escadaria sinistra, sempre filmada de longe, parecendo uma pintura antiga, uma típica mansão mal assombrada.
Hitchcock merece mesmo a fama que tem, não existem filmes como Psicose, apesar de alguns detalhes que não gostei no final, o didatismo de um personagem bastante infeliz, explicando a trama toda e subestimando a inteligência de quem assiste, o filme fecha muito bem, assustadoramente bem, a escolha de Anthony Perkins foi muito boa, a sua transformação horripilante, em segundos, explica muito bem o título do filme, seu sorriso não é nada além de psicótico e gentil, apesar das influências claras de Ed Gein, ninguém pode reclamar, Norman Bates é um ótimo e prestativo anfitrião.
Ótimo filme, nota 8,6
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Biutiful
4.0 1,1KIñárritu apresenta uma obra que acaba fazendo “vazar” um pouco de seu pensamento sobre a morte, é impossível não notar o toque delicado em cada cena e o cuidado empregado em cada personagem, cada dialogo, cada cena.
O filme trata de um assunto muito pesado: O respeito com o ser humano, em vida e em morte. A escolha de Javier Bardem foi muito feliz pois o ator conta com um ar de experiência no rosto, um ar sofrido mas paternal, de acolhedor, o personagem vive de negócios ilegais e a todo momento carrega nos olhos a dor de estar prejudicando alguém, o pesar se encontra na falta de humor do personagem, sempre pra baixo, tristonho, sem um traço de orgulho, é possível contar nos dedos quantos sorrisos o personagem da, quantas vezes você o vê confortável, satisfeito, o filme retrata muito bem sonhos que deram errado, esperanças perdidas e como isso pode passar de pai pra filho, o pai que era jovem, bonito, irreverente e acaba sumindo no mundo, o filho que um dia vira pai e não pode sustentar direito seus filhos, vive na miséria, os filhos desse pai que vão acabar sozinhos, imigrantes ilegais com uma esperança de vida melhor tendo sua dignidade roubada, o amor se desfazendo por conta de drogas, por conta da maldita realidade que sempre teima em nos achar…é um filme triste, pesado mas necessário.
Javier Bardem merecia todos os louros por essa atuação, todos estão bem no elenco, um filme sensível, forte e arrebatador, sua duração é totalmente justificável, impossível ser tão visceral e pequeno num assunto como esse, a obra é grande em vários aspectos…o final conseguiu me deixar feliz e triste ao mesmo tempo, a fotografia, o angulo fechado, a trilha sonora e a mensagem que entra quase que sutilmente em nossos cérebros: Estamos todos vivos e sempre estaremos.
Nota 10
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O Escritor Fantasma
3.6 579Roman Polanski dirige um noir focado num escritor envolvido em uma trama que faz até o próprio personagem não acreditar no que está vivendo.
Os cenários e locações muito bem escolhidos, dando um clima pessimista, caótico e frio, não há quase um pingo de vida nos personagens já que o personagem principal não possui família, não liga para relacionamentos e a família do primeiro ministro vivido pelo Pierce Brosnan está desmoronando.
O clima chuvoso, os tons de cinza e o clima tenso fazendo todos os frames do filme parecerem um escritório burocrático abandonado no tempo fazem o filme ser um bom representante do que é e sempre foi os bastidores da política
Uma trama muito bem estruturada e calcada na falta de esperança, mistério e solidão.
Bom filme, nota 8!
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O Homem de Aço
3.6 3,9K Assista AgoraVi em IMAX e em 3D no Bourbon, impossível escrever pouco.
Minha resenha:
Muitos estavam com medo das mãos de Zack Snyder sob o mais antigo e clássico herói dos quadrinhos, Zack Snyder é um ótimo diretor, muitos criticam seus maneirismos, seus “slows”…mas é um diretor necessário, é preciso coragem para assumir projetos que ele tem assumido, Watchmen que é uma HQ quase que “infilmavel” passou pelas suas mãos com muitos méritos, há erros ali, claro, mas ainda assim é um filme muito bom tecnicamente falando, os atores estão bem dirigidos, a trilha sonora é precisa e bem escolhida, ele fez o que deu e ainda apresentou algo a mais.
Em O homem de aço já era de se esperar um pouco do ar Christopher Nolan, a sobriedade, a frieza e o pé no chão, Kal-El ( poucas vezes chamado de Superman ) não é um esbanjador de poder, não é alguém centrado e controlado, muito pelo contrário, antes de saber que é um alienígena, já se sente um, o filme trata muito sobre criação, caso seu “berço” tivesse caído em outro lugar, talvez 12 horas de distância…poderia cair na Russia ou em qualquer outro lugar onde a sua criação poderia ter sido militar, assim como Zod, Kal-El poderia ter sido uma arma nuclear, dependendo de como fosse criado, mas o que é o acaso, não é mesmo? Kevin Costner ( muito competente, passando um ar de experiência muito grande ) está fantástico e seu personagem tem momentos muito bons, era preciso esse “tutorial” todo para sabermos de onde vem o tal bom mocismo do herói, era preciso mostrar a destruição de krypton, a política de colonias e toda aquela sociedade “programada” para o sucesso finalmente entrando em ruínas, era preciso o choque cultural entre a criação automatizada de Zod e a criação simples e humilde de Clark, a criação talhada em ensinamentos simplórios, baseada num homem rural como o pai dele, valores humanos que Krypton havia esquecido há muito tempo, talvez Kal-El tenha se beneficiado pelo fato de seu pai ser um anarquista em Krypton, ele realiza o parto da esposa, algo que não é bem visto em Krypton, para seu pai de Krypton, aquele lugar já teve sua chance, também.
Após uma boa e longa detalhação sobre seus anos na terra, sobre como os ensinamentos de seu pai moldaram seu caráter, com cenas lindas, de encher os olhos, com uma fotografia charmosa, viva, a câmera balançando e arqueando como se estivéssemos documentando os segundos da vida do alienígena na terra, os flashbacks muito bem selecionados e adicionados em momentos oportunos…temos então finalmente o momento que o filme BRILHA e se destaca totalmente dos outros filmes já produzidos do herói, nesse filme finalmente vemos o SUPERMAN brigando, algo olho por olho, dente por dente, não existe mais essa de Superman salvando gatinhos presos em arvores, aquele poderio todo para impedir bandidos de roubarem joalherias, em todos os outros filmes vimos um ser com uma força dantesca a guardando e a usando para nada, hoje podemos ver do que sua força é capaz. Os efeitos são incríveis, as batalhas são épicas e o General Zod ( me desculpe Terence Stamp, esteve ótimo…mas ) finalmente pode ser chamado de GENERAL…seu uniforme e postura impõe respeito, Michael Shannon ( sempre ótimo! ) passa frieza e calculismo, apesar das boas e más intenções…é um vilão de fins justificando os meios.
Amy Adams, uma atriz que dispensa comentários, finalmente entrega uma Lois Lane repórter, investigativa, que FAZ investigações e matérias, que deixa claro ( através das palavras do simpático Laurence Fishburn ) que é uma repórter de renome, com um nome a zelar, gostei do filme não ter focado em romance mas em encontros, em como cada personagem se relacionada com o outro.
Henry Cavill merece destaque, entregou um personagem visceral, preocupado, ansioso e que procura de todas as formas criar uma identidade, sendo humana ou não ( a resposta vem no final ). O Superman com mais forma humana e não parecendo um boneco, cultivando barba e pelos nos peitos, digno de um homem criado na fazenda… é bem vindo e muito bem construído, Brandon Routh pode ter o tipo mais Christopher Reeve, mas está muito atrás de Cavill na entrega do personagem.
A duração era necessária, assim como em Batman Begins, vemos um “novo” Superman, vimos um “novo” Batman nascendo, agora foi a vez do kryptoniano, vimos a filosofia de justiça sendo moldada em Bruce Wayne, seus medos sendo enfrentados…dessa vez vimos Kal-El se transformando em Clark Kent…em Superman, as lutas sendo comparadas com Dragon Ball não fazem sentido, façam o contrário, Dragon Ball nasceu nos anos 80…Superman surgiu nos anos 30, é um senhor e muito dos heróis de hoje ( Marvel ou não )…devem a ele.
A trilha sonora orquestrada é muito bem conduzida por Hans Zimmer, na parte drama lembra um pouco de “O Gladiador”…passando um clima de mistério, conhecimento, nostalgia e saudades do pai, família, do que perdeu e do seu deslocamento no mundo…na parte catástrofe ela se encarrega de acompanhar sonhos físicos e materiais se rompendo, explodindo e voando pelos ares, a melodia encarna uma espécie de Wagner e orquestra com todo expressionismo a arquitetura da destruição, algo que só provem através do ódio e da vingança emanada pelo vilão, cego e programado para de certa forma ( e de forma irônica )…dar vida ao seu povo, mesmo que isso custe vidas.
Nota 10
PS: Feliz aquele que viu entre os escombros os logotipos da Lexcorp e da Wayne Enterprises
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Sem Dor, Sem Ganho
3.0 845 Assista AgoraUma coisa temos que admitir, Michael Bay sabe filmar um vídeo clip como ninguém! Aqueles que reclamam da superficialidade dos personagens ou o que for… apenas pense que Michael Bay vem apresentando seus trabalhos faz tempo, Transformers e outros…então vocês já estavam avisados sobre esse filme, não reclamem, o trailer é honesto e a divulgação toda é honesta…é uma história REAL coberta de futilidade…o trailer avisa isso e toda propaganda avisa isso, não acusem esse filme de desonestidade, ele não se vende como algo a mais, ele realmente entrega o que promete.
Falando do filme, é um grande vídeo clip, se não se pode aproveitar tudo…pelo menos aproveite os multi ângulos, os zoons, a câmera girando…como eu disse, Michael Bay sabe fazer um vídeo clip, todas as cenas possuem um ar pop, colorido, frenético, isso é divertido, a apresentação de todos os personagens ( na preguiça, Bay resolveu deixar os personagens falarem por eles mesmos… ao invés de construí-los aos poucos, até o personagem cabeça de bagre do Dwayne Johnson/The Rock tem seus monólogos ) são boas, são movimentadas e interessantes, Michael bay é ótimo filmando alguém saindo de um carro.
É claro que o filme tropeça na própria história, é real…e vazia, o filme faz uma dura crítica ao “American way of life”..ao “sonho americano”, em vários momentos é possível ver a bandeira americana balançando ou estampando o background da cena…os EUA contam com um número gigante de obesos, mas também…é a nação do Body Building, muitos nomes vem de lá, se por um lado a America é obesa, por outro é musculosa e repleta de suplementos, academias beirando a praia, aquele clima de sol, biquínis e carrões…a cara do Michael Bay, em uma das cenas é possível ver o mesmo recurso de câmera que ele usou em “Bad Boys 2″…o que mostra que o diretor é fã do próprio estilo ou não evoluiu mesmo.
Eu gostei de todos no elenco, principalmente do Mark Wahlberg que além de se divertir muito, faz muitas caras e bocas, o filme tem seus méritos, se passa nos anos 90 e realmente tem o clima da época, tem cara de filme de locadora, filme pra se divertir.
Não é tão ruim, seu potencial pra ser ruim é muito maior, o tema, o diretor e tudo…mas no final achei bastante divertido, apesar das maluquices, da “porralouquisse” toda…o filme é divertido.
Não esperem algo cabeça…os 3 personagens principais são três patetas sem um pingo de juízo, superficiais e burros demais, o diretor filmou um filme sobre robôs que se transformam em carros, um dos atores é ex lutador de wrestling que apesar do tamanho…tem um certo carisma…Mark Wahlberg ( que gosto muito )…é o ex “Marky Mark and the funky bunch”…e você esperando uma obra do Kubrick? Da um tempo! Faça um churrasco, chame os amigos da academia, deem muitas risadas tomando whey e pensem: Sem dor, sem ganho!
Nota 7
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O Grande Mestre
4.2 449Um grande exemplar maduro, rico e ao mesmo tempo humilde e simples por conta das suas limitações. Uma grande história contada de forma simpática e simplória, é possível colecionar conselhos e sabedorias durante o filme todo.
Os atores são esforçados e as lutas são muito boas, toda a equipe técnica é bastante competente, transformaram um simples e pequeno Junco numa grande obra artesanal, gosto de cinema assim, até nessas horas ensinam boas lições.
O personagem principal ( que realmente existiu ) é uma pérola de pessoa, apesar da riqueza, fama e sabedoria, é um homem de muito valor, muito querido e importante para todos, não por conta do seu dinheiro, mas por conta do seu caráter.
A história mostra um pouco da invasão japonesa na China, a falta de respeito com uma cultura, com seu povo e suas tradições…como um povo unido é capaz ( mesmo que usando os próprios punhos) de derrubar tiranos…e como a luta…bem orquestrada e manipulada, ao contrário da violência, pode construir respeito…não medo
Grande filme, nota 10!
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Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
4.2 6,3K Assista AgoraNolan já mostrou seu estilo, em amnésia ( início de sua carreira )…ele provou que sabe dirigir, ainda não tinha se encontrado num estilo, mas ali provou uma eficiência enorme na questão inovação. Não que tenha sido super original…mas ali o diretor mostrou que sabe fazer algo diferente do corriqueiro.
The Dark Knight Rises é uma obra recheada de eventos que contam boa parte da história humana e até parte da história política do mundo. O filme que em seu caráter é totalmente anti-revolucionário, anti-ditadores e ideologias até de esquerda ( nota-se que Bane, ao chegar na cidade, faz a luta de classe, coloca os pobres contra os ricos, massacra os ricos e incentiva o roubo de grandes fortunas, também promete fazer uma revolução e entregar a cidade ao povo…mas está claro para o telespectador que é só um discurso barato com um viés político muito mais sinistro e mórbido, quantos ditadores chegaram ao poder prometendo revoluções, melhorias…mas no fundo o que fizeram foi sentar em um trono, desfrutar das riquezas roubadas, das mordomias do capitalismo e massacrar o povo no frio, fome e escuridão, basta olhar para a triste realidade da Coréia do Norte e de Cuba ).
O grande herói do filme, por ironia, é um empresário capitalista, que doa dinheiro para orfanatos, tem centros de pesquisas e investe na cidade…Mr. Wayne.
No entanto, para não se ter somente o caráter de extrema esquerda revolucionário em foque no lado escuro da trama, Nolan faz a justiça de vestir o Bane como militar, com um exercito, dando tons também de uma revolução ala Pinochet ( extrema direita )… no fim o que fica claro é a luta pelo Welfare State, já que a vitória só é alcançada através da união dos serviços públicos como a polícia (covardemente massacrada e desacreditada) e a iniciativa privada (Batman e seus recursos).
Com direito a tribunais claramente inspirados no romantismo da revolução francesa (assim como o sobretudo do Bane que foi inspirado em casacos da revolução francesa, com cortes que lembram também os casacos da SS da Alemanha nazista de Hitler )…Nolan nos apresenta o final da trilogia que pegou todo mundo de surpresa, Batman que sempre foi motivo de piada no cinema, ganhou três filmes tensos, densos, dramáticos e realistas.
Um filme sobre a sociedade moderna sofrendo com ideologias antigas, um filme sobre liberdades individuais e poder, a obra se mostra grandiosa do início ao fim.
Os detalhes na construção de cada fala, a voz criada para o vilão e como o herói é totalmente o oposto dele, mesmo carregando origens de guerra parecidas (vozes deformadas, teatralidade e treinamento na mítica Liga das Sombras)…ainda são o inverso um do outro, enquanto Batman cobre a parte de cima do rosto, só mostrando a boca, Bane cobre a boca só mostrando os olhos com uma incrível e assustadora atuação do sempre bem vindo Tom Hardy.
Em The Dark Knight tivemos um vilão com físico fraco e com uma mente forte, um estrategista do mal, um digno agente do caos com um único interesse: Ver o circo pegar fogo (dito por Alfred).
Em The Dark Knight Rises, vemos o “recurso” (Miranda/Talia Al Ghul) e o “braço” (Bane)…se antes tínhamos questões psicológicas em torno da natureza do herói e do vilão, cenas de interrogatório onde as personalidades se confundem, fazendo o herói agir de forma extrema e o vilão, com uma simples lábia virando a cidade de ponta cabeça, agora temos as personalidades muito bem definidas, Batman é o herói de Gotham e Bane é seu algoz, não há dúvidas.
As mensagens que o filme consegue carregar passeando através da trilogia, o fato de sabermos que Bruce caiu num buraco quando era pequeno e era questão de tempo até ele sair do buraco que foi jogado de novo, a oportuna pergunta feita pelo seu pai no primeiro filme: “Por que caímos, Bruce?”…fecha a trilogia com a resposta perfeita dada por ele mesmo: “Para aprendermos a levantar”…resposta também anunciada desde o título: The Dark Knight Rises!
Ótimo filme, nota 10!
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