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Data de lançamento
11 Dez. 2005Duração
Em uma Inglaterra do futuro, onde está em vigor um regime totalitário, vive Evey Hammond (Natalie Portman). Ela é salva de uma situação de vida ou morte por um homem mascarado, conhecido apenas pelo codinome V (Hugo Weaving), que é extremamente carismático e habilidoso na arte do combate e da destruição. Ao convocar seus compatriotas a se rebelar contra a tirania e a opressão do governo inglês, V provoca uma verdadeira revolução. Enquanto Evey tenta saber mais sobre o passado de V, ela termina por descobrir quem é e seu papel no plano de seu salvador para trazer liberdade e justiça ao país.
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Esperava muito e encontrei um filme besta. Uma pena.
*V de Vingança* parte de uma premissa poderosa: em uma Inglaterra autoritária, um homem mascarado inicia uma cruzada contra o regime enquanto tenta despertar uma população dominada pelo medo. E é justamente aí que o filme me perdeu. A proposta é interessante, mas a execução é excessivamente carregada e simbólica.
A história acompanha Evey, uma jovem que acaba envolvida com V, um revolucionário mascarado que pretende derrubar o governo através de atentados cuidadosamente planejados. Enquanto ela passa a conhecer melhor suas ideias e métodos, o filme constrói um universo de vigilância, censura e manipulação política, utilizando conspirações, discursos e referências históricas para discutir liberdade, poder e resistência. O problema é que praticamente tudo parece querer representar alguma coisa, e essa necessidade constante de transmitir uma mensagem acaba tornando a experiência pesada.
O roteiro possui ideias relevantes, mas frequentemente parece mais interessado em discursar do que em construir uma narrativa naturalmente envolvente. A simbologia é evidente, porém nem sempre produz impacto.
V é carismático e visualmente marcante, enquanto Evey funciona melhor quando o filme permite que sua transformação aconteça de maneira mais humana.
Apesar de momentos fortes e de uma identidade visual bastante própria, *V de Vingança* nunca conseguiu me envolver. É um filme ambicioso e cheio de significados, mas, para mim, acabou sendo mais cansativo do que fascinante.
Nota: 5,2
Visto pela segunda vez, e continua cansativo. A curiosidade foi na época podermos vivenciar todo o cenário da pandemia, 15 anos antes, sem ter a menor noção disso.
Filmaço!!!
"Remember, remember, the fifth of November,
The Gunpowder treason and plot;
I know of no reason why the Gunpowder treason
Should ever be forgot."
"Lembrai, lembrai, do cinco de novembro,
A traição e o complô da pólvora;
Não vejo razão para que a traição da pólvora
Um dia seja esquecida."
Tem Alguns Spoilers...
Adaptar a genialidade dos quadrinhos de Alan Moore para o cinema nunca foi uma tarefa fácil, mas em 2005, o diretor James McTeigue, junto com a produção e roteiro fantásticos das irmãs Wachowski, conseguiu realizar um milagre. "V de Vingança" chegou aos cinemas não apenas como um filme de ação, mas como um soco na mente, um thriller político e estético que deixou todo mundo estatelado na poltrona, com um 5 de Novembro pessoal pronto pra explodir.
A história nos joga pra uma Londres distópica, sufocante e totalitária, onde o Estado controla cada detalhe da vida dos cidadãos através do medo e do controle, na politica suja, na religião corrompida, na manipulação da mídia — representada por aquela única emissora de TV sensacionalista que dita o que as pessoas devem pensar. Um "Fahrenheit 451" do François Truffaut, inglês.
É nesse cenário cinzento que surge o V, um homem transformado em uma ideia viva, usando uma capa preta, facas voadoras e a icônica máscara de Guy Fawkes para desafiar o sistema.
O trabalho de Hugo Weaving como V é uma das coisas mais geniais e difíceis dos últimos tempos no cinema. O cara passa o filme inteiro sem mostrar o rosto, atrás de uma máscara rígida de plástico que não se mexe. Mesmo assim, usando apenas a imponência do seu corpo e a entrega fantástica da sua voz, ele consegue emocionar, assustar e fazer a vibrae quem assiste! É um colosso de interpretação.
Ao seu lado, no auge da carreira, Natalie Portman, entrega uma transformação impressionante na pele de Evey. Ela começa como uma jovem assustada, funcionária da TV, e passa por um processo de libertação doloroso e profundo. A icônica cena dela na prisão fake, recebendo aquela carta emocionante da Valerie escrita em um pedaço de papel higiênico, arrancaram lágrimas das pessoas no cinema. Quando ela finalmente sai para a chuva, de cabeça raspada, livre do próprio medo, o filme entrega uma das imagens mais catárticas dos anos 2000.
Bebendo na fonte estética que revolucionou o cinema em Matrix, as Wachowskis e McTeigue criaram sequências de ação memoráveis. A luta final no metrô abandonado, com o V enfrentando o exército do governo na base da velocidade e das adagas, com o sangue desenhando coreografias perfeitas no ar, é pura poesia visual.
V parecia imortal! Durante todo o filme ele nos faz acreditar que sim. Enquanto lutava, ele encurralava os agentes do governo não apenas com suas adagas cirúrgicas, mas com diálogos pomposos, teatrais e filosóficos. Era quase infalível! E quando colocou em prática seu genial plano de vingança, com aquela voz imponente que ecoava na escuridão de Londres, ele parecia absolutamente invencível!
Mas a maior vitória de V não foi explodir prédios, foi libertar a mente de Evey. A transformação dela é uma das mais impressionantes e viscerais do cinema moderno. Após repetidas e brutais torturas em uma prisão fictícia criada pelo próprio V, ela encontra a força que precisava na leitura da carta de Valerie.
Quando a porta da cela finalmente se abre, e ela descobre a verdade, o seu olhar muda. A sala de cinema fica muda, a expressão da Natalie é avassaladora! Evey parece não sentir mais dor, ela não sente mais o peso da opressão, não sente mais medo. Tudo evaporou. É a cena icônica dela sob a chuva batismal, de cabeça raspada, com os braços abertos renascendo das cinzas do próprio sofrimento, foi antológica.
O clímax no metrô abandonado nos traz de volta à realidade brutal da trama, com a vendetta e o sacrifício final de V. A cena de luta insana nos tuneis com adagas rasgando o ar, nos revelou que debaixo daquela capa não havia um deus, mas um homem, e a vontade e a resiliência era seu nome. O sangue que escorre pela armadura prova que V não era invencível; invencíveis eram as suas ideias.
No seu último suspiro, o filme entrega que aquele homem moldado pelo ódio e pela vingança tinha sentimentos por Evey, confessando que ela foi a única coisa que o fez lembrar do que era o amor. Ele desiste de puxar a alavanca do trem porque entende que o futuro de Londres não pertence mais a um fantasma do passado, mas sim a ela, que era o futuro livre e sem medo.
Ver aquela multidão marchando em direção ao parlamento inglês, todos usando a mesma máscara, prova a maior as incríveis ideias do anti-herói: "um homem pode ser destruído, mas uma ideia é à prova de balas!" Enquando o parlamento explode ao som da Abertura 1812 de Tchaikovsky, com o céu iluminado por fogos de artifício, a gente percebe que assistiu a um clássico eterno.
"V de Vingança" é um filmaço, mais um clássico que marcou a década, envelheceu como pinga secreta de bar e que faz a gente ter aquela saudade foda dos anos 2000, quando o cinema ia para a tela grande com coragem, substância e muita alma.
"Disseram-me que as pessoas esquecem o homem, mas lembram da ideia. Eu vi em primeira mão o poder das ideias. Vi pessoas matarem em nome delas, e morrerem defendendo-as... Mas não se pode beijar uma ideia, não se pode tocá-la ou abraçá-la. Ideias não sangram, elas não sentem dor... elas não amam."
A Carta de Valerie.
"Eu sei que não há como convencê-la de que isto não é um truque deles, mas eu não ligo. Eu sou eu. Meu nome é Valerie. Não creio que viverei muito tempo e eu queria contar minha vida para alguém. Esta é a única autobiografia que eu vou escrever e — Deus — eu estou escrevendo em papel higiênico.
Nasci em Nottingham, em 1985. Não me lembro muito bem da minha infância, mas eu me lembro da chuva. Minha avó tinha uma fazenda em Tuttlebrook e ela costumava me dizer que Deus estava na chuva.
Fui aprovada no exame para o curso secundário. Na escola, conheci minha primeira namorada. O nome dela era Sarah. Eram os pulsos dela... eles eram lindos. Eu sempre soube o que queria da vida.
No ano de 2002, eu me apaixonei por uma garota chamada Christina. Naquele ano, eu me assumi para os meus pais. Eu não poderia ter feito isso sem a Chris segurando a minha mão. Meu pai não olhou para mim. Disse para eu ir embora e nunca mais voltar. Minha mãe não falou nada. Mas eu só contei a verdade a eles. Isso foi egoísmo demais?
Nossa integridade vale tão pouco... mas é tudo o que realmente temos. É o mais importante em nós. Mantendo a nossa integridade, somos livres.
Em 2015, eu estrelei meu primeiro filme, As Dunas de Sal. Foi o papel mais importante da minha vida, não pela minha carreira, mas porque assim eu conheci a Ruth. Na primeira vez em que nos beijamos, eu soube que nunca mais iria querer beijar outros lábios. Nós nos mudamos para um apartamento em Londres juntos. Ela plantou Scarlet Carsons para mim na nossa floreira de janela, e o nosso apartamento sempre cheirava a rosas. Foram os melhores anos da minha vida.
Mas a guerra da América foi piorando e, no fim, chegou a Londres. Depois disso, não havia mais rosas para ninguém. Eu me lembro de como as coisas começaram a mudar, como a intolerância e o medo se tornaram poderosos. Eu ainda não entendo por que eles nos odeiam tanto.
Eles levaram a Ruth enquanto ela estava na rua comprando comida. Eu nunca chorei tanto na minha vida. Não demorou muito para virem me buscar.
Parece estranho terminar a minha vida em um lugar tão horrível. Mas, durante três anos, eu tive rosas e não pedi desculpas a ninguém.
Eu morrerei aqui. Cada pedacinho do meu ser perecerá... Exceto um. Um pedaço. Ele é pequeno, e é frágil, e é a única coisa no mundo que ainda vale a pena se ter. Jamais devemos perdê-lo, vendê-lo ou entregá-lo. Nunca devemos deixar que o tirem de nós.
Espero que, quem quer que você seja, escape deste lugar. Espero que o mundo mude e que a vida fique melhor. Mas o que eu mais quero é que você entenda a minha mensagem quando eu lhe digo que, apesar de eu não conhecer você, e de talvez nunca me encontrar com você, rir com você, chorar com você ou beijar você...
Eu te amo. De todo o meu coração, eu te amo.
— Valerie."