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28 years, RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO (BRA)
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"Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente." - Zeitgeist Addendum
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"O Homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre." - Denis Diderot
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“There is a fear about sex in motion pictures, as if sex would undermine morality.” - Paul Verhoeven

Últimas opiniões enviadas

  • Jonathan Silva

    Impressionante como o Globo de Ouro premiou vários 'épicos shakespeareanos' nos anos sessenta, não? Talvez porque naquela época de ebulição da cultura sexual, o que inclusive teve desdobramentos na sétima arte, esse gênero fosse um' porto seguro' para os mais conservadores...

    De qualquer maneira, "Becket" é um filme bem acima da média, tecnicamente requintado (sobretudo cenografia e figurinos), que consegue segurar as pontas da narrativa francamente teatral em duas horas e meia de projeção. O ponto alto do filme, claro, são as performances de Richard Burton (discreto, sério) e Peter O'Toole (desmunhecadíssimo!).

    É notória a subtrama homoerótica do filme, naquele período em que Hollywood ainda se permitia aos poucos adentrar esses terrenos, fato particularmente visível na composição de O'Toole ao personagem, decisão corajosa vinda de um sujeito que acabava de sair do megahit "Lawrence da Arábia". E olha que a todo momento estão colocando uma mulher pelada na cama do rei, pra tentar disfarçar a misoginia do mesmo!

    Também nas entrelinhas do roteiro há uma defesa da importância da correlação de forças nos poderes que governam. Mesmo o filme versando sobre o contexto da monarquia inglesa de muitos séculos atrás, é perfeitamente visível ali uma defesa da contraposição do legislativo ao executivo, por exemplo, evitando que um deles tenha poder demais. Pena que, na prática, isso venha com uma defesa do clero no personagem de Burton, o que pra mim, pessoalmente, tira um pouco do brilho do filme: afinal, entre o rei e o clero, fica difícil saber qual dos dois eu quero que se dane mais - o que dificulta nutrir alguma simpatia maior pela cruzada de Becket em defesa da 'autonomia do clero'.

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  • Jonathan Silva

    Filmaço! Lembra em muitos aspectos "O Milagre de Anne Sulivan" na trama principal pelo fato da aquisição gradual da linguagem ensinada a um deficiente auditivo, mas tem ainda a coragem de tocar em assuntos dificílimos de circular comercialmente numa época em que o cinema estadunidense vivia sob a égide do Código Hays, como estupro, maternidade indesejada, etc.

    A comunidade da vila fofoqueira e intrometida, que mais atrapalha do que ajuda a situação da jovem estuprada, tem muito do próprio Código Hays, inclusive. "Belinda" ainda consegue ter reviravoltas corajosas, te fazendo perceber o quanto o antagonista estuprador esteve a um passo de escapar ileso com ajuda do próprio moralismo local. Pena que não teve como ter um desfecho mais forte e amargo, necessário para um filme como esse, justamente pela norma de censura comercial dos anos 1940.

    Elogiar a performance de Jane Wyman, vencedora do Oscar pelo papel, é chover no molhado. Fiquemos então com os aplausos para o elenco coadjuvante, em especial os que interpretam os familiares próximos de Belinda, com ênfase no pai, um caipira bronco de bom coração vivido por Charles Bickford. Também é digna de nota a partitura de Max Steiner e a direção segura de Jean Negulesco. Curioso ainda como um drama de tom intimista, pouco dado a grandes arroubos de panorâmicas e tomadas mais abertas, conseguiu ter uma fotografia tão bonita. Recomendadíssimo.

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  • Jonathan Silva

    Dizem os letreiros iniciais do filme que os que creem não precisarão de provas e para os que não creem nunca existirão provas suficientes. Já vou adiantando que estou no segundo caso. O filme tem um roteiro mais esperto do que parece, dando mais ênfase na dúvida dos que cercam a garota do que na 'aparição' em si, mas o fato é que não consegue fugir de ter um pé no proselitismo, sobretudo quando já caminha para o desfecho.

    O elenco coadjuvante é aceitável, mas a tal Jennifer Jones que faz a personagem principal se reduziu a oscilar entre a 'cara de coitada' e a 'cara de santa', impedindo que a personagem tenha nuances de malícia e velhacaria necessárias para fazer o espectador ter mais dúvidas sobre a sinceridade de seu relato, o que ajudaria no propósito do filme. Outra decisão equivocada foi terem filmado a própria santa, ao invés de apenas sugerir a aparição da mesma. O pior é que essa presepada religiosa é bem dirigida e tem boa música de Alfred Newman. Que desperdício!

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