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Uma história de afeto entre um pai e sua filha de 10 anos. Esse pai têm como objetivo apagar as marcas do passado e tentar ter um bom relacionamento com sua filha
Só que ao longo desse caminho, muitos outros conflitos surgem para que essa relação acabe passando por mais problemas.
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Sinto traços de Nouvelle Vague nas atuações das personagens, e isso me encanta.
Antes de mais nada, há de se destacar as grandes mulheres desta época, que compõem o filme nos dando um deslumbre de deleite aos olhos; seja a ninfeta Binoche, nos causando torpor, ou simplesmente a delicadeza dessa parceria à Juliet Berto, que ainda me pego, incansavelmente, admirando sua beleza que culmina em força, desbocando nas lembranças de sua jornada ao lado de Glauber Rocha. No mais, Sami Frey mostra-se a única personagem masculina da trama, contracenando com a maravilhosa Mara Goyet que, com sua genialidade infantil, nos faz ater da mente aos pés as devidas atenções à sua brilhante atuação. Bem que Doillon disse que as mulheres e crianças já presenciam na carne esse dom da atuação... Grande Jacques!
Doillon foi fundo nesse roteiro, não deixa nada de fora - há, desde o princípio, um entrelaçamento muito claro entre todas as mulheres da vida do protagonista, e de todas as mulheres com a sua única filha, Elise. Elise funciona como o ponto forte (e por isso, fraco) da vida de Emmanuel. Ao longo do filme, vamos presenciando uma relação complicada entre pai e filha, que nos remete à um certo desconforto. Ao nos colocarmos no lugar de Emmanuel, sentimos a necessidade de sentir um sorriso no rosto de Elise, e isso nos perturba. A imagem do interlocutor presente na cena de Doillon é muito intensa. Viramos, decerto, protagonistas, pais, filhas e amantes. Viramos, dentro daquele quadro que Elise não quer pertencer, a figura desconfortável e desconcertante da cena principal. Há, pois, em suas curtas locações e extensos diálogos, fortes motivos que me remetam às lágrimas. Dado momento, sentimos a necessidade de que esse companheirismo entre os dois seja verdadeiro, e a menina sentada em seu colo ouse lhe permitir um abraço sincero, e com toda a narração poética (privada de música) que Doillon nos oferece, não há outro motivo para desviar os olhos da carne principal do filme: as conturbadas relações com as mulheres da vida de Emmanuel. Talvez Elise seja a metáfora de todas elas. A metáfora que circunda todas em uma só; a única que nunca sairá de sua vida, a única que ele precisa (e sente a necessidade) de implorar o amor.
As imensas famílias de Emmanuel postas em voga em uma única (e belíssima!) menina, nos fazem encher o peito de ar antes do suspiro final. Há de se sentir tenebroso com o sorriso do homem, há de se sentir tristonho com a ausência no rosto da criança.
Ainda sinto essa pulga atrás do coração desde a filmagem final, e Elise ainda repete em meus ouvidos: "Não precisamos de uma máquina para conversar".
Simples e forte, como Mara Goyet.