À mim foi particularmente emocionante a cena em que o casal de dois soldados nazistas LGBT vão lutar maquiados e com os seus uniformes personalizados e com cores vibrantes. Somente quando a morte era certa puderam se libertar sem medo, sendo isso um reflexo das ideologias autoritárias, constantemente opressoras de minorias. Para mim esse filme é um grande discurso anti-ódio, reforçando que, por mais que as coisas possam estar ruins, nenhum sentimento é para sempre. Nos incentiva a sempre defender nossa liberdade e a celebrá-la fazendo as coisas que amamos, como por exemplo dançando! Afinal, não sentir é o fim!
A cena final é bem massa. “De diretor”, eu diria. Senti uma super representação do instinto materno, bem caracterizada com a mudança de expressão do rosto da mãe, inicialmente esboçando fragilidade, incerteza e um turbilhão de emoções ao segurar a arma. A mudança acontece no segundo em que foi afirmada como mãe, especialmente por ser a primeira vez, por sua própria filha. Suas dúvidas acabaram, suas emoções cessaram e a única saída possível foi puxar o gatilho no ato final para vingar sua filha.
Bagdad Café foi uma recomendação de minha mãe. Segundo ela foi um marco para as mulheres da época, no que diz respeito à descoberta e à aceitação da sexualidade. Vendo o filme isso fica claro! Com muita leveza e sem idealizações, o filme nos mostra como as relações humanas são capazes de nos renovar, nos alegrar e nos preencher. Em todos os momentos dessa produção há um constante exercício da exotopia, o “ver de fora”. Na busca da identidade própria, nossa visão não se completa sozinha e, conforme descreve BAKHTIN: “Ao virar a cabeça em todas as direções, obtenho uma visão do espaço que me cerca de todos os lados e em cujo centro eu me situo, mas não verei a mim mesmo cercado por esse espaço”. Assim entendo que, no filme, dá-se a oportunidade para o encontro consigo mesmo a partir do outro. Em tempos de corona, que belo é lembrar que “o outro” é o grande responsável por dar sentido à nossa existência. Afinal, “o inferno são os outros, mas eles também são o nosso céu!”
O filme desenvolve o ato de “perder-se” de forma cômica e doce. Um “perder-se” que já não mais acontece nos tempos atuais, em que estamos cansativamente conectados e obrigatoriamente localizados. Não é mais permitido se desconectar! Não é mais permitido se perder! Pois é justamente nesse cenário que os personagens do filme se permitem uma liberdade despretensiosa, em que não importam barreiras de idiomas, de classes sociais ou de idade. Percebo o ato de “perder-se” como uma forma leve, mas não inocente, de nos distanciarmos e questionarmos essas barreiras. Em especial me tocaram as normas sociais que impomos aos idosos, como o terror da internação em casas de repouso, o isolamento social e o tabu da sexualidade, que devem ser urgentemente dialogados em sociedade. Com isso, enfatizo a necessidade de esporadicamente nos perdermos, mesmo que com critério, como já dizia Elizabeth Bishop. Pois uma vez que a arte de perder não é nenhum mistério, que parte de nós será que vamos encontrar quando não estivermos intensivamente conectados ou localizados?
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Jojo Rabbit
4.2 1,6K Assista AgoraÀ mim foi particularmente emocionante a cena em que o casal de dois soldados nazistas LGBT vão lutar maquiados e com os seus uniformes personalizados e com cores vibrantes. Somente quando a morte era certa puderam se libertar sem medo, sendo isso um reflexo das ideologias autoritárias, constantemente opressoras de minorias. Para mim esse filme é um grande discurso anti-ódio, reforçando que, por mais que as coisas possam estar ruins, nenhum sentimento é para sempre. Nos incentiva a sempre defender nossa liberdade e a celebrá-la fazendo as coisas que amamos, como por exemplo dançando! Afinal, não sentir é o fim!
Mãe
3.7 65 Assista AgoraA cena final é bem massa. “De diretor”, eu diria. Senti uma super representação do instinto materno, bem caracterizada com a mudança de expressão do rosto da mãe, inicialmente esboçando fragilidade, incerteza e um turbilhão de emoções ao segurar a arma. A mudança acontece no segundo em que foi afirmada como mãe, especialmente por ser a primeira vez, por sua própria filha. Suas dúvidas acabaram, suas emoções cessaram e a única saída possível foi puxar o gatilho no ato final para vingar sua filha.
Bagdad Café
4.0 249 Assista AgoraBagdad Café foi uma recomendação de minha mãe. Segundo ela foi um marco para as mulheres da época, no que diz respeito à descoberta e à aceitação da sexualidade. Vendo o filme isso fica claro! Com muita leveza e sem idealizações, o filme nos mostra como as relações humanas são capazes de nos renovar, nos alegrar e nos preencher. Em todos os momentos dessa produção há um constante exercício da exotopia, o “ver de fora”. Na busca da identidade própria, nossa visão não se completa sozinha e, conforme descreve BAKHTIN: “Ao virar a cabeça em todas as direções, obtenho uma visão do espaço que me cerca de todos os lados e em cujo centro eu me situo, mas não verei a mim mesmo cercado por esse espaço”. Assim entendo que, no filme, dá-se a oportunidade para o encontro consigo mesmo a partir do outro. Em tempos de corona, que belo é lembrar que “o outro” é o grande responsável por dar sentido à nossa existência. Afinal, “o inferno são os outros, mas eles também são o nosso céu!”
Perdidos em Paris
3.4 44Perdidos em Paris
O filme desenvolve o ato de “perder-se” de forma cômica e doce. Um “perder-se” que já não mais acontece nos tempos atuais, em que estamos cansativamente conectados e obrigatoriamente localizados. Não é mais permitido se desconectar! Não é mais permitido se perder!
Pois é justamente nesse cenário que os personagens do filme se permitem uma liberdade despretensiosa, em que não importam barreiras de idiomas, de classes sociais ou de idade. Percebo o ato de “perder-se” como uma forma leve, mas não inocente, de nos distanciarmos e questionarmos essas barreiras. Em especial me tocaram as normas sociais que impomos aos idosos, como o terror da internação em casas de repouso, o isolamento social e o tabu da sexualidade, que devem ser urgentemente dialogados em sociedade.
Com isso, enfatizo a necessidade de esporadicamente nos perdermos, mesmo que com critério, como já dizia Elizabeth Bishop. Pois uma vez que a arte de perder não é nenhum mistério, que parte de nós será que vamos encontrar quando não estivermos intensivamente conectados ou localizados?