Andryo
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Últimas opiniões enviadas

Andryo
1 ano atrás

A produção é paupérrima, figurino, cabelo e maquiagem são horríveis, atuação é pra lá de péssima, fotografia é uma das piores, efeitos especiais feitos em casa... E mesmo assim consegue ser uma das melhores adaptações de jogos e a melhor adaptação em live action de Street Figther (na verdade foi uma web série, e depois foi montado em longa metragem).

Mas como é possível ser bom com tanta coisa ruim? É a vontade de contar uma boa história, só isso. E foi o que o diretor e roteirista Joey Ansah (que também interpreta o Akuma) conseguiu. Soma-se a isso o fato das lutas terem sido feitas sem dublê pelo elenco principal e terem sido coreografadas pelo diretor e pelo ator Christian Howard (Ken), bem como todos movimentos também são reais, sem efeitos, incluindo o famoso golpe ciclone.

Então, esse é um dos raríssimos casos onde uma pessoa com boa intenção e um roteiro na mão salvam qualquer coisa. Ignore os defeitos e só curta a história e as lutas.

editado
Andryo
1 ano atrás

Me bateu vontade de assistir esses dias, de uma lista de recomendação que vi há muito tempo, onde a pessoa até informou que o roteiro não era lá tão bom, mas valia a pena pela proposta. E de fato, vale.

Bunraku, como um comentário já disse, é um tipo de espetáculo de bonecos clássico da cultura japonesa onde pessoas vestidas de preto movimentam fantoches para contar uma história linear. Os bonecos representam arquétipos, ou seja, personagens bem definidos e unidimensionais que representam um tipo comum percebido por uma sociedade ou cultura. Não há diálogos. No entanto, há um narrador responsável por conduzir a história e até mesmo fazer a fala dos personagens.

É interessante saber de tudo isso porque o filme é todo baseado nessa proposta, e assim como um teatro, as cenas foram filmadas em cenários montados como um palco teatral, por isso o visual de que tudo parece de "papelão", pois é surrealista e fantasioso. Tem até um momento que o personagem do Barman (Woody Harrelson) mostra que o hobbie dele é fazer livros pop-ups, uma metainformação para reforçar a referência visual usada no filme. Além disso, a título de curiosidade, a animação da introdução foi feita pelo brasileiro Guilherme Marcondes.

O filme foi negativado pela história ser bastante simples e, principalmente, pelos personagens serem unidimensionais, caricatos e com diálogos bastante cliches, e que todo o visual inovador e sofisticado ofuscam todo o resto. São elementos que, dentro da proposta do filme, faz todo sentido pra mim.

Os atores agem realmente como se estivessem em um palco com movimentações muito marcadas, comportamentos exagerados e diálogos esterotipados para fortalecer os arquétipos (o forasteiro solitário, o samurai honrado, a cortesã amargurada, o capaga perverso, o vilão poderoso, etc.). Todos eles agem como se não estivessem levando muito a sério o que fazem, e ao meu ver, isso acentua a sensação de que o que assistimos é a fantasia pelo ponto de vista do narrador do filme.

Mas pra quem assiste sem saber dessas referências, vai achar o filme um entretenimento vazio, o que também não há nada de errado nisso, porque o cinema de ação costuma ser escapista mesmo.

Particularmente, curti muito essa pegada caricata, exagerada e satírica do gênero. Infelizmente é um tipo de filme que agrada pouca gente, tal como aconteceu com Sua Magestade (Your Highness, 2011) ou Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (A Million Ways To Die In The West, 2014). Também acho que o filme poderia ter um desenvolvimento melhor, uma trama mais amarrada e convincente, mas pra mim isso não desmerece o que o diretor fez e muito menos a diversão que tive, sem qualque pretensão.

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