Perla é obcecada em ter uma miss na família e passa a fazer de tudo para conseguir tornar seu sonho realidade, inclusive estimular uma rivalidade entre suas duas filhas.
"3 belezas é essencialmente uma sátira e, como tal, abusa do absurdo, da extravagância de cores e do delineamento caricaturesco de seus personagens. A combinação de tais fatores resulta em um filme dúbio: ao mesmo tempo que consegue formular sua crítica, perde-se no exagero."
Um dos prazeres em conferir a Mostra São Paulo é o de desbravar filmografias desconhecidas e surpreender-se no processo. É o caso deste 3 Belezas (2014), o primeiro filme venezuelano a que assisto, em que o diretor e roteirista Carlos Caridad-Montero satiriza uma das maiores paixões do país: os concursos de beleza. A premissa não é inédita (Miss Simpatia e Pequena Miss Sunshine que o digam), mas é executada na dose certa de obsessão tragicômica para funcionar tanto como comédia quanto crítica social. Tudo começa quando Perla elege a filha Carolina de Mônaco (!), em vez da mais nova Estefania (!!), para prepará-la nos passos de uma Miss a despeito do seu sobrepeso, o que provoca uma rixa automática entre as garotas que persiste no decorrer da maioridade.
Então, como toda comédia de humor negro, Carlos Caridad-Montero desenvolve situações cujas consequências escalam no grau de desumanidade enquanto explora o fanatismo religioso, gratuitamente, o culto à vaidade e o desfazimento dos laços fraternos intactos apenas na cena inicial quando Carolina, Estefania e Salvador brincam ingenuamente no quintal de casa. Se só mencionei Salvador agora, é porque o irmão desempenha um papel fundamental, posicionando-se junto ao elo mais fraco da família com o mínimo de sensatez (que confunde-se com carência afetiva) para refletir o olhar sensato do espectador. Não, corrijo-me, não há sensatez, não nesta família.
"3 belezas é essencialmente uma sátira e, como tal, abusa do absurdo, da extravagância de cores e do delineamento caricaturesco de seus personagens. A combinação de tais fatores resulta em um filme dúbio: ao mesmo tempo que consegue formular sua crítica, perde-se no exagero."
Leia a crítica completa: http://bit.ly/1tgixYF
Um dos prazeres em conferir a Mostra São Paulo é o de desbravar filmografias desconhecidas e surpreender-se no processo. É o caso deste 3 Belezas (2014), o primeiro filme venezuelano a que assisto, em que o diretor e roteirista Carlos Caridad-Montero satiriza uma das maiores paixões do país: os concursos de beleza. A premissa não é inédita (Miss Simpatia e Pequena Miss Sunshine que o digam), mas é executada na dose certa de obsessão tragicômica para funcionar tanto como comédia quanto crítica social. Tudo começa quando Perla elege a filha Carolina de Mônaco (!), em vez da mais nova Estefania (!!), para prepará-la nos passos de uma Miss a despeito do seu sobrepeso, o que provoca uma rixa automática entre as garotas que persiste no decorrer da maioridade.
Então, como toda comédia de humor negro, Carlos Caridad-Montero desenvolve situações cujas consequências escalam no grau de desumanidade enquanto explora o fanatismo religioso, gratuitamente, o culto à vaidade e o desfazimento dos laços fraternos intactos apenas na cena inicial quando Carolina, Estefania e Salvador brincam ingenuamente no quintal de casa. Se só mencionei Salvador agora, é porque o irmão desempenha um papel fundamental, posicionando-se junto ao elo mais fraco da família com o mínimo de sensatez (que confunde-se com carência afetiva) para refletir o olhar sensato do espectador. Não, corrijo-me, não há sensatez, não nesta família.