eu ia comentar a respeito dessa temporada logo após tê-la assistido mas, por desânimo, desisti. atualmente estou acompanhando a quarta edição do programa e uma situação me chamou muito a atenção devido a semelhança de um episódio que ocorreu com a Gleice. episódio esse marcado por muitas críticas, sobretudo aqui no filmow. bom, eu não vou especificar que episódio foi esse e nem com qual participante ocorreu na quarta temporada porque seria injusto com aqueles que ainda não assistiram mas
eu vi muitas pessoas alegando uma permanência forçada e premeditada da Gleice nessa temporada. seja pela falta de experiências, quando comparada aos outros participantes, seja pela forma como os jurados avaliavam e falavam com ela, dando a entender, portanto, que ela foi uma participante querida e protegida pelo júri. nessa mesma linha, muita gente a acusou de ter sido a responsável pela eliminação da Gabriela, uma vez que, quando comparadas, a Gabriela havia demonstrado mais técnica e experiência na cozinha.
em toda temporada, o discurso é sempre o mesmo: não importa o quão bom cozinheiro você seja ou tenha se tornado durante a sua trajetória no programa. se você, por ventura, não obter o êxito esperado em uma prova e cometer uma falha trágica, por descuido ou qualquer coisa do gênero, você tá fora. isso aconteceu com DIVERSOS participantes ao longo das edições. participantes que tinham grandes potenciais e que, por coisas mínimas, foram eliminados. o ponto que eu quero chegar é o de que
a Gleice não eliminou a Gabriela. a Gleice não tirou essa oportunidade dela no programa. a ESCOLHA da Gabi em não entregar EXATAMENTE o que foi solicitado, que a eliminou. independente se a Gleice pecou na execução ou se ela não possuía a mesma bagagem de conhecimentos e técnicas da eliminada. o programa possui regras e essas devem ser respeitadas. o seu prato pode ser incrível, assim como você, mas se te solicitam algo que você não consegue ou simplesmente decide não entregar, isso com certeza vai te custar a permanência na competição.
e ainda dentro desse contexto, eu me sinto extremamente incomodada em como reduzem a essência do programa em discursos meritocráticos. sim, o amor pela profissão e pela cozinha não são suficientes. sim, é necessário estudo contínuo, aprimoramento e dedicação. mas eu acho que a desigualdade social e cultural afetam muito as possibilidades de crescimento de alguns. a área gastronômica é muito elitista e tem um público de profissionais bem próximos ao público de estudantes de cursos como a medicina e o direito. quantos pretos, pobres e favelados você visualiza com frequência dentro dessas áreas? não é necessário dados científicos para que cheguemos a uma conclusão. a realidade tem se alterado aos poucos mas os passos são dados de forma bem lenta. os mecanismos de acesso são extremamente desiguais e isso foi uma pauta levantada a todo momento pelo queridíssimo Lee. como que tu compara um participante que teve o privilégio de estudar fora do país, conhecer novas culturas, experimentar e cozinhar pratos diferentes daqueles que consumimos durante o dia a dia com outro participante que não teve essa mesma oportunidade de acesso? eu concordo que a
Gleice se mostrou um pouco desmotivada, desacreditando no próprio trabalho. contudo eu acho que quando nos chocamos com algo completamente diferente da nossa realidade, o retraimento é comum, é esperado. você se sente fora da caixinha, se sente pequeno porque se insere em um espaço que a vida nunca te permitiu se aproximar.
e é isso que é bacana também no masterchef. ok, é uma competição. mas não se resume a somente mérito e rivalidade. é um espaço com pessoas diversas dividindo o mesmo sonho, o mesmo prazer e objetivo. é importante que tenhamos esse olhar e não resumamos em algo extremamente radical. afinal de contas, é uma edição de amadores e não profissionais. cada um possui a sua particularidade, a sua história, sua bagagem e suas raízes. e essa edição trouxe muito à tona tudo isso. o tanto que eu chorei, só eu e o meu travesseiro sabemos. Gleice, Lee, Aluísio, Paula e Fernando: POR DEUS. com certeza os meus favoritos. acho que a mais injustiçada da edição foi a
Hellen, que saiu logo no primeiro episódio e não conseguiu retornar na repescagem. acho que ela tinha um grande potencial mas, infelizmente, não muita sorte. torci bastante para que retornasse.
no mais, é muito importante que se promova uma igualdade, onde todos sejam avaliados ou tratados da mesma maneira. mas penso que para haver igualdade é necessário, em primeiro lugar, que se construa uma equidade. e independente dessa linha, os jurados foram justos porque seguiram as regras do programa, assim como os participantes também devem fazer.
MasterChef Brasil (3ª Temporada)
4.1 57 Assista Agoraeu ia comentar a respeito dessa temporada logo após tê-la assistido mas, por desânimo, desisti. atualmente estou acompanhando a quarta edição do programa e uma situação me chamou muito a atenção devido a semelhança de um episódio que ocorreu com a Gleice. episódio esse marcado por muitas críticas, sobretudo aqui no filmow.
bom, eu não vou especificar que episódio foi esse e nem com qual participante ocorreu na quarta temporada porque seria injusto com aqueles que ainda não assistiram mas
eu vi muitas pessoas alegando uma permanência forçada e premeditada da Gleice nessa temporada. seja pela falta de experiências, quando comparada aos outros participantes, seja pela forma como os jurados avaliavam e falavam com ela, dando a entender, portanto, que ela foi uma participante querida e protegida pelo júri. nessa mesma linha, muita gente a acusou de ter sido a responsável pela eliminação da Gabriela, uma vez que, quando comparadas, a Gabriela havia demonstrado mais técnica e experiência na cozinha.
em toda temporada, o discurso é sempre o mesmo: não importa o quão bom cozinheiro você seja ou tenha se tornado durante a sua trajetória no programa. se você, por ventura, não obter o êxito esperado em uma prova e cometer uma falha trágica, por descuido ou qualquer coisa do gênero, você tá fora. isso aconteceu com DIVERSOS participantes ao longo das edições. participantes que tinham grandes potenciais e que, por coisas mínimas, foram eliminados.
o ponto que eu quero chegar é o de que
a Gleice não eliminou a Gabriela. a Gleice não tirou essa oportunidade dela no programa. a ESCOLHA da Gabi em não entregar EXATAMENTE o que foi solicitado, que a eliminou. independente se a Gleice pecou na execução ou se ela não possuía a mesma bagagem de conhecimentos e técnicas da eliminada. o programa possui regras e essas devem ser respeitadas. o seu prato pode ser incrível, assim como você, mas se te solicitam algo que você não consegue ou simplesmente decide não entregar, isso com certeza vai te custar a permanência na competição.
e ainda dentro desse contexto, eu me sinto extremamente incomodada em como reduzem a essência do programa em discursos meritocráticos. sim, o amor pela profissão e pela cozinha não são suficientes. sim, é necessário estudo contínuo, aprimoramento e dedicação. mas eu acho que a desigualdade social e cultural afetam muito as possibilidades de crescimento de alguns. a área gastronômica é muito elitista e tem um público de profissionais bem próximos ao público de estudantes de cursos como a medicina e o direito. quantos pretos, pobres e favelados você visualiza com frequência dentro dessas áreas? não é necessário dados científicos para que cheguemos a uma conclusão. a realidade tem se alterado aos poucos mas os passos são dados de forma bem lenta. os mecanismos de acesso são extremamente desiguais e isso foi uma pauta levantada a todo momento pelo queridíssimo Lee. como que tu compara um participante que teve o privilégio de estudar fora do país, conhecer novas culturas, experimentar e cozinhar pratos diferentes daqueles que consumimos durante o dia a dia com outro participante que não teve essa mesma oportunidade de acesso? eu concordo que a
Gleice se mostrou um pouco desmotivada, desacreditando no próprio trabalho. contudo eu acho que quando nos chocamos com algo completamente diferente da nossa realidade, o retraimento é comum, é esperado. você se sente fora da caixinha, se sente pequeno porque se insere em um espaço que a vida nunca te permitiu se aproximar.
e é isso que é bacana também no masterchef. ok, é uma competição. mas não se resume a somente mérito e rivalidade. é um espaço com pessoas diversas dividindo o mesmo sonho, o mesmo prazer e objetivo. é importante que tenhamos esse olhar e não resumamos em algo extremamente radical. afinal de contas, é uma edição de amadores e não profissionais. cada um possui a sua particularidade, a sua história, sua bagagem e suas raízes. e essa edição trouxe muito à tona tudo isso. o tanto que eu chorei, só eu e o meu travesseiro sabemos. Gleice, Lee, Aluísio, Paula e Fernando: POR DEUS. com certeza os meus favoritos. acho que a mais injustiçada da edição foi a
Hellen, que saiu logo no primeiro episódio e não conseguiu retornar na repescagem. acho que ela tinha um grande potencial mas, infelizmente, não muita sorte. torci bastante para que retornasse.
no mais, é muito importante que se promova uma igualdade, onde todos sejam avaliados ou tratados da mesma maneira. mas penso que para haver igualdade é necessário, em primeiro lugar, que se construa uma equidade. e independente dessa linha, os jurados foram justos porque seguiram as regras do programa, assim como os participantes também devem fazer.