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27 years, RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO (BRA)
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Últimas opiniões enviadas

  • Jonathan Silva

    SOPRO DE AR FRESCO

    Embora não seja nem de longe a obra-prima que estão alardeando por aí, a nova animação da Pixar é seu melhor longa-metragem desde "Wall-E", num distante ano de 2008. O grande acerto aqui foi a abordagem que deram ao enredo, bastante original, embora não tenham explorado todo o potencial que a ideia renderia.

    Bem conduzido por Pete Docter, o filme acerta em cheio no frescor do tema, usando não só personagens que servem como metáforas das emoções da garota de 11 anos Riley, como ainda as 'ilhas' que compõem sua personalidade, um grande arquivo de memórias permanentes, personagens encarregados de fazer o descarte de memórias menos lembradas nesse arquivão e assim por diante. Que eu me lembre agora, nunca vi nada parecido em sequer em filme live action, muito menos num de animação.

    Fica ainda melhor porque os roteiristas tiveram culhão de colocar momentos francamente tristes e dramáticos na história, em especial as que envolvem o elefante rosado que chora balas, que chega como alívio cômico e figura mais abertamente infantilizada do filme, mas aos poucos injeta carga dramática forte, que vai atingir em cheio sobretudo os adultos que porventura perderam contato com sua 'criança interior'. Essas entrelinhas de fim da infância e começo da puberdade são usadas com brilhantismo pelos realizadores, embalados de modo tocante por um design de cenários com ideias bastante originais (o arquivo das memórias permanentes e o abismo do esquecimento ao lado deles impressiona tecnicamente) e por uma partitura comovente do músico Michael Giacchino, um dos melhores da nova safra de compositores hollywoodianos.

    Pena que, no intuito talvez de não soarem muito dramáticos para o público infantil, perderam a chance de dar vôos ainda mais altos e explorar todo o potencial que a metáfora do universo de "Divertida Mente" oferece. O magrelo que representa o Medo, por exemplo, é usado frequentemente como alívio cômico de humor pastelão, pra ser atingido pelas esferas que representam as memórias. Também não causa medo ou tensão quando usam o palhaço gigante, além de forçarem tanto na caracterização da Tristeza (que se comporta igual o Bisonho do "Ursinho Pooh") que a gente não consegue torcer de modo algum para que ela volte à sala de controle. Só muito no finalzinho corrigem esse erro e demonstram que ela tinha sim um papel importante no equilíbrio das emoções de Riley.

    "Divertida Mente" acaba sendo, apesar dessas eventuais falhas, sopro de originalidade numa empresa de animações que já rendeu pérolas como "Procurando Nemo", "Ratatouille" e "Monstros S.A.", além do subestimado "Vida de Inseto". Não é algo que vá virar o universo das animações de ponta-cabeça, como fez o subversivo "Shrek" de 2001 ou mesmo o primeiro longa da Pixar, "Toy Story", mas sem dúvidas é um avanço considerável dada a qualidade narrativa fraca e principalmente a falta de originalidade que andava tomando conta do estúdio, cada vez mais mergulhado em sequências de seus longas anteriores. Tomara que a Pixar volte aos tempos áureos e injete sangue novo nos roteiros de seus futuros longas.

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